Coleção pessoal de katiacristinaamaro
Pare para ouvir o coração
Afaste-se do barulho e acolha com amor o ruído de suas inquietações.
Sintonize-se na frequência dos batimentos da alma.
A alma é um ser vivo cuja linguagem é o silêncio e a respiração é a paz.
Você é alma.
Nessa percepção tudo se aquieta, dentro e fora.
Nesse estado Deus também é o silêncio.
E a respiração 'Dele' é o Amor
Silêncio é a senha para conectar com Deus.
Amor divino é a experiência.
Sou a distância de mim...
Sou a distância de mim a um tempo inteiro.
A distância distanciada da mulher edificada
à menina singela que habitava a minha infância.
Sugo o vento em compasso, neste travo que sorvo,
sugando líquido, o ar corrosivo do espaço.
Sou o verde rejuvenescido no segredo
e o negro opinado do teu indómito medo.
Serei a erva pegajosa onde a ofídia acasala,
onde a cigarra se expande no canto anfíbio de rala.
O zumbido intrigante do mosquito e do besouro.
Sou talvez a obscuridade da própria sombra,
vestida de galhos, de desgostos, no viço intrínseco
projectado na íris dos teus olhos.
Planta carnívora abocanhada em púrpura exótica.
Sou miragem.
Ilusão de óptica.
Serei por ti seara dizimada na fome ávida da praga.
E por ti e para ti, tesouro a refulgir
nos círios do meu olhar, verde-esmeralda,
em sangues escaldantes de rubis,
nos néctares densos dos outeiros e cabeços.
Sou esta e sou a outra, a que absorta,
se pesquisa no trilho de uma vida revolta,
na senda do caminho da nossa raiz comum.
Sim, sou a distância de mim a um tempo inteiro,
habitante deste tempo e de tempo nenhum...
Da planície das coisas por escrever...
Da planície das coisas por escrever nasceu um lírio
sem trono
sem tecto
sem espelhado afeto.
Nasceu parido do ventre dos lamentos e gemidos,
dos ruídos derrotados e vencidos das cigarras.
Nasceu cuspido na cara desmaiada das palavras
cruas. Maltratadas.
Da serra elevada aqui ao lado
rebolam-se nervos cardados de memórias
num rosto moreno, a navegar-se em moradas de charcos.
Barcos áureos sem rumo, sem velas, velejam-se
ao som da voz cantada.
Da voz que, cansada de si, pranta,
em longínqua estrada.
Perco-me entre o plano e o composto.
Rebusco a chama distante do teu corpo,
a lava adormecida na noite do enigma.
Busco um momento
na seiva cálida do teu gosto
na saliva lenta da renuncia a escorrer-se aberta
na esteira pálida da palavra.
Num adeus distante de gestos gastos e repetidos,
no tédio déspota dos sentidos.
Na planície acerada dos trigais,
não te encontro nem sequer me encontro mais.
Mergulho no charco pardacento, o verbo,
a palavra, o sentimento.
Na boca bafiosa sinto gelo, moribunda rosa.
No estômago o soco, o invólucro transparente do nada.
Sopra da serra um mundo agreste,
que me veste do fim e me despe do começo de mim.
Da planície das coisas por escrever,
das coisas por viver, nasceu um lírio nado-morto
a pontear de roxo um espaço devoluto de oco.
Ao longe, na boca do mar, nasce agora o Sol-posto.
Uns e outros
Alguns reclamam das filas. Outros ansiosos estão nela para receber seus trocados.
Uns falam demais. Outros ficam em um silêncio obrigatório por falta de conhecimento.
Uns caminham apressados para não perder o tempo, a vida, o sucesso, o trabalho, a luta, o dinheiro. Outros vagarosamente fazem da caminhada um passo seguro para a liberdade.
Uns formulam, reformulam, hesitam, forçam, reforçam e sem saber o que fazer não tomam nenhuma decisão. Outros, que também pouco sabem, vão experimentando sem nada deixar escapar.
Uns limpam a casa. Outros cuidadosamente deixam a alma pronta para o que der e vier.
Uns dão sorrisos ensaiados, comemorando os ganhos. Outros gargalham como simples forma de celebrar alegria.
Uns fingem que sabem. Outros mostram que precisam aprender.
Alguns imitam para ser. Outros são escancarados de autenticidade.
Uns vivem em estado de preocupação. Outros ocupam-se em florescer boas intenções.
Uns são securas. Outros terras férteis.
Uns possuem bens. Outros são do bem.
Uns matam a vontade. Outros renascem em esperança.
Uns procuram o sucesso. Outros encontram a serenidade.
Uns agarram a certeza. Outros devolvem a paz.
Uns são fortes. Outros são suaves.
Uns usam os meios. Outros as finalidades
Uns falam. Outros, amam.
Camafeu!
Não é o meu melhor. Sei que mais posso e mais sou. É o fato que a vida ronda muito mais que a morte, o limite do meu eu. No entanto, busco a sorte como forma de combate e me vejo em alto relevo retratada num camafeu. Ah! Insano mundo que gradeou meu olhar numa viseira de breu. Voilà! É que a garganta expele grunhidos enrouquecidos e febris de solidão.
Desconheço o meu melhor porque busco inconstância na obstinação que emana do lírico amor de Orfeu. Não existe mulher Eurídice. E nem mesmo o sal que ardeu suas entranhas é o mesmo sal que me ardeu.
BNão sei do meu melhor. Pode ser que ressurja do nada, faça-me e me desfaça e novamente dê adeus! Ou, quem sabe, o melhor já esteja e me faça menos excêntrica, mais vital, mais essência e nunca mais, Camafeu!
Ressurge
Qual dom, qual tom imprimira
Em versos, quartetos e tercetos,
Imitando a arte dos sonetos,
Ressurreição conseguira
Como a Fênix, das cinzas renascida
Do recôndito de seu ser, acorda a alma
Da mulher, da mãe, da eterna calma
Por tempo dormente, esquecida
Ei-la que surge, tímida e lentamente...
Das trevas da literatura, despertada
A luz de um poeta inspirou-lhe a mente
Do ego saciado, pelo elogio
Da lembrança dos tempos idos
Veio o poeta, acendeu-lhe o pavio.
Atire-se no primeiro rio,
que você vem parar no mar.
Estou te esperando na praia,
pra gente de novo se amar.
Na intimidade dos seus estímulos contínuos,
sob seu olhar malicioso,
um misto de calor e desfalecimento.
Tiro certo, da embriaguez ao patamar do amor.
Loucuras
As loucuras fazem parte da existência
E merecem todo nosso louvor
São o tempero da vida
E imprescindíveis no amor.
Pense numa criança carente e ansiosa
Louca pra passear
Assim são as doces loucuras que nos afagam
E nos excitam sem parar.
Não brinque com as loucuras
Trate-as com seriedade.
Pois lá no fundo sabemos
Que são uma grande verdade.
Minhas loucuras as guardo
Com muito orgulho e carinho
Pois ajudaram-me muito
A trilhar o meu doce caminho.
A Neve
Às vezes nevava.
O céu oferecia a neve para poder entrar na folia,
como qualquer de nós cedia a bola para entrar no jogo.
Os dedos só gelavam nos primeiros instantes.
Daí a pouco tempo, as mãos ardiam como brasas.
Às vezes nevava.
Era um lençol branco e imenso, quase sem limites.
Mesmo assim, alguns levavam braçadas de neve para casa,
na esperança de que assim não derretesse.
Uma qualquer espécie de alquimia
haveria de conservar o gelo
e transforma-lo em miragem perene e mágica,
para íntimo deleite.
Às vezes nevava.
Fazíamos anafados bonecos com apêndices postiços,
bolas de arremesso,
construções que a imaginação
e a quantidade de gelo permitiam,
escorregas improvisados.
Às vezes nevava
sem sabermos muito bem porquê,
nem o préstimo de tanta alvura.
Mais do que em pedra...
Mais do que em pedra,
mais do que na dureza fria resistente ao desacato dos dias,
queria saber escritas no Tempo as minhas palavras.
Acalento a esperança pretenciosa
de que algumas possam existir
que alguém torne suas, e as guarde profundamente,
acrescentando-lhes uma sobrevida própria,
já independentes de mim, seu criador.
E que assim se eternizem por mais um pouco,
talvez apenas o tempo de um sonho que provoquem.
E que, de todas as vezes,
sejam elas a recriarem-me, se forem lidas,
e a evocarem-me, se forem lidas uma segunda vez.
( E a sustentarem-me como memória, se guardadas:
- um pedaço de mim alforriado, intemporal,
olhando-me diretamente nos olhos,
profundamente,
sem jamais dizer adeus... )
Loucuras de Amor
VOU ME RENDER À MINHA LOUCURA
VOU ENTREGAR OS PONTOS,
Provar toda a doçura
Dos seus beijos.
VEM VER O QUE ACONTECE
VEM LEMBRAR O MEU AMASSO
Envolver-se em meu abraço,
De um jeito que só você conhece.
VOU CAMINHAR PELOS ARES
VOU NAVEGAR PELOS MARES
VOU ENFRENTAR OS MEUS MEDOS
E a mim se entregar sem segredos.
VEM FICAR COMIGO
Quero ser seu abrigo
JÁ ENTREGUEI MEU CORAÇÃO
À esta louca paixão
VOU buscar novas RIQUEZAS
VOU superar OS CONFLITOS
VOU acabar COM A INCERTEZA
VOU DESVENDAR OS MEUS MITOS
É meu desejo ardente,
Que faz de mim pura loucura
E o seu Amor me cura,
Completa e suavemente...
Nosso Jardim
Teu jardim me encanta,
E TU, COMO A ROSA MAIS BELA,
Inebria-me com teu perfume...
E ME FAZES SUSPIRAR, COMO A TE VER NUMA TELA
Entre tantas flores, doce jasmim,
ENTRE TANTOS AMORES, ESCOLHI-TE PRA MIM,
Colores meus dias
FAZES BRILHAR MEUS OLHOS,
Com tuas fantasias,
E NO FIM, ME DÁ SEU COLO,
Fortes como o vermelho carmim
ME CHAMA –MEU BEM, FICO ASSIM,
Da rosa que ofereces a mim...
DO BEIJO QUE ROUBO DE TI,
Torna-me a tua dama,
ME LEVA PRA SUA CAMA...
Que a noite te ama...
ME CHAMA, ME GANHA,
Ou então margarida,
QUALQUER FLOR, MINHA VIDA,
Desejada e querida!
ME DIZ, SEU AMOR...
Deixa-me ser tua flor
VEM COMIGO ONDE EU FOR,
E te oferecer meu Amor!!!!
A TE RECEBER COM UMA FLOR...
Hoje eu sou mais feliz do que ontem,
Dei um passinho pra frente.
E eu demorei tanto pra aprender,
Acho que esse pode ser o maior segredo da vida...
Um pequeno passo diário em direção a luz.
E ainda que eu não esteja onde sonhei estar,
Sorrio porque estou a caminho de lá...
Pois amanhã serei mais feliz
Do que sou hoje.
"MAIS FELIZ QUE ONTEM"
"Faço uma prece: Quando meus olhos insistirem demais em ver coisas sem importância e insignificantes, peço que o coração tome a direção e os ensine a ver o que realmente vale a pena."
Eu sei que você constantemente fica se perguntando até onde as coisas e as pessoas vão. E eu te digo: tudo vai até onde deve ir. Pode parecer uma visão conformista ou simples, mas todas as coisas que ocorrem só acontecem porque precisam acontecer.
A gente percebe que tá diferente quando a vontade de ser feliz grita mais alto que o medo de arriscar. Quando o incerto não assombra e quando correr riscos se torna divertido.
Lembrete
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
Existem coisas reservadas pra gente que foge do nosso entendimento, mas que lá na frente vai fazer todo o sentido. Por isso nunca perca a fé.
