Coleção pessoal de JoniBaltar
Regresso da Alma
Olho-te.
E tudo o que estudei sobre a existência desfaz-se.
Ficas apenas tu.
O teu olhar.
A tua presença.
O silêncio entre dois corações.
E nesse silêncio descubro que o amor não é um encontro,
mas um reconhecimento.
Como se a minha alma, cansada de atravessar o mundo, finalmente tivesse encontrado o caminho de casa.
Então percebo:
há mistérios que não foram feitos para serem compreendidos.
Foram feitos para serem sentidos.
Por isso permaneço aqui, entre a ternura e o espanto,
a contemplar-te,
como quem contempla o infinito e, pela primeira vez,
não deseja resposta alguma.
Porque há instantes em que a eternidade deixa de ser uma ideia
e se torna presença.
Instantes em que tudo o que procurávamos fora de nós
surge, serenamente, no olhar de alguém.
E nesse instante, sem perguntas nem certezas,
apenas sei que cheguei.
Ao caminho.
À paz.
A casa.
I want to fall into your skin,
the way autumn falls from the trees: without haste, without warning, without return.
Amores que se Tornam Copa
Enquanto a floresta respira, o mundo estreita‑se: fico só eu, só tu, árvore dentro de árvore. Esta força que cresce entre nós como seiva a subir no tronco quando a noite decide ser fogo.
E há ainda os galhos que não se veem:
crescem para dentro,
procuram o coração,
tentam compreender o que significa amar sem pedir nada em troca.
No fim, percebo que esta árvore não é minha. É nossa. Cresce no espaço entre duas respirações,
entre duas palavras que ainda não dissemos,
entre dois silêncios que se reconhecem porque há amores que se tornam copa.
Quando és torrencial, não te entregues a quem só sabe ser chuvisco: a tua alma não foi feita para quem teme afogar‑se em ti.
Às vezes, na ausência de mim, descubro que
o mundo continua… e eu fico suspenso entre
metades de mim.
— Queres lunar comigo?
A lua nunca é pouca para quem a sente.
— Sim! Lunar é deixar que a noite nos traduza.
— E se nos perdermos?
— A lua sabe o caminho de volta.
