Cartas Tristes de Amor
O Amor que Perdi
Ah, eu amei! Amei mesmo!
Mas não esses amores que queimam como brasas
e com o tempo esfriam como o gelo.
O meu amor foi cego, louco, destemido,
desses que deixam o corpo mole
e a cabeça fervilhando.
Fiz loucuras por esse amor.
Menti, sim, menti por medo de perder.
Fiz trapaças para não te ver partir,
mas de nada adiantou.
E eu perdi. Sim, eu perdi!
Nada ajudou: nem trapaças, nem mentiras.
Caminhei pelo lado errado e destruí o que era nosso.
Entreguei meu destino ao erro
e vi o teu adeus virar minha sentença.
Ainda assim, esse amor arde escorrendo por minhas veias.
Uma chama que me consome em silêncio,
um fantasma do que poderíamos ter sido.
Mesmo perdendo, sou feliz — um feliz depressivo.
Ah, vejo-a linda e meu peito se enche de paz,
ainda que o meu mundo esteja em ruínas.
A felicidade dela é a minha derrota,
que aceito de joelhos e de alma aberta,
só por saber que ela ainda reina
e sempre reinará dentro do meu coração.
Pacto eterno de Amor
Te vejo...
E o meu coração
Acelera no peito.
Me perco em teus olhos
E, mais uma vez,
Insisto em te conquistar.
Esqueço quem sou
E o que significamos
Um para o outro.
Por centelhas de segundos,
Esqueço
Que você nasceu para me amar.
Nesse instante,
Somos apenas eu e você,
Aqui, agora.
Não me lembro
Das outras vidas,
Através do tempo.
Das noites quentes de amor,
Dos nossos casamentos,
Das vezes que me deixou.
Não me lembro
Do pacto que fizemos
De nos encontrarmos em todas as vidas.
Sou só eu e você,
Aqui, não em outros tempos.
Não por maldade —
Apenas não me lembro.
Que existe algo mágico,
Que nosso vínculo é infinito,
Que o nosso amor
É eterno e espiritual.
Esqueço
Que sinto o que você sente:
As lágrimas caindo
Do seu rosto,
O coração acelerado
— não é só o meu —
A raiva e a alegria
Que não são minhas.
Essa telepatia
Que não se explica,
Mas que está presente
No nosso dia a dia.
Mas por horas
Sou só eu,
Tentando ser vista,
Mostrando que existo.
Fico tentando chamar
Sua atenção.
Quero que me veja,
E que me ame de uma vez.
Esquecendo que você
Não vai se apaixonar por mim —
Vai se lembrar.
Lembrar quem eu sou.
Lembrar do contrato
Que fizemos:
De nos encontrarmos
E sermos felizes no final
Do nosso pacto eterno de amor.
Amor!
Amor não é algo que se dá, é
algo que se exala.
Já existe dentro de você — e não se limita a um relacionamento amoroso.
Cabe em qualquer situação.
Existem momentos na vida em que ninguém deveria se sentir só,
e nessas horas, não importa de quem venha o abraço de conforto.
Mas depois, você reflete e percebe:
talvez esteja no lugar errado, com a pessoa errada.
Porque, se quem deveria te abraçar, enxugar as lágrimas
e tentar te fazer sorrir não teve essa sensibilidade —
aquela que muitos teriam até com um estranho —
então algo precisa ser revisto.
Louca por você!
Os sentimentos se sentem,
não se explicam.
O amor não é um problema,
é caminho.
Por você, desprezei meus preconceitos,
lancei ao ar a minha sensatez,
esqueci velhos defeitos
e renasci outra vez.
Te amo não pelo que você faz,
mas pelo que acontece em mim
quando te vejo.
E o que eu sinto eu não consigo explicar.
Só sei que um calor sobe pelo meu corpo
e me deixa louca.
Louca por você!
A verdade do amor
Um dia pensei que poderia amar a todos.
Mesmo os que erram,
os que machucam,
os que me fizeram chorar.
Não por obrigação,
mas porque não sei guardar rancor.
Hoje não sinto raiva.
Sinto medo.
Algumas pessoas assustam
não pelo que fizeram,
mas pelo que ainda são capazes de fazer.
Minha capacidade de amar é imensa,
mas o instinto de sobreviver fala mais alto.
Amar à distância
é a forma que encontrei
de me proteger
sem perder quem eu sou.
E seguir inteira,
sem me dissolver
no ódio
nem na hipocrisia do mundo.
Aquele dia — Pai
Sonhei com o meu pai.
Ele me abraçava com tanto amor e ternura…
E eu sabia que seria por pouco tempo.
Mais uma vez, quis fugir,
porque não suportaria me despedir.
Mas ele me segurou
e me abraçou novamente,
até que acordei…
Quase um ano esperando por um abraço que acalmasse a minha alma e aquecesse o meu coração — e, finalmente, aconteceu.
Naquele trágico dia,
esperei por um abraço assim:
alguém que me acolhesse,
que acalentasse o meu coração,
um abraço silencioso que fizesse a minha alma voltar.
Mas, naquele dia, entendi
que a única pessoa capaz de fazer isso por mim
era justamente quem estava no caixão.
Nunca vou dizer adeus,
passe o tempo que passar…
Hoje sei que não preciso fazer isso, porque ele não vai a lugar algum.
Sempre estará aqui comigo,
me guiando —
como disse que faria.
A ciência e o Amor
Amar não tem a ver com reciprocidade.
Na verdade, é raro encontrar um amor de verdade, incondicional. A pessoa já nasce apaixonada — ama sem saber, sem conhecer. Ama nesta vida e em outra, talvez espiritual…
apenas ama e espera.
Não há perguntas, muito menos respostas. A ciência é linda, mas limitada.
E, no íntimo, a pessoa sabe quem é…
e sente a sua contraparte —
um estranho que te completa.🌛🌞
O amor é azul
Parada contra a parede,
mais um obstáculo...
Olhei para trás —
só havia ruínas.
Voltar não é uma opção.
Como seguir sozinha,
sem ânimo,
sem condição.
Sinto uma mão na minha,
alguém ao meu lado...
O amor da minha vida está aqui —
e era tudo o que eu precisava.
Escalar era a única saída.
Seria perigoso — ele me disse.
Mas respondi que conseguiríamos...
Já no alto,
impossível descer...
— Faz um arco-íris — ele sugeriu,
como você fez da outra vez...
E assim foi feito:
um grande e lindo,
com cores vibrantes...
E ele nos levou
a um belo campo distante...
Ele sorriu e perguntou:
— E onde está o tesouro?
E eu respondi:
— Você é o meu pote de ouro
no final do arco-íris...
Mas aquilo mexeu comigo...
De novo, eu o levei
para onde não pertencia...
Afastei-me,
olhei ao redor,
e tudo eram plantas e flores...
Era o meu mundo —
não o dele —
sem nenhuma atração,
sem realeza...
As nossas diferenças eram gritantes:
água e vinho,
branco e negro,
dúvida e certeza...
As suas mãos, tão lindas,
delicadas e macias...
As minhas — cansadas,
cheias de cicatrizes...
O amor é azul —
um jeito bonito
de chamar
de esquisito...
Doeu perceber.
Aproximei-me novamente
e me desculpei
por levá-lo a um lugar
que era só meu...
"Te afastei...
com medo de não te caber.
Mas você ficou."
Me olhou —
como quem nunca teve dúvida —
e disse baixinho:
— O nosso amor
é único e verdadeiro.
E o meu lugar
é ao seu lado...
pois somos um só,
e não existem barreiras.
E naquele instante,
entendi:
o amor é azul...
estranho,
profundo,
e infinito. 🌛☀️
A Roda Gigante da Vida
(Agendando o amor!)
Não tive tudo o que queria.
Mas tive tudo o que precisava.
Hoje sei que não acordamos simplesmente um dia e decidimos imitar alguém.
Não.
Vamos fazendo isso todos os dias.
Mesmo sem querer.
Mesmo sem perceber.
Vamos nos espelhando no outro, em cada atitude, em cada palavra, em cada escolha, em cada ação.
E, talvez, seja por isso que os nossos pais nunca vão embora completamente.
Eles continuam em nós.
No jeito como amamos.
No jeito como cuidamos.
No jeito como educamos.
Até mesmo nas coisas que fazemos sem perceber.
Naquela semana em que meu pai foi para o outro lado — um outro lado que, na verdade, é bem ali —, aconteceu algo que hoje considero um presente.
Sem saber que o tempo estava acabando, em uma ligação, eu me declarei para ele.
Falei.
Disse tudo aquilo que talvez já soubéssemos, mas que precisava virar palavra.
Precisava ser ouvido.
Falei da distância.
Da saudade.
E disse que, um dia, nada mais iria nos separar.
E, no final daquela semana, foi exatamente o que aconteceu.
Não existia mais distância entre nós.
Logo, não haveria mais ausência.
Ele não era perfeito.
Ninguém é.
Mas, quando se ama, ama-se por inteiro.
Não se ama apenas a parte bonita.
Não se colocam os defeitos para debaixo do tapete.
Ama-se a história completa.
Com acertos.
Com erros.
Com imperfeições.
Com tudo aquilo que faz alguém ser quem é.
E não havia remorso.
Talvez faltasse uma ou outra coisa que eu ainda não tivesse feito.
Não por orgulho.
Por “agendamento”.
Eu havia deixado algumas datas na minha agenda da vida.
Mas a vida não funciona assim.
Não podemos brincar com o destino.
Porque o destino é improvável.
Não podemos esperar que o outro amadureça, que enriqueça, que chegue ao topo de algum lugar qualquer, para então vivermos aquilo que queremos viver.
Porque, no final, nada disso importa.
Às vezes, você quer entregar um castelo de neve.
E o outro só precisa de um boneco de areia.
E, enquanto você espera o momento perfeito, pode estar simplesmente adiando a felicidade.
Agendando o amor.
Deixando para depois um abraço.
Uma palavra.
Um “eu te amo”.
Um encontro.
Uma presença.
E a vida não assina compromissos com a nossa agenda.
Tudo tem um ciclo natural para seguir.
E ele segue.
Mesmo vazio.
Mesmo ferido.
Mesmo quando não estamos preparados.
A vida segue seu curso.
Mesmo quebrada.
É matemática.
É física.
É como uma roda-gigante:
ela pode diminuir a velocidade, mas não pode permanecer parada.
Talvez seja por isso que hoje eu faça tantos brinquedos para os meus filhos.
Talvez eu esteja tentando, sem perceber, devolver ao mundo um pouco do que recebi.
Talvez seja por isso que ainda escrevo.
Para transformar lembranças em palavras.
Para transformar saudade em história.
Para transformar aquilo que vivi em alguma coisa que possa tocar alguém.
Porque, no fim, somos um pouco de tudo aquilo que recebemos.
E também de tudo aquilo que escolhemos oferecer.
Meu pai me deixou muitas coisas.
Algumas cabem nas mãos.
Outras, não.
Deixou lembranças.
Deixou ensinamentos.
Deixou exemplos.
E deixou, principalmente, uma parte dele em mim.
Talvez seja essa a verdadeira herança dos pais:
aquilo que permanece quando eles já não podem mais estar fisicamente ao nosso lado.
A todos os pais.
Principalmente aos que refletem bondade.
Aos que ensinam pelo exemplo.
Aos que constroem castelos, mesmo que sejam de madeira, de areia ou de sonhos.
Aos que plantam árvores sem saber quem um dia descansará à sua sombra.
Aos que amam.
Aos que cuidam.
Aos que deixam raízes.
😍 Feliz Dia dos Pais, mães, avós, tios... 😍
📜 Carta de Amor
O tempo pode passar...
As vidas vão e vêm...
Mas ainda te escrevo em versos,
como quem sabe que você vem.🌞
Tentando uma caligrafia perfeita,
com um suave perfume no papel,
e cada palavra que deixo escrita
parece tocar o céu.🌜
Aos poucos, como em uma melodia,
a emoção cria formas, vira poesia.🌞
E o meu coração não entende
que preciso de silêncio
para encontrar você...🌜
É mais uma carta de amor,
perdida entre o passado e o presente.
Escrita nas dobras do destino,
guardada secretamente.🌞
Ainda te escrevo em versos,
na calada da noite,
sem saber onde você está...
Em papel de cartas,
com o coração aberto,
enquanto espero você chegar.🌜
Em meus sonhos, na fantasia,
talvez você possa me encontrar.
Entre aquilo que eu vivi
e o que ainda vai chegar.🌞
Talvez exista um caminho
que os meus olhos não podem ver,
mas cada rima que escrevo
me aproxima de você.🌜
E quando a noite silencia,
eu escuto o que ninguém ouve...
Uma saudade sem passado,
um amor ainda não encontrado,
chamando por você...🌜
E se você já leu esta carta
antes mesmo de ela existir?
E se o nosso amor começou
antes de eu te conhecer aqui?🌞
Talvez o tempo seja apenas
uma página a virar...
E aquilo que eu escrevo agora
você ainda vai encontrar.🌜
Atravessando as horas lentamente,
entre o sonho e o inconsciente,
se o destino permitir,
um dia você vai chegar.🌞
E então esta carta de amor
não precisará mais de papel...
Porque tudo o que escrevi
estará escrito em nós dois. ❤️
Na calada da noite,
enquanto te espero...
Meu amor.🌜
Ass. Edineurai SaMarSi
Um Pedaço de Amor
A melhor parte é quando um aluno do primeiro ano chega com a mãe, trazendo UM pedaço de bolo de aniversário, me entrega na frente de todos, e eu fico completamente sem graça — afinal, eu nem era a professora dele.
E, para completar, a mãe ainda solta aquela pergunta que não se faz para crianças dessa idade:
— Pensei que fosse para a sua professora. Você não gosta dela?
Antes que a pessoinha pudesse responder, eu me apressei:
— Eu vou dividir com ela! 😂
Enfim... o que quero dizer é que, quando um gesto assim vem de uma criança, ele carrega uma verdade que não precisa de explicação.
É um gesto espontâneo, puro e desinteressado.
É carinho sem cálculo, sem obrigação e sem esperar nada em troca.
É amor em sua forma mais simples e verdadeira. ❤️
Edineurai SaMarSi 🌷💙
O fio vermelho do amor verdadeiro
Todos possuem esse fio vermelho. E quando finalmente estão prontos para se encontrarem e ficarem juntos, já nascem apaixonados.
Geralmente são sensitivos e conseguem se encontrar no mundo espiritual, porque lá já são casados. Encontram-se nos sonhos, na intuição, na imaginação ou na telepatia. São um só, vindos do mesmo sopro, da mesma energia, e passam a vida inteira com a certeza de que um dia irão se encontrar pessoalmente.
Porque o primeiro encontro não é pessoal, é energético. É a mesma frequência. Pode ser a metros de distância e tudo é destino. Se for para se encontrarem, tudo é divinamente orquestrado na hora e no momento exato, como uma dança em total sincronia.
O universo inteiro ajuda, com música "aleatória", sincronicidades, telepatia, o nome sendo visto e ouvido o tempo todo... No início tudo é só uma loucura, depois vem a compreensão.
E quando esse dia chega, tudo se transforma.
Porque é incrível demais para ser real. E não dá para confiar apenas nas próprias memórias. Mas o destino é perfeito e deixa um caminho de tijolos amarelos, como na história, que te conduz até manuscritos, desenhos da infância, escritos da adolescência, diários com sonhos registrados pela sua própria mão, poesias, músicas e declarações de amor que, sem que você percebesse, já revelavam o sobrenatural e o caminho por onde o fio vermelho percorreu toda a sua vida.
DESPEDIDA
Meu amor...
Escute as minhas ultimas palavras
Por favor
Você não soube entender
Que eu atirava em suas mãos
Toda possibilidade de ser feliz
Você fez de mim mais uma
Esquecendo que em nenhum lugar
Amor como este encontrará
Você precisa saber
Das descobertas dos sonhos deste amor
Você fugiu de mim
Desconhecendo a força
Que o mundo atraia sobre nós
Voce saiu de si
Fugiu de mim
Desconheceu meu mundo
Desbotou meu sorriso
Apagou minha esperança
E é por tudo isso
Que agora lhe digo
Um triste e amargo Adeus...👋
💘 RESPIRANDO AMOR 💘
Nosso amor é verdadeiro e encontrou a direção
Na estrada do destino apontou meu coração
Você sentiu a vontade e se abriu para o amor
E voou nas asas do tempo com energia e vigor...
Agora eu não consigo, olhar pra mais ninguém,
Pois o meu coração escolheu o seu
E cada batida do meu coração
tecla teu nome dizendo assim....
Eu sempre sonhei com um amor assim,
Que tocasse minha alma com apenas um olhar
E me dissesse as palavras que meu coração queria ouvir...
Oh...este é o amor que tanto desejei
Um amor tão puro que parece um sonho.
Uma chama acesa que queima más nao dói
Um amor completo que me faz viver o novo
Oh....meu coração ta respirando amor.
Não importa aonde nosso amor vai nos levar
Mesmo que os nossos olhos vejam céus diferentes,
Nossos corações unidos vão além do horizonte...
Eu nunca planejei me apaixonar desse jeito,
mas o destino quis assim, algo lindo para nós...
Como a gota de orvalho que repousa sobre a rosa,
vi o amor brilhar na menina dos seus olhos.
Somos duas almas em outra dimensão,
Além das barreira do tempo, dos limites da compreensão...
Oh, meu coração ta respirando amor...
Oh, meu coração ta respirando amor...
No Abismo Cognitivo
Nas alturas e profundezas das almas vivas,
Pelo amor proibido, o espírito encontra essência.
A dor existencial é só fração na dança cósmica,
Resquício da mente em viagem
Ao estado primitivo da própria natureza.
Nos limites da consciência,
O pensamento é denso, pesado e profundo.
Num pôr do sol, contemplo o amanhecer,
Enquanto observo, maravilhado, a escuridão
Em um mundo fanático pela imensidão.
E a luz...
A luz parece flutuar num sutil nuance,
Pelas paredes do precipício
Que debruça sobre o abismo cognitivo.
Onde o amor me encontra inteiro
Eu tinha medo de amar.
Guardava o coração num copo d’água,
ao lado da cama,
para que a sede de alguém
não o levasse embora.
Mas você chegou
e os peixes do meu sono
aprenderam a voar.
A noite desceu da parede,
sentou-se aos nossos pés
e ficou ouvindo tua voz.
Quis te entregar tudo:
a infância dobrada na gaveta,
os domingos que ainda não vivi,
a pequena estrela manca
que ilumina minhas tristezas.
Já ia tirar meu nome do peito
para abrir mais espaço ao teu,
quando tua mão deteve a minha.
Você beijou cada letra
e deixou meu nome onde estava.
Foi tão delicado
que os espelhos da casa
fecharam os olhos.
Desde então, quando a saudade
põe seus vestidos de tempestade,
abro a janela.
Deixo que chova um pouco
sobre as flores,
sem permitir que a água
carregue a casa.
Ainda há noites
em que meu medo fabrica despedidas.
Você dorme,
e eu ouço trens partindo
de estações que não existem.
Então volto devagar ao quarto,
recolho meu corpo dessas viagens
e encontro tua mão sobre o lençol:
aberta,
sem exigir que eu fique,
tão bonita
que me dá vontade de ficar.
Quero te amar assim,
com meus passos ainda meus,
mesmo quando dançarem contigo.
Quero tua boca perto
e meus sonhos respirando.
E, quando a manhã vier
buscar o céu em nossa cama,
que nos encontre abraçados,
com espaço entre os braços
para o mundo florescer.
Descrição:
“Onde o amor me encontra inteiro” fala sobre aprender a amar sem abandonar a própria identidade. O poema acompanha alguém que deseja uma relação profunda, mas teme que a entrega lhe custe aquilo que é. Ao longo dos versos, essa pessoa descobre uma intimidade em que pode oferecer carinho, revelar suas fragilidades e permanecer livre. O título expressa esse encontro: ser amado com a própria história, os próprios sonhos e até os medos que ainda não desapareceram.
Logo no início, o coração guardado num copo d’água traduz uma tentativa delicada e impossível de proteção. Ele está fora do peito, num lugar aparentemente controlável, mas continua exposto e frágil. O receio de que “a sede de alguém” o leve embora sugere o medo de encontrar uma pessoa cuja necessidade de afeto consuma tudo o que o eu poético tem para oferecer. Há nessa imagem uma pergunta silenciosa: como permitir que alguém se aproxime sem ser levado por inteiro?
A chegada da pessoa amada transforma esse universo. Quando “os peixes do meu sono aprenderam a voar”, algo que parecia limitado ao seu ambiente descobre outra possibilidade de existência. É uma imagem de liberdade despertada pela presença do outro. A noite que desce da parede e se senta aos pés do casal torna o escuro uma presença tranquila: aquilo que poderia abrigar solidão e receio agora consegue repousar e ouvir.
O desejo de entregar “a infância dobrada na gaveta” representa a vontade de compartilhar as memórias mais íntimas, inclusive aquelas guardadas há muito tempo. Os “domingos que ainda não vivi” estendem essa entrega ao futuro: o eu poético já imagina oferecer dias que nem chegaram. A “pequena estrela manca” sugere uma esperança imperfeita, ferida, mas ainda capaz de iluminar a tristeza. Ele deseja ser conhecido também nesses lugares frágeis.
O momento central acontece quando tenta retirar o próprio nome do peito para abrir espaço ao nome da pessoa amada. Esse gesto revela como a vontade de amar pode se aproximar do apagamento de si. A mão que o detém interrompe esse movimento com ternura. Ao beijar cada letra e deixar o nome onde estava, a pessoa amada demonstra que deseja sua presença inteira. O nome representa sua identidade, seu passado e seu direito de continuar sendo alguém com vida própria.
Os espelhos que fecham os olhos ampliam a delicadeza da cena. Podemos lê-los como uma suspensão do julgamento: por um instante, não é preciso conferir a própria imagem, procurar defeitos ou observar como se é visto. O gesto de carinho permite simplesmente existir e recebê-lo.
Depois desse encontro, a saudade ainda veste suas tempestades. O poema reconhece que uma relação amorosa não elimina a vulnerabilidade. Abrir a janela e deixar a chuva alcançar as flores significa aceitar a emoção e permitir que ela tenha lugar. Preservar a casa significa manter algum amparo interior. A sensibilidade pode nutrir a vida sem arrastar tudo o que a sustenta.
Essa aprendizagem continua nas noites em que o medo “fabrica despedidas”. Os trens partindo de estações inexistentes dão forma à antecipação de uma perda que ainda não aconteceu. Enquanto a pessoa amada dorme, o eu poético percorre abandonos imaginários. “Recolho meu corpo dessas viagens” descreve o esforço de voltar ao presente, saindo das cenas criadas pelo receio para reconhecer aquilo que está de fato diante dele.
A mão aberta sobre o lençol é uma das imagens mais importantes do texto. Ela oferece companhia e deixa a escolha existir. Justamente por não exigir permanência, desperta a vontade de ficar. Há uma beleza profunda nessa passagem: o vínculo se fortalece porque a liberdade encontra acolhimento.
Nos versos finais, os passos continuam pertencendo a quem dança, mesmo quando acompanham os de outra pessoa. A proximidade da boca convive com o espaço necessário para os sonhos respirarem. O abraço desejado comporta duas vidas e também o mundo: projetos, descobertas e experiências que podem florescer ao redor da relação.
A força do poema está nessa transformação gradual. O medo permanece em alguns momentos, mas já não decide tudo. O eu poético aprende que pode amar intensamente e conservar o próprio nome; pode escolher ficar e continuar dono de seus passos. Ser encontrado inteiro é receber um amor diante do qual não precisa diminuir nenhuma parte de si.
“Onde o amor me encontra inteiro”
Eu tinha medo de amar.
Guardava o coração num copo d’água,
ao lado da cama,
para que a sede de alguém
não o levasse embora.
Mas você chegou
e os peixes do meu sono
aprenderam a voar.
A noite desceu da parede,
sentou-se aos nossos pés
e ficou ouvindo tua voz.
Quis te entregar tudo:
a infância dobrada na gaveta,
os domingos que ainda não vivi,
a pequena estrela manca
que ilumina minhas tristezas.
Já ia tirar meu nome do peito
para abrir mais espaço ao teu,
quando tua mão deteve a minha.
Você beijou cada letra
e deixou meu nome onde estava.
Foi tão delicado
que os espelhos da casa
fecharam os olhos.
Desde então, quando a saudade
põe seus vestidos de tempestade,
abro a janela.
Deixo que chova um pouco
sobre as flores,
sem permitir que a água
carregue a casa.
Ainda há noites
em que meu medo fabrica despedidas.
Você dorme,
e eu ouço trens partindo
de estações que não existem.
Então volto devagar ao quarto,
recolho meu corpo dessas viagens
e encontro tua mão sobre o lençol:
aberta,
sem exigir que eu fique,
tão bonita
que me dá vontade de ficar.
Quero te amar assim,
com meus passos ainda meus,
mesmo quando dançarem contigo.
Quero tua boca perto
e meus sonhos respirando.
E, quando a manhã vier
buscar o céu em nossa cama,
que nos encontre abraçados,
com espaço entre os braços
para o mundo florescer.
ACENDER O AMOR
Góis Del Valle
Razões pra esquecer você,
motivos quaisquer tentei.
Não adianta fazer com o coração
o que manda a razão,
se o coração está sofrendo por um
amor verdadeiro.
Razões pra fingir, eu fiz;
motivos pra não querer.
Não adianta fugir da emoção
que nos prende ao passado,
aos momentos mais incríveis
que vivemos nos amando.
Amor, só queria entender
um pouco do teu ser,
ver o teu sorriso,
morar em teu peito,
sem pedir e sem mandar,
esquecer os defeitos,
apagar as faíscas
e acender o amor.
FLORES DO JARDIM
Composição: Góis Del Valle
O amor não nasce em vão.
Paixão ou solidão dentro do peito,
palavras lá no chão são frases,
Como rosas no jardim.
Se eu não abro mão
das coisas que criei
aqui por dentro...
Razões pra chorar,
razões pra sorrir:
são coisas que o coração faz.
Momentos assim,
pra mim, são sem fim:
são coisas que o coração faz.
E quando a ilusão
enche o peito e dilacera o coração,
se eu não me amasse, o que seria dos
meus sentimentos?
Razões pra chorar,
razões pra sorrir:
são coisas que o coração faz.
Momentos assim,
pra mim, são sem fim:
são coisas que o coração faz.
AMOR SEM FIM
Autor: Góis Del Valle
Eu sei que dentro de você
Existe o meu ser, um pouco de
Um tudo que eu deixei
Tanta ternura, amor sem fim.
Ninguém vai esquecer assim
Pra mim, nunca tem fim o
Amor nascido pra sempre existir
Tanta ternura, amor sem fim.
Tudo que eu quis foi fazer você feliz
Mesmo sobre os riscos que eu corri
Te dei meu coração, sangrei na emoção
Perdi tudo que eu fiz, os sonhos que sonhei.
Lembranças que vão florescer
Como num jardim, e nunca vai morrer ou desistir,
Amor é fogo que arde sem fim
Tudo que eu quis foi fazer você feliz
Mesmo sobre os riscos que eu corri
Te dei meu coração, sangrei na emoção
Perdi tudo que eu fiz, os sonhos que sonhei.
Tudo que eu quis foi fazer você feliz
Mesmo sobre os riscos que eu corri
Te dei meu coração, sangrei na emoção
Perdi tudo que eu fiz, os sonhos que sonhei.
