Coleção pessoal de giuliocesare
Das cores primárias vermelho, azul e amarelo, fazemos uma infinidade de tons e matizes; assim como, a partir de cinco sabores: doce, salgado, azedo, amargo e picante, criamos combinações inesgotáveis de paladares. Agora, de um único limão, azedo ou ácido, se expande e se multiplica: adoçado, vira limonada, um refresco muito apreciado. Amassado, com casca e tudo, adicionando cachaça e açúcar, uma delícia, quase divina, a caipirinha. Sem o seu efeito, será que podemos comparar o limão ao amor?
Conhecer alguém distante, estabelecer uma conexão intuitiva e até hipnótica, sentir o estímulo para superar precipícios, construindo pontes — sendo o tempo engenheiro e o amor arquiteto — tudo lindo e bacana até a execução do projeto. Surge então o divisor de águas entre o sonho e a realidade. O tempo, esse engenheiro, será sempre o soberano da verdade.
Imaginar a possibilidade de que, num futuro distante, séculos à frente, alguém leia um pensamento seu, não apenas goste dele, mas que lhe sirva de ajuda, como as palavras certas de que alguém necessitava, é tornar-se imortal.
Saber que alguém pensa na gente, que nos gosta apesar da distância, dos nosso erros, do mal humor, dos defeitos, enche a alma de paz, de serenidade. Renova o espírito! E de espírito renovado podemos enchem de força para vencer os desafios.
Nos dias de hoje, o que não falta, a cada esquina das redes sociais, são orientadores, influenciadores e doutrinadores, pretensos paladinos da verdade e supostos condutores para o sucesso, ávidos por likes e compartilhamentos, que se materializam em grana, e grana fácil, sem suor.
Quando a internet era ficção, as pessoas conversavam mais. O contato físico emanava melhor percepção, seja pela sensibilidade e intuição do que se ouvia, seja até pelas expressões faciais.
O livro físico cumpre papel essencial. O autor de uma obra, seja ela assertiva ou disfuncional, faz com que a leitura e a releitura exijam do cérebro maior atenção, crítica, avaliação e, sobretudo, filtro pelo pensar, sem condicionamentos por likes, compartilhamentos e comentários; ou seja, apenas você e o autor.
Concluindo: sou do time do filtro, do pensar e do raciocinar e, em alguns casos, da meditação sobre o que é divulgado nas redes sociais, antes de emitir juízo de valor e construir uma opinião.
Os ursos atravessam o inverno recolhidos à caverna, sustentados pela gordura acumulada na primavera e no verão. Muitos seres humanos sobrevivem das boas lembranças de suas próprias primaveras e verões da vida. O presente virou passado; e o futuro ah, o futuro, uma palavra quase sem sentido.
Pensamento assim está tudo errado. A existência não se cumpre apenas na saudade do que já foi. Cada dia exige o esforço de construir novas primaveras, mesmo quando o inverno interior pareça interminável. O passado alimenta, mas não pode aprisionar.
Do nada, chega uma mensagem e aí constata que foi desarquivado por um passado em que foi muito amado, porém com melancólico final. Duas hipóteses: curiosidade mórbida para saber se ainda está vivo; ou, apesar dos muitos anos passados, sugere que ficou algo de si. À luz do romantismo, a primeira hipótese.
Nada mais gratificante do que ser lembrado e ser lembrado com carinho. Assim, agradeço ao Criador por ser merecedor e dizer que o meu carinho está nas estrelinhas no firmamento sorrindo sempre com o olhar daqueles que me querem bem.
Longe, perto ou colados - tanto faz, é indiferente. Só nos completamos com alguém se existir amor. E ponto final!
Na presente dimensão, infância e juventude somos o futuro; na meia-idade somos o presente; e na velhice, ou melhor, na plena maturidade, somos o passado. Porém, inverte tudo na outra dimensão. Oba!
Saber que sentiu e fez sentir bater forte um coração por amor, amou e foi amado, no singular, uma única vez, valeu toda a existência; não foi em vão. Cumpriu a missão dada pelo Universo e a ele retornará habilitado, pelo êxito.
Para muitos veteranos, o que mais dói é sentir a distância se multiplicar dos amigos fraternos, com quem compartilharam momentos mágicos e inesquecíveis, tempos em que a felicidade, a cumplicidade, a lealdade e a parceria eram companheiras fiéis. Com o tempo e a fadiga natural da matéria, restam hoje a saudade e, depois, as lembranças, em qualquer dimensão.
É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou.
Quando o vazio toma conta, o melhor é o silêncio — na boca e na caneta —, ser apenas um mero observador de tudo e permanecer quieto no seu nada.
Bacana mesmo são aqueles que vivem sem horizonte, seguram a onda da solidão e procuram como missão, resgatar a resiliência, proatividade e esperança nos outros.
Quem muito amou e hoje, na solidão, se sustenta das boas lembranças do que viveu, deve ser testemunho não de desistência, mas de coragem — pois a felicidade sempre ronda nossa porta e espera por quem ainda acredita nela.
Mesmo quando tudo parece vazio por dentro, é nesse silêncio que a vida sussurra: ainda há força em você para recomeçar.
Olhando em volta, sem ver nada que possa interessar nem ouvir, exceto as cores das flores e a conversa dos pássaros, tá ótimo!
A verdade e a mentira andam juntas. Entram em cena alternadamente, dependendo dos objetivos, das circunstâncias e do público. Nesse contexto, as narrativas surgem como um meio-termo perigoso: são ferramentas indispensáveis, anestésicas e até hipnóticas, mas que representam a metástase da verdade.
Quando um veterano descobre que já tem mais passado do que futuro, deve sorrir: venceu o tempo e foi privilegiado pela vida. Agora, resta-lhe transformar cada novo dia em conquista, para que o futuro se converta em páginas dignas de enriquecer o seu passado.
