Coleção pessoal de bodstein
Algumas vezes aceitamos relevar um ato muito grave após seu autor se apresentar desta vez com uma postura gentil, esquecendo-nos de que mudanças acontecem a partir de decisões, e não de gentilezas.
A vida de cada um é uma construção que podemos levantar com material de boa ou de má qualidade, e onde cada tijolo acrescido tem preço e prazo de garantia. Podemos optar por trocar os ruins e inconsistentes dentro do “timing” certo, legando às gerações seguintes uma construção sólida que talvez nem seja usada por nós, ou então preferir o pré-moldado de montagem rápida para usufruir dela ao máximo, mas que não estará de pé depois que nos formos. A construção é uma escolha só nossa, mas não sua aprovação, pois o percebido no fim é o conjunto da obra.
Quando trocamos o foco dos nossos dramas pessoais pela amplitude da visão sistêmica, muitas coisas que permaneceram obscuras por muito tempo magicamente são trazidas à luz, permitindo-nos não só compreender cada uma delas como também suas ligações com milhares de outras aparentemente desconexas, mas que trazem resposta para muito do que nos chegou, numa sequência agora inteligível a partir de seu ponto de origem. Mas apenas refazer o caminho percorrido não é o bastante, se não soubermos o que fazer com o resultado. É o processamento adequado da descoberta, neste exato agora, que nos permitirá retomar o curso que deveria ter sido feito, não fossem os desvios que sofreu.
Muitos de seus desejos podem ser concretizados até no último de seus dias, mas para se mostrarem úteis existe um prazo de validade.
Todo o gigantismo de uma floresta capaz de cobrir o planeta já se encontra instalado no interior de uma minúscula semente.
Os mistérios do universo deixam de nos inquietar quando trocamos a estafante busca por respostas pelo exercício ininterrupto e gratificante de formular as perguntas certas.
O futuro não é fruto do acaso nem do dinheiro, pois que a desdita não distingue milionários de aventureiros. O que o torna mais seguro é trocar previsão por prevenção, que esta lhe dará as chaves da provisão.
Se periodicamente olharmos para o ontem e não enxergarmos um homem diferente, é certo que estivemos fazendo tudo errado.
Dificuldade e oportunidade são gêmeos univitelinos que sempre andam juntos. Só precisamos escolher qual deles incluir no time.
Sabemos que nos distanciamos de nossa alegria quando lamentar as coisas que perdemos ocupa mais espaço na alma do que a gratidão por tudo que nos proporcionaram.
Pode-se ser crítico ferrenho e sistemático da má política desde que isso não nos deixe insensíveis ao perfume e à beleza de uma flor. O antídoto contra a amargura é não olhar as coisas sempre pela mesma lente, nem torna-la refratária à multiplicidade das cores. Lembrando Guevara, há que se mostrar duro quando preciso, mas sem nunca abrir mão da ternura.
O mundo não é bom ou ruim conforme os parâmetros usados para descrevê-lo, mas apenas um reflexo do que trazemos em nós mesmos. Desse modo só conseguirá ver beleza nele quem se mostrar apaixonado pela própria existência.
Quem doa o que tem de melhor se arrepende depois? Não conheço ninguém que se sentiu assim a menos que o tenha feito para ter algo em troca, em lugar de vê-lo como o que precisava ser feito.
Felicidade não é nada que se encontre nas lojas ou em livros de autoajuda. Os ingleses a chamariam de “handmade” e “self built”, já que você mesmo precisa construí-la, e com a habilidade de um produto artesanal que só você sabe fazer.
“A reputação de mil anos pode ser anulada pelo comportamento de um único momento”, diz um provérbio japonês. Mas quando o histórico de toda uma vida depõe contra o indivíduo acontece justamente o contrário: o momento em que tenta anulá-lo não muda coisa alguma, e o tempo de vida que ainda tem pela frente poderá não ser suficiente para apagar a reputação que construiu.
A alegria é a força mais poderosa que trazemos em nós. Quando nos deixamos abater pela tristeza perdemos a capacidade de acioná-la, tornando-nos ainda mais vulneráveis às forças contrárias que precisam nos manter expostos e enfraquecidos. Urge então direcionar todo nosso esforço para reavivar a brasa interna antes que se apague, e resgatar a chama que nos devolve a energia vital. Como o lótus, ela nos mantém alvos e imunes ao lodo que nos rodeia, despertando o brancor dos demais para que também aflorem à tona e seu perfume inebriante dissipe a fetidez da lama sob suas pétalas.
