Citações

Cerca de 175330 citacoes Citações

“EstranhaMENTE, a MENTE mente. Discernir é não acreditar nela só porque o pensamento é nosso.”

“EstranhaMENTE, a MENTE mente; mais estranho é acreditar nela apenas porque ela pensa em primeira pessoa.”

“EstranhaMENTE, a MENTE mente. Metadiscernir é perguntar à própria mente por que ela acredita naquilo em que acredita.”

“Entre pensar e acreditar deveria existir um espaço chamado discernimento.”

Carlos Eduardo Balcarse

“Pensar o pensamento é pensar duas vezes antes de acreditar uma.”

Carlos Eduardo Balcarse

“Pensar por si mesmo começa quando deixamos de acreditar automaticamente até em nós mesmos.”

Carlos Eduardo Balcarse

Vivemos em uma sociedade onde: aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, justificar o injustificável e defender o indefensível é prática comum. Por essa e outras, o senso comum, comumente mente!

Carlos Eduardo Balcarse

“Quando as ideias começam a pensar por você”

Vivemos um tempo estranho. Aceitamos o inaceitável, toleramos o intolerável, acreditamos no inacreditável e ainda chamamos isso de pensar.

Mas pensar não basta. Há quem pense apenas para confirmar aquilo em que já decidiu acreditar.

A mente mente. E uma de suas mentiras mais úteis é nos convencer de que todo pensamento que ocorre dentro de nós nasceu em nós. Não nasceu. Somos atravessados por ideias, repetições, pressões, pertencimentos.

Uma mentira não precisa tornar-se verdade para vencer. Basta tornar-se comum. Repita o absurdo até que ele deixe de espantar. Depois, chame de exagero quem ainda se espanta.

Talvez por isso o senso comum comumente mente. Não porque o comum seja sempre falso, mas porque ser comum jamais foi critério de verdade.

A guerra é puraMENTE mental, porque o território não é o que pensamos, mas os critérios que deixamos de examinar.

Não se trata apenas de influenciar o que pensamos, mas de pré-definir as perguntas. Não é preciso proibir o pensamento quando se consegue domesticar os critérios.

Por isso, discernimento não é pensar mais. É pensar sobre quem pensa quando pensamos.

A pergunta talvez não seja:

“No que você acredita?”, mas “Quanto daquilo que você acredita sobreviveria se você investigasse por que acredita?”

Porque quem não discerne o que entra na própria mente pode passar a vida inteira acreditando que está defendendo suas ideias, quando são as ideias que estão usando sua mente para se defender.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Escritor, Educador, Pesquisador.

“Quando o interesse pensa por nós”

Gostamos de acreditar que primeiro pensamos e só depois escolhemos. Mas talvez, em muitos momentos, façamos o caminho inverso. Primeiro, algo em nós escolhe, e só depois o pensamento trabalha para justificar a escolha.

Interesse não é apenas dinheiro ou vantagem material. Pode ser o interesse em pertencer, em ser aceito, em manter uma identidade, em não decepcionar um grupo, em não admitir um erro.

Talvez os interesses mais poderosos sejam, justamente, aqueles que não reconhecemos como interesses.

Não se trata apenas de más intenções ou falta de caráter, mas de perceber o quanto o pensamento pode ser convocado para defender conclusões que nunca foram realmente examinadas.

Conhecimento, sozinho, não resolve isso. Uma pessoa pode ter muito repertório e ainda assim usá-lo para proteger conclusões que jamais permitiu serem questionadas.

Talvez por isso o diálogo esteja tão difícil. Não apenas porque faltam ouvidos, mas porque ouvir de verdade ameaça interesses que nem sempre estamos dispostos a perder.

Talvez a pergunta mais difícil não seja “o que eu penso?”, mas “o que, em mim, precisa que eu pense assim?”

Há interesses que não compram nossas opiniões. Eles apenas nos convencem de que elas são nossas.

Carlos Eduardo Balcarce
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Discernir não é apenas decidir em que acreditar. É calibrar quanta autoridade cada informação, pensamento ou influência merece receber antes de participar da decisão.

Carlos Eduardo Balcarse

O problema não é apenas aquilo em que acreditamos, mas quanta autoridade epistêmica concedemos ao que acreditamos. Discernir começa quando o peso de uma convicção deixa de ser automático e se torna examinável.

Carlos Eduardo Balcarse

Aprender acrescenta conhecimento. Desaprender recalibra sua autoridade. Também aprendemos quando descobrimos que aquilo que sabemos já não merece pesar como pesava.

Carlos Eduardo Balcarse

POR QUE LEMBRAR DE ALGUMA COISA NÃO SIGNIFICA QUE DEVEMOS ACREDITAR NELA?

A memória possui uma característica extraordinária. Ela consegue fazer o passado parecer presente.

Uma lembrança surge acompanhada de imagens, sensações, palavras e emoções. Quanto mais nítida ela parece, maior pode ser nossa sensação de que estamos recuperando exatamente aquilo que aconteceu.

Mas lembrar não é reproduzir uma gravação.

A memória humana reconstrói.

Isso significa que aquilo que recuperamos pode carregar elementos do acontecimento, interpretações posteriores, conhecimentos adquiridos depois e estados emocionais presentes.

Nada disso torna a memória inútil. Torna necessário discerni-la.

Existe uma diferença importante entre “Eu me lembro disso” e “Isso aconteceu exatamente como estou lembrando.”

A primeira afirmação descreve uma experiência presente. A segunda faz uma afirmação sobre o passado.

Entre ambas existe uma distância epistemológica enorme.

O problema surge quando a vivacidade da lembrança passa a funcionar como prova de sua precisão.

Sentimos a memória com tanta intensidade que lhe concedemos autoridade proporcional à intensidade da experiência.

Mas intensidade e precisão não são sinônimos.

Por isso, recuperar um conteúdo não deveria significar automaticamente autorizá-lo.

Essa distinção participa daquilo que venho desenvolvendo como desautorização epistêmica reconstrutiva.

O conteúdo recuperado pode ser acolhido sem ser imediatamente convertido em conclusão.

Podemos lembrar e investigar. Sentir e verificar. Reconhecer e revisar.

A memória merece ser ouvida. Mas ouvir não significa obedecer.

Nem tudo aquilo que retorna à consciência deve retornar com a mesma autoridade.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

O QUE DIFERENCIA TER UMA OPINIÃO DE TER RAZÕES PARA ACREDITAR?

Todos temos opiniões.

O problema começa quando confundimos o direito de ter uma opinião com a qualidade das razões que a sustentam.

Podemos acreditar em alguma coisa por experiência pessoal, tradição, intuição, autoridade, medo, esperança, evidência ou simplesmente repetição.

Essas origens não possuem o mesmo valor para todas as perguntas.

Uma experiência pessoal pode ser extremamente relevante para dizer como determinada situação nos afetou, mas insuficiente para concluir como a mesma situação afeta milhões de pessoas.

Uma autoridade pode ser excelente fonte dentro de sua especialidade e pouco confiável fora dela.

Ter uma opinião descreve um estado. Ter razões exige justificá-lo.

É justamente nesse intervalo que aparece a responsabilidade epistêmica.

Não precisamos possuir certeza absoluta para acreditar. Mas precisamos aprender a perguntar se a força da nossa crença é proporcional à força das razões disponíveis.

Essa proporcionalidade está próxima do que denomino calibração discernitiva.

Quanto mais frágeis as evidências, mais provisória deveria ser a conclusão. Quanto maior a incerteza, maior deveria ser nossa abertura à revisão.

O problema não é dizer “eu acho”.

O problema é transformar “eu acho” em “é assim” sem perceber a distância percorrida.

Toda pessoa tem direito à própria opinião. A realidade não tem obrigação de concordar com ela.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

COMO USAR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SEM TERCEIRIZAR O PRÓPRIO JULGAMENTO?

O problema da inteligência artificial talvez não seja ela pensar por nós.

Talvez seja nós pararmos de perceber quando deixamos de pensar aquilo que ainda precisávamos pensar.

Usar uma ferramenta para ampliar capacidade não é novidade.

A humanidade sempre criou extensões cognitivas.

Escrita, livros, mapas, calculadoras, computadores e mecanismos de busca modificaram aquilo que precisamos memorizar e aquilo que conseguimos realizar.

A inteligência artificial introduz, porém, uma diferença importante.

Ela não apenas recupera informação. Pode produzir respostas com aparência de raciocínio, síntese e segurança.

Isso cria um risco particular.

A qualidade linguística de uma resposta pode ser confundida com qualidade epistemológica.

Uma resposta pode parecer extraordinariamente convincente e continuar errada.

Portanto, utilizar inteligência artificial exige mais do que saber formular comandos. Exige saber avaliar respostas.

E avaliar respostas exige alguma competência que não pode ser integralmente terceirizada à própria ferramenta que está sendo avaliada.

Surge então um paradoxo: quanto mais dependemos de uma ferramenta para saber, mais importante se torna preservar alguma capacidade independente para julgar aquilo que ela nos oferece.

Não precisamos escolher entre usar inteligência artificial e pensar. Precisamos aprender a dividir o trabalho cognitivo.

O que pode ser delegado? O que precisa ser verificado? O que precisa permanecer sob responsabilidade humana?

Terceirizar uma tarefa pode aumentar eficiência.

Terceirizar o critério pelo qual decidimos se a tarefa foi bem realizada é outra coisa.

A inteligência artificial pode ampliar nosso pensamento. Não deveria receber automaticamente autoridade sobre aquilo que decidimos continuar pensando.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

COMO CONTINUAR AUTÔNOMO QUANDO DEPENDEMOS DO CONHECIMENTO DOS OUTROS?

Nenhum ser humano moderno consegue verificar pessoalmente tudo aquilo em que precisa confiar.

Não fabricamos nossos próprios medicamentos. Não reproduzimos todos os experimentos científicos. Não examinamos toda infraestrutura que utilizamos. Não dominamos todas as áreas necessárias para tomar decisões.

Dependemos.

Isso significa que a autonomia absoluta é uma fantasia.

Mas dependência não precisa significar submissão.

Existe uma diferença entre reconhecer a competência de outra pessoa e entregar a ela a autoria da própria decisão.

Podemos dizer: “Essa pessoa sabe mais do que eu sobre isso.” Sem concluir: “Portanto, tudo o que ela disser sobre isso deve ser aceito sem exame.”

Autoridade epistêmica é contextual.

Alguém pode possuir enorme competência em determinado campo e nenhuma competência especial em outro.

Discernir não significa desconfiar compulsivamente dos especialistas.

Significa justamente saber quando confiar mais, quando procurar confirmação e quando reconhecer os limites da própria capacidade de avaliação.

Autonomia madura não diz: “Não preciso de ninguém.”

Diz: “Preciso saber de quem dependo, para quê dependo e até onde essa dependência deve alcançar.”

A independência intelectual não está em eliminar relações de confiança.

Está em impedir que confiança se transforme em abdicação.

Ser autor do próprio pensamento não significa escrever sozinho. Significa continuar responsável pelo texto mesmo depois de ouvir muitos autores.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

A mente não precisa MENTIR para nos enganar; basta que acreditemos nela sem interrogá-la.

Carlos Eduardo Balcarse

O pensamento que não aceita ser PENSADO acaba, silenciosamente, pensando por nós.

Carlos Eduardo Balcarse

ConheCIMENTO sem discernimento pode virar apenas CIMENTO para certezas mal construídas.

Carlos Eduardo Balcarse

Conhecer a resposta não significa conhecer o caminho que tornou a resposta conhecível.

Carlos Eduardo Balcarse