Carta de Amor Distante
Reiniciar
Um episódio cheio de remorsos deixa uma marca profunda mais não impede a saudade de crescer,
O frio nas palavras está consumindo o meu coração, eu sei que mereço esse castigo, porém, os meus defeitos podem ser aprisionados sem julgamentos,
Depois de uma semana sem você um fantasma imperfeito começou a viver no meu lugar,
Dessa vez a matrix do amor falhou, te peço para reiniciarmos pois a nossa história de amor merece um gênesis.
Dois corpos
Assim como acontece em alguns casais do reino animal, reza a lenda que entre nós seres não tão racionais o amor verdadeiro de casal também só acontece uma vez,
Todos os outros eventos amorosos que passam a nossa frente por mais fortes e saudáveis que sejam, não merecem o status de amor real e puro,
O amor único de uma vida é um privilégio sem preço e sem precedentes, é uma conquista que cega e ao mesmo tempo faz transbordar um vínculo de respeito e lealdade misturado com intensidade duradoura de carinhos e sinceridade,
No falso amor a base do cultivo do trigo é o joio,
No amor imortal, ele é regado pelas almas e corações, e vão se alimentando e se aprimorando em cada existir de dois corpos.
Último ato
Não se apegue ao espelho d'água, pois através dele não da para ver por dentro,
A vizinhança sofreu muitas vezes com as mais de dez repetições da mesma música com o som no máximo volume,
No entanto, depois que o orgulho entrou nunca mais nos vimos, quem sabe se foi o café das manhãs, o macarrão dos domingos ou vai que foi a cama velha!
Palavras sobrecarregadas e pensamentos anestesiados produzem a reação incondicional dos gestos,
Esperar mais um pouco até a barriga doer, talvez seja o meu último ato de amor.
Contra o fogo
Tem dias que tudo começa diferente.
Enquanto o mundo explode eu quero que você fique,
estou buscando oxigênio aonde dá para manter nós dois respirando na travessia até o outro lado da ponte,
o nosso castelo está logo ali e lá a nossa mesa com quatro cadeiras nos espera no jardim, só falta mais algumas braçadas eu já consigo ouvi os nossos cachorros latindo,
vou pegar um coberto, fique aqui próximo a lareira, sabe aquela flor branca que você viu ao chegarmos, então, vou buscar - lá no quintal pra vê se assim consigo arrancar mais um belo sorriso teu,
lutastes com bravura na travessia pelo lago ao fugirmos do fogo que toma conta desse mundo contraditório,
observo a minha volta e me divirto sem ela entender o quanto ainda tenho a explorar desse amor, dessa intimidade e da proximidade com a tal felicidade.
Me fala aê!
Falar o quê?
Que eu sei exatamente o que é mas não sei dizer;
Que você se encaixa perfeitamente nesse meu blasé;
Que é inútil esconder mas é necessário ser prudente...
Que a chama arde, e é latente...
E a vida pode sim fazer acontecer...
O futuro pode mostrar e também esconder;
Mas o "eu querer" e o "bem quiser" se alinharam...
Os sentimentos assim mudaram;
E a mente pode até evitar...
Mas essa loucura não vai acabar!
Ver Richard Clayderman (pianista) e Cláudia Jung (cantora), entoando juntos a canção ''Je t'Aime mon Amour'', velhinhos porém cheios de vitalidade ainda, me fez refletir... Pensamento voou longe, para trás, para o passado, e então eu me senti feliz, me senti orgulhosa, de uma alegria sem nome por ter feito parte desta força jovem dos anos 70/80/90!
Erguemos um mundo próspero, conectado pela tecnologia e pelo objetivo elevado de fraternidade interfronteiras!
Derrubamos o racismo, o machismo, o sectarismo, derrubamos muros de pedras e tirania, fomos às ruas e derrubamos a ditadura e governos corruptos!
Fizemos o que aí está está: duradouro, forte, avançando futuro a dentro para dar aos nossos filhos e netos uma vida mais digna e mais respeitosa do aquele que muitos de nós e nossos pais e avós conheceram na infância!
Meu pai não teve cadernos nem lápis, teve uma pequena e rústica lousa onde aprendeu a ler, a contar e a escrever. Eu, sua filha, tive cadernos, lápis e livros mas hoje digito meus textos em computador de última geração.
Eu fiz parte deste progresso espantoso! Procurei me inserir, aprender, usar e produzir através da tecnologia. Não é este uma motivo imenso de orgulho e felicidade?
Não foi perfeito o caminho, a perfeição ainda está a anos luz, mas fizemos o melhor possível! Doamos sangue e coração, alma e sentimento à nova vida que vislumbrávamos nascente! Destemidos, inspirados e cheios de paixão, não fomos uma geração qualquer, uma geração "xyz" ou "isso e aquilo", fomos A GERAÇÃO! Única, especial, de ouro! Verdadeiramente guerreira e imbatível, empunhando sobretudo as armas do "paz e amor"!
Defeitos? Todos os possíveis, mas todos também servindo de aguilhão à aquisição de qualidades maiores! Fugir da luta nunca foi nosso fraco!
Estamos indo embora, mas voltaremos um dia, voltaremos para reiniciar o trabalho que deixamos aqui, voltaremos para dar prosseguimento ao que as gerações que nos sucedem agora fizeram e estão fazendo de bom, e corrigir os caminhos que foram distorcidos ou interrompidos!
Voltaremos com a alma renovada de novos conhecimentos, hauridos longe daqui e traremos para a Terra, nosso cálido berço evolutivo, mais uma parcela do progresso que modificará novamente a paisagem do mundo. Seremos nós, os "velhinhos" de hoje, porém melhorados, rejuvenescidos pela reencarnação, insistindo mais uma vez no bem para corrigir equívocos, para desfazer malfeitos! Mais uma vez seremos no solo planetário a geração paz e amor entoando seus hinos de sã rebeldia, pedindo que nos deixem ser como quisermos fisicamente, cabeludos, rebeldes, roupas curtas mas podando, quem sabe as últimas arestas do passado rudimentar e propiciando, novamente, paras as gerações futuras, a oportunidade de fomentar com mais facilidade as melhorias que eles trouxeram para executar.
Voltaremos!
Abram os braços para nós, nos recebam, nos eduquem com amor, nos criem em paz! Retribuiremos amor com amor, paz com paz, mas se ainda não puder ser assim, se ainda for a dor que nos receber, retribuiremos a dor com "amor e paz", porque esta é a marca de nossa geração!
Até lá!
Lori Damm, "Reencarnação" (31/07/2021)
Ele ama a lua cheia e a namora
como quem descortina um sonho
que vaga iluminado pelo céu da noite.
E a musa de prata que ele ama
encarna pagã à sua frente na abóbada negra
est arcanum caelo
(do céu misterioso!)
Em volta dela miríades de luz,
testemunham que o amor é correspondido.
E ele olha e sonha
- parece tão simples tocar a sua face!
Bem que podia ser um aventureiro valente,
um colecionador de batalhas e beijos de musas.
Mas o intrépido herói de mil e uma noites
o belo e o bravo, na imensidão,
cá de baixo
olha a lua
sabendo que é perto dela, tão alta,
apenas um tímido ponto de amor na obscuridade
do chão.
"O que dás de ti ao mundo?
Ouves a sinfonia dos céus?
Vês algo de feio ou injusto
Nos raios do sol augusto
Quando rompem noturnos véus?
O que dás de ti ao mundo?
A doçura do vento que passa
Ou o trovejar iracundo
A insânia de tua raiva
Ou o o teu amor mais profundo?
Ouve minha voz que te alerta
Não deixe em vala aberta
O que o passado enterrou.
O horizonte hoje se abre
Em leque sublime aos teus pés
Saúda a aurora tão perto
E no alvorecer pleno e certo
Ilumina quem tu és!"
CANTIGA PARA MINHA ALMA GÊMEA
"Quando você me amar
Serei tua casa
E você a minha.
Dividiremos a vida
E o amor,
Seremos dois corações
E um ninho
Sem espaço
Para outros beijos,
Fiéis e constantes
Mesmo que sozinhos.
E enquanto te espero
Alma gêmea minha,
Sigo sozinha, sem pressa
Sendo por enquanto
De ninguém.
Apenas minha."
Lori Damm
DESENCONTRO
Pintei um céu
Para nós dois
Um quadro azul
Em tom pastel.
Morreu meu sonho
quando amanheceu
Você, indiferente,
Não me reconheceu
E no vale ficou
Sem olhar para o céu.
Eu te acenei amor
Amorosa te beijei,
E o dia era instante
Sereno, constante,
Gravura em papel
Mas um beijo de amor
Não foi o bastante.
Despedaçada,
Abandonei os teus olhos
Perdidos no vale
Sondando ilusões
Sem olhar para o céu.
Enveredei nas alturas
Carregando teu nome
Um punhado de estrelas
E um doce pincel.
Estava certa que vinhas
Porque tinha que ser
Mas olhei para baixo
E chorei a verdade:
Você tão cruel
No vale voejava
Junto às borboletas
Sem olhar para o céu.
"Lá pelos anos 60, os finais de semana eram sempre ansiosamente aguardados e o almoço de domingo, ah, este sim, era sempre um acontecimento!
O cardápio era escolhido a dedo durante a semana e, na sexta-feira começavam os seus preparativos, com idas ao mercado e visitas à horta caseira para a seleção de saladas e temperos. Importante também era o trato nas roupas que seriam usadas pela família no culto ou na missa do domingo de manhã.
Depois, após o alimento preparado e algumas reinações infantis, vinha o melhor do dia e de todo o fim de semana: o almoço que era um verdadeiro banquete, mesmo que com pouca coisa, mas sempre muito caprichado. Dependia das posses dos donos da casa, mas sempre especial porque era o "almoço de domingo"!
Naquela hora mágica se conversava de tudo, com pais, filhos, tios, avós e quem mais estivesse ali colocando as novidades em dia, num interminável zum-zum feliz se sobrepondo ao barulho dos copos, pratos e talheres em uso.
Era dia que casal não brigava e criança não apanhava.
Olhando de fora, lembravam passarinhos contentes, reunidos em delicioso alvoroço no ninho.
Após o almoço vinha a sobremesa aguardada igualmente com ansiedade por todos. Eram pudins, pavês, tortas e cassatas deliciosamente caseiras, feitas pelas mulheres da casa e sempre dignas de muitos elogios!
Também compareciam no pós almoço o sagu e a compota. Sagu cozido no vinho feito das parreiras próprias, e compotas com as frutas do quintal, pêssego, pera, maçã e outras. O que tivesse.
O que vinha depois?
Ah, a sensação de fim de semana bem usufruído, de descanso regado a boa comida e atenção. Isso sem falar nas brincadeiras infantis que iam até o anoitecer, na conversa dos adultos e nos assuntos colocados em dia.
Problemas? Haviam sim, muitos até, já naquele tempo futebol, política e fofoca geravam confusão, mas o domingo era a trégua, o dia de relaxar e aproveitar, dia de esquecer as diferenças e ser feliz.
Não tive vida fácil, a vida familiar enfrentou turbulências, escassez, brigas, vícios, separações e problemas inúmeros, mas a lembrança boa daqueles domingos é e será sempre maior que tudo. Acima de qualquer tristeza ou desconforto, era o dia em que a família se reunia mais estreitamente para celebrar o maior e mais belo motivo de estarem todos ali: o amor.
Hoje vejo pais e filhos perambulando pelos shoppings, sérios e indiferentes uns aos outros, comendo qualquer coisa, fazendo compras aleatórias e, quando param um pouco, se separam, mesmo juntos, mergulhando cada um em seus exigentes celulares.
Fico me perguntando então, entre tristeza e decepção, onde foi que erramos, em que ponto da estrada deixamos para lá os doces rituais do fim de semana da infância.
Por que o domingo, com suas missas e cultos, com os seus almoços deliciosos e a reunião familiar barulhenta e encantadora, deixou de ser importante?
O trabalho fora das mães? A correria de hoje? A falta de tempo? A ausência de motivos para um almoço especial? Cansaço?
Seja lá o que for, eu lamento. Lamento principalmente pelas crianças, que não terão, assim como eu tive, e acima de todos os problemas, um domingo para levar na memória, comprovando que sim, sempre há um dia feliz para se recordar na vida, um dia mágico onde boa comida e beijo e abraço de mãe e pai, de vô e vó, são coisas que o coração, aconteça o que acontecer, jamais esquecerá."
(Instituto André Luiz, "Relato de uma idosa", autoria Lori Damm)
"Deus já te tirou do vale há muito e te levou para os cimos. Respirar no alto dos montes não é fácil, mas você aprenderá a arte de viver misturando oxigênio rarefeito e amor... O oxigênio escasso vem de Deus, ensinando a tua alma a criar o próprio hálito, mas o amor vem da tua renúncia, porque viver no alto significa, também, solidão."
(In "Espírito - Vivendo no Coração do Pai")
"Um dia te amei tanto, mas tanto que pensei morrer e, por receber de tua parte apenas migalhas e medos, por amor sufoquei meu pranto, minha dor e minhas necessidades e te amei mais ainda, te envolvendo em todo o bem que podia. Então Deus me chamou e me disse: agora que sabes o que é amar de verdade, vai e cuida dele. Serás,doravante, o seu anjo protetor na Terra."
(In "Espírito - Vivendo no Coração do Pai)
"Quem ama busca acima de tudo o bem de seus amados.
Não exige, se doa.
Não cobra, confia.
Não interfere, respeita.
Não atormenta, compreende.
Não machuca, leva a cura.
Difícil amar assim?
Sim, é difícil, mas não impossível.
Então comece hoje.
Ame de verdade agora.
Não espere dia melhor."
" Como versar a dor que provém de você
Que loucamente insana minha loucura
A ponto de ver em seus olhos
A dor de sua mente que é pura
Nessa eterna tentativa de manter-se aqui
Enquanto todos querem fugir
Tal qual a minha se pergunta
Fugir de quem, onde ou porquê
Há momentos que a dor é inevitável
Mas o sofrimento é opcional
Porque todas as respostas estão no mesmo lugar
Ou na mesma pessoa
O que versar sobre a dor
Ou sobre o que pode acontecer
Quando a insanidade se encontra com a loucura
Porque insanamente me sinto louco
E louco me sinto insano
Quando sinto a dor que provém de você..."
"Na sanidade da loucura
Descobrimos um mundo novo
mergulhados nas profundezas
De começar tudo de novo
Renascemos em outro espaço
Viajamos pelo tempo
E quando voltamos
Percebemos nosso lapso
Na sanidade da loucura
Vimos tudo confuso
Uma mente que se abre
E nós fazemos uso
Da criatividade que floresce
Das palavras que escreve
Na sanidade da loucura
Descobrimos como a vida é dura"...
Voo noturno
Sonhos precisam de asas
Acontecem durante o sono
E também estando desperto
Noturnos descansam a mente
Diurnos alimentam a esperança
Acalentados para se tornarem certos.
Sonho para menos saudade
Acordo para te ver de perto
Voo noturno, encontro etéreo
Pouso diurno, teu amor na realidade.
O abraço
Nova semana demanda certa necessária energia
Aquela vinda do contato sem descompasso
Que encosta almas, não corpos somente
E revitaliza sorrisos fraternos com doce esperança
Anda, junta teu peito ao meu, como criança
E em vice versa, resgata tua força na minha corrente
Calor humano, puro, no carinho de um abraço
E partilhemos com outros também, essa alegria.
Minha doce e amada Vó
Perdido em pensamentos,
Nunca pensei que viveria esse momento.
Caminhando num jardim colorido,
Fui surpreendido.
Te encontrei depois de ter me despedido,
Após te abraçar, comecei a chorar.
Porque sei que esse momento vai acabar,
Caminhamos e conversamos,
Pelas trilhas das cores.
Quando vi seu sorriso brilhar,
Tive que acordar.
Ainda sinto sua falta, parte de mim se foi, e o que restou não consigo dizer.
Aquela música que jurei um dia que não seria de ninguém tomou sua forma,
Choro com ela todos os dias, pois entretanto me lembro de ter a oportunidade de dizer que queria você com todos os seus defeitos para nunca mais devolvê-la.
