Coleção pessoal de Lulena
MÃE...
Aprecio a paisagem translúcida no espaço
Ouço o bater de sinos na capela distante
Vento varre a cabeleira dos verdes matos
No céu, vejo cortejo d’espíritos viajantes.
Balanços das folhas, vultos acenam pra mim
Dogmas infundados entre a vida e a morte
Sopram ao meu ouvido, que isso não tem fim
Círculo vicioso e simbiótico lançado a sorte.
Prolixa e moribunda divago sem entender
Na oculta inflorescência a busca do amor
Lágrimas gotejantes, doridas de um sofrer.
Na lápide, vejo um poço árido que secou
Nas flores silvestres, o toque de teu ser
Saudade mórbida foi apenas o que restou.
COSTURANDO A VIDA...
Nesse nosso presente entre um alinhavo e outro, a gente vai remendando os acertos e erros do passado, cerzindo sentimentos e emoções num futuro incerto numa colcha de retalhos…
VIDA PASSA, MAS...
Pode passar para quem não perceber
nossa presença, mas ficará para quem
sentir saudade de nossa ausência…
A CAIXA DE PRESENTE...
Olhei para o passado e encontrei um baú cheio de mofo e empoeirado…
Olhei para o meu hoje e vi um dia frio e nublado…
Olhei para o meu amanhã e eis que um anjo desce do céu e entrega-me uma caixa com um laço colorido como enfeite…
E o que tem dentro?
- Não sei, quando chegar o momento certo eu abro e vejo se gostei ou não desse presente…
Afinal, não dizem que o futuro a Deus pertence?
Para que coisas e pessoas dêem certo, é preciso
sintonia, caso contrário é perda de tempo e energia…
VAZIO...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim…
Quanto sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio…
É sempre assim!
COLCHA DE RETALHOS...
Pensamentos, recordações oscilam
num destino desfiado de renúncias
grilhões que me prendem num exílio
enleada em ti a tua e a minha vida.
indeléveis cicatrizes em minha memória
em carretéis e linhas opacas e sem cor
na caixa de costura toda nossa história
alfinetes agulhas ludibriando nosso amor.
cerzindo versos, exalando nossa essência
assim vou tecendo estática nossos pedaços
entre gotículas de lágrimas em reticências…
vozes, murmúrios, sem viços e transparências
bordando prolixa nossa colcha de retalhos…
Aguardando o tempo esvair nossa existência.
PODANDO AS ARESTAS...
Nem tudo é rosa como também nem tudo é espinho, ainda existe o caule (nosso equilíbrio) para podar as arestas que ficam no meio do caminho…
SENTIMENTO FECHADO...
Depois de um tempo voce descobre que aquela pessoa que amou no passado,
não teria sentido se estivesse hoje ao seu lado…
E sabe por que?
- Porque seria como balde amarrado e vazio suspenso num poço fechado!
PAIXÃO NUBLADA...
É como um dia nublado, onde o sol (nosso coração) vai dar um cochilo atrás das nuvens (nossas emoções).
ALMA NA JANELA...
A cada suspiro o sangue respinga…
no abismo de dor onde se encarcerou…
tingindo de flores rubras a cortina…
numa saudade lúgubre nessa sua sina
ouve risadas estridentes de vultos por estar só…
que rodopiam em zumbidos formando um nó
ela fica debruçada na janela escura como breu
até que um anjo apareça e a leve para o céu…
PAIXÃO NO FORNO...
Acabou em pizza porque a borda foi feita de vento.
Que borda é essa?
- Uma paixão que ficou no forno do esquecimento!
PENSAMENTO OFF...
Não é que a gente esquece e sim o nosso pensamento que dá um tempo e adormece, porque também cansa de esperar aquilo que nunca acontece…
TEMPO ESVOAÇANTE...
O passado é uma porta fechada. O presente uma janela aberta.
E o futuro?
- É o vento que traz a chave da porta fechada e deixa esvoaçando a cortina que ficou parada na janela aberta…
O AMOR NUNCA MORRE...
Se nossa vida interna está como uma árvore desnuda sem o colorido das flores e frutos ainda bem que temos um coração que germina e floresce amor vibrante e rubro nesses galhos secos (sentimentos e emoções).
ECOS DO SILÊNCIO...
São sons inaudíveis confusos e dispersos gerando pensamentos confusos e abstratos…
FAÇA UMA MURALHA...
Se alguém te atirar pedras, use-as como alicerces para fazer tua muralha…
Assim chegará o dia em que as pedras arremessadas sofrerão o impacto
e voltarão com mais força para quem as atirou…
