Coleção pessoal de JoniBaltar
Se um dia o mundo acabar,
espero que seja à beira-mar,
contigo, enquanto as ondas
ainda sabem dizer amor.
Your heart doesn't know me,
but your skin wants to know me.
Between your heart that doesn't know me and your skin that calls to me, I exist suspended.
O teu coração estranha-me,
mas a tua pele quer conhecer-me.
Entre o teu coração
que me estranha
e a tua pele que me chama,
eu existo suspenso.
A guerra é poesia invertida:
transforma rostos em sombra
e em terra embebida em lágrimas,
as flores não nascem.
As palavras pertencem à mente,
mas as vibrações pertencem à essência:
é na essência que se revela
a frequência da alma.
Despeço-me da roupa
como quem abandona o dia
e encontro-te na sombra macia do quarto.
Os teus olhos percorrem-me devagar,
com a saliva tranquila de quem sabe esperar. Sinto o teu toque subir pela minha pele como um fogo lento que acorda cada nervo.
A tua boca aproxima-se do meu pescoço, quente, demorada —e o ar entre nós torna-se
mais pesado, carregado de desejo.
A minha boca perde-se
nos teus famintos seios
descobre os caminhos que o corpo guarda para noites em que a razão adormece.
E quando finalmente me puxas para ti, pele contra pele, respiração contra respiração, o mundo encolhe até caber entre os nossos corpos.
Ali ficamos, presos um ao outro,
num ritmo antigo e secreto,
onde cada suspiro diz
aquilo que as palavras
nunca ousariam dizer.
Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.
A impermanência da vida
leva o que fomos
e devolve o que podemos ser:
é a metamorfose de quem fomos
sem deixar de nos reconhecer.
Dividimos a estrada,
mas não os silêncios.
Cruzamos olhares,
mas não as tempestades.
E ainda assim, seguimos
caminheiros de horizonte, mas
estranhos na travessia.
A guerra transforma homens em ruínas antes mesmo de destruir cidades. Todas as guerras são um fracasso coletivo disfarçado de heroísmo individual.
