Coleção pessoal de edsonricardopaiva
O pássaro pulou
Voou de galho em galho
cantarolou bem baixinho
Meu amor, a minha flor-de-maio
dormia ainda
Não viu esta parte linda do meu dia
Tomara que ao menos sonhe comigo
Vai ganhar café na cama
Meu amigo passarinho vai pro chão
Pegar bichinhos nas flores que cairam
de vez em quando ele pia
depois voa
Todo voo é poesia
Voar à toa
Creio que seja
A coisa mais boa que existe
Eu não voo
e nem por isso sou sempre triste
mas me pergunto:
Passarinho, por que sumiste?
Mesmo assim meu dia é bom
Pois eu sei que você e ela
Existem.
Não sei o quê, que eu gosto mais em você
E nem porquê, que eu gosto tanto de você
Só sei dizer que eu não me canso de querer
Talvez teu cheiro, que eu desejo o dia inteiro
Eu viajo até no teu nome
Tornei-me outro homem depois de você
Creio que seja este teu jeito bonito
A maneira que você me olha
Não me deixa escolha, não me dá saída
Por você eu mudei minha vida
Pra estar com você
Eu mudo até de crença
Saber que você vai chegar
é a coisa mais legal que tem
Depois de você
Não vai haver mais ninguém.
Meu coração é algo assim
Duro e versátil
Parece tecido de brim
As lágrimas verdadeiras
eu as escondo
Vou pondo onde ninguém acha
Você pode até pensar
Que eu tenho baixa auto-estima
Meus segredos estão todos
Guardados nas rimas
Pois é nas palavras
Que eu faço sangrar
Desfaço-me assim das tristezas
Tem sido assim por anos
Não faço planos impossíveis
Posso voar por todos os Céus
e todos os níveis
Pra todas as portas que se fecham
Eu tenho uma chave-mestra
O que hover de canhestro em meu passado
Eu corrijo com a destra
Se o bem não alcanço
O mal não me pode alcançar
Meu coração é algo assim
Duro e versátil
Parece tecido de brim
As lágrimas verdadeiras
eu as escondo
Vou pondo onde ninguém acha
Você pode até pensar
Que eu tenho baixa auto-estima
Meus segredos estão todos
Guardados nas rimas
Pois é nas palavras
Que eu faço sangrar
Desfaço-me assim das tristezas
Tem sido assim por anos
Não faço planos impossíveis
Posso voar por todos os Céus
e todos os níveis
Pra todas as portas que se fecham
Eu tenho uma chave-mestra
O que hover de canhestro em meu passado
Eu corrijo com a destra
Se o bem não alcanço
O mal não me pode alcançar
As coisas que faço
E as coisas que eu digo
Não pretendem conquistar nenhum espaço
Nem ligo
Não pretendo ser quem não sou
Sou aquele que Deus fez
A minha vez já chegou
é hoje, foi ontem e amanhã será
Meu tempo é este
E eu sou apenas eu
Apesar de todos os meus defeitos
Vivo apenas do jeito que posso
E te ajudo, se precisar
Às vezes me iludo
Pois sou gente igual você
Mas não quero o que não me pertence
Nem penso ser mais que ninguém
Estou na vida pra aprender
dividir e amar a vida
Por ser assim
e não saber mentir
Vivo sozinho
Quase que isolado
Não haverás de ver ao meu lado
Muita gente
Desejo que sejam felizes
Longe de mim
Não existe nenhuma garantia
Que eu não vá terminar meus dias
Embaixo de algum viaduto
Um desconhecido morto
Que viveu no anonimato
Não teve nada
e nem foi ninguém para este Mundo
Mesmo assim, se procurar
Não há de encontrar
A quem eu tenha feito o mal
O mal que me fizeram
Morreu em mim
Eu afoguei o mal, não o perpetuei
Portanto
Se terminar os meus dias
Sem ninguém ao meu lado
Eu mesmo me julgarei
Um bem aventurado.
Por muito tempo eu estive assim
Esperando por quem não me quis
pensei que iria ser feliz
Sem perceber, que algo não era verdade
e já havia passado do fim
E eu aguardava o dia todo pra estar
com quem não quer saber de mim
Quer saber?
Até que não foi tão ruim
A saudade
que haverá de doer depois
Se tiver que escolher um dos dois
Vai fazer como eu fiz
e querer ficar com ela
Que fugiu de viver um amor
E pela vida sem sabor de nada
Me trocou
e achou, então
Que era bom rir assim
Enquanto eu sofria
Mas eu não vou estar perto nesse dia
Quando seu peito deserto
Vai chorar de madrugada
Vai me buscar e descobrir
que eu já hei de estar feliz
vai procurar, então, os poemas que eu fiz
e que ela rasgou, de malvada que era
Sem pensar nas lágrimas que a esperam
desesperada
Vai então, nessa hora descobrir
Que ao meu lado não tem mais lugar
E que já não será para mim
Mais nada.
Outro dia, em sonho, entrei na mata
E à beira de uma cascata eu vi sentado
Sem qualquer possibilidade de fuga
Não sei se era tartaruga
Não sei se era Jabuti
Não sei se era Cágado
A única certeza que eu tenho
É que foi numa tarde de sábado
Num galho pertinho dele
Me olhava manso, o Sabiá
Não me canso de lembrar
Que cansado que eu estava
Disse quase resfolegando
Fica tranqüilo meu amigo
Em minha presença não há perigo
Hoje ando quase tão lento
Quanto a Preguiça e quanto a ti
Minha passagem por aqui
é coisa que invento
Pra espantar a solidão
Nem trago no coração
A antiga maldade de outrora
E somente o que peço agora
É um pouco de companhia
E então o bicho respondeu
Pois eu há muito espero este dia
Pois já te vi correr como o vento
E percebi
quando começaste a ficar lento
No meu íntimo,
também conheço os teus intentos
Apesar da aparência de bicho
Sou alguém que há muito conhece
e nunca andei depressa
Apesar das tuas preces:
Meu nome é tempo
Aquele, que mesmo quando você me esquece
Te encontra nas ruas
e ainda te reconhece
Quando do tempo eu tentei fugir
O Pássaro encantado
Que até então, se encontrava calado
Olhou pra mim como que rí
e simplesmente falou:
Bem-te-ví
Hoje em dia eu nem sei mais
O que é claro e o que é escuro
Nem sei mais a diferença
Entre o raro e o banal
Hoje eu não mais compreendo
O que é vento e o que é mar
O que é lento ou está parado
O que é fumaça e o que é ar
O que não tem graça
e o que é pra rir
Quem está contra mim
e quem está ao meu lado
Quando eu vou dormir
está de um jeito
Quando eu acordo
Não sei se acho feio ou bonito
deixaram tudo misturado
Não sei se o Mundo anda esquisito
Ou se sou eu
Que ando meio pirado
Agora mesmo eu estava lendo
Um artigo que dizia
Que aquele problema antigo
Que parecia resolvido
Será recebido de volta
e com festa
E nessa festa haverá música
e serão cantadas
canções sem nenhuma poesia
dizem que a moda agora é esta
Eu olho pros lados
e não sei dizer quem é homem
Parece que o normal
hoje em dia é ver a fome
Como coisa natural
E que os salvadores
na verdade
São aqueles
Que a todos comem
Me disseram que agora a cobra voa
Eu concluo que por mais que eu diga
Estarei falando à toa
Pois hoje o mal é coisa boa
Hoje em dia eu nem sei mais
O que é claro e o que é escuro
Nem sei mais a diferença
Entre o raro e o banal
Hoje eu não mais compreendo
O que é vento e o que é mar
O que é lento ou está parado
O que é fumaça e o que é ar
O que não tem graça
e o que é pra rir
Quem está contra mim
e quem está ao meu lado
Quando eu vou dormir
está de um jeito
Quando eu acordo
Não sei se acho feio ou bonito
deixaram tudo misturado
Não sei se o Mundo anda esquisito
Ou se sou eu
Que ando meio pirado
Enquanto os povos, os reinos e os governos
Judiam e vilipendiam desta pobre nave
Eu rezo aqui no meu canto uma Ave-Maria
E quando este mundo se encharca de vinho
Eu, aqui permaneço sozinho
e desço ao inferno
No final de cada dia
Eu sei que todos pensam
Que tudo isso aqui é eterno
Porém ninguém sabe
Que eu cavei pra mim uma sisterna
Cuja entrada, escrustada de diamantes está
E tudo será diferente
De hoje, de ontem ou de antes.
Enquanto todo mundo quer mais
Meu coração deseja um pouco menos
Menos astúcia, menos desconfiança
e um pouco menos angústia
Meu coração de criança
deseja que não houvesse
este excesso de falsas promessas
Proferidas por tantas mãos
unidas em prece
Eu queria que no mundo houvesse
Menos dor, menos rancor e falsidade
Procedente deste excedente de má vontade
Queria viver, enquanto há vida
Uma vida que fosse, ao menos levemente
uma vida de verdade
Enquanto meu coração pede menos
Os meus olhos pedem mais
Mais abelhas entre as flores
Mais aviões no Céu
todos feitos de papel
Mais sapos a cantar na noite
Mais estrelas visíveis
No clarão da madrugada
Mais sonhos possíveis
Mais frutas nos pomares
Promessas verdadeiras
Agradecidas nos altares
Sorrisos costumeiros
e cumprimentos matinais
e poemas madrigais
e que houvesse lugar pra todos
O último e o antepenúltimo
O primeiro e o segundo
Meus olhos desejam ver
Um pouco mais de amor neste mundo.
A cada vez que eu penso
Em deixar de ser quem eu sou
Imagino então outros três
A viver o que eu vivo
e fazer o que eu faço
Um deles não fala, nunca tem vez
O outro não pensa, tampouco se abala
e o terceiro tem nariz de palhaço
Acho que na verdade
Eu já sou os três
Em um concentrado
Ou um quarto
Que é sempre deixado de lado
Portanto
Se ninguém se importa com o que sinto
tanto faz
Vou deixar de lado o Mundo
e transmutar-me
em um quinto homem
daqueles que somem
naquelas horas em que o procuram
Aqueles que dele precisam
Vou tornar-me somente
O Mudo e esquecido
Homem invisível
Um nariz de palhaço flutuante
e seguir adiante
Nesta vida
Que dizem ser uma festa
Onde me oferecem aquilo que resta
Quando alguém me convida
Abrace antes o Mundo
E encare a vida face a face
Mergulhe fundo nos teus sonhos
Antes que os anjos se afastem
E o tempo leve seus melhores amigos
Não deixe que seus desejos
Se transformem em sonhos antigos
Sem que antes tenha tentado
Não existe nenhuma garantia
de que vão se realizar
Mesmo assim
Não permita que um dia
Você mesmo se cobre
Pelo arrependimento nada nobre
de ter visto a vida passando
e que você não disse
não fez, não foi e nem viveu
por medo
Não permita que enterrem
Junto a ti
Os teus segredos
Viva os teus sonhos
Grandes ou pequenos
E permita que eles permaneçam vivos
depois de você
Tantas lembranças eu tenho
Algumas afogadas em taças de vinho
Outras eu queria não ter visto
E que a vida houvesse sido
Qualquer outra coisa
Exceto isto
Todas deixadas ao longo do caminho
Algumas dessas dores eu cobri com flores
E de uma maneira ou outra
Nós vamos vivendo
Bebendo essses remédios que a vida dá
Sem ao menos ler as bulas
Sorrindo quando o Sol
Sem me dar alternativa
ilumina a minha cara
e chorando de forma furtiva
No silencio impenetrável
das infindas noites escuras
Em que à beira de fogueiras
Às vezes minh'alma dança
Triste ou feliz
Por haver em minha vida
A sorte ingrata de haver no coração
Tantas lembranças.
Os anos se passaram
O tempo passou
Os minutos passam em fila
dois minutos
jamais passaram lado a lado
Faça as contas e confirme
Que agora, neste momento
Você já está no passado
Passou de tal maneira, tão tranqüila
E nem ao menos percebeste
Que este momento já é o seguinte
Somos espectadores, coadjuvantes ou ouvintes
Jamais protagonistas
em nossas frustradas conquistas
A vida passa
E por mais que a natureza nos ensine
Assumimos somente a autoria
daquilo que em vitórias resulte
Não insulte o tempo
Ele é um ser magoado
Que se vai e nunca volta
O minuto presente
Um dia há de fazer falta
Tente você
Tentemos nós
Honrar nossos compromissos
Assumidos com o Mundo
E poder olhar sorridentes
Os segundos que haverão de vir após.
O primeiro passo para que a Humanidade conquiste um Mundo perfeito é não esperar pela perfeição. O Mundo já é perfeito, nós é que procuramos nele imperfeições, para poder acusar o Mundo por ser imperfeito.
Não gosto de manhãs chuvosas
Elas causam-me melancolia
Sinto o oposto pelas noites estreladas
E apesar disso
As estrelas e as gotas de chuva
Não estão interessadas
Em nada que eu sinta
Simplesmente caem ou brilham
Estrelas brilham quando saem
Gotas de chuva brilham quando caem
Estrelas caem do Céu em noites claras
Em raras manhãs a chuva pára
Após terem caído sem mostrar
durante a noite
Seu brilho sem par
A melancolia
Também é algo assim
Simplesmente uma saudade ímpar
de coisas que eu não vivi
ou manhãs das quais eu me esqueci
Nem tudo no Mundo muda
Quando amanhece
Mas tudo na vida vai mudando um pouco
Conforme vai passando o dia
O Universo permanece imparcial
Mesmo quando parece que não
E qualquer coisa pareça
receber um tratamento especial
Desigualdade é ilusão
O reverso e o avesso
O Céu e o chão
Filhos da mesma natureza
A Natureza é um amor
Cuja confiança nós desmerecemos
Uma tábua de leis
Que nós não lemos
E que às vezes
se apresenta enfurecida
Nos forçando a reaprender
O lado leve da vida
A vida, curto e eterno
Período de tempo
No qual dividimos energia
Com o ar, com os mares e as pedras
Poeira de estrelas
e com a própria vida
Que compõem e se espalha
Por este imenso Universo
Onde, apesar de nossas ilusões
Nada falha
A luz e a escuridão
Divididas com plena igualdade
Onde a única ilusão existente
É a existência do mal
Que não existe
Portanto, não fique triste
Pois o Universo
Permanece imparcial
Quando nada mais houver
E se não restar
nem mesmo a dor
Agradeço pelo que tive
Mesmo estando assim
tão distante do começo
fico feliz pela tarde
Quando chove
Observo o alarde que faz o mundo
e agradeço, mesmo quando
dentro de mim
Nada mais se move
Me apego ao apreço
Que um dia, porventura
houver existido
pela pessoa que eu era
A vida não passa
Nós passamos pelo Mundo
a vida espera
às vezes fingida e mentirosa
e há dias em que é sincera
e claramente fria
Quando mais nada houver
e acabar-se o que havia de melhor
assim como também não existir
amor, calor ou dor
estio ou frio
Nada pra sentir
e nenhum lugar aonde eu ir
Ainda assim
Espero que ainda possa ver
as aves no Céu
Simplesmente pra se olhar
Mesmo que em meu caminho
haja apenas as quedas
E esta vida eu já nem viva
Nesse dia talvez eu compreenda
Que por mais que a vida tente
e a gente jamais aprenda
Seja ela gentil, sutil ou incisiva
haverá de existir pra sempre
A alternativa de vivê-la
desta maneira
um tanto contemplativa
