Coleção pessoal de AntonioPrates
Têm o coração vazio todas as pessoas que só conseguem orar com os bolsos cheios, ou para terem os bolsos cheios.
Não sou poeta desses adereços
ornados por um fim superficial,
tampouco sou um verso de começos
sem termos no sentido horizontal.
Talvez por ser assim sou como sou,
quiçá por ser assim sou mais directo,
porém, nunca a verdade me deixou
a pé entre este chão e o nosso tecto.
E assim, vou bendizendo os eruditos,
os grandes lavradores da velha arte,
aqueles que nos seus versos bonitos
alastram o seu clamor por toda a parte.
As flores, a ilusão, os rendilhados,
alcançam admiração e todo o resto,
deixando os outros versos confinados
a este meu tributo que lhes presto.
Do que vejo nada estranho ante as almas que se sentem sós, e a liberdade perdeu o tamanho no pronome do rebanho que existe em nós.
Existem dificuldades para todas as pessoas, pois até aquelas que julgamos donas de tudo vivem em busca de felicidade.
Através das palavras que não sabem ler aprendi a escrever os meus sonhos, e onde a ciência não chega estará sempre Deus.
Nem sempre estou acordado, nem estou num só lugar, e no afã deste meu estado, quando me sinto cansado, acordo e volto a sonhar.
O que mais me admira, nesta nossa sociedade, é ver tanta "gente gira" defender tanto a mentira como se fosse a verdade.
Nos frequentes alaridos,
muitos são os que procuram
emprenhar pelos ouvidos,
e parirem, divertidos,
muitas coisas que censuram.
O trabalho da nossa comunicação social confunde muitas vezes o dever de informar com o adultério de fazer propaganda.
Fiz um intervalo atrás do sol-posto,
duas, quatro, cinco, dez léguas ou mais,
pra contar as rugas que tenho no rosto
e medir as causas desses meus sinais...
Calculei o tempo em cada refego,
dividi o tempo que passei sozinho,
subtraindo as penas q' inda aqui carrego,
por causa dos danos desse meu caminho...
Vendo barbas brancas vi um ar mais velho,
vi nesse momento mais de mil respostas,
e num alto grito escavaquei o espelho
e aventei as rugas para trás das costas...
Sei que minhas costas têm muitas cargas,
sei que nos meus ombros tenho um grande peso,
mas nestes meus ombros destas costas largas
também acumulo tudo o que desprezo...
A vida é composta destes intervalos,
destes retrospectos sempre benfazejos,
que nos dão imagens, que nos contam calos,
com aquele gosto que nos dão mil beijos.
As mentiras que ouvimos quando escutamos os políticos são as mesmas que lemos quando publicamos fotos nas redes sociais.
Poeta da província: um chico-esperto para o povo, mas sempre útil para os políticos locais usarem em nome da cultura.
O fanatismo é uma loucura epidémica, conduzida por velhacos, num delírio contagioso, que se transforma facilmente em raiva.
