Coleção pessoal de demetriosena

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Tenha sempre onde possa conservar seus nãos,
pra dizê-los sem medo nas horas propícias;
virem sãos de seus lábios, seus olhos serenos.

A Nathalia chegou à faculdade. Aos dezessete anos, cursa o primeiro período em química. Nada a ver com o seu pai, sujeito subjetivo e sonhador, que planta letras e quase sempre colhe satisfações abstratas, de cunho estritamente pessoal. Às vezes alguns expedientes transversais, a exemplo de palestras educativas, convertidos em recursos econômicos. Até o emprego modesto, conseguiu por ser escritor também modesto. Vender livros, mesmo, é caso de algumas eventualidades como chegar aos lugares certos, nas horas certas, e ter a chance de mostrar o produto quase anônimo.
Porém, ninguém pense que a Nathalia escapou de minha rede sonhadora. E o melhor deste aspecto é que ela representa justamente a esperança da concretização do meu sonho característico de pessoa lunática: Tempos cada vez melhores, onde os filhos decidam mais e mais seus caminhos, ideologicamente opostos ou não aos de seus pais, porque terão sempre campo e liberdade para escolher. Conquistarão confiança e compreensão irrestritas, por se fazerem respeitar na sua individualidade. Minha filha futura química é, portanto, motivo de orgulho, além de representar um claro elogio a este pai poeta, cronista e visionário. Não apenas por sua escolha, ou por estar na faculdade, mas principalmente por ser uma filha amorosa, honesta, sincera e de postura moral que daria orgulho a qualquer pai.
Está quase criada, a Nathalia. Tenho ainda a tarefa de criar a Júlia, quatro anos, com o desafio de orientá-la para se tornar, igual ou diferente, uma pessoa especial feito a irmã. Com isso, ficarei cada vez mais lunático e sem apego a bens de consumo... Afinal, que mais pode querer da vida quem cria um, dois ou dez filhos que, por serem exemplos de humanidade, cidadania e talento, ajudarão a fazer do planeta o sonhado lugar melhor para viver?

Quando a polêmica se instala, só o líder sobressai.

O que dizem as más línguas tem um destino em comum: Os maus ouvidos.

...Depois que um espinho nos fere dá medo da flor.

Já nem acho tão pungente

Um Cristo morto na cruz,

Quando morre tanta gente

Nas longas filas do SUS.

O maior triunfo de alguns é o tropeço notório daquelas pessoas às quais fingem só admirar, mas na verdade nutrem por elas a mais profunda e dissimulada inveja. Tal triunfo, no entanto, nunca tem consistência, porque afinal, pessoas de fato dignas de admiração, quiçá inveja, não caem definitivamente. Vão ao solo, reerguem-se, dão a famosa volta por cima e seguem, deixando à míngua os invejosos. A inveja é um alimento venenoso. Desnutre a alma de quem a nutre e julga, equivocadamente, atingir o outro.

... Sei de miséria,
é bem mais séria
do que se prega
(nas eleições
ou nas canções
de gente brega)...

Não se constrói o futuro no futuro... muito menos no passado.

Tomara que vocês votem tão bem nas próximas eleições, como sabem votar no BBB!

Viva todos os dias como se a morte estivesse de tocaia, você soubesse onde e fosse inevitável passar por lá.

Saberes são sabores que advêm das vivências capazes de amadurecer o espírito, a mente, o caráter, para que o corpo não passe pelo mundo como casca inútil, cuja polpa nunca teve dulçor. Isso, porque jamais amadureceu; foi de verde a podre, pulando estágios essenciais ao ser.

Não tenho medo de nada. Temos que ensinar o medo a ter medo de nós.

Não se há de negar que político seja mesmo sujo... Mas há eleitores tão íntimos da corrupção, que quando o político sai às ruas para panfletar entre eles, é bastante adequado chamar esse corpo-a-corpo de... porco-a-porco.

POEMA ELEITORAL GRATUITO

Decidir entre lágrima e carpido;
se melhor é a farpa, se o espinho,
ser exposto ao deboche ou ao escárnio
de quem hoje proclamo salvador...
É pedir a lesão, talvez o corte,
distinguir o gatuno do ladrão,
quem será meu algoz, quiçá verdugo,
pra depois enforcar a minha voz...
Optar por satã ou satanás,
pela víbora, a cobra ou a serpente;
dor de dente, quem sabe, dor de ouvido...
Escolher entre nódulo e tumor,
um derrame, acidente vascular,
flor atômica e Rosa de Hiroshima...

A selva de tocos
revela o rastro "selvagem"
das feras urbanas.

O educar até passa pelo ensino... Apenas passa. Mas está centrado mesmo é no ser. Bem mais que reflexão, educação é reflexo.

Se você vir a palavra pobrema, não terá sido erro; pobrema existe; é problema de pobre.

Se necessário, perca o seu grande amor, mas não o seu grande amigo.

Ser poeta é sempre não ter falado para ninguém, depois da nítida impressão de ter falado para todo o mundo.