Coleção pessoal de demetriosena

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Não vejo "graça nenhuma" numa mulher que não vê "graça nenhuma" em nenhuma outra mulher.

Nem sempre o perdão é sinônimo de mágoas passadas. Mesmo assim é gratificante perdoar, pois o íntimo se torna um rio de mágoas calmas e cristalinas. Em suma, o perdão liberta o perdoado e despolui o perdoador.

Por mais infeliz que esteja, não se suicide, afinal, isso é redundância. Mas se quiser suicidar, esteja à vontade, pois assim você morre sem feir a gramática.

A musiquinha de campanha que ajudou a eleger o Presidente lula, a tal de "Lula lá", ficaria bem adequada se ela fosse fundida à música de Gilberto Gil, intitulada "Drão". Juntando-se os títulos, veja que beleza: Lula lá-Drão".

Um aviso aos traídos: Beber, às vezes distrai... Mas nunca destrai.

Para os adolescentes, tudo é para ontem, tudo é para sempre, e o mundo vai acabar amanhã.

Só se reconhece e critica a acomodação dos que não lutam por bens, cargos e fama. No entanto, existem muitas outras acomodações, quase todas mais graves, e das quais geralmente são portadores os mais fartos, influentes e famosos. Há aqueles que se acomodam com a distância dos filhos, a mesquinhês, a falta de privacidade, a solidão, a pobreza de caráter... Muitos se acomodam com a obesidade, a falta de conhecimento, a insensibilidade, a arrogância, e uma profunda carência de humanidade.
Mais grave ainda, tantos outros se acomodam com a violência que os cerca, julgando que ela não os atinge. Acomodam-se também com o incômodo sentimento de querer mais e mais aquilo que já possuem com fartura. No fim das contas, não existem pessoas não acomodadas, e sim, uma imensa variação de acomodações que se acomodam em criticar as acomodações mais previsíveis, talvez as menos nocivas.

Quem espalha uma intriga faz jus à ira, mas quem ouve (ou lê) a intriga e prontamente absorve sem questionar o outro lado, faz jus à piedade... afinal, o fofoqueiro passivo é covarde, fraco, e sua personalidade nem é sua... é de quem a queira modelar

Seria bom se a justiça deste país fosse imprevisível, para de vez em quando nos surpreender com... justiça.

"Investir numa nova relação" é uma máxima bem adequada para o início de uma nova tentativa amorosa, em um mundo cada vez mais capitalista. De uma forma genérica, a mulher investe seus dotes visando antes a estabilidade financeira, depois a felicidade afetiva, e o homem investe seus recursos econômicos e sociais no amor da mulher, sabendo que sem isto será quase impossível. Por causa desse investimento, em tempos de crise as relações amorosas estão indo à falência e pedindo concordata com muita facilidade.
Às mulheres, a garantia de que reconhecemos os esforços e o talento com que um número delas, cada vez mais maior, busca essa estabilidade com esforço próprio. Vai em busca da independência numa espécie de informalidade, à margem das relações produtivas materialmente. Também sabemos que é crescente o número de homens que "investem", à moda femnina, em relações com essas mulheres. E pasmem, são menores as estatísticas de falências. Isso revela uma superioridade notória da capacidade afetiva da mulher.

PAIÓIS SOCIAIS

Relações de cristal, de melindres e manhas;
de verdades veladas, envoltas em véus;
laços tenros e tensos, fitas de crepom
que desbotam; que rasgam sem grandes razões...
Gente "fina" demais, uns gravetos de afetos
quebradiços e secos; de fácil fogueira;
um verniz, entretanto, forjando a fachada
de pessoas "aí pro que der e vier"...
A palavra sincera estilhaça o cristal;
a franqueza é uma força que rasga o papel;
retalhar esses véus é pra qualquer navalha...
Confrarias doentes, irmandades pardas,
mas cobertas de fardas, fardões e glamur;
de penachos, pendões e narinas pro céu...

Um país é feito de homens livres... que são feitos de livros.

Você acha terríveis as psicopatas? Espere até conhecer uma psicogalinha.

A política é um grande circo no qual a platéia, o povo, é que faz marabalismo e anda na corda bamba.

Que a situação no Brasil é péssima, todos sabem... Mas isso, é porque não há oposição.

ALGO ALÉM DA VISÃO

Este bloco de gelo acoberta uma chama;
meu olhar de Saara tem um lago oculto;
algo bom me reside, apesar da má fama,
sou alguém nas entranhas da faixa e do vulto...

Levo muitos pecados, mas mereço indulto;
tenho vida real escondida na trama
do boato e do vero; da ira e do culto;
acharás a minh´alma, revirando a lama...

Quem me quer venha fundo, mergulhe sem cisma;
queira mesmo a verdade, menospreze o prisma,
pra julgar meu melado considere a cana...

Tudo tem fundamento, sentido e razão;
cada cena e cenário algo além da visão;
minha capa de andróide uma máquina humana...

Se dermos fim ao endeusamento de certas pessoas, há de ser automático o fim do menosprezo a outras pessoas; no caso, as de menor poder aquisitivo, as que não têm cargos importantes, as anônimas e simples... e até simplórias.

Está bem, Rede Globo... A roubalheira da Igreja Universal, ou do Bispo Macedo, é de fato uma vergonha... Mas vamos combinar que a vergonha do senado não se tornou menor, como não justifica desviar todo o foco. Continuem denunciando, pelo menos até a copa do mundo.

A corrupção é uma gripe... uma gripe suína... ela geralmente vem dos porcos que ocupam chiqueiros de luxo, a exemplo do senado.

Hoje quase posso dizer as medidas exatas do sofrimento. Na verdade, não louvo nem maldigo a vida, por causa disso. Sequer mandingo na tentativa de uma possivel fuga, pois entendo que a sina se constrói ou aluga o nosso corpo enquanto há pulso.
Muito mais do que isso, agora sei da verdade, face a toda mentira que ela acomoda. Entendo, resignado, que os contentos que a entrecortam são feito modas ou viroses. Só a tristeza é vida, pela tradição que a perpetua enquanto há. Tristeza é lua que rege nosso tempo em nós.
Bem sei que nada nos livra desta história; deste livro de folhas entreabertas que enseja penumbra e solidão. Tenho chances cada vez mais desertas e mesmo assim vou relutando contra todos os lutos do viver, para ver se cumpro meu luto vital e uma certa missão que os clichês impõem a todos.
Sobre tudo o que dói sei quase tudo, e quase nada restou de se atinar sobre as coroas de farpas da conquista exangue dessa cruz que se carrega. Do sangue ralo e coalhado com que se rega o caminho na ilusão de um tempo que ninguém viu.
Há mais grilo do que esperança... Mas parece que a segunda é a última que morre... Por isso vivo. Com que pretensão nem sei, mas vivo.