Coleção pessoal de JoniBaltar

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Acróstico
ALEXANDRA


A mor é a respiração indizível do universo, a que tudo sustém.
L uz é o idioma íntimo dos anjos. Tu pressentes o murmúrio da sua respiração.
E m cada asa nasce um sopro de paz escondida.
X amã do vento observa o horizonte vasto e sereno.
A romas de flores silvestres elevam-se como preces suaves.
N a clareira, a natureza respira com um ritmo quase sagrado.
D eixa que o mistério te encontre sem medo. É nesse impacto, é aí que começas.
R enova-te como quem regressa a casa depois de uma longa travessia.
A li, onde tudo floresce, o nome Alexandra ecoa como bênção.

Coraçãmo-te


Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.




Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.




Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.




E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.

Há madrugadas que
me fazem sentir
uma ferida aberta.

O silêncio não é ausência de som,
mas a condição de possibilidade de qualquer sentido.

A luz que transforma é
sempre a que chega
sem pedir permissão.

Um beijo de amor é:
a primeira casa onde
duas almas aprendem
a respirar juntas.

O que vivemos exteriormente
é apenas a sombra do que enfrentamos internamente.

A luta interior é
o único território
onde ninguém nos pode acompanhar.

O amor: ensina que nada floresce
sem silêncio, e quando verdadeiro,
é sempre uma espécie de primavera interior.

Somos o breve suspiro entre duas eternidades: a sombra que fomos e a terra que seremos.

As pegadas da alma não são rasto nem luz: são o instante em que o ser se desfaz do próprio peso e se torna apenas vibração.

Há encontros que só acontecem
quando nos deixamos afundar,
como raízes que se procuram no subsolo até se reconhecerem,
e só então perceberem que
sempre foram a mesma árvore.

Sismografria das Almas




Beijo-te e sinto o peso de todas as vidas que viveram e morreram para que este instante existisse.
Somos partículas fugazes vestidas de desejo. E, no entanto, quando os meus dedos roçam a tua pele,
o nada torna-se tudo, o efémero torna-se infinito.




Tu és a prova viva de que o amor transcende a lógica fria das galáxias e dos átomos cegos.
O que sinto por ti não é emoção,
é geologia. Como placas tectónicas
que se movem nas profundezas do fogo e do mar
séculos antes de qualquer palavra.




Que o vento nos leve até ao fim dos dias, e que mesmo na escuridão final, reste o brilho de dois corações que ousaram ser inteiros. Porque amar é aceitar a gravidade da outra alma: escolher, no meio do caos, a beleza frágil e dizer ao vazio: valho a pena por ti.

Quando duas almas se cruzam é sempre um instante absoluto, rápido demais para o tempo, fundo demais para o esquecimento.

Quem caminha para dentro
aprende que cada caminhada é: uma amputação do vazio onde o universo nos quer por inteiros.

O universo não se expande para nos agradar: expande-se para nos despertar.

F.C.PORTO


No peito, um dragão desperto.
No relvado, a coragem nas veias.
No grito, a alma inteira a pulsar.
Ser Portista é nunca baixar a cabeça,
é vencer mesmo quando o vento é contra.




Dragão de asas abertas,
rasga o céu como quem reclama destino. Onde outros hesitam, ele avança: fogo azul a iluminar o caminho. No retângulo, cada passo é um decreto, cada ataque, uma lenda em construção.




O Porto não joga futebol ,
escreve epopeias em relva viva.
Porque o Futebol Clube do Porto
não é um clube, nem um símbolo:
é um reino de coragem pura,
guardado por um Dragão que nunca dorme.

Sentir o mundo com as mãos abertas é aceitar que nada nos pertence e tudo nos toca.

Há um impacto poético que
acontece entre o mar e a falésia,
não como violência,
mas como reencontro de velhos cúmplices.O mar desfaz-se em espuma, a falésia em ecos.

O poder tenta organizar o mundo;
a liberdade tenta organizá-lo sem donos. Toda a democracia enfraquece quando a discordância passa a ser tratada como uma ameaça.