Coleção pessoal de Lulena

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Calce meus sapatos e depois diga-me onde aperta o calo.

Coisas ruins?
- Afasta de mim esse cálice, Pai.

A criança que existe em mim desperta toda vez que lembro de minha mãe, e então, mergulho fundo na bolsa amniótica como se fossem um mar infinito e me firmo no cordão umbilical, e faço dele meu bote de salva vidas e ela sorri pra mim e vai me puxando pro céu...

Tá difícil? Respire fundo e continue seguindo o rastro de espinhos que Jesus deixou pelo caminho, as nuances do arco íris no Monte Sinai já começaram a serem pinceladas no céu pelas mãos do Pai.

Toda vez que choras, tuas lágrimas se transformam em ondas gigantescas no Mar Vermelho abrindo passagem para que faças a travessia...

Não tropeces nos próprios pés, saibas que o andar de Deus pode ser lento, mas é minucioso e preciso e se queres chegar ao caminho, sincronize os teus passos aos Dele.

Não entre em sintonia com a voz que grita, mantenha a mansuetude em teus argumentos, lembre-se que é no silêncio que anjos enviados de Deus sussurram aos teus ouvidos...

Mesmo que tua vida pareça um novelo de fios emaranhados, não desista, pois é apenas uma pausa que Deus está fazendo enquanto desalinha os nós mais apertados.

A vida é um espelho, recebemos dela o reflexo de nossa alma.

O melhor sonho é quando a gente desperta do pesadelo, o corpo relaxa, o coração sorri e a alma espreguiça e suspira aos céus...

Refunda tua alma nesse barro chamado Terra, em formato de uma pluma, para que tenha leveza e possa flutuar no céu e Deus soprar aos ventos o teu nome quando a tempestade for anunciada...

Muitas pedras irão obstruir o teu caminho, mas teus pés a transformaram em nuvens, se prosseguires olhando sempre para o céu.

As portas nunca estarão totalmente fechadas, sempre existirá luz por entre as frestas.

O tempo não cura a dor da alma, apenas anestesia.

E as minhas panelinhas de brinquedo e minha boneca de pano? E onde foi parar a minha rede de corda onde eu via as estrelas e o vento varrendo a cabeleira dos verdes matos? e o cheiro de terra molhada e quando chovia o homem que vivia sozinho na casa de barro, dizia para nós crianças que eram lágrimas de Deus? Infância deveria ser eterna...

Destinos traçados em sinas cruzadas.

Tempestade em meio a calmaria é como ver o oásis no deserto de nossa alma.

A saudade do passado é como folhas de outono sopradas ao vento.

Estou numa fase em minha vida, que começo a sentir corpo e alma digerindo a resiliência em conta gotas todos os dias em forma de anestesia.

As vezes precisamos virar a vida do avesso pra desembaralhar o cordão umbilical que deu origem ao começo.