Coleção pessoal de JoniBaltar

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Nos teus olhos leio o que também habita nos meus: felicidade e devastação.

O meu cardio
entra em desordem
sempre que o teu olhar decide demorar-se no meu.

Antes da Voz




Ouvir os gemidos
da tua pele, da tua alma, muito antes de chegarem
à tua voz, é a prova de que o corpo, quando verdadeiramente tocado, deixa de ser matéria
para se tornar poesia.

Há quem queira
voltar atrás no tempo;
eu queria voltar atrás
no poema, porque foi ali
que te toquei sem te tocar,
e nunca mais voltei inteiro.

Ser poema é continuar em ti quando as palavras já partiram.

Entre os teus olhos e os meus, o mundo esquece-se de existir.

Próxima estação:
O nosso beijo.

Quero ouvir o que em ti não tem voz: é aí que a minha poesia respira.

Estás demorada...
Tens hora prevista de chegada ao meu coração?

Poucos deixam o aquário das certezas para navegar no oceano das possibilidades.

Idioma da Pele



Aproximo-me.
Não de ti.
Do abismo que existe entre a tua pele e a minha.
E caio.


A tua pele não me chama.
Arrasta-me.
Como a noite arrasta o último clarão do dia.


Há um fogo
entre a carne e a alma.
Nenhuma sabe onde termina.


A minha pele.
A tua sede.
Entre ambas,
o mistério.
O resto
é silêncio.




O teu corpo.
O meu.
Dois limites.
O desejo:
a tentativa impossível
de os afastar.

Regresso da Alma
Olho-te.
E tudo o que estudei sobre a existência desfaz-se.
Ficas apenas tu.
O teu olhar.
A tua presença.
O silêncio entre dois corações.
E nesse silêncio descubro que o amor não é um encontro,
mas um reconhecimento.
Como se a minha alma, cansada de atravessar o mundo, finalmente tivesse encontrado o caminho de casa.
Então percebo:
há mistérios que não foram feitos para serem compreendidos.
Foram feitos para serem sentidos.
Por isso permaneço aqui, entre a ternura e o espanto,
a contemplar-te,
como quem contempla o infinito e, pela primeira vez,
não deseja resposta alguma.
Porque há instantes em que a eternidade deixa de ser uma ideia
e se torna presença.
Instantes em que tudo o que procurávamos fora de nós
surge, serenamente, no olhar de alguém.
E nesse instante, sem perguntas nem certezas,
apenas sei que cheguei.
Ao caminho.
À paz.
A casa.

Os teus gemidos permanecem
à deriva na minha pele.

Há dias em que o poente é apenas o mar a fechar os olhos.

Fomos rio:
tornámo-nos
oceano.

Tenho tanta pressa em aprender a ser devagar.

Sinto-te com a intensidade do outono e a imensidão do mar.

Abraço em vias de extinção: neste mundo cada vez mais povoado de distâncias.

Ficar em ti foi a minha forma mais discreta de infinito.

Há encontros que
chegam antes
das pessoas.