Coleção pessoal de IsabelRibeiroFonseca
Os fios
Das sedas entrelaçadas
Comem os meus delírios
Como saborosas carícias
Do teu corpo no meu corpo.
JÁ MEU
Esqueci-me de respirar
Nas setas, nos espinhos
Dardo sangrento de morte
Assassino da minha alma
Dos meus pensamentos
Feridas que eu não nego
Das nossas conversas sutis
Vejo a carne morta da vida
Como ignorar a dor que sinto
Quando só os meus braços
Te pedem amor, carinho
Cego véu que rasga de preto
Os fios de sedas entrelaçados
Come os meus delírios
Como saborosas carícias
No meu corpo, cantam as almas
Para conquistar, apaixonar-me
Tornar a vida num doce passeio
Doce inocente homem que já é meu.
Só meu...Já meu.
❤ (▾◡▾)
O SABOR DA VIDA
O sabor da sua dor nega-lhe o sabor do seu sangue
Mágoa das suas lágrimas, do seu sentido suspirar
A morte chamou no encontro com o céu e o inferno
No despertar de um sonho infernal incapaz de sentir
A dor que o atormenta pobre infeliz ou não, quem sabe
O que o espera, no dia que se encontrar com a morte
Tenta levantar-se com a dor que sente, a sua boca está
Seca como o pó do deserto, em poucos minutos sente
O peito a dilacerar jorrando sangue de todos os pecados
Cometidos mal se põe de pé, não sabe onde está ou onde
Se encontra perdeu o norte, o rumo sente calor é incapaz
De superar a dor, sentida na sua alma, alma que há muito
Tempo alguém a cobiça, quer falar mas não consegue
A garganta está seca, sabe a fel, tenta gritar, gritar mas
Não consegue sente agonia, dor na sua débil mente
Recorda com muita saudade todos os momentos vividos
Lembranças boas e más de tantas pessoas que passaram na
Sua longa vida, pessoas que lhe deixaram alguma saudade
As outras ele amou não como gostaria de ter amado pensa
Ele se fosse hoje seria diferente, pensa com a sua débil mente
Os beijos que ficaram por dar a quem ele tanto amou e ama
Os abraços que ficaram perdidos e tantas vezes esquecidos
Grita por dentro de amor com a vontade de amar, amar
De voltar a sarar as feridas no corpo mas sente que a morte
Não o quer deixar voltar à vida, pede perdão pelos suas falhas
Que são muitas ele sabe tem consciência disso, ele sabe que a
Morte está presente, que lhe nega o sabor do sangue e da vida.
ANJO
Onde estás tu, meu anjo?
Procuro-te sem cessar
A minha alma angustiada só pensa em ti
O meu pensamento circula de dor
Sei que Deus te levou, mas porquê?
É só silêncio meu anjo, meu filho. ❤
POR MIL
O céu deve saber
Eu acho que sabe
Sabe que eu te amo
Por mil, mil noites
De tanto tremor
De morrer entre a lua
Tenho-te meu amor
És todo meu eu sei
É por tua causa que
Os anjos me cantam
O teu doce suspiro
Eu morro de doçura
No teu forte abraço
Como eu te amo
Na absoluta serenidade
No céu dourado
Os anjos em segredo
Dançam sobre
Os nossos corpos
De tão glorioso amor
Por mil meu amor.
AMO LER-TE
Quero ler-te como tu me lês
Nestas páginas que escrevo
Deleita-me no teu belo corpo
Leio-te nos sonhos que tens
Leio-te no caminho que faço em ti
Leio-te nos teus vazios segredos
Leio-te nas tuas profundas dores
Leio-te nas tuas lágrimas contidas
Leio-te na desilusão do teu coração
Leio-te nas asas do meu corpo em ti
Leio-te sedento de paixão por mim
Como gosto de ler-te, como tu me lês
Ler-te é amar-te mais, mais sem fim.
Bendita a mão de quem cuida
Que seja sempre abençoado nas suas
Imperfeições admiram aquilo que é perfeito.
PARTIR
Quando eu partir
Tiver deixado este mundo
Não me pesará a terra
Nos ombros
De seixos, pedras
Fragas ou mármore
Não sentirei mais nada
Deixarei de ser
O que sou, quem fui
Na vida que vivi
Quando eu partir alguém
Que peça a Deus
O perdão que eu não pedi
Que reze muito por mim
E acenda-me uma simples vela.
PRECE
Sonhar com um beijo
Desejado num suspiro
Enlouquecer em cada
Instante num arrepio
Amar num doce sorriso
Impossível de se roubar
Não destruam os silêncios
Ou ainda as preces de amor
Uiva o lobo à noite no silêncio talvez em suplício
Entrega ao vento todas as lágrimas já choradas.
- Adormecidas à tua espera.
SAL
O sal dos teus lábios seria doce
Se estivesse juntos com os meus
Se nas tuas águas eu chorasse
Sentiria-me nos teus braços
O movimento e a suavidade das ondas
Como uma tempestade de verão
Quero sonhar e banhar-me nas tuas
Águas e sentir a areia
No meu corpo
Como o sal da tua boca.
PELO MAR ADENTRO
Entro pelo mar adentro com aqueles
Que morrem num abismo agarrados a
Um último sonho dirigido na escuridão
De um comboio que passa numa velha
Ponte que ilumina a escuridão das noites
Escura que é impossível perder o caminho
Lâmpada no mar adentro sombrio de viver
Aprisionados numa clareira que nos ilumina
Há nossa volta um abismo certo e atingível
Tão incerto ilusório que mantém muito longe
O pensamento das memórias não realizadas
Sentimento amarrado, sentimento esquecido
Dos pensamentos cinzentos dormem na mente
Já vi demais, mas não vi tudo o que gostaria
Caminhei, mas não tão longe quanto eu queria
Pelo mar adentro dos que já partiram de viagem.
Muitas guerras são travadas
Na nossa mente a luta é tão
Feroz tantas vezes que deixa
Marcas na nossa carne tão
- Difíceis de sarar -
