Chico Xavier Poesia de Amizade
Venha, e fale comigo:
- Se só o amor tem sentido!
Porque quem deseja algo
- concreto -
Faz do diálogo um jeito
De fazer o tempo aberto
Para nadar em mar calmo.
Venha, e fale comigo:
- Se só o amor tem razão!
Porque quem deseja amor
- verdadeiro -
É sobretudo, objetivo!
Não dá para adivinhar,
Se você não falar comigo.
Não dá para varrer
- os teus receios -
Se não abrir o caminho.
Você não está comigo,
Daí o desespero!
Porque amar é muito,
Ser amada é importante,
Para me fortalecer,
E me fazer invencível:
Quero tê-lo embevecido!
Sempre acreditei no amor,
E que se um dia houvesse
Salvação para o amor;
É porque nunca deixou
De ser e viver o [amor...
Por triste desventura
Não houve salvação
Para o [amor
É porque era [tudo]
Só não era [amor].
Sempre acreditei no amor,
E que se um dia viesse
Abandonar esse amor;
É porque tu desertou
De ser e viver de [amor.
Distraí-me com o 'amor'
E o tempo passou,
O 'amor' era dos outros,
Só não era o teu;
O destino comprometeu,
E o tempo passou,
É porque o teu amor
Nunca me pertenceu.
Guarde contigo:
rima de sonhar,
verso peregrino,
canção de mimar.
Além continentes:
trilhas poéticas,
poemas amáveis,
rotas contentes.
Doces vertentes
sabem velejar
poesias silentes
sabem mapear.
Alma envolvente:
feita de [mar],
verso continente,
quero te beijar.
Pelo amor que há de ser,
não é justo 'prometer'.
Porque há de se esgotar
um sentimento anterior.
Para que se fique em paz
com o amor primeiro.
Porque em nome do último,
que seja verdadeiro.
Pela missão de ser e receber
o amor derradeiro:
Não é exagero que ele
seja [inteiro].
Prometo escrever uma canção:
Feita de areias, mar e paixão.
Para ser cantada pela morena
Nascida para a tua rota acenar,
E tomar conta do teu coração.
O Farol em dias de Sol,
E em noites de luar e calma.
Ao som de uma boa prosa
E malemolentes sambas de roda,
O vigia será sempre o Farol.
Chamego os versos para você:
Versos que ainda não escrevi
Ainda na Bahia eu não vivi.
O cheiro, o cafuné e o beijo,
E o banzo para embalar a alma.
O Farol da Barra que vive brilhar,
Do Céu provém a inspiração,
Eu sinto a emoção marulhar
Na Bahia de Todos os Santos,
O encontro na beira do mar.
Esqueço e deixo tudo para trás,
Jogo firme a rede no mar,
Sou embarcação para navegar
Sou o vento a enfunar,
O Axé, a poesia e a paz...
Disseram muitas coisas...,
O Forte é de Santo Antônio.
Ainda vou até a Bahia,
Encontrar este meu sonho.
Dizem quem já foi à Bahia,
Não se esquece mais;
Se enamora para sempre,
E não volta atrás.
Você sabe muito bem,
que eu não quis admitir:
- Que nós somos iguais!
Você me conhece bem,
por isso não preciso falar
que você mora em mim.
Eu sei que moro em ti,
fingi não [perceber]:
para não me entregar...
Você sabe que vou além,
que escrevo com o gentil
- arrimo -
Destes teus olhos celestiais,
e eles não se apagarão jamais!
Eu vivo uma inevitável
primavera que não passa,
a minha alma te abraça.
Eis o solstício irremediável
eterna chama que não abrasa
a vontade na imensidade.
A inspiração particular,
em tons solares e florais,
só para te embriagar demais.
Você me conhece muito bem,
- ilustre cidadão do meu peito -
e devastador como ninguém.
Você venceu o próprio tempo,
viraste paixão em poemas inteiros!
Sou senhora da minha liberdade,
- proprietária do meu nariz -
e boêmia das palavras.
Além das matizes mais florais
e de todos os bons 'setembros',
Eu reconheço que estou assim
- vivendo -
A mais colossal das estações:
- A Primavera do amor demais...
Sou aquela que não quis ver:
o teu olhar como um oceano,
Louco para me [ter]
morando no teu castelo,
Cortejando o mais profano.
Ninguém pode me tirar o direito
de te amar em [silêncio],
Ninguém pode nos roubar de nós:
a jura, a ternura e o compromisso.
Entraste na minha vida como magia,
pleno com este doce [feitiço...
Sou a ilustre cidadã que vaga
[nua] no teu mundo:
- A aventura impensada,
o teu esquecer das horas,
e a tua Lua na madrugada.
Ninguém pode contra nós,
juntos somos imbatíveis!
Ninguém nos [conhece],
os nossos olhares se reconhecem,
Falamos de amor olhos nos olhos.
Sou a alma insubordinada,
que apeou no teu [forte],
E tocou no teu coração.
O teu querer virou atordoado,
o teu impulso será multiplicado!
Ninguém pode me tirar de você,
e nem mesmo o [tempo;
Ninguém pode me tirar você
de dentro de mim.
Brindamos com [convencimento]
a certeza do amor ter nos encontrado.
Os outros
amores nunca
existiram,
eles não
foram
amores,
e sim auto
enganos;
nenhum
deles eram
dignos
de um verso.
Na verdade,
sempre escrevi
inspirada
de forma real
nos amores
dos outros,
e a espera
nada
ficcional
do amor
que virá,
e se tornará
realidade.
Crendo nisso,
e sobretudo,
na tranquilidade
das palmas
das tuas
mãos,
nos prevejo
em boas
cenas,
tu me
trazendo
do teu
jeito,
e eu
fazendo
de ti
o quê eu
quiser,
nós dois
estrelando
num cenário
perfeito.
Uma mulher
para impressionar
um homem
não precisa
de muito,
basta um
sorriso no rosto,
amor no coração
e seja qual for
a ocasião
estar vestida
de qualquer poesia.
Você me fez crer nisso...
E assim você me disse:
- O mundo é pequeno demais
para quem não desiste.
Se tenho inspiração
pelo corpo todo
eu não sei,
mas sei que o quê
faço bem é escrever,
e resto só conto
quando eu te ter.
Você me fez pensar em você...
Deslumbrantemente,
quem enxerga
beleza no caminho
merece me ter,
Pois é desse jeito
exato que você
irá me trazer.
Você me disse
que tenho o dom
de escrever,
Eu por antecipação
me vi tocando
as estrelas contigo,
Assim admito
que no teu
universo
vou me perder.
Só me aproximo
se você deixar
Os teus olhos
lindos e cansados
são tão claros
quanto um riacho
para mim,
Que mesmo sem
ouvir a sua voz
Neles não canso
de me banhar.
Queria ter o poder de adivinhar...
Com esse
abraço
caliente
de carinho,
Não será
tarde
vestir-me
de sol
Porque
na hora
exata
você virá,
e coberta
por ti
eu ficarei.
Deixa eu
te colocar
no meu colo
só para dizer
sem mistério
e nenhum recato:
-Tudo o quê
você quer,
eu também quero!
Por nós eu não
sossego e espero.
Descarto ser
discreta
para você,
Porque fui
descoberta
por você,
Nós dois
sabemos
o quê irá
acontecer,
É o amor
que chegou
para
permanecer,
acariciar
e nos
surpreender.
Eu te quero
e você
nem imagina
A forma
e o quanto,
mas do seu jeito
urgente,
cheio de delícia,
ventura e malícia,
sem medida.
Você surgiu
do nada,
Não sei o quê
em ti
Eu encontrei,
Só sei que
de você,
Não quero
me prevenir,
Há algo
em teu olhar,
Que me fez
sacudir,
Há algo
na tua boca
Que tenho
que provar,
E te recompensar
com leveza
de fada.
As minhas mãos
não podem
te tocar,
a minha letra une
as nossas mãos
de uma forma
maior,
para quando o tempo
de amar chegar,
os nossos corpos
hão de se render
e se colar,
Assim sou poesia
e perdição
a te provocar.
Presente
no pensamento
Como o ondular
das dunas
Que acenam
um novo
caminho,
Um brinde
indescritível
E gamação
inefável,
Sem explicação
e nenhum fardo.
Não sei aonde
vamos parar,
Só sei que não
vamos parar.
Pressinto
que com você
Eu faço
uma festa,
Isso é sinal
que já sou tua.
Amada talvez
no momento,
Na poesia não
tenho dúvida.
Não há nada
mais santificado
do que uma
vadiagem poética,
eu sou o quê
você procura
no meio
da bagunça
do seu coração.
Inspiro e respiro
aquilo que nutre,
e te traz fascinação.
Transpiro em verso
aquilo que sugere,
e te traz inspiração.
Não há nada mais
o quê ocultar,
escrevo poemas
para os lábios
teus abastecer,
e me incendiar
mais ardente
do que uma
vela no altar.
Seduzo em prosa,
aquilo que desejo,
e atrai por sedução.
Induzo em canto,
aquilo sem reverso,
e que já é paixão.
Não há nada
mais delicioso
do que uma fuga
do cotidiano,
eu sou o quê
te desafia,
e provoca
real encanto
trazendo revolução.
Destarte a poemizar
eu me dou o espaço
Para me insinuar
porque sou o verbo
Malícia que procura,
para o coração vibrar,
Te enternecer,
apurar o paladar,
Te trazer doçura,
e nos acon[chegar].
Nesse suspense,
eu me preparo:
Você me convence.
Não havia confiado
que a minha letra
Te atrairia muito
como plateia,
Do meu espetáculo
que se destina
Ao transcendente
e a renovação
De um horizonte
Poético e cadenciado.
Sem contigo estar,
eu me vejo em você:
no cosmos de amar.
Cada verso é um beijo
a te cortejar,
Cada beijo é um verso
a te brindar,
Para te fazer flutuar
no avesso das horas,
Porque não posso
no colo te acarinhar,
Para deste mundo
um pouco te desligar.
Desta fatídica rotina
eu me dou o dever:
De contigo fugir.
Ciente celebro feliz
a nos inventar,
Cada poema é poesia
a te sentir,
Porque é poética
a te entreter,
Doida para te ter.
Essa veneração doce
eu me dou o direito:
De contigo brindar.
Eu te desejo
de uma forma
indescritível:
com ou sem
perfume,
fome de amor
e sabor de festa.
Você sabe
que eu sonho
virando
a última página,
e escrevendo
[a nossa]
daqui para frente
irreversivelmente.
Eu não sei
o seu nome,
Não sei onde
você mora,
Não sei da onde
você virá,
Não sei quando
e de que forma virá,
Mas só sei de uma coisa:
já fazes uma diferença
e uma falta danada.
Você sabe
que eu te desejo
arcando
com as últimas
consequências
de me dobrar
por você.
Póstero a se evidenciar
teleologicamente:
O quê você sente,
aquilo que escrevo
E nas horas embalar
o desejo a transbordar
Aquilo que sentimos
silenciosamente.
A poética
sobrevivente
É nascida
do amor
Romântico
persistente,
É assim
que registro
O amor
que guardo,
O amor
dos outros,
E aquilo
que sonho
Inequivocamente.
O romantismo
segue
É resistência
de amor,
É luzeiro
na escuridão
A orientar
o coração
Intrépido
surpreendente
A revelar
intensamente
A verdade
na imensidão.
A explicação
feita
É notícia
de amor,
É passageira
no destino
A desembarcar
na estação
A reverenciar
o encontro,
Previsto
encantadoramente
E escrever
concretamente
A história
Apaixonadamente.
Porque eu sei que um dia você virá ou eu irei para ficar.
O quê será de ti,
eu não sei,
Mesmo que não
queira,
Lerás cada verso,
para entender
Que eu te amei.
Não me esqueci,
não resisti,
Aceitei o conselho
e a ironia de quem
dizia que voltaria
a me admirar:
virei uma mulher
Tão forte,
que agora não
Quer mais voltar;
porque de tão forte
que me tornei,
Só sei escrever
ao invés de chorar.
O quê será de ti
já não importa,
Os meus poemas
cuidarão de fazer
Por mim o quê
eu não posso:
Te tirar daqui.
Não existe beleza
na indiferença,
Ela se encontra
nos manifestos
- poéticos -
que não leste,
Nas fotos
que ignoraste;
Envenenaste
a minha crença
na tua existência,
E agradeço!
E salva de ti,
assim desse jeito,
'tu' me perdeste.
Não nasci para
ser ignorada,
Não nasci
para não ser,
Nasci para
existir,
Nasci para ser
bem amada,
Fui embora
querendo ficar,
Parti para não
me perder.
O rasgo no peito,
as marcas
na pele,
são sinais vitais
da tua indiferença,
você me fez
perder tempo,
o riso e a crença,
o melhor de tudo
é que a cada vez
que escrevo
um verso,
eu te esqueço
e a dor
que sinto
dói menos
aqui dentro.
Não por lirismo,
mas por realismo,
exponho ao mundo
o meu coração
por ti destruído,
não foi restaurado,
está muito dorido,
embalando o último
poema que escrito,
foi a letra etérea
de libertação,
para eternizar
o grito da Terra
não escutado,
para eu não mais
cair na tua mão.
Como fera ferina,
você premeditou
me decepcionar
na minha data
natalícia,
no dia
devocional
de Santa Catarina,
para eu
me almadiçoar,
e esquecer
de me amar.
Não nasci
para você,
sou Verônica,
não nasci
para te carregar
na memória,
sou cigana
de partida,
rumo a terra
prometida,
nasci para
uma nova vida,
e fazer história.
