Coleção pessoal de JoniBaltar

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Um toque de afeto
pode abrir janelas
que a tristeza trancou.

Crescer é um diálogo íntimo entre quem somos e quem decidimos ser.

O mar para mim dissolve a ilusão de fronteira entre o que sou e o que contemplo.

Há barcos que partem,
mas é o mar
que regressa sempre.

O calendário diz inverno; a imaginação anda de sandálias.

Sobreviver à injustiça é como recuperar de uma mordida de cobra, algo que ela não conseguiu destruir: a consciência de que o veneno diz mais sobre quem o carrega do que sobre quem foi mordido.

Fala luz e o teu caminho
aprende a brilhar.

Vencer uns aos outros
num mundo vencido é
a derrota final. O ser humano
separa-se para compreender
a natureza une-se para existir.

O invisível que carrego dentro de mim ocupa o espaço onde eu deveria estar, e observa-me quando tu estás perto de mim, e ainda assim não posso tocá-lo.

Num peito antigo
um poema repousou
exigindo a sua
última morada.

Viver no agora, não é reduzir a vida ao instante, mas aceitar que é somente no instante que a vida pode ser transformada.
É um acto de reconciliação com a própria alma e com o tempo.

Entre milhões de
rostos iguais,
há sempre um
que carrega um
universo inteiro.

Sentir é aceitar que
há verdades sem palavras.
Sonhar é aprender
a ver o invisível.

Quem lê acumula mundos; Quem dança consome o mundo no fogo de um instante.

Há abraços que não
se desfazem,
mesmo quando
os braços se soltam.

A lua cheia não
ilumina a noite:
ensina-te a atravessá-la.

Adoro quando tu tiras-me
as palavras da boca com a tua boca
e as colocas a derreter na tua pele.

Ir não é afastar-se, é querer ser
do tamanho do horizonte.

As minhas mãos percorrem
o teu corpo
com a urgência das marés cheias,
e o teu corpo responde
em ondas que quebram, insistentes,
na areia quente do teu ventre.


As nossas bocas procuram-se
como se o mundo fosse acabar
no próximo segundo,
línguas que escrevem promessas
no sal da pele arrepiada.
Somos dois abismos
à beira do mesmo precipício,
caindo um no outro
sem medo da queda.


E quando o prazer nos atravessa
como um relâmpago a rasgar o céu,
não há mais nome, nem forma,
apenas o pulsar desmedido
de carne, desejo e entrega.
Depois, exaustos e ainda a arder,
repousamos na brasa suave do pós-fogo, sabendo que basta um olhar
para que tudo comece outra vez.

A tua pele é
território onde
a minha alma assina
o próprio infinito.