Coleção pessoal de EmOutrasPalavras
Aprendi, graças a uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e, de uma maneira geral, consigo. Mas quando a ira me assalta, limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua.
É injusto e imoral tentar fugir às conseqüências dos próprios atos. É justo que a pessoa que come em demasia se sinta mal ou jejue. É injusto que quem cede aos próprios apetites fuja às conseqüências tomando tônicos ou outros remédios. É ainda mais injusto que uma pessoa ceda às próprias paixões animalescas e fuja às conseqüências dos próprios atos.
A civilização, no sentido real da palavra, não consiste na multiplicação, mas na vontade de espontânea limitação das necessidades. Só essa espontânea limitação acarreta a felicidade e a verdadeira satisfação. E aumenta a capacidade de servir.
Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza.
Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle.
A verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula.
Só se adquire perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza. A verdadeia felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle. Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza.
Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador.
Tenhamos arrependimento pelos pecados que cometemos, sejamos gratos pelo perdão que recebemos, e façamos o propósito de sermos melhores no futuro, mas não vivamos inutilmente num passado que a cada dia nos escapa das mãos: isso é verdadeiramente uma perda de tempo.
Não teríamos esse tipo de tentação [tentação] se fôssemos arcanjos em vez de homens. São Miguel, São Rafael e São Gabriel não se lamentam ou irritam por terem feito más escolhas (na verdade, eles nem fazem más escolhas). Mas todos nós fizemos um monte de escolhas erradas. Alguns até fizeram mais escolhas más do que boas. O que importa realmente é para onde nós olhamos: para trás ou para frente. Olhar para trás é perder o caminho; olhar para frente significa termos visão para alcançar a nossa meta.
Não vos deixeis levar pelo remorso.
Quem é que nunca fez uma asneira? Eu poderia passar um dia inteiro catalogando os erros que cometi: não somente pecados, mas também enganos, equívocos, erros de escolha sem importância (ou que pelo menos mostraram não ter importância depois de algum tempo). Cada um desses erros transformou a minha vida, assim como cada uma das escolhas sensatas também.
Passei doze anos da minha vida advogando, e fiquei feliz por ter deixado essa atividade, que acabou por converter-se em algo para o qual eu não estava especialmente dotado, ou talvez em algo que não mais me convinha. Passei a dedicar-me a um outro tipo de trabalho, do qual gosto muito, e para o qual penso ter alguma facilidade.
Esses doze anos foram desperdiçados? Seria muito simples dizer que sim, e lamentar ter dedicado um sexto da minha expectativa de vida a uma profissão que hoje eu não teria escolhido.
Mas o que eu teria escolhido em lugar do Direito? Aos 26 anos, certamente não seria a apologética. Não era um campo visível para mim – naquela época, aliás, nem era uma carreira que se pudesse escolher – e além disso não estava preparado para esse trabalho. (Alguns dirão que eu só iria estar preparado muito mais tarde, mas não vamos entrar nessa digressão).
Eu certamente poderia gastar o meu tempo recriminando-me por não ter tido a sensatez de escolher o que ninguém escolheu, em vez de seguir todos os meus colegas rumo à Faculdade de Direito. (De fato, parecia que todo o mundo ia para lá: quando abandonei a carreira, havia 8.000 advogados somente em San Diego).
Você provavelmente tem algo em seu passado que poderia levá-lo ao remorso: a pessoa com quem deveria ter casado e não casou, a carreira que deveria ter escolhido e não escolheu, o lugar que deveria ter visitado e não visitou, o comentário que deveria ter feito em voz alta e não fez... Pode ficar chorando por causa do que deveria ter sido e não foi, ou então seguir em frente: mas fazer ambas as coisas, não.
“Não vos deixeis levar pelo remorso”.
O remorso não conserta nada do que aconteceu no passado, o que já é bastante ruim. Além disso, ele impede a felicidade presente e a futura, pois ocupa toda a mente e bloqueia todo o progresso espiritual. Não existe nenhum exemplo de alguém que tenha chegado à santidade através do remorso, mas há incontáveis santos que chegaram a Deus pelo arrependimento.
Muitos caíram em tal angústia [do remorso] depois de uma súbita diminuição dos seus haveres, de um inesperado golpe em sua reputação, ou da perda dos filhos ou dos amigos.
“Se ao menos eu não tivesse confiado meus investimentos a esse consultor financeiro tão incompetente!” “Se pelo menos alguém me tivesse avisado para não me meter nesse assunto que acabou sujando o meu nome!” “Quem me dera ter cuidado melhor dos meus filhos, e assim eles não me teriam abandonado!”
Remorso é aquele particular estado da mente no qual os nossos desejos fixam-se no passado, sem que o olhar se volte para o futuro à frente; é um desejo incessante de que algo tivesse sido diferente do que foi, um doloroso e torturante desejo da alegria ou da posse de algo que perdemos, e que nenhum esforço será capaz de recuperar.
O remorso, pelo contrário do arrependimento, é uma lamúria inútil sobre algo que aconteceu. “Como é que eu pude fazer uma coisa dessas?”; “Oh, o que foi que eu fiz?”; “Por que isso tinha que acontecer?”, etc. Não podemos mudar o passado nem saber o que era para ter acontecido ou não. Se não livramos a nossa vida desses doentios “tinha-de-acontecer”, estaremos sempre voltados para trás e jamais progrediremos espiritualmente, pois o remorso paralisa a alma.
Arrependimento é a dor por algo que fizemos ou deixamos de fazer: é a dor por ter cometido um pecado. A culpa associada ao pecado é lavada na Confissão, de modo que podemos deixar o pecado para trás e recomeçar a subir na trajetória espiritual.
Não vale a pena ficar ruminando e lamentando as bobagens que fizemos, imaginando como seria se tivéssemos agido de outra forma. É melhor aprender com os erros e olhar para frente, pensando nas coisas boas que temos e nas que sempre poderemos alcançar.
Não confunda remorso com arrependimento: não é a mesma coisa. O arrependimento é algo salutar, mas o remorso é como uma escavadeira na alma, capaz de jogar você numa cova espiritual.
Após meio século de experiência, sei que a humanidade não pode ser libertada senão pela não-violência. Se bem entendi, é esta a lição central do cristianismo.
O método da não violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido.
