Coleção pessoal de areopagita

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erguntar não ofende. Quer dizer, não sei, haja vista que vivemos hoje numa sociedade que cultiva o mimimi como sendo uma espécie de virtude (depre)cívica. Enfim, seja como for, vamos à pergunta: se um caipora não se preocupa em melhorar, em corrigir-se, em ser prestativo, porque os outros – sejam esses outros pessoas próximas a ele ou apenas ilustres desconhecidos - devem fazer por ele o que nem mesmo o caipora faz por si?

Quanto mais o politicamente correto policia as palavras que dizemos, quanto mais essa tranqueira fica a especular e a sondar nossos pensamentos e sentimentos para discipliná-los, enquadra-los nas forminhas deformantes da ideologia tacanha reinante, mais nos tornamos criaturas insensíveis à realidade, mais e mais nos assemelhamos a autômatos mutilados.

Os defensores da memória do finado ditador Fidel Castro, juntamente com a turminha que tenta colocar panos quentes em suas covardes atrocidades, nos brincam com cristalinos exemplos do que significa, em termos morais e cognitivos, a perda do senso das proporções.

Ser conservador não significa, de modo algum, defender o engessamento da sociedade num tradicionalismo vazio e estéril; ser conservador não é sinônimo da perpetuação as injustiças que reinam sobre nosso país. Não mesmo. Ser conservador é, antes de qualquer coisa, labutar pela preservação de determinados princípios universais que, sem os quais, a sociedade perde todo o seu dinamismo e as injustiças florescem e aviltam a dignidade humana.

A manifestação mais cabal do desespero duma alma vazia é a tagarelice incessante. Para muitos, essa é a única forma de conseguir escamotear essa decadente situação. Imaginam que falando sem cessar irão disfarçar o nada que há no âmago de seu ser.

De fato, somos um país miserável. Não materialmente. Espiritualmente. Um país que teme o nascimento de uma criança, um país onde o silencioso assassinato a sangue frio de um inocente é reconhecido como um “direito reprodutivo” é, infelizmente, uma sociedade desfibrada moralmente, pervertida antropologicamente e monstruosamente sombria em seu espírito.

Mais escandaloso que vermos covis de ladrões e guildas de larápios legislando cinicamente em benefício de si e dos seus é vermos prelados transubstanciando linguística e legislativamente o homicídio de um inocente em uma conquista democrática.

É compreensível que um corrupto queira, com todas as forças de sua pútrida alma, esquivar-se dos braços da justiça e querer fazer o diabo para poder continuar a sua lambança junto as úberes estatais. O que, realmente, fica bem difícil de entender é o que leva as hostes de militontos e similares a defenderem com unhas e dentes os seus monstrinhos corruptos de estimação; a defende-lo de modo similar a uma criancinha mimada que tenta livrar o seu bichinho de pelúcia preferido das mãos da professora que quer confiscá-lo.

Não há dúvidas de que o momento atualmente vivido pelo Brasil é dramático. Porém, o terrível nisso não é o tragédia em si, mas sim, o fato de a sociedade estar muito mais sentido e ressentindo-se do drama do que procurando esforçando-se para analisa-lo e compreendê-lo.