Coleção pessoal de katiacristinaamaro

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O carinho é responsável por nove-décimos de qualquer felicidade sólida e durável existente em nossas vidas.

Talvez tenha construído demasiado longo
esse túnel feito de palavras.
Esmeradas, escolhidas, polidas como jóias.
Únicas todas elas, raras e tão especiais.
Mas um túnel demasiado longo,
sem claridade na saída. Nada.
Nada, a não ser o brilho escuro, familiar,
vindo do próprio túnel, onânico, solitário,
de mais palavras desabrochando momentos,
feições novas de velhos significados revistos,
velhas roupagens puídas cerzidas mais uma vez.
Apenas mais palavras.
Uma espécie de infinito tornado cúmplice,
noite, penumbra escondendo os outros,
suas dores, mágoas, medos, monstros,
e escondendo-me de quase todos eles.
Tudo para dar-me o tempo de mais um poema,
jamais singular, e jamais definitivo,
como tanto desejaria que fosse.
Jamais um poema revelador, feito de luz,
maior que apenas um monólogo incontido,
mostrando-se além da prudência
que o tempo trouxe.
E, inevitavelmente,
jamais algo que me colocasse
além das simples palavras.
E de monólogos no meio de um túnel.

Em nome do amor...

Fiz tantas loucuras na vida
Brinquei muito com o amor
E nessa busca frenética
Sofri e causei muita dor.

Alimentei esperanças
E também fui alimentado
Mas juro que sou inocente
Nada foi premeditado.

Se alguém ainda me culpa
Quero pedir um favor
Aceite minhas desculpas
Fiz tudo em nome do amor.

Ando numa turbulência que parece não ter fim.
Coisas do coração.
Felicidade, infelicidade...
Os sentimentos se alteram quando o amor chega avassalador e se inclina sobre mim.
Faço poemas que se perdem na gaveta.
Arquivo sentimentos que flutuam e me transformam.
Os momentos felizes reavivam o coração e o corpo.
Mas os infelizes,me conduzem à essa audaciosa saudade.
Sou assim. Sou diferente.
Sou poeta.
E poeta vacila, umedece os olhos,fala sozinha, escolhe certo, escolhe errado, age como anjo, se comporta como bruxa.
Engorda, emagrece, cresce e decresce, num estalo.
Mas sempre folheia seus tédios.
Sempre se restabelece.

FACE DE MULHER
Conta-lhe o tempo (sem sentido),
as suas amarguras, suas cicatrizes.
Ainda que lindo, o sorriso contido,
confia e espera, por dias felizes...

Transita, pela nudez da inocência,
do tempo, por uma nudez madura...
Pela face, estampa dessa existência,
já desenhadas pelo fogo e candura.

Torrentes de lágrimas pelas noites,
roubaram-lhe a alegria, seu encanto,
dessa face de mulher, em açoites...

Essência que perturba, ora fascina,
se recolhe, ao recobrir-se, pelo manto
do amor, sua ânsia intensa. Sua sina...

Vale mais lutar com gente de bem do que triunfar sobre gente ruim.

Guarda-jóias de minha Mãe

...era uma caixinha com aplicações de madrepérola, o guarda-jóias que poderia estar em cima de uma cómoda, no quarto de minha mãe. Talvez com anéis, pulseiras e , quem sabe, algum bilhete especial, bem dobrado e guardado cuidadosamente....

Aquele guarda- jóias não era meu mas cuidava-o como se o fosse! Não tinha ouro ou missangas, bilhetes nem segredos ; apenas os pequenos espelhos, divisórias em veludo vermelho, a bailarina e um botão de corda!

Pé ante pé, quantas vezes me escondi num cantinho da sala grande para lhe tocar. Devagarinho, levantava a tampa e via aquela bailarina vestida de tule rosa. Rodava, rodopiava e eu não me cansava de a olhar! Repetia vezes sem conta o mesmo gesto de lhe dar corda para mais um instante mágico de dança....

Hoje ainda está no mesmo lugar. Quando o vejo, nem sempre o abro... Olho e sorrio para mim.Por breves instantes relembro esses tempos, outros tempos, de menina.

Talvez haja um tempo certo para sentir a magia de uma caixinha de música (ou não!) .

Há lembranças que ficam, sempre.

"Hoje fiz de conta
Que o mundo era meu
Quis pinta-lo alegre
Como eu
Mostrar a toda gente
O que estava a sentir
Como as coisas simples
Nos fazem sorrir
II
Hoje fiz de conta
Que tinha o mundo na mão
Quis que não fosse um deserto
De solidão
Toda gente corre
Sem saber
E passa pela vida
Sem viver"
(...)

"Ninguém vê
O dia a nascer
O amanhecer
Ninguém vê
A vida acontecer
Ninguém faz castelos
No ar
E não há quem queira
Sonhar
Já ninguém pára
P'ra ver em vez de olhar
Já não há
Quem repare no luar"

há pessoas que se esqueceram de como é importante criar laços...

Mesmo que se solte uma lágrima de saudade num momento seguinte...

Um laço que nasce , enlaça, abraça, cresce, ama, vive...

Não se desfazem laços quando foram vividos de verdade.

Por vezes soltam-se as pontas mas fica sempre o nó que devemos guardar em nós como um tesouro, apesar da mágoa...

De diferentes laços que criamos todos nos completam , fazendo-nos sentir e ser...

Olhar o céu, ver um sorriso na estrela mais brilhante, é como lembrar uma enchente de maré.
A ligação entre o céu, a terra e o mar.

Quem tem a capacidade de sonhar não foge do real mas complementa-o de uma forma diferente .

Em noites calmas de luar
Uma estrela brilha de mansinho

Brincam e sorriem como crianças
Falam para não se sentirem sós
Choram quando se escondem
São como as aves de penas soltas
Tocam a terra sentem o sal do mar
Fazem castelos na areia das praias

Os verdadeiros tesouros da Vida
Não são ouro ou diamantes

No Paço Real guarda-se a memória de outros rostos,
Painel do Tempo, unindo pedaços soltos, história(s)
Uma carruagem antiga, a pressa, a visita inesperada.


Cumplicidades, vestidos longos, em festas de gala.
O choro de quem chega ao Mundo, embalo de amas,
Por mãe, na dor sublime e filial, alegria plena , Vida.



Uma carta escrita ao sabor da pena, o romance anuncia.
Cetins e sapatos de verniz, chapéu de plumas, em espera.
Ou o lamento da perda, um amor impossivel , a renúncia.




No castiçal de prata , outra luz indica caminhos na noite.
Tempo de repouso ou a fuga para um destino qualquer...
Há os que dormem em sossego, outros partem sem norte!

A urze cresce rasteira pelos pinhais.

Entre o verde, surge pelas encostas.

Quase em silêncio, adivinha o calor,

Nos passeios alegres das crianças!

Em brincadeiras ou jogos de bola,

Refrescam os seus pés em ribeiros;

Nas águas límpidas, aquecidas pelo sol.

Você faz suas escolhas...
e elas fazem você!

Se tu pudesses virias comigo
Se o acaso não fosse plural
Se o momento acontecesse
Se o mundo aquietasse.
Mas tudo voa mesmo sem asas
E a chuva molha até as saudades.
Se eu pudesse reter o sal
Para que o tempero se apurasse...
Ah, se eu pudesse!!!
O meu desejo expandiria além
Muito além do tênue limite
Entre razão e emoção.
Por isso no "se" dos "ses"
Que nos acontecem
Nas exclamações sentidas
Nas interrogações expostas
Te levarei em versos doces
Sem qualquer rima
E voltarei sempre pronta
Já que a bandeira
Fincou no solo
E por nós tremulará
Mesmo que solenemente
Porém, serena,
Como se estivesse
A nos esperar.

Perfume da noite...

procuro-te
em todos os lugares sombrios em que a tua mente se esconde e onde a minha ousa avançar. traças loucas e inusitadas tramas e esperas que chegue. aí, sem dó ou piedade, és a noite: avanças, sugas-me em isometrias de uma forma vampírica e, numa boca descarnada de dentes e, sem que exista sentido neste jogo, deixo que me aspires e que me faças tua presa (se ti estou presa há tanto tempo ... ) noite!
noite da minha vida, inverso da luz, lugar provável onde reside a alma.
entras
pela janela dos meus olhos, deslizas sob a epiderme dos sentidos.
enrosco-me em ti, dramática e, felina agradeço a tua visita, a cada vinda.
refloresço em orgasmos inveterados de palavras. em epigramas e anáforas…
lentamente,
deixo que me penetres todos os sentidos.
código de barras impresso na parede, dou-me a ti, neste altar de frutos e de flores e espero que me conduzas ao teu mundo…

quando a manhã chega, sob os lençóis freáticos da alvorada, encontra duas sombras imprecisas e, no vale onde me habitas, um cheiro a cânfora, a enxofre, a rosas e a sândalo...
duas gotas de sangue escrevem o horizonte.
à boca da bica, na bica do abismo.__________________. ciclópicas gotas.
o perfume da noite, ou nada!

Também a vida é só um instante,
apenas um dissolver-se,
de nós mesmos nos outros,
Como um dom que se faz.

Apenas um rumor de bodas que,debaixo,
irrompe pelas janelas,
nada além de um canto, um sonho,
uma pomba azul-cinzentada.

...Me insinuarei nos quatro cantos do mundo, Vibrarei nos canjerês do mar, Almas desesperadas, Eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes. Detesto os que se tapeiam, Os que brincam de cabra-cega com a vida, Eu odeio os homens práticos...

A saudade é um filme sem cor que meu coração quer ver colorido

O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras - acho que estou entre elas - aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação.