Coleção pessoal de JoniBaltar
Mar
horizonte reduzido
à pergunta que não se diz
entre ambos,
o suspiro.
O mar não fala:
escreve-me por dentro.
Mar de Amar
Mar em mim.
Mar comigo.
Mar sempre.
Mar que chama.
Mar que rasga.
Mar que sobe pela pele.
Mar de amar.
E eu, na estrutura do instante,
aprendo a ser horizonte.
No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.
A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.
Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.
E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.
Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.
Há pessoas que irrompem na nossa vida como relâmpagos: rasgam o céu da alma e deixam na pele um clarão que não se apaga. Atravessam-nos por dentro e ficam a arder no lugar onde antes só havia silêncio.
Amar-te em Silêncio
Amar-te em silêncio é ouvir o universo respirar dentro de mim, como se cada estrela
soubesse a tua madrugada.
E cada batida do meu peito é um trovão a chamar por ti.
Ardo no espaço onde
a palavra falha e,
nesse fogo que ninguém vê,
a tua presença é chama,
o teu corpo é vertigem
e eu sou apenas o que sobra depois de te desejar até ao limite do ser. Talvez aquilo que calo consiga confessar que te procuro
não nos caminhos do mundo,
mas nos desvios da alma,
onde cada dúvida é uma porta
e a tua essência é uma resposta.
Quando a seleção entra em campo: é o momento em que o país inteiro torna-se numa única pulsação
e lembra-se que ainda sabe sonhar.
Acróstico
ALEXANDRA
A mor é a respiração indizível do universo, a que tudo sustém.
L uz é o idioma íntimo dos anjos. Tu pressentes o murmúrio da sua respiração.
E m cada asa nasce um sopro de paz escondida.
X amã do vento observa o horizonte vasto e sereno.
A romas de flores silvestres elevam-se como preces suaves.
N a clareira, a natureza respira com um ritmo quase sagrado.
D eixa que o mistério te encontre sem medo. É nesse impacto, é aí que começas.
R enova-te como quem regressa a casa depois de uma longa travessia.
A li, onde tudo floresce, o nome Alexandra ecoa como bênção.
Coraçãmo-te
Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.
Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.
Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.
E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.
O amor: ensina que nada floresce
sem silêncio, e quando verdadeiro,
é sempre uma espécie de primavera interior.
As pegadas da alma não são rasto nem luz: são o instante em que o ser se desfaz do próprio peso e se torna apenas vibração.
