Coleção pessoal de edsonricardopaiva
No dia em que chegaste, primavera
Trouxeste consigo teus irmãos
Maior fosse tua família
traria juntos pais e irmãs
Amanhã, já ninguém se lembra
Que ontem foi mudança de Estação
As folhas já nem sabem mais
Qual é seu tempo certo de cair
Num mesmo dia vem aqui todos vocês
Não existe mais prevalecência
de um irmão sobre os outros três
Eu fico aqui, coberto de descrença
Sem saber dizer ao certo
Quando era mesmo que floresciam os Ipês
Alguém me disse, quase com certeza
não haver mais a antiga beleza
Que gerava as festas das Mudanças de estação
Pois o ano inteiro parece ser um só Verão
Não há mais chuvas finas
Flores, borboletas, abelhas e pássaros
Garoas não mais existem
Nem frio, nem romantismo
O Humano sinismo
que hoje a tudo envolve
Envolveu também a Natureza
Que hoje
Todo aquele cretinismo nos devolve
Quisera viver minha vida
Amando muito e ardentemente
Quisera viver os meus dias
Vivendo de te amar somente
Eu queria te dizer que o meu amor
É amor tão grande
Que até pode haver no Mundo
Outro coração que ame
mas tão grande amor não sente
Amor exuberante
Diante de você
Meus olhos ficam simplesmente exultantes
Amor que te alcança aonde estiver
Portanto, nunca hei de estar distante
As palavras que escrevo
E as flores que te dei
Não podem expressar
A maneira que te vejo
Mas querem te pedir que me veja
Sob o prisma da mesma lente
E que sinta no meu peito
Este coração pulsante
Que se cala diante de ti
Feliz
Vivendo de te amar somente
Os ponteiros da ampulheta mandam avisar
Que a locomotiva que reboca o trem das horas já passou
O gelo derreteu no Pólo Sul
E o Céu azul desta serena tarde
Dentro em pouco, já nem arde
dos primeiros que chegaram,
nada permanece
A grama cresce, o tempo passa, o vento já soprou
toda fumaça que passou pela chaminé
Que ontem foi demolida
O couro da pulseira
do teu luxuoso relógio de ouro
ressecou
Juntamente com todos teus demais tesouros
Se era apenas isto que juntaste em vida
As notícias escritas no rodapé dos calendários
Creio que sejam um tanto ruins
A passagem do tempo não tem retrocesso
O Palácio desaba, havia algo mais, escrito no verso
das páginas que tanto leu, acho que você nem viu
Um dia o tempo acaba
Indiferente ao fato de não ter fim
Erguei, irmãos, a taça
Hoje o Mundo amanheceu em paz
As pessoas se reúnem nas praças
Acabou a dor, cessaram todas as guerras
O amor venceu, há imensas colheitas
a serem feitas em todos os milharais
e tudo mais que se planta no Mundo
O leão e a hiena hoje são amigos
Não há mais fumaça no ar
Os Beatles vem aí para cantar
Novas canções e canções antigas
Há Sol no Céu, mas ninguém há de pegar insolação
Erguei a taça, meus irmãos
O Pássaro Preto e o Canário
Nunca mais vão viver em gaiolas
Todo mundo agora vai jogar bola
e todos os jogos haverão de terminar em empate
Somos todos vencedores
Não há mais necessidade de saber quem é melhor
A idade de todo mundo vai parar nos trinta
As cobras terão asas
Porém só vão comer
Os insetos que forem muito chatos
Tem tinta pra pintar todas as casas
Todas as crianças vão ganhar sapatos novos
O Polvo vai inaugurar um Parque Aquático
A Matemática nunca mais vai ser difícil
Vamos todos nos reunir e tirar um grande retrato
Erguei a Taça, meus irmãos
façam espocar os fogos de artifício
Acabaram as doenças
Se extinguiram o engano, as diferenças
Terminou a indiferença
Todos os juízes de futebol
Agora terão duas mães de verdade
Encham suas taças com champanhe
A vida vai ser só felicidade.
Creio que me seja preferível
Viver de saudade, talvez até
de insanidade, uma curta loucura de mentira
À viver as verdades que amanhecem com os dias
Eu acho que esse quotidiano mundano
É horrível demais, para vivê-lo assim
da maneira que ele me vem
Prefiro conversar com as almas do além
A gente vai falando sobre as coisas
que nos eram costumeiras
lealdade, coragem, galhardia e outras besteiras
bobagens que não fazem mais
parte deste infame dia a dia
em que impera a covardia
na triste realidade
Que os modernos amanheceres nos apresentam
Calço meus chinelos e vou ao quintal
até os voos mais inocentes
das transeuntes borboletas soam falsos
Elas dão-me a impressão
Que se esqueceram como se voa
e voam à toa um voo desajeitado
De inseto que não poliniza nada
Voa um voo meio que andando
de vez em quando vêm-me a impressão
Que ela está a ponto de pedir minha ajuda
A vantagem que vejo no inseto
é que ele voa mal, mas voa quieto
seu voo suicida de quem se autoatropela
Deus fez muito bem
Em fazer da borboleta
Uma criatura muda e bela
Eu criei em minha vida um caldeirão
Usei para isso a magia que me surgia
desde criança, quando em meus primeiros dias
ficava triste por não saber
A causa e o motivo das coisas que aconteciam
tanta emoção guardada aqui no peito
Querendo sair, era tanta coisa junta
Eu as fui transformando, então
Em poema e poesia
Escondendo ali minhas perguntas
E prossigo fazendo isso, hoje em dia
tanto tempo passou
Muita coisa me disseram e fizeram
Em muitos lugares tentei entrar
Mas ali, respirava-se outros ares
alheios aos meus, ali não me quiseram
Voltava então pra casa
E com o tempo eu aprendi
A tornar esses sentimentos
Em algo que pudesse dividir
Buscando a beleza
Que pode existir em toda tristeza
Compartilhar também as alegrias
Que eu sinto hoje
E que ainda me surgem do mesmo jeito
desde aquele tempo em que eu ainda vivia
buscando a causa de tudo que acontecia
tentando descobrir como funciona a magia
que pudesse transformar
em beleza e alegria
os tempos que eram apenas
os meus primeiros dias
Eu penso que ainda sou criança
e peço um pedaço de doce
eu queria um pouco de bala
Fico rouco de chorar
Minha mãe me chama
Pois meu tempo está passando
Eu penso que estou numa festa
provo a bebida que alguém me trouxe
Eu ouço o que você fala
fico louco pra dançar
Porém eu vou pra cama
Pois meu tempo está passando
Eu vejo e meço
O tempo que ainda me resta
a cada dia um desenlace
E o coração se cala
Nessa hora eu penso em orar
Pois Jesus me ama
E meu tempo está passando.
Discutir com gente idiota é que nem buzinar pra carro de autoescola: Além de piorar as coisas, eles ainda estarão sempre cobertos de razão.
Eu não sei escrever direito
Poema nem poesia
Se soubesse, faria pra ela
O melhor poema do dia
Minha mente tem duas metades
Uma delas eu usava
pra viver a vida
a outra pra pensar nela
Não havia neste Mundo
Nenhuma grade que me prendesse
Mas eu estava preso a ela
Por causa desse amor
Nunca fui bom em amor
Poesia e nem palavras
Agora vem aqui,
termina de esburacar meu peito
...escava
Aquele amor não existe mais
Era pouco pra você
Mas era tudo que ainda restava.
Quando o pássaro tem asas
A gaiola impede o voo
Estando lanosa a ovelha
O homem vem e lhe tosa
Às vezes
devorado, desarvorado
e arrependido
Não me perdoo
Por ter estado aqui
Cantando para quem
Jamais me quis ouvir
Doando minha carne, meu sangue
o que me restava de paciência
Além de toda uma vida
Vida ingrata
Deus me colocou aqui
Sob a reles condição de primata
No país das maravilhas
Covarde como o leão
Sem coração qual o Homem de lata
Agora não me resta nada
Na noite fria
Qual ovelha tosada
Minhas asas agora cansadas
Me relegam à mercê de predadores
E eles não são tantos
Enormes são suas maldades
Porém, nem precisavam sê-las
Quase nada mais me resta
Uma janela,
luz de estrelas no Céu,
Luz de velas cá na Terra,
vontade de fazer o certo
Um coração ausente, que erra
e o diabo sempre perto
tentando que eu desista
Cuspindo em meus poemas
aumentando meus problemas
Rindo da minha alma de artista
Um dia tudo se acaba
Exceto essas verdades
Que me invadem e orientam
Cada um carrega sua cruz
A minha me orienta a direção
da Fonte Universal de Toda Luz
Que haverá de confortar-me
e dar-me um coração
E um anjo de verdade
Pra fazer companhia
Se ainda persisto
E porque eu acredito
Na existência desse dia.
Ao longo da minha vida o fato de ver certas pessoas se apegando tanto ao nome de Deus abalava a minha Fé. Com o tempo eu aprendi a não ter fé nessas pessoas. Deus é Bom, Eterno e Imutável.
Nem tudo a gente sabe
aonde é que se inicia
Porém, todo mundo sabe
Que tudo um dia chega ao fim
A vida te dá o que pedires
Pede então, a parte que te cabe
Peça o que houver
Lá no fim do Arco-íris
Pois antes que a vida se acabe
Muita coisa chega ao fim
Simples assim
Termina pra você
Excede também pra mim
Resta apenas a Luz da Lua
Iluminando a nosso casa
Que ficava no fim da rua
Hoje a gente nem mora mais lá
Chegamos ao fim do caminho
Hoje, estou aqui sozinho
Melhor que seja mesmo assim
Enfim, vou-me embora
do mesmo jeito que um dia vim
enfim
Tudo um dia chega ao fim.
Hoje eu queria
Apenas um pouco
um pouquinho só
daquela alegria
que um dia
vivemos juntos
Não peço muita
Porém, preciso muito
daquilo que alguém espalha
depois que a gente junta
Mas, juntando a gente vê
Que não fica mais
do mesmo jeito
Aquilo que um dia foi perfeito
de alguma maneira
você se esqueceu de cuidar
Aquilo que hoje pede a Deus
Ele te deu
Mas acho que alguém não quis
Às vezes parece irritante
o ato de ser feliz
Hoje eu queria
Mas penso sinceramente
Que pra gente
não é mais possível.
Felicidade é que nem coceira nas costas: Quando você alcança ela desaparece ou parece que está em outro lugar.
O tempo passa, corrói a ferrugem, rói a traça
porém há belezas ocultas, mesmo que nada se faça
nem tudo na vida perde a graça.
Por mais que a gente viva, haverá sempre coisas que deixamos de fazer.
Por mais que a gente acerte, haveremos sempre de deixar erros.
Por mais que a gente ame, sempre tem alguém que não gosta da gente.
Por mais que a gente explique, haverá sempre quem não entendeu.
Por mais que a gente tente, não é tudo que a gente consegue.
Pois por mais que sejamos nós mesmos, sempre haverão de nos comparar a outras pessoas.
Mesmo com todas as imperfeições que possui, a vida continuará sempre sendo a melhor coisa que recebemos de Deus. Aprendamos então a agradecer por ela e a desejar mentalmente que este Mundo encontre o caminho da Paz e da Perfeição. O caminho consiste em não desejar que as coisas e as pessoas sejam sempre aquilo que esperamos delas e aceitá-las como são.
Eu pedi amor à ela
Ela trouxe...ou fez que trouxe
Veio em passos de formiga
O amor que chegou aqui
havia transmutado em briga
Eu lhe disse o quanto a amo
Porém, nem tudo que eu digo ela ouve
Não falamos mais a mesma língua
Ela não liga, ou faz não ligar
Azar o dela
Um dia aquelas palavras
Serão apenas lembranças antigas
Que no tempo
Haverão de ficar assim
belas coisas esquecidas
Eu sem ela
e ela sem mim
A vida passa, o vento sopra
Meu cigarro se torna fumaça
As copas das árvores
Que ontem eram arbustos
Adentram pelas janelas
As gotas d'agua da chuva
Contrastando à luz do Sol
revelam cores tão belas
A vida passa, o vento sopra
As belezas, antes viçosas
das pessoas orgulhosas
hoje já nem são mais
assim tão belas
Apenas o Céu e a Terra
permanecem imutáveis
Mas sempre haverá outras belezas:
Aquelas, presentes na alma
Que só de olhar
Dá vontade de estar junto
Pois com a sabedoria do tempo
Souberam cultivar e cativar
um sentimento
Que a beleza passageira
com sua efemeridade
Não possui
A vida passa, o vento sopra
Quase tudo vem a ruir
Exceto aquilo que era bonito
e foi cativado no espírito
Essas belezas não passam jamais
é algo que na história de cada um
Permanecerá pra sempre escrito.
A vida passa, o vento sopra...
