Coleção pessoal de daliahewia

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Anjo

Olho pra você e vejo apenas um anjo,
a outra parte eu esqueço, desconheço.
Quero apenas abraço, beijo, carinho.
Vou fazer de tuas asas manto divino,
que acenda nossas brasas
e trace nosso destino.

Dalia Hewia
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Coração de Papel

Se você pensa que meu coração é de papel, acertou.
Isso explica porque as vezes fica amassado,
em outras dobrado,
ou leve e macio como veludo.
Em certas ocasiões o sinto desnudo
a mercê das marcas do passado,
vivendo as alegrias e angústias do presente,
ou sonhando com promessas no futuro.
Não é conveniente que dele você se ausente,
porque mesmo sendo frágil como papel,
ele tudo pressente
e até a mais leve indiferença
pode trazer descrença pra um sentimento forte.
Esse coração de papel não acredita em azar ou sorte,
mas em escolhas, ações e destino,
por isso vive em desatino.
O papel é colorido, as vezes florido,
até mesmo branco, cheio de paz
e generoso ainda faz mais,
deixa que nele escrevam quase tudo sem censura.
Haja fartura!
Coracão de papel vira um imenso painel,
pra acolher sentimentos alheios
e se divide em mil pedaços
pra receber tantos rabiscos,
tantos traços.
Alguns escrevem, desenham, pisam,
as vezes pintam ( o sete).
Hoje o coração de papel está embrulhado pra presente,
com laço vermelho de fita brilhante, pulsante, quente!
Está a espera do possível amante,
muito diferente de todos por quem esse coração já bateu.
Agora quem sabe haja um novo desfecho
pra esse coração ateu.
Talvez um recomeço,
quem sabe até um novo endereço,
com um príncipe que será meu.
É hora de deixar um pouquinho de pensar só nos outros,
é hora dos amigos pararem com o aluguel.
É o momento exato de abrir o cadeado,
destrancar a alma, tirar o maldito véu.
Coração vai parar de se blindar ao amor,
nada mais de pudor.
Símbolo e sentimento estão à sua espera, à espreita
do momento certo.
Você tão longe e também tão perto,
merece o crédito porque me conquistou.
Aqui estou eu com meu coração de papel,
livre, ao léu, derretendo e escorrendo mel
que despejo pro seu paladar bem apurado.
Que o novo vibre cheio de vida e desejo.
Que seja desfecho, festejo,
que seja pecado!

Dalia Hewia
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Tags: coração papel

Medo

Vamos perder o receio, vamos soltar esse freio e falar do medo.
Medo...primeiro a gente tem que perder "o", pra depois falar "do".
Ele é fácil de se achar mas também costuma se camuflar,
disfarçar...
Está presente na vida
e na vontade de se aventurar.
Companheiro fiel, não paga aluguel, mas fixa moradia em muita gente desde a infância.
Tem muitos nomes, substantivos, adjetivos, pronomes.
Medo de rua, de bicho-papão, de escuridão,
as vezes chega de mansinho, outras vezes de supetão.
Medo é forte, é poderoso, tinhoso, insinuoso.
Na juventude aparece como o medo de não agradar,
de ser alvo de deboche,
de não ser aceito pela maioria ou de virar um fantoche.
Jovem tem medo até de falar, de expressar sua covardia,
Tem medo do pai, da mãe, da tia e da filha da vizinha,
da sexualidade, da espinha, de sua própria rebeldia.
Jovem tem medo de tudo, mas contudo se arrisca.
Essa talvez seja a atitude mais inteligente pra lidar com o medo.
Se pra se livrar é cedo,
o melhor é reconhecer que se tem, mas enfrentar.
A vida é um risco, um cisco, é uma poeira, um instante, um caminhar
e durante toda vida, há medo o bastante.
Na idade adulta ele piora, vem sob a forma de doença e de morte,
(que não demora).
Adulto tem medo de queda, de solidão, de desamor, de sentir dor.
Medo de hospital, medo irracional, medo do jovem que desafia
(vendo nele o próprio jovem que também já foi um dia).
Adulto tem medo da velhice e se envolve na tolice de a tudo criticar.
Adulto tem medo até de um dia ficar sem lar
e passar pela vida sem deixar sua marca, seu rastro,de ficar perdido a divagar.
Adulto tem medo devagar.
Se todos temos medo de alguma coisa, pessoa ou situação,
o melhor a fazer é reconhecer isso e matar de vez o leão.
Mas de que jeito?
É simples e perfeito:
basta acolher e esbanjar
todas as formas de conjugação do verbo amar.
Porque onde existe amor o medo não cresce.
A medida em que se ama mais e mais,
o medo se esvanece e a verdade aparece (pra quem merece).
Medo é ilusão e amor é a tradução
do sublime.
Amor é prece.
Medo é crime.

Dalia Hewia
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Choro

Aceito baldes de água fria,
porque minha menina
dos olhos está com sede
e quer se saciar.
Quer mandar o peso sair,
a tristeza fugir,
pra de novo te encontrar.
E depois deixar,
por tanto amar,
tudo vazar:
toda essa água
já salgada,
escorrendo mansa e
descendo quente
pelo meu olhar...
Te vejo então na minha frente
e percebo que você é o meu reflexo.
Mesmo parecendo sem nexo,
choro!
Te devolvo assim a água fria...
Perdoa amor, a ironia!

Dalia Hewia
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Mergulho


Pessoas sempre dizem que esperam pouco
( que louco),
porque caso haja decepção será menor,
será melhor.
Eu ao contrário sempre espero muito,
até das decepções, traições ou paixões.
Em tudo gosto do máximo, da intensidade,
(sou verdade).
Em tudo ou me nego ou me entrego,
sem meias medidas, sem meias verdades,
ou ambiguidades.
Pessoas vão na mão e eu na contramão,
não paro no meio da pista.
Sou antagonista.
Pessoas com medo da vida se protegem
e em suas inseguranças submergem.
Minhas ânsias ( afirmo) é que me regem,
emergem.
Pessoas são do mundo, gotas de oceano
Eu mergulho sempre fundo,
prefiro ouvir melodias ao piano
tocadas em mansidão ou sofreguidão.
Por que não?
Busco tudo que valha a pena,
porque minha alma, pessoas queridas, sofridas...
Não é pequena.

Dalia Hewia
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OI, OLÁ, TUDO BEM?


Oi, olá, tudo bem?
Oi, olá, tudo ótimo. E você?

Contatos superficiais, banais.
Ninguém diz o que quer,
ninguém escuta o que deve.
Mera formalidade em fala breve.
Ele finge que se importa,
ela finge que acredita,
quando a emoção já morta
padeceu, virou eremita.
Todos fechados em sua solidão,
estátuas que brincam e fingem
buscar interação.
Dizem sim, dizem não,
dizem qualquer coisa,
porque precisam provar que são sociáveis, aceitáveis.
Todos são guiados por algum tipo de padrão imposto.
No entanto por que, pra que, se o tédio está ali exposto
no rosto e no olhar de tristeza que o envolve?
Pessoas acham que hipocrisia resolve.
Ele imita ele, que imita ela, que imita outro. Imitam-se todos.Irritam-se todos.
Tolos!
Ei você! Pare já com isso, a vida não espera.
Repare no outro, pare de fingir e de fugir de si mesmo,
pare de se enganar com a desculpa da vida corrida, da pressa.
Entregue-se ao que na verdade interessa:
profundidade, amorosidade.
Esqueça um pouco o conforto da segurança e
seja sempre criança
pra viver a ânsia de cada momento.
Acorde enquanto é tempo!
Se importe de verdade,
perceba que aparência é só futilidade num mundo de ilusão.
Olhe nos olhos do outro e escute com atenção.
Esteja alerta, esteja inteiro, seja capaz de banir a eterna reclamação.
Deixe brotar a emoção, porque o outro é tão importante quanto você.
Seu egoísmo quase sempre o impede de ver.
Seja capaz de ser, seja capaz de viver
com mais ardor.
Deixe transbordar a taça,
deixe escorrer o amor.
O retorno é de graça.
Entregue-se. Desarme-se.
Ame-se e ame o outro, de preferência muito e sempre.

Oi, olá, tudo bem?
Oi, olá, tudo ótimo, principalmente agora que falei o que sentia e o que queria
e porque acho que vai fazer alguém parar e pensar.
E você? Agora vai fazer o que? Mudar?

Dalia Hewia
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Tags: contatos interação

Venha

Mesmo de tão longe, pode vir.
Vou deixar fluir.
Venha certeiro mas não me magoe e
por favor pise devagar
pra não amassar
minhas pétalas.
Pra não esbarrar
em minhas setas.
Use palavras seletas
como flechas velozes.
Ouça as vozes
que chamam, que clamam
por você, por te ver e ter.
Que esse novo contato
seja de fato
compensador.
Que seja vida, alma, furor.
A cada dia, paixão que satisfaz
e silencia
tudo o que em mim ficou pra trás.
Refúgio pros amantes, antes distantes
mas agora unidos, longe dos perigos,
em harmonia e mansidão.
Venha manso mas venha quente,
com desejo urgente,
ânsia de vários anos,
sonhos e muitos planos.
Venha me ensinar, seja meu dono,
sente no trono
que deixaram vazio.
Quero você em pleno cio.
Seja homem, seja menino.
Sério, vadio, sem vacilo.
Venha você, seja divino!

Dalia Hewia
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Palavras ao vento

Em tempos instantâneos, rápidos, átimos,
até as palavras estão sendo mal usadas,desvalorizadas,
imitando fielmente as atitudes das pessoas.
Antes bastava alguém empenhar a palavra e
já era como contrato assinado, sacramentado,
era como um compromisso.
Agora o que foi dito fica omisso, cai no esquecimento
e nem serve como alento
para que se cumpra promessa.
Nesse mundo volátil, cheio de pressa,
quase nada interessa, quase nada tem valor.
Homens parecem fantoches, palavras se tornam deboches,
atos ficam inconsistentes, falhos, deixando a desejar.
Já não há em quem se possa confiar.
Hoje certeza, amanhã talvez, depois sordidez.
Pequenez!
Pra quem gosta do que não importa,
pra quem gosta de se enganar,
que aproveite esse novo tempo
jogue muitas palavras ao vento
e as esqueça. Desapareça.
Eu no entanto,
quero alguém que mereça
ouvir de mim e falar assim,
palavras que expressem só a verdade.
Emoções, saudade...
Quero sobriedade, mas que venha macia,
menos vaidade, nenhuma hipocrisia.
Quero integridade, pureza, certeza e
poesia.

Dalia Hewia
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Em cada vão de meu espaço
encontro apenas um traço,
o da dor que me consome e
é esse que me basta,
o traço preciso que te afasta.

Dalia Hewia
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Quero palavras escorrendo pelo olhar.
Quero mais o ir, vir ou ficar.
Beijos molhados, toques e
sussurros a me provocar.
Quero você lascivamente
nos meus sonhos, apenas.
Duras penas!

Dalia Hewia
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Ser Pai

Ser pai é preciso, em tempos de desamor.
Que ele tenha olhar cheio de ternura
para a frágil criatura
de si mesmo, sublime criador.
Ser pai é sentir-se maior, sábio,
professor em terra de pequenino.
Ser pai é voltar a ser menino...
É dar colo, carinho, senão
e se necessário, explicar um não.
Ser pai é extravasar alegria, cuidado e atenção.
É sentir-se grato pela árdua mas honrosa missão.
Ser pai é ser companheiro a qualquer momento,
é ser sempre um alento
pra choro, ferida ou cicatriz.
Ser pai é ajudar seu filho a ser feliz.
É passar por cima de crença, de valor
ou preconceito.
Ser pai é ter respeito.
É passear, aprender com o filho, dialogar,
estar disposto a ouvir e
em alguns momentos a calar.
Ser pai nem sempre é uma escolha,
nem sempre é planejado,
mas não há porque se sentir culpado
com o fruto do prazer.
Ser pai precisa ser, mais do que ter.
É fazer-se também herói, responsável,
amável, educador.
Ser pai é não ter pudor
e estar sempre disposto a defender o filho.
Ser pai é ter brilho
e um imenso valor.
Ser pai é ser amor.

Dalia Hewia
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Amo sem medos, sem medidas ou insegurança, porque amar é se deixar levar na correnteza, se deixar fluir no silêncio e no mistério.
Amar é sempre um caso sério.

Dalia Hewia
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Enxergo no outro a dor da não-aceitação, a súplica,
o tédio, o conformismo e uma enorme frustração.
Busco no olhar de alguém o elo que nos une,
o segredo do além, a culpa que nos pune.

Dalia Hewia
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Estranho
O espelho triste e embaçado chorou,rejeitado.
Sofreu, agonizou, partiu-se em mil pedaços
e veio juntar-se aos meus cacos
procurando grude, cola, algo que o consertasse,
que lhe devolvesse a vida…
Partida. Choro pela tua.
Não há conserto, não há alívio, só há frieza, vazio,
amargas lágrimas, profundezas, rio.
Espelho embaçado, quebrado, alquebrado, não consegue mais refletir.
Onde o brilho?
Fugiu com o andarilho, cavaleiro errante.
Farsante.
Onde o paraíso?
Perdido! Perdi meu sorriso, perdi meu reflexo.
Vida estranha, tacanha, sacana, sem nexo.

Dalia Hewia

A noite é como uma mulher poderosa, em silêncio e no escuro deixa marcas no corpo e na alma. Deixa seu perfume, sua entrega, sua posse. A noite não passa, ela possui; tudo, principalmente os sentidos alertas dos poetas.

Dalia Hewia
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Me diz em que inferno você está, porque se eu não posso te tirar de lá, quero me queimar também.

Dalia Hewia
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Tags: inferno queimar

O homem que eu amo é o palhaço de circo que me faz sorrir e chora, chora por um sorriso vazio.

Dalia Hewia
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Nunca começo um relacionamento com alguém
pensando em viver coisas já vividas,
reensaio de lembranças repartidas.
Seria como rabiscar uma página nova
usando coisas já escritas.

Dalia Hewia
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Tags: reensaio lembranças

Palavra alguma o vento leva,
deixa ficar na crença do ingênuo
que a recebe de um covarde vulgar
e a acolhe como verdade
até que vire realidade
num outro tempo, em outro lugar.

Dalia Hewia
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E agora?
Será que o consolo de outro braço vai saciar tua fome ou teu cansaço?
Será que outros beijos molhados vão calar tua boca, tua alma doída? Ou vão tocar mais a fundo na ferida?

Dalia Hewia