Coleção pessoal de JoniBaltar

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Habitares em ti próprio é tua melhor casa: a única casa que não pode ser hipotecada.

Perder é, muitas vezes, a forma mais discreta que a vida encontra para nos devolver a nós mesmos.
Por isso, quando algo deixa de nos pertencer, o peso que cai não é ausência — é alívio.

A Casa que Fazes em Mim


Quando visitas o meu pensamento,
as horas derretem-se
como se o tempo tivesse aprendido
a respirar ao ritmo do teu nome.


O amor torna-se simples,
quase uma luz que se acende sozinha no silêncio onde cabemos os dois.


E há em ti qualquer coisa de infinito,
um gesto que me chama,
um abraço onde o coração
encontra casa.


Se amar é perder-me,
que seja sempre assim:
perdido em ti, e finalmente inteiro.

A tua pele chama a minha,
num desejo sem recuo.
Cada gesto teu provoca
um incêndio quase nu.




O ar prende‑se entre nós,
como se o mundo parasse ali.
E no ritmo que inventamos,
é o meu corpo a guiar o teu,
sem pressa de fugir.




A tua respiração prende-se na minha,
num jogo que nenhum de nós quer terminar. E quando a madrugada vibra entre os nossos corpos,
é aí que o desejo fala mais alto,
a pedir que a noite não saiba acabar.




Sinto-te na alma inteira,
numa verdade tórrida
que percorre o meu sangue
e rasga o meu silêncio.

O portal não te leva ao desconhecido: ele devolve-te
àquilo que tu esqueceste ser.

Quem segue, não se perde.
Cada passo carrega futuro.

A poesia é a forma que o amor
encontrou para não caber só no peito.

Poesia é quando
o corpo expressa
o que a pele ainda
não teve coragem.

O amor tem algo
de primavera:
regressa sem explicar
como venceu o
inverno da alma.

A primavera pousa
devagar no coração
de quem ainda sabe
ouvir a melodia das flores.

Na morte de um pai,
a memória insiste em
reconstruí-lo em detalhes,
as palavras, o sorriso,
o olhar, os gestos
— só para depois
deixá-lo partir outra vez.

Um pai que parte
deixa dois legados:
saudade e a
sua voz dentro de nós.

Nada é tão humano
quanto destruir
o que amamos e
amar o que destruímos.
Somos a vingança
mais profunda da
nossa própria extinção.

Toda a chave antiga
é uma pergunta:
o que em nós continua
trancado por dentro.

Se um dia o mundo acabar,
espero que seja à beira-mar,
contigo, enquanto as ondas
ainda sabem dizer amor.

A vida desdobra-se
em ramos infinitos.
Em cada galho
o mundo
divide-se em
milhões de direções.

O teu coração estranha-me,
mas a tua pele quer conhecer-me.
Entre o teu coração
que me estranha
e a tua pele que me chama,
eu existo suspenso.

A guerra é poesia invertida:
transforma rostos em sombra
e em terra embebida em lágrimas,
as flores não nascem.

Amar é escrever
poemas invisíveis
na pele de alguém.

As palavras pertencem à mente,
mas as vibrações pertencem à essência:
é na essência que se revela
a frequência da alma.