Coleção pessoal de laiscastroo

1 - 20 do total de 63 pensamentos na coleção de laiscastroo

Saudade dentro do peito É qual fogo de monturo Por fora tudo perfeito, Por dentro fazendo furo.Há dor que mata a pessoa Sem dó e sem piedade, Porém não há dor que doa Como a dor de uma saudade.Saudade é um aperreio Pra quem na vida gozou, É um grande saco cheio Daquilo que já passou.Saudade é canto magoado No coração de quem sente É como a voz do passado Ecoando no presente

Patativa do Assaré
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Veio-me a vontade de dizer outras palavras, com o fito de expressar quatro coisas sobre o meu estado e que eu ainda não tinha manifestado. A primeira é que eu me amargurava muitas vezes, quando a minha memória induzia a minha fantasia a imaginar as mutações que o Amor produziria em mim. A segunda era que o Amor, muitas vezes, me possuía tão fortemente, que outra vida não restava em mim senão o pensamento que falava dessa mulher. A terceira é que, quando essa batalha amorosa se travava dentro de mim desse jeito, eu ia ficando cada vez mais pálido à procura dessa mulher, certo de que haveria de tomar o meu partido, ao assistir o semelhante em combate _ mas eu me esquecia o que acontecia comigo toda vez que me aproximava de tanta graça. E a quarta coisa é que esta visão não só não resultava em meu favor, como, ao contrário, acabava, em definitivo, com o sopro de vida que ainda me restava. Disse então o seguinte soneto: Perversas qualidades dá-me o Amor...

Dante Alighieri.
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Soneto da perdida esperançaPerdi o bonde e a esperança. Volto pálido para casa. A rua é inútil e nenhum auto passaria sobre meu corpo.Vou subir a ladeira lenta em que os caminhos se fundem. Todos eles conduzem ao princípio do drama e da flora.Não sei se estou sofrendo ou se é alguém que se diverte por que não? na noite escassacom um insolúvel flautim. Entretanto há muito tempo nós gritamos: sim! ao eterno.

Carlos Drummond de Andrade
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Tenho ciúmes de tudo em que a beleza não morre.

Oscar Wilde

Eu estabeleço uma norma para diferenciar bem as pessoas. Escolho os amigos pela beleza, os conhecidos pelas qualidades de carácter, e os inimigos pelas de inteligência. Todo o cuidado é pouco na escolha dos inimigos. Não tenho um único que seja estúpido. São todos homens de capacidade intelectual e, por conseguinte, todos me apreciam.

Oscar Wilde
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Se me proponho ouvir. Vem do Nada. Dos vínculos desfeitos. Vem dos ressentimentos. E sibilante e lisa Se faz paixão, serpente, e nos habita.

Hilda Hilst
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Tem trechos em que a vida amolece a gente, tanto, que até referver de mau desejo, no meio da quebradeira serve como benefício.

Guimarães Rosa

Esperamos e esperamos. Todos nós. Não saberia o analista que a espera é uma das coisas que faziam as pessoas ficarem loucas? Esperavam para viver, esperavam para morrer. Esperavam para comprar papel higiênico. Esperavam na fila para pegar dinheiro. E, se não tinham dinheiro, precisavam esperar em filas mais longas. A gente tinha de esperar para dormir e esperar para acordar. Tinha de esperar para se casar e para se divorciar. Esperar para comer e esperar para comer de novo. A gente tinha de esperar na sala de espera do analista com um monte de doidos, e começava a pensar se não estava doido também.

Charles Bukowski
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É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.

Charles Bukowski
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Dois e Dois são QuatroComo dois e dois são quatro Sei que a vida vale a pena Embora o pão seja caro E a liberdade pequena Como teus olhos são claros E a tua pele, morena como é azul o oceano E a lagoa, serenaComo um tempo de alegria Por trás do terror me acena E a noite carrega o dia No seu colo de açucena- sei que dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena mesmo que o pão seja caro e a liberdade pequena.

Ferreira Gullar
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Vê se me esquece Já que você não aparece, venho por meio desta devolver teu faroeste, o teu papel de seda, a tua meia bege, tome também teu book, leve teu ultraleve carteira de saúde, tua receita de quibe, de quiabo, de quibebe, do diabo que te carregue, te carregue, te carregue teu truque sujo, teu hálito, teu flerte, tua prancha de surf, tua idéia sem verve, que nada disso me serve Já que você não merece, devolva minhas preces, meu canto, meu amor, meu tempo, por favor, e minha alegria que, naquele dia, só te emprestei por uns dias e é tudo que lhe pertencePS: Já que você foi embora por que não desaparece?"

Alice Ruiz
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Votos de submissãoCaso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado. Costuro as suas meias para o longo inverno... Use capa de chuva, não quero ter você molhado. Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro. E verás como minha a minha pele de algodão macio, agora quente, será fresca quando janeiro. Nos meses de outono eu varro a sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas. O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda - Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas - Depois plantarei para ti margaridas da primavera e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo total desejo de quimera. Os meus desejos irei ver nos teus olhos refletidos. Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim. Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim. (Nem vou deixar - mesmo querendo - nenhuma fotografia. Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia).

Fernanda Young
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E, mesmo assim, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.

Fernanda Young
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AprendizadoDo mesmo modo que te abriste à alegria abre-te agora ao sofrimento que é fruto dela e seu avesso ardente.Do mesmo modo que da alegria foste ao fundo e te perdeste nela e te achaste nessa perda deixa que a dor se exerça agora sem mentiras nem desculpas e em tua carne vaporize toda ilusãoque a vida só consome o que a alimenta.

Ferreira Gullar
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Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.

Martha Medeiros
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Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Adriana Falcão
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Capítulo VIII Razão contra SandiceJÁ O LEITOR compreendeu que era a razão que voltava à casa, e convidava a Sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo: La maison est à moi, c´est à vous d´en sortir.Mas é sestro antido da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar.É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, umas de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, porque a aventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já a Sandice se contetava com um cantinho no sótão. _Não, senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sotão à sala de jantar, daí à de visitas e o resto. _Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério... _Que mistério? _De dois, emendou a Sandice; o da vida e o da morte;peço-lhe, só uns dez minutos. A Razão pôs-se a rir. _Hás de ser sempre a mesma coisa ... sempre a mesma coisa ... sempre a mesma coisa ... E, dizendo isso, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas dessenganou-se depressa, deitou língua de fora, em ar de surriada, e foi andando ...Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Machado de Assis
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O drama de uma vida pode sempre ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? Nada. Deixara um homem porque quis deixá-lo. Ele a perseguira depois disso? Quis vingar-se? Não. Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.

Milan Kundera
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Só o inimigo não trai nunca.

Nelson Rodrigues
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O apanhador de desperdícios Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios

Manuel de Barros
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