Coleção pessoal de Lulena
Caminhos que vem e outros vão e nesses desencontros adjacentes uma mão toca o céu e a outra toca o chão.
Sabe aquele momento em que a gente paralisa no tempo e não consegue nem falar? - Então, são nossas cordas vocais que deram um nó cego no peito e o coração apenas suspira.
A esperança entrou no Bar da Vida e pediu uma dose de felicidade , mas acabou tomando um porre, aí a realidade que estava o tempo todo vigilante ao lado dela a segurou em seus braços e soprou aos seus ouvidos: - Tudo em sua dosagem certa.
Quando uma pessoa nasce com uma determinada missão, Deus envia um anjo guardião que lhe entrega uma armadura e armas e diz: - Vai e segue que a batalha é grande e árdua, mas a tua vitória será certa!
E esses meus sonhos intangíveis, onde viajo neles com alma leve e braços abertos, mas acordo sempre com o corpo preso e olhos vendados.
E ela pediu licença para buscar a existência que partiu...e entre um suspiro profundo e outro que chora a dor da saudade da alma que não retorna deixando essa lacuna dentro de mim nesse corpo vazio que não acho inicio, meio e fim.
E o vento leva o que não é pra ficar e o que fica o tempo eterniza nas lembranças, o problema é que os ponteiros do relógio da vida insistem em voar...
E o amor se aninha no peito como embrião e pede silêncio aos murmurinhos inaudíveis do mundo la fora para que a gestação de seus sonhos emoções e sentimentos torne-se vida e não apenas uma ilusão perene que adormece em posição fetal no líquido amniótico (lágrimas) dentro do coração...
Se a gente tem o que merece, então literalmente esse mundo em que vivemos está de ponta a cabeça...tomou um porre na ceia dos apóstolos e está trocando a inversão dos valores da humanidade e nem reconhece se está girando ou apenas fazendo círculos ébrios aleatoriamente. Enquanto isso continuo tomando meu café forte pra ver se acordo dessa ressaca da vida...
Se o que planta se colhe, estou numa fase de minha vida que incansavelmente fico podando as arestas da colheita e retirando as ervas daninhas mais persistentes e enraizadas que meus algozes semearam em meu caminho para que a curva mais adiante seja frutífera para eles.
Depois da tempestade a bonança, mas incrível como o arco íris chora quando tenta enxugar as lágrimas de chuva do mundo.
Não pense com a cabeça, pense com o ser. Não entre na sintonia, saia da frequência. Não te desespere, mantenha a calma e respire fundo. Por mais difícil que possa parecer o problema que te aflige, saiba que ele é passageiro, assim como a folha de outono que é trazida com o sopro do vento e ornamenta o chão que pisas, também é levada para longe para que o teu novo amanhecer receba a luz do sol para que continues nessa jornada sem olhar para trás. Te posicione como uma águia que renasce das cinzas, pois a tua fé sempre virá com mais força em ti e tuas lágimas não secaram, apenas escoaram para o teu coração para que ele possa flutuar mais leve em teu peito e não doa tanto quanto suspiras.
Chega um certo momento da vida que a maturidade nos ensina que confabular com nosso silêncio nos faz ouvir a voz de Deus e só assim o tempo paralisa e cala.
Eis que um novo tempo se aproxima, e no passado o vento ainda varre as folhas de outono num chão onde deixei marcas das pisadas de meus pés e que ainda estão cicatrizando dos ferimentos de espinhos em tempos de outrora onde observava no recôndito de minha existência Aquele que em silêncio de seu sofrimento percorria aos sons estridentes de risadas e chibatadas o caminho da Luz e da Salvação.
Um estouro. Cacos de vidros pelo chão. Silêncio num suspiro fadigado pelo tempo em mais uma crise de um mundo que quero entrar e desconheço. As lágrimas não caem mais. Secaram e deram um nó no peito. Olhar confuso. Coração disparado. Autismo? Vidas unificadas num mundo sem cor em mais uma madrugada resiliente em só paciência e amor.
E aí chega uma determinada fase que falar cansa, como se estivéssemos anestesiados do tempo, então começamos a prestar mais atenção aos murmurinhos inaudíveis de nossos pensamentos e a gente percebe que apenas num simples cantar do pássaro em nossa janela ao despertar do dia é uma sinfonia vinda dos anjos para falar com nossos ouvidos surdos da vida...
Se o tempo não volta mais, não faça dele apenas uma folha oscilante ao vento, faça dele uma árvore que criará raízes e germinará no solo sementes de vida que adormece em teu passado de outrora aguardando o teu despertar de agora.
Meu corpo é preso nas amarras desse chão chamado Terra e sente a densidade do ar, mas minha alma é livre pra voar e sonhar e com meus dedos toco no céu, só assim saio desse lugar.
Ontem milhares de balões azul flutuantes em comemoração ao Dia mundial da conscientização do autismo. Depois de um ano apreciando eles estáveis e oscilantes na calmaria da imensidão do céu segurados pela mão tranquila e semblante sereno do meu filho autista, hoje um deles se solta e estoura na imprevisibilidade de mais uma crise e dos pedacinhos do balão o que vejo são os caquinhos de vidros pelo chão.
