Sismografria das Almas Beijo-te e sinto... Joni Baltar
Sismografria das Almas
Beijo-te e sinto o peso de todas as vidas que viveram e morreram para que este instante existisse.
Somos partículas fugazes vestidas de desejo. E, no entanto, quando os meus dedos roçam a tua pele,
o nada torna-se tudo, o efémero torna-se infinito.
Tu és a prova viva de que o amor transcende a lógica fria das galáxias e dos átomos cegos.
O que sinto por ti não é emoção,
é geologia. Como placas tectónicas
que se movem nas profundezas do fogo e do mar
séculos antes de qualquer palavra.
Que o vento nos leve até ao fim dos dias, e que mesmo na escuridão final, reste o brilho de dois corações que ousaram ser inteiros. Porque amar é aceitar a gravidade da outra alma: escolher, no meio do caos, a beleza frágil e dizer ao vazio: valho a pena por ti.
