Coleção pessoal de demetriosena

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Estou chegando à velhice... Com isto me preparo para ter corpo, espírito, coração e mentalidade velhos. Isso me ajudará a viver em harmonia, sem os atritos pessoais bastante comuns observados nos que não acompanham a idade. Não quero ser diversão garantida para os mais novos, crendo compor ainda sua geração. O que preciso, de fato, e todos quantos veem o tempo avançar sobre sua estrutura, é ter um conceito enxuto de velhice.

Um aviso aos políticos: Se existe inferno, há chance de ele ser um só; sem compartimentos. A punição pode ser única, eterna, para todos, e não haver cela especial.

Falar do efeito estufa para gente egoísta, imediatista e burra muitas vezes nos causa efeito estafa.

O verdadeiro amor é feliz na cama e solidário no coma.

A morte nada mais é do que as letras miúdas do contrato de nosso plano de vida.

Quem de mim é pior? Eu ou eu?

Não copie Pilatos... Não lave as mãos para a injustiça. Pilataria é crime.

Filosofia imobiliária: A educação vem de casa... e vende casa.

Não vejo "graça nenhuma" numa mulher que não vê "graça nenhuma" em nenhuma outra mulher.

Nem sempre o perdão é sinônimo de mágoas passadas. Mesmo assim é gratificante perdoar, pois o íntimo se torna um rio de mágoas calmas e cristalinas. Em suma, o perdão liberta o perdoado e despolui o perdoador.

Por mais infeliz que esteja, não se suicide, afinal, isso é redundância. Mas se quiser suicidar, esteja à vontade, pois assim você morre sem feir a gramática.

A musiquinha de campanha que ajudou a eleger o Presidente lula, a tal de "Lula lá", ficaria bem adequada se ela fosse fundida à música de Gilberto Gil, intitulada "Drão". Juntando-se os títulos, veja que beleza: Lula lá-Drão".

Um aviso aos traídos: Beber, às vezes distrai... Mas nunca destrai.

Para os adolescentes, tudo é para ontem, tudo é para sempre, e o mundo vai acabar amanhã.

Só se reconhece e critica a acomodação dos que não lutam por bens, cargos e fama. No entanto, existem muitas outras acomodações, quase todas mais graves, e das quais geralmente são portadores os mais fartos, influentes e famosos. Há aqueles que se acomodam com a distância dos filhos, a mesquinhês, a falta de privacidade, a solidão, a pobreza de caráter... Muitos se acomodam com a obesidade, a falta de conhecimento, a insensibilidade, a arrogância, e uma profunda carência de humanidade.
Mais grave ainda, tantos outros se acomodam com a violência que os cerca, julgando que ela não os atinge. Acomodam-se também com o incômodo sentimento de querer mais e mais aquilo que já possuem com fartura. No fim das contas, não existem pessoas não acomodadas, e sim, uma imensa variação de acomodações que se acomodam em criticar as acomodações mais previsíveis, talvez as menos nocivas.

Quem espalha uma intriga faz jus à ira, mas quem ouve (ou lê) a intriga e prontamente absorve sem questionar o outro lado, faz jus à piedade... afinal, o fofoqueiro passivo é covarde, fraco, e sua personalidade nem é sua... é de quem a queira modelar

Seria bom se a justiça deste país fosse imprevisível, para de vez em quando nos surpreender com... justiça.

"Investir numa nova relação" é uma máxima bem adequada para o início de uma nova tentativa amorosa, em um mundo cada vez mais capitalista. De uma forma genérica, a mulher investe seus dotes visando antes a estabilidade financeira, depois a felicidade afetiva, e o homem investe seus recursos econômicos e sociais no amor da mulher, sabendo que sem isto será quase impossível. Por causa desse investimento, em tempos de crise as relações amorosas estão indo à falência e pedindo concordata com muita facilidade.
Às mulheres, a garantia de que reconhecemos os esforços e o talento com que um número delas, cada vez mais maior, busca essa estabilidade com esforço próprio. Vai em busca da independência numa espécie de informalidade, à margem das relações produtivas materialmente. Também sabemos que é crescente o número de homens que "investem", à moda femnina, em relações com essas mulheres. E pasmem, são menores as estatísticas de falências. Isso revela uma superioridade notória da capacidade afetiva da mulher.

PAIÓIS SOCIAIS

Relações de cristal, de melindres e manhas;
de verdades veladas, envoltas em véus;
laços tenros e tensos, fitas de crepom
que desbotam; que rasgam sem grandes razões...
Gente "fina" demais, uns gravetos de afetos
quebradiços e secos; de fácil fogueira;
um verniz, entretanto, forjando a fachada
de pessoas "aí pro que der e vier"...
A palavra sincera estilhaça o cristal;
a franqueza é uma força que rasga o papel;
retalhar esses véus é pra qualquer navalha...
Confrarias doentes, irmandades pardas,
mas cobertas de fardas, fardões e glamur;
de penachos, pendões e narinas pro céu...

Um país é feito de homens livres... que são feitos de livros.