Coleção pessoal de Lulena
Depois da tempestade a bonança, mas incrível como o arco íris chora quando tenta enxugar as lágrimas de chuva do mundo.
Não pense com a cabeça, pense com o ser. Não entre na sintonia, saia da frequência. Não te desespere, mantenha a calma e respire fundo. Por mais difícil que possa parecer o problema que te aflige, saiba que ele é passageiro, assim como a folha de outono que é trazida com o sopro do vento e ornamenta o chão que pisas, também é levada para longe para que o teu novo amanhecer receba a luz do sol para que continues nessa jornada sem olhar para trás. Te posicione como uma águia que renasce das cinzas, pois a tua fé sempre virá com mais força em ti e tuas lágimas não secaram, apenas escoaram para o teu coração para que ele possa flutuar mais leve em teu peito e não doa tanto quanto suspiras.
Chega um certo momento da vida que a maturidade nos ensina que confabular com nosso silêncio nos faz ouvir a voz de Deus e só assim o tempo paralisa e cala.
Eis que um novo tempo se aproxima, e no passado o vento ainda varre as folhas de outono num chão onde deixei marcas das pisadas de meus pés e que ainda estão cicatrizando dos ferimentos de espinhos em tempos de outrora onde observava no recôndito de minha existência Aquele que em silêncio de seu sofrimento percorria aos sons estridentes de risadas e chibatadas o caminho da Luz e da Salvação.
Um estouro. Cacos de vidros pelo chão. Silêncio num suspiro fadigado pelo tempo em mais uma crise de um mundo que quero entrar e desconheço. As lágrimas não caem mais. Secaram e deram um nó no peito. Olhar confuso. Coração disparado. Autismo? Vidas unificadas num mundo sem cor em mais uma madrugada resiliente em só paciência e amor.
E aí chega uma determinada fase que falar cansa, como se estivéssemos anestesiados do tempo, então começamos a prestar mais atenção aos murmurinhos inaudíveis de nossos pensamentos e a gente percebe que apenas num simples cantar do pássaro em nossa janela ao despertar do dia é uma sinfonia vinda dos anjos para falar com nossos ouvidos surdos da vida...
Se o tempo não volta mais, não faça dele apenas uma folha oscilante ao vento, faça dele uma árvore que criará raízes e germinará no solo sementes de vida que adormece em teu passado de outrora aguardando o teu despertar de agora.
Meu corpo é preso nas amarras desse chão chamado Terra e sente a densidade do ar, mas minha alma é livre pra voar e sonhar e com meus dedos toco no céu, só assim saio desse lugar.
Ontem milhares de balões azul flutuantes em comemoração ao Dia mundial da conscientização do autismo. Depois de um ano apreciando eles estáveis e oscilantes na calmaria da imensidão do céu segurados pela mão tranquila e semblante sereno do meu filho autista, hoje um deles se solta e estoura na imprevisibilidade de mais uma crise e dos pedacinhos do balão o que vejo são os caquinhos de vidros pelo chão.
Viver é fazer um brinde com a vida dando muita risada e lembrando como aprendizado todas as tuas lágrimas derramadas.
As vezes o sorriso é sugado pelo suspiro da alma e plasmado num olhar fixo e firme na seriedade da vida.
Todos os meus sonhos estão incrustados nas estrelas e toda vez que observo a escuridão da noite uma delas cai do céu e se transforma em lágrimas quando choro.
E do sopro divino uma vida é canonizada num corpo ignoto que morre e renasce a cada suspiro nesse mundo imprescritível.
Bocas silenciam em olhares que se cruzam, mas se perdem num abraço disperso pois as almas nunca se encontraram.
E sorridente ela corre pelo campo verdejante com seu balão branco em contraste com o céu azul anil e com as borboletas coloridas que dançam a sinfonia dos anjos, mas a menina tropeça e cai e eis que um deles entrega-lhe um lencinho para enxugar suas lágrimas e que só ele viu em seus olhinhos brilhantes e nesse instante sua alma retorna e acopla num corpo de mulher. E o balão? - Continua flutuante em seus sonhos infantes.
Algumas pessoas conhecem o que já percorrestes nessa vida, todavia todas elas não conhecem o que tua alma já andou para estar nesse caminho e o porquê estás marcando passos nessa sina.
Chegará o dia em que vais tirar os calçados e pisar em terra firme com teus pés descalços pelo chão, sentirás o cheiro da terra molhada e as gotas de orvalho caindo do céu como filetes de luz que irás tentar segurar com tuas mãos.
Suposições não existem, as coisas acontecem porque tem que acontecer desse ou daquele jeito e ponto final e o mais sensato a fazer é rasgar essa página que "supostamente" não está condizente com nosso destino traçado, e o negócio é seguir em frente sem olhar mais para trás, para baixo e para os lados e sim na linha reta e acima o farol que é a luz que vem do céu...
