Coleção pessoal de JoniBaltar
A Vida ao Fundo dos Teus Olhos
Amar-te é reconhecer
que o infinito
não vive nas estrelas, mas no intervalo entre o teu silêncio e o meu.
Quando anoitece, descubro
que o corpo também pensa,
que a pele também tem sede.
Há em nós um pensamento antigo,
como se o universo nos tivesse imaginado antes de nos encontrarmos.
E se o mundo ruísse agora,
se tudo se desfizesse em pó,
ficaria ainda este fogo
o teu, o meu, o nosso
a incendiar o que resta da noite.
No teu beijo encontro a origem,
no teu corpo a razão,
no teu olhar a prova
de que o universo não é caos
é escolha.
E eu escolho-te,
mesmo sabendo
que o amor
é sempre um risco
que vale a vida.
Estar embrenhado na natureza não é refúgio: é origem. O refúgio somos nós, quando regressamos a ela.
Perder é, muitas vezes, a forma mais discreta que a vida encontra para nos devolver a nós mesmos.
Por isso, quando algo deixa de nos pertencer, o peso que cai não é ausência — é alívio.
A Casa que Fazes em Mim
Quando visitas o meu pensamento,
as horas derretem-se
como se o tempo tivesse aprendido
a respirar ao ritmo do teu nome.
O amor torna-se simples,
quase uma luz que se acende sozinha no silêncio onde cabemos os dois.
E há em ti qualquer coisa de infinito,
um gesto que me chama,
um abraço onde o coração
encontra casa.
Se amar é perder-me,
que seja sempre assim:
perdido em ti, e finalmente inteiro.
A tua pele chama a minha,
num desejo sem recuo.
Cada gesto teu provoca
um incêndio quase nu.
O ar prende‑se entre nós,
como se o mundo parasse ali.
E no ritmo que inventamos,
é o meu corpo a guiar o teu,
sem pressa de fugir.
A tua respiração prende-se na minha,
num jogo que nenhum de nós quer terminar. E quando a madrugada vibra entre os nossos corpos,
é aí que o desejo fala mais alto,
a pedir que a noite não saiba acabar.
Sinto-te na alma inteira,
numa verdade tórrida
que percorre o meu sangue
e rasga o meu silêncio.
