Coleção pessoal de luccisantz

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Eu cansei das pessoas difíceis
não das profundas
das difíceis por ego, por pose, por medo mal disfarçado.
Cansei de provar quem sou
como se afeto fosse currículo
e presença precisasse de carimbo.
Hoje eu escolho o simples
não o raso.
O simples que fica
o simples que não some
o simples que não humilha para se sentir maior.
Se for para andar junto
que seja leve.
Se for para doer
que ao menos valha a verdade.
O resto
eu deixo para quem ainda confunde distância com valor.

Generosidade sem reciprocidade vira exploração. Empatia sem limite vira convite pra abuso.

Quando alguém quer, a pessoa não cria obstáculo bobo, não desacredita, não faz você se sentir em débito permanente. Interesse real é simples. Pode até ser tímido, mas não é hostil.

Gostar da energia de alguém não obriga você a aceitar desconforto gratuito.
Interesse saudável aproxima, não cria pedágio emocional.

Quem some nem sempre esquece.
Quem troca nem sempre está em paz com a escolha.
e arrependimento não é coisa que aparece rápido
nem faz barulho.

Se achar mais e ser difícil não obriga ninguém a se diminuir para caber no seu mundo.
Só afasta oportunidades e expulsa pessoas boas do caminho.

Eu quis ficar,
mas ficar também cansa quando só um sustenta o peso.
Fiquei até onde deu,
até o limite do que ainda era cuidado e não abandono de mim.
Depois disso, não foi ir embora.
Foi sobrevivência.

Amor é quando dá medo e, mesmo assim, você fica.
Não porque precisa, não porque falta algo, mas porque escolhe.
O resto é apego com fantasia bonita.

Refletir é aceitar que nem tudo precisa de resposta imediata.
Algumas coisas só pedem tempo, distância e honestidade suficiente para não mentir pra si mesma.
Crescer dói menos quando a gente para de brigar com o que já aconteceu e começa a escolher melhor o que fica.

Hoje o vento trouxe o cheiro do tempo
e bateu no rosto sem aviso.
Tinha gosto de estrada,
de coisa vivida,
de lembrança que não vira saudade,
mas pede atenção.

Ela é pequena e brava.


Às vezes parece que dendê corre nas veias.
Em outras, é leve e doce feito mel.
Mel da cor dos olhos que dei sem perceber.
Índia pequena.
Moça maluca.
Imprevisível, difícil de decifrar.
Em outra época, eu te daria o mar e o mundo. 🌊
Hoje não.
Hoje aprendi a fazer algo mais raro:
ficar.
Observar.
Sem posse.
Sem pressa.
Sem promessa.

“Ela apareceu sem aviso, dessas presenças que não fazem barulho, mas mudam o clima do lugar.”

"O símbolo que não fecha"


O infinito não promete.
Ele insiste.
Não tem começo, não aceita fim,
só dobra o caminho pra continuar existindo.
É o amor que não coube no tempo,
a dor que aprendeu a respirar sozinha,
o retorno eterno de quem vai
mas nunca some de verdade.
Infinito é laço, não linha reta.
É cair e voltar diferente,
errar com memória,
seguir mesmo cansada.
Não é pra sempre.
É apesar de tudo.

Acontece.
E a vida não pede permissão.
Só segue.
Quem sente aprende a andar diferente.
Quem foge repete.

Acontece.
As pessoas mudam.
Os afetos se transformam.
Algumas promessas não sobrevivem ao tempo.
E mesmo assim, certas histórias não se apagam.
Só aprendem a existir de outro jeito.

Um dia vou te encontrar de novo. Não por acaso. Por destino atrasado.
Já não serei a mesma pessoa.
Nossas vidas estarão diferentes.
Outros caminhos, outras versões, outras cicatrizes.
Mas algo em mim ainda vai reconhecer você.

A saudade veio sem pedir licença. Sentou. Ficou. Não explicou nada. Só ocupou espaço.

“Não me perdi. Eu me encontrei onde você nunca teve coragem de ficar.”

Quando você começa a gostar de estar só, algo muda de eixo.
As pessoas deixam de ser abrigo e passam a ser escolha.
E isso, goste ou não, é um tipo silencioso de liberdade.

Viver, nesta terra, não é euforia.
É insistência lúcida.
E isso basta.