Coleção pessoal de giuliocesare
O coração, além da função física, elétrica e mecânica, tem também a metafísica; através de um portal que, se adentrado, acessamos o Nirvana ou o Éden em pleno planeta azul. No após — ao voltar a ser energia — nos habilita a continuar em qualquer constelação ou dimensão. A chave de acesso é única: amor.
Entre remédios, fotografias e o silêncio da noite, um veterano de grandes batalhas e memoráveis vitórias guarda uma ausência que nenhum calendário venceu: a saudade de um beijo na boca.
O fato de aceitar que a sua caixinha não é a única e melhor; aceitando, antes de criticar ou demonizar outras caixinhas, entender; e, entendendo, admitir a convivência, já deu um passo gigantesco para uma comunidade, uma sociedade e um mundo melhor.
Um menino em seu quarto, deitado na cama sob o olhar de uma lua bisbilhoteira pela janela; uma rádio de pilhas Sharp ouvindo ‘All My Loving’ dos Beatles; o mundo pegando fogo com a Guerra Fria; e sonhando em reencontrar a menina que colocou um Drops Dulcora em sua boca na matinê de domingo.
Com virtudes e defeitos no plural, mas com âncoras firmes no coração, a distância nunca é plural: ela é sempre singular.
O tempo tira a esperança quando alguém está tão perto e tão longe; e nos dá quando, de tão longe, está tão perto. Só o atemporal amor explica.
Lembrando: a gente aprende mesmo com quem não é igual; viver é conviver com os outros; solitude e solidão são coisas muito diferentes; a unanimidade é a grande traíra da inteligência; e quem recebe um beijo do coração na boca, é amor.
Motivar para a liberdade, felicidade, proatividade, esperança, harmonia, compreensão, doação e amor é um mérito até celestial, quando quem motiva está órfão de todas estas bondades. Contudo, como possível bonificação do Criador, está com saúde.
Das cores primárias vermelho, azul e amarelo, fazemos uma infinidade de tons e matizes; assim como, a partir de cinco sabores: doce, salgado, azedo, amargo e picante, criamos combinações inesgotáveis de paladares. Agora, de um único limão, azedo ou ácido, se expande e se multiplica: adoçado, vira limonada, um refresco muito apreciado. Amassado, com casca e tudo, adicionando cachaça e açúcar, uma delícia, quase divina, a caipirinha. Sem o seu efeito, será que podemos comparar o limão ao amor?
Conhecer alguém distante, estabelecer uma conexão intuitiva e até hipnótica, sentir o estímulo para superar precipícios, construindo pontes — sendo o tempo engenheiro e o amor arquiteto — tudo lindo e bacana até a execução do projeto. Surge então o divisor de águas entre o sonho e a realidade. O tempo, esse engenheiro, será sempre o soberano da verdade.
Imaginar a possibilidade de que, num futuro distante, séculos à frente, alguém leia um pensamento seu, não apenas goste dele, mas que lhe sirva de ajuda, como as palavras certas de que alguém necessitava, é tornar-se imortal.
Saber que alguém pensa na gente, que nos gosta apesar da distância, dos nosso erros, do mal humor, dos defeitos, enche a alma de paz, de serenidade. Renova o espírito! E de espírito renovado podemos enchem de força para vencer os desafios.
Nos dias de hoje, o que não falta, a cada esquina das redes sociais, são orientadores, influenciadores e doutrinadores, pretensos paladinos da verdade e supostos condutores para o sucesso, ávidos por likes e compartilhamentos, que se materializam em grana, e grana fácil, sem suor.
Quando a internet era ficção, as pessoas conversavam mais. O contato físico emanava melhor percepção, seja pela sensibilidade e intuição do que se ouvia, seja até pelas expressões faciais.
O livro físico cumpre papel essencial. O autor de uma obra, seja ela assertiva ou disfuncional, faz com que a leitura e a releitura exijam do cérebro maior atenção, crítica, avaliação e, sobretudo, filtro pelo pensar, sem condicionamentos por likes, compartilhamentos e comentários; ou seja, apenas você e o autor.
Concluindo: sou do time do filtro, do pensar e do raciocinar e, em alguns casos, da meditação sobre o que é divulgado nas redes sociais, antes de emitir juízo de valor e construir uma opinião.
Os ursos atravessam o inverno recolhidos à caverna, sustentados pela gordura acumulada na primavera e no verão. Muitos seres humanos sobrevivem das boas lembranças de suas próprias primaveras e verões da vida. O presente virou passado; e o futuro ah, o futuro, uma palavra quase sem sentido.
Pensamento assim está tudo errado. A existência não se cumpre apenas na saudade do que já foi. Cada dia exige o esforço de construir novas primaveras, mesmo quando o inverno interior pareça interminável. O passado alimenta, mas não pode aprisionar.
Do nada, chega uma mensagem e aí constata que foi desarquivado por um passado em que foi muito amado, porém com melancólico final. Duas hipóteses: curiosidade mórbida para saber se ainda está vivo; ou, apesar dos muitos anos passados, sugere que ficou algo de si. À luz do romantismo, a primeira hipótese.
Nada mais gratificante do que ser lembrado e ser lembrado com carinho. Assim, agradeço ao Criador por ser merecedor e dizer que o meu carinho está nas estrelinhas no firmamento sorrindo sempre com o olhar daqueles que me querem bem.
Longe, perto ou colados - tanto faz, é indiferente. Só nos completamos com alguém se existir amor. E ponto final!
Na presente dimensão, infância e juventude somos o futuro; na meia-idade somos o presente; e na velhice, ou melhor, na plena maturidade, somos o passado. Porém, inverte tudo na outra dimensão. Oba!
