Coleção pessoal de JoniBaltar

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O universo não se expande para nos agradar: expande-se para nos despertar.

F.C.PORTO


No peito, um dragão desperto.
No relvado, a coragem nas veias.
No grito, a alma inteira a pulsar.
Ser Portista é nunca baixar a cabeça,
é vencer mesmo quando o vento é contra.




Dragão de asas abertas,
rasga o céu como quem reclama destino. Onde outros hesitam, ele avança: fogo azul a iluminar o caminho. No retângulo, cada passo é um decreto, cada ataque, uma lenda em construção.




O Porto não joga futebol ,
escreve epopeias em relva viva.
Porque o Futebol Clube do Porto
não é um clube, nem um símbolo:
é um reino de coragem pura,
guardado por um Dragão que nunca dorme.

Sentir o mundo com as mãos abertas é aceitar que nada nos pertence e tudo nos toca.

Há um impacto poético que
acontece entre o mar e a falésia,
não como violência,
mas como reencontro de velhos cúmplices.O mar desfaz-se em espuma, a falésia em ecos.

O poder tenta organizar o mundo;
a liberdade tenta organizá-lo sem donos. Toda a democracia enfraquece quando a discordância passa a ser tratada como uma ameaça.

No Alentejo a planície estende-se e
dissolve-se em silêncio: como um sonho que se recusa a terminar.

Exteriormente somos a interpretação
exigida pelo tempo; internamente somos a experiência íntima do tempo a atravessar-nos.

Sentir a brutal ausência de alguém
ensinou-me que chuva não cai sobre nós: cai através de nós.

Há quem carregue no coração a ternura das flores e isso, por vezes, pode ser maior do que o jardim inteiro.

No poente o céu
sangra cores
que não sabe guardar.

A praia é o lugar onde o coração aceita, por instantes, que não controla nada.

O amor é onde a pele aprende a pensar, um enigma que respira dentro do peito.
É o que nos desfaz para que possamos ver,
e o que nos refaz
quando já não sabemos quem somos.
No fim, o amor é isto:
um silêncio que nos reconhece
antes mesmo de chegarmos.

Um animal lembra-nos que a existência não precisa de explicação, apenas de atenção.

Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.




Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.




Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.

Amar é reconhecer
que o outro
é um abismo,
e mesmo assim
avançamos.

Certas músicas
são mãos invisíveis
a desfazer nós internos.

Alentejo, somente tu
consegues devolver
a noite ao céu.

A cidade oferece ruas;
nós oferecemos passos
e desse pacto nasce
o poema que o
chão murmura.

A tua ausência é o
único deserto que
não consigo atravessar.

Onde a tua toalha de praia repousa,
é onde o meu verão começa.