Coleção pessoal de katiacristinaamaro

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O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo.

Já plantei tanta coisa. Plantei sementes em terra áridas para dias de pouca fartura. Plantei tardes bonitas numa janela que se abria para o sol entrar. Plantei conversa mole com voz dissonante em noites de extrema preguiça só pra não ter que raciocinar.
Plantei lua nova no céu, para um relacionamento que se iniciava. Depois, plantei silêncio repleto de questões, quando a coisa esfriou.
Plantei risos em dias completamente normais e insônia nas noites cheias de torturas e angústias. Penso que não resolveu, pois elas se repetiram.
Plantei alegria sólida e pensei que duraria uma eternidade. Ela foi gasta em porções generosas e não sobrou nada para o dia seguinte. Plantei sorte para o acaso, liberdade para os entraves, solidariedade para os aflitos, claridade para as dúvidas, parágrafos para as explicações, roteiros para os caminhos tortos, conforto para os invernos, floração para a nudez da paisagem, fantasias para as adultices, risos para as lágrimas.
Plantei sangue e suor para dispersar os problemas. Teimosos que são, eles continuaram. E fiquei plantada esperando a vida mudar. Amanheceu. Entardeceu. Anoiteceu. Inevitavelmente a vida mudou e não me avisou para onde foi.

Ultimamente não tenho esperado nada. Não estou a fim de me surpreender, muito menos de me decepcionar.

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

"A lei da atração é uma lei da natureza. É tão imparcial quanto a lei da gravidade!"

Para lá do infinito...

Para lá do infinito, o grito.
O grito que se alteia da falésia e que me chama,
que me clama na onda nova e na babuja que se eleva
Que sobe, que me absorve, que me suga
e que me degola do ventre à alma.
Para lá do infinito
nada existe, nada subsiste
se não floresce, se não se renova,
senão emerge de si, em Si
Maior, na flor do amor. Do amor maior.
A alma chora, goteja.
A alma escorre-se em nojo pela arriba.
Morre.

Para lá do infinito, no azul completo,
inteiro e absoluto, relampeja o grito!
Tudo se explode, tudo troveja.
Para lá do infinito, apenas a fantasia, o sonho,
o desejo de um só beijo, sustém a queda!

Visionária.

Há letras tortas
Quase tecidas
Pontos em cruz
Vírgulas escondidas.
Há Alfa, Beto e José
E nas Marias esquecidas
Repletas de bem me quer
Exaustas de cicatrizes.
Há ninhos repletos
Cobertura de sapé
Travessas paralelas
Ipês aos pés da serra
Luares e cafuné.
Maria também malditas
Da beira do cais
Dos vinhos baratos
Maria dos canapés.

Viagem...

Quando começa uma viagem?
Levanta voo, num instante, em direcção ao azul?
Por estradas ou pelo mar?
Onde nos leva?
A lugares de sempre?
A espaços por descobrir, desejos secretos?
Partir à aventura sem rumo certo??
Depois há aqueles caminhos de terra batida onde o tempo se esquece.
Levam-nos para lugares de ninguém, cheios de sons quase desconhecidos.
Ouvimos pássaros ou aves. Não lhes sabemos o nome!
Um pardal, um melro, um pintassilgo...
Sentimos cheiro do rosmaninho, da urze...
Viagens que fazemos sem sair do mesmo lugar!
E tão longe nos levam entre lembranças passadas, instantes vividos...
Onde o hoje já é ontem e pode ser (ou não) o amanhã!

O homem criativo não é um homem comum ao qual se acrescentou algo. Criativo é o homem comum do qual nada se tirou

Queria ter te conhecido antes, muito antes, para que nenhum de nós dois tivesse medos ou cicatrizes. Queria ter estado com você quando seu coração descobriu o que era amor, quando seu corpo descobriu o que era desejo, e antes que pudesse sofrer eu estaria do seu lado te amando e me entregando, e juntos poder ter aprendido as lições da vida e do coração. Queria ter te conhecido quando suas esperanças começaram a nascer, quando seus sonhos ainda eram puros e seus ideais ainda ingênuos. Pena termos nos encontrado só agora, já com o coração viciado em outros amores, com uma imagem meio falsa do que é felicidade, do que é se entregar. Queria ter te encontrado numa nova vida, num outro tempo, em que não precisássemos temer o nosso futuro, nem nossos sentimentos.

A arte de declamar, a arte de recitar que embalava os doces devaneios de uma menina, não esmaecera com o tempo, apenas adormecera em profundo sono, num tempo rude que suga a vida e que dela rouba a alma. Não pudera o tempo ido desencantar-lhe, nem as mazelas lhe findaram o que tinha no íntimo. Na insustentável sofreguidão do ser, busca incansável a sua maneira de ser, a sua maneira de estar no mundo, em consonância com sua essência.
Lembra-me com saudade, subir ao palco e cheia de graça e uma incontida emoção, desfilando em versos a mais pura forma de homenagear, que fazia inundar de lágrimas os olhos daqueles que viam naquela arte, a mais pura forma de demonstrar amor.
E a menina cresceu e lá se vão muitos anos passados. Não mais subiu em palcos e nem sequer mais recitou, mas lá estava ainda adormecido o gosto bom de gostar, de ver estampado em versos, na expressão da poesia, as inquietudes, anseios, amores, paixões, alegrias e tristezas do ser.
Quanto mudou o mundo, quanto as pessoas se distanciaram, quanta modernidade. O mundo que era real destoa da realidade. Não mais se encantam com a poesia, quanto outrora, com a mesma fidelidade de sentir a intensidade dos sentimentos. Mas a menina de outrora ainda se emociona ao ver que ainda sobraram aqueles que não sucumbiram ao tempo. Ainda se emociona quando no mundo virtual ou real, depara-se com as poesias que povoaram a sua alma e sua mente na infância.

Impossível contar a história da minha vida,
sem uma citação especial à poesia.

Flor de beira de estrada!!!

Desculpe minha franqueza
Não fiques magoada
Mas fostes apenas uma flor
Que encontrei na beira da estrada.

Colhi-te sem pensar
Por pura fraqueza
Envolvido pelo teu perfume
E por tua beleza.

Aprendi a lição
Não irei mais fraquejar
Descobri que flores de beira de estrada
São apenas para se admirar................e nunca para brincar.

Sombras...
Não há sombras matizadas
de alegria e sofrimento.
Todas elas são pardas,
todas vestem de cinzento.

As sombras são como o vento:
só sabem bem na estiagem.
De resto, varia o lamento,
dependendo da aragem.

Quer sombras, quer sobras – dizia
a minha avó – não quero à frente.
As sobras fazem-me azia
e as sombras constrangimento.

Não sei de que tempo me olham,
por um momento apenas,
interrompendo o seu jeito de nada fazer.

Depois,
regressam aquele nadismo branco-gritante,
e somem destacando-se contra a paisagem
amorfa de mentiras que, teimosas,
se empenham em destruir.

E incomodam, assim teimando,
porque destroem as desculpas.
Porque vivem, e se alimentam,
dum rio onde se diz não haver vida,
e apontam como um dedo branco,
silente mas acusatório, hediondos,
os muros desprezados nos fundos dos quintais
- para onde ninguém olharia se não fossem elas.


Porque apontam os canos brancos de plástico
ostensivamente despejando segredos
nas águas que são (não são ?) de todos.


Porque chamam a atenção para garrafas plásticas,
para as sacolas óbviamente desnecessárias,
e para os objetos mais estranhos
que a deseducação e o desleixo produzem.


Incomodam porque regressaram e estão aí,
e elevam ao alto um restinho de alma de poeta
que ainda existe em nós, quer o saibamos ou não.


Incomodam, porque foi preciso recolher
e tratar o esgoto da cidade.


Incomodam porque foi preciso aprofundar
o leito das águas e limpar lixo acumulado
por gerações de olhar indiferente.


Incomodam porque fazem ninhal
nas árvores beirando as casas,
numa esperança de vida.

Numa esperança de continuidade a que somos obrigados a corresponder enquanto nos olham
com alguma displicência.
Como se viver ou morrer
não lhes fosse coisa muito importante.
Não tanto quanto as nossas consciências.

O gato que parou na da lua...

Sentado no telhado olha a lua e mia baixinho.
Olhos brilhantes escuros como quem vai pular.
Quantas vezes pula, quantas vezes cai no espaço da lua...
Assim acredita, por ser louco de amor pela lua.

Parado fica contemplando sua luz e pergunta-se:
-“Como posso chegar até minha bela Cíntia”?
Solitário e sem resposta se contenta por adorá-la de longe...
Astuto e ágil planeja cortejá-la, pois sim, quer mesmo beijá-la.

Gato tolo! Apaixonado e vidrado na sua musa que sem dó o desdenha.
Iludido pelo seu brilho mia - “Sem você sou cego, sem graça e sem planeta”!
Porém cego, sempre, e perdido de amor! Ele mia e implora seu amor.

Sua lua se esconde entre nevoeiros e ele mia de solidão" lunar".
Ela volta como leve fumaça e mais linda, ainda, cintila à noite cheia.
O gato patusco vibra e mia longe a espantá-la com seu uivo gatuno.
Irritada ela refulge-se por trás das altas árvores com timidez faiscante.
Cansado e desanimado encolhe-se e vai dormir.

Esperando que sua amada volte na madrugada seguinte...

As dores do mundo
Eu sinto as dores
Dos trilhos
Órfão casal
Sem o carinho do trem

Eu sinto as dores
Do sertão
Chuva torrente
Luar? Platinar a quem?

Eu sinto as dores
Do parto
Calor da alma
Seus chutes também

Eu sinto as dores
dos meus amores
Castos pastores
Sem teus olhos decolores

Eu sinto as dores
Das flores
Que florescem teus lábios
Mas choram o campo

Eu sinto as dores
Das palavras
Presas nos olhos
Se afogando no sal

Eu sinto as dores
Dos braços
Pontes eternas
Entre a alma e o corpo

Eu sinto as dores
Dos meus pés
Seguindo os sapatos
Que seguem tua voz

Eu sinto as dores
De cães doentes
Que comem capim
E não sabem falar

Eu sinto as dores
Dos meus tremores
Sem os cobertores
Dos teus amores

Eu sinto as dores
Da inocência tua
Que olha adiante
E só vê uma sombra

Eu sinto as dores
Da pressa tua
Que olha atrás
E não vê a minha.

Saudades de você!!!

Sentir saudades é horripilante, doloroso e angustiante. É querer e não poder.
Lembrar e chorar. Sentir saudades é aquela dor no peito. Aquela vontade de ter por
perto, mesmo estando longe. Sentir saudades são lembranças instaladas na sua mente,
gritando para serem vividas de novo. É o seu corpo sentindo falta do outro. Sentir
saudades é aquela dor, que não cessa, que não te deixa em paz. É aquela dor irritante
e mimada, que implora e chora. Sentir saudades são seus sentimentos falando com sua
mente. Seu subconsciente desejando aquele alguém, de novo, perto de você, MINHA PEQUENA PEDRA PRECIOSA..

Luz!!!

É tão mais fácil do que escuridão. Luz se esgueira rapidinho por qualquer fresta.
Escuridão só entra depois de fecharmos todas as janelas ou apagarmos todas as luzes, ainda assim se ficar uma fresta a insistente luzinha entra.
SEJA LUZ.
Se não achar um bom motivo para ser, faça-o nem que seja porque dá menos trabalho

Delírio de amor!!!

Quando n'alta noite na amplidão flutua pálida a lua com seu fatal esplendor. Não sabes, querido, que por ti suspiro e que deliro a suspirar...

AMOR!!!