Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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Prometo escrever uma canção:

Feita de areias, mar e paixão.

Para ser cantada pela morena

Nascida para a tua rota acenar,

E tomar conta do teu coração.



O Farol em dias de Sol,

E em noites de luar e calma.


Ao som de uma boa prosa

E malemolentes sambas de roda,

O vigia será sempre o Farol.



Chamego os versos para você:

Versos que ainda não escrevi

Ainda na Bahia eu não vivi.


O cheiro, o cafuné e o beijo,

E o banzo para embalar a alma.




O Farol da Barra que vive brilhar,

Do Céu provém a inspiração,

Eu sinto a emoção marulhar

Na Bahia de Todos os Santos,

O encontro na beira do mar.



Esqueço e deixo tudo para trás,

Jogo firme a rede no mar,

Sou embarcação para navegar

Sou o vento a enfunar,

O Axé, a poesia e a paz...



Disseram muitas coisas...,

O Forte é de Santo Antônio.

Ainda vou até a Bahia,

Encontrar este meu sonho.



Dizem quem já foi à Bahia,

Não se esquece mais;

Se enamora para sempre,

E não volta atrás.

Pelo amor que há de ser,

não é justo 'prometer'.



Porque há de se esgotar

um sentimento anterior.



Para que se fique em paz

com o amor primeiro.



Porque em nome do último,

que seja verdadeiro.



Pela missão de ser e receber

o amor derradeiro:

Não é exagero que ele

seja [inteiro].

A poética nasceu culpada
antes mesmo de nascer,
obcecada pela paz
sempre caminha livre
em territórios de guerra.

Quem tem um palácio
da paz interior em si,
possui o ânimo que ajuda,
e a lucidez que sustenta.

A firme e óbvia convicção
da inocência que faz
resistir a dureza do cárcere,
é evidente e absoluta.

Mesmo que não reclame,
sente a falta de cuidado
do seu corpo castigado,
resiste estoicamente
a insanidade de quem
engendrou a prisão
notoriamente imerecida,
busca mesmo em oração
a luz da justiça perdida.

Guarde contigo:

rima de sonhar,

verso peregrino,


canção de mimar.





Além continentes:


trilhas poéticas,

poemas amáveis,

rotas contentes.




Doces vertentes

sabem velejar

poesias silentes

sabem mapear.




Alma envolvente:

feita de [mar],

verso continente,

quero te beijar.

Sempre acreditei no amor,

E que se um dia houvesse

Salvação para o amor;

É porque nunca deixou

De ser e viver o [amor...



Por triste desventura

Não houve salvação

Para o [amor

É porque era [tudo]

Só não era [amor].



Sempre acreditei no amor,

E que se um dia viesse

Abandonar esse amor;

É porque tu desertou

De ser e viver de [amor.



Distraí-me com o 'amor'

E o tempo passou,

O 'amor' era dos outros,

Só não era o teu;

O destino comprometeu,

E o tempo passou,

É porque o teu amor

Nunca me pertenceu.

Silêncio que fura
os tímpanos do mundo,
Indiferença que
corta o peito,
Sou resistência e língua
chicote do rabo,
Não vejo compromisso
contra o totalitarismo,
A cada dia o povo
latino-americano
está mais escravo.

Estou aqui para a queda
de braço e para emprestar
A voz e a ousadia,
Porque a mim Governo
nenhum expulsa,
nem o da Nicarágua;
No máximo pode
fazer como o meu partido:
fingir que não escuta.

Sempre que houver um
povo ameaçado e sofrido,
É com ele que vou estar,
sem arredar e com cada
Preso político junto
jamais me entregar.

O mar subtraído desde
a Guerra do Pacífico ainda
não foi ao povo devolvido.

Ninguém pode negar
que a Bolívia soberana
nasceu para navegar.

Não há poeta que não
tenha entregado
a sua vida ao mar.

E prometi a mim mesma
quando ele for devolvido,
será nesse dia que ali
junto ao povo vou estar.

O céu despencou,

O chão se abriu,

O peito sangrou

O ciúmes surgiu.



Cartas enviadas

Não esclarecidas,

Cartas malcriadas

Palavras engolidas.



O tempo passou,

O amor sobreviveu,

O tempo [surgiu,

O coração não esqueceu.



Cartas não respondidas,

Devolvidas e rasgadas;

Cartas persistentes

Palavras perdidas.

De que adianta ter olhos

E não ter coração?

Ter olhos e não ter coração

De nada adianta,

Porque sem coração

Não se enxerga nada.



Os versos que escrevi

E não te contei estão

- aqui -

Os poucos que escrevi

Me distraí com amores

Dos outros esperando

Tu chegares de longe.



De que adianta não ter

Os teus olhos e coração?

Não tê-los me reduziram

Ao grau máximo do nada.



Escritos com lágrimas,

Talvez não mais belos,

Versos de sangue,

Rimas com bravura

Quero viver mil vidas,

Para dizer ao mundo

Que sem o teu amor

Atinjo a [loucura].





Meus versos são tentativas,

Que talvez jamais serão

- lidas-

O nosso reencontro

Não tem previsão,

Poderá ocorrer daqui

Algum tempo ou nunca,

E não sei [onde].



Só digo mais uma coisa:

- A literatura salva da morte,

E a poesia salva da vida,

Só me resta saber se serei

Para os teus braços devolvida.

Cruzando a fronteira
com a imigração,
Peito sapateando
de pura indignação.

O hino do meu país
foi hostilizado,
O meu país foi
fatalmente humilhado.

Não pensem que a
história acabou,
Na verdade ela nem
sequer começou.

Quando um povo sai
em diáspora é com
ele que está a razão.

Não há mistério
sobre o acontecido
em Pacaraima,
e mesmo que
eu quisesse
esquecer disso,
não há como,
porque isso
tem nome e se
chama terrorismo.

Corre na veia o
sangue nômade,
com o terror não
tenho paciência,
porque só a Deus
doa a clemência
quando não há
autoridade para
investigar e prender,
quem passa a tomar
conta é o destino
e ele nunca
tem medo,
em nem tempo
com gente que
não presta,
pois para ele
não há nada
ali que valha
a pena perder.

Na fronteira sou
maior que todos
os que se
acham grandes,
enquanto eles
naufragam no ego:
eu apenas sou
uma brasileira
com alma de imigrante.

Em algum momento
tive medo de
perder o meu pão,
E da noite para
o dia o perdi,
e me tornei o poema
da imigração.

Não existe governo
que dê conforto
ao povo,
Se não formos
unidos vão nos
matar de desgosto.

Que me condenem
ao lixamento moral,
A verdade precisa
ser ao povo dita,
porque mantê-la
engolida é imoral.

O direito sagrado
de gritar contra quem
Nos escraviza não
vou abandonar,
A nossa realidade
povo e povo,
Pede que sejamos
contra os regimes que
querem nos assassinar.

Aqui não é qualquer
lugar do mundo,
Eu e você nascemos
na América do Sul,
Lugar onde não
existe Governo,
E sim senhores
da nossa escravidão,
não há esquerda e direita,
são eles contra a população.

Leia-me com poética,
e não literalmente...

Porque sem poética,

não haverá compreensão.



Versa-me nas letras,

e não espiritualmente...

Porque sem profética

não haverá reconciliação.



Desnude-se para me ler,

porque só assim captará

Que o amor dos outros

foi distração poética,

Para um amor desesperado

e quase sem salvação.



Porque o porquê destes versos,

na verdade sempre foram teus;

Na esperança de vivê-los

para brindar a vida com paixão.


AMOR: os versos que escrevi para nós, só você saberá identificar.

Não sei quem começou,
só sei que não devia
ter nem começado,
os meus pertences foram
espalhados e o meu abrigo
foi brutalmente incendiado.

Fugi da Ditadura para ir
para Pacaraima para
ultrapassar muito
além do nervoso,
agora estou aqui
sem sequer reagir,
e sem nenhuma ação
por aquilo que não
tem perdão por
causa de gente
sem amor no coração.

Só sei que tenho que ir,
porque tenho um
futuro para construir,
não foi por escolha,
mas foi por circunstância
insuportável a me exigir.

Testemunho versal

dos amores dos outros,

A minha poesia é

refúgio indestrutível

Feita de talvez,

salto no abismo

De peito aberto,

sem asas,

Porque é humana.



Abrigo celestial

dos rumores da vida,

A minha utopia é

amor impossível

Cheio de esperança.



Sentimento invernal

das dores do mundo,

A minha nostalgia é

por ti desnorteada

Porque te perdi.



Motivo abissal

dos desejos profundos,

A minha magia é

de amor inesquecível,

Para vencer a distância,

causa por mim reconhecida:

Insegurança feminina,

voto de amor eterno,

Que por medo não vivi.

Calmamente seguindo a rota,

Adoçando docemente a rosa,

Colhendo simplesmente

- a semente -

Que um dia plantaste.



Psicodélica é a forma,

Que me desfolho e me revelo,

Corajosa de alma e coração,

- sou tua aquisição

A tua vaidade garbosa,

Honrada a cada delírio de paixão.



Sedutoramente revelando a rosa,

Desabrochando sensualmente a rota,

Embalando ritmicamente

- só o que sensibiliza -

Porque é o quê nos faz sentido.



Perca em mim o juízo,

Assim é como te quero,

- doce e carente -

Não menos contente,

E totalmente entregue...,

Para ser todo dos meus beijos quentes.

Cheguei para ficar,

Como a tua saliva,

A deslizar pela boca,

Sou o teu desejo

- intrépido-

O teu riso sem juízo,

A tua curiosidade louca.



Cheguei para enluarar,

- Repare!-

Já que tudo é poesia,

Estou até tirando a roupa,

Para te aceitar, e te amar,

E me entregar a delícia

Deixando-te me experimentar...



Cheguei maliciosa,

Perfumada e perigosa,

A perfumar o teu corpo,

Como a Lua sobre a praia,

Dando licença às estrelas,

Para que não se esqueça:

Do quanto sou capaz de ser

Completamente maliciosa...



Assim intrépida te excito,

Nesse prazer em verso,

Que ainda não foi cometido,

E está sendo planejado,

Descobri que sou a tua canção,

Quero a tua mão,

- o teu coração -

Ocupar objetivamente a tua emoção,

É o que eu planejo,

Ter em mim os teus olhos negros,

A tua boca santa,

O teu corpo místico

No profundo de minhas entranhas...

Desde que se apossaram
do mar da Bolívia,
Eu estava lá só que
ninguém me via,
Bem no meio antiga
da tropa eu havia
sido escrita e escondida.

Fui revelada só agora
que não vou me contentar,
Enquanto não me devolverem
o General, a tropa e o mar,
Não vou parar um só dia
de espalhar a minha poesia
por todo e qualquer lugar.

Nasci sul-americana
e nenhum de vocês
a mim não me engana.

Estou espalhada pelo ar,
nasci na serra e cresci
bem no meio do mar.

A nossa língua é a língua do amor,

A língua que traduz os significados

- mais [complexos],

Ela que nos uniu e nos embala...

Sussurrada até a madrugada,

E bem encaixada à espera da alvorada;

Doce vate é o nome!...

A tua alegria de homem torna-me

Tua e ainda mais encantada...



Porque dos teus beijos,

Eu exijo os mais melosos...

E faço versos adocicados para estar,

Contigo embalada nas paisagens

Mais bucólicas e integrada nos teus

- cenários [urbanos]...

Entrei na sua vida para fazê-lo feliz,

- e sem [enganos]...

Você despertou os desejos mais deliciosos.



Ao sabor do vento do destino,

Vejo que voltaste a ser menino,

Nunca li nada tão [lindo],

Um verso escrito num bilhete

Apoiado sobre a minha escrivaninha:

"À essa menina, moça, mulher

Que nos encanta, uma lembrança."

É assim que faz a poesia da vida:

Ela vai sendo desenhada por nossas carícias...

Como uma onda caixote
do mar que não foi devolvido,
vejo os pertences remexidos,
o drama do jornalista só
é apenas um recorte
do que tem acontecido.

A maioria não liga
mesmo para isso,
sou tratada como
imigrante em minha
própria Pátria,
assim sigo isolada,
todo o dia só cresce
o sentimento de ridículo.

Como o nó da garganta
da filha que não vê há
quatro semanas o Pai,
muita coisa já não
mais me distrai,
porque sou a Mãe
da Mãe que não
obteve resposta,
no meu coração
carrego mais de um
General e a tropa.