Carta a um Amigo Especial

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Eu...?
Uma definição seria difícil, já que sendo um reflexo de gestos, atitudes e personalidades que me rodeiam, me torno mutável a todo instante!
Auxiliada por uma certeza duvidosa diria que sou um ser inconstante, repleto de sentimentos e pensamentos não definidos, misto de características e de suas contrariedades...
Luta travada entre risos e seriedade, certezas e falta de chão, entre o santo e o insano, partilha e solidão, paciência e inquietude, fuga e carência...
Me mantendo emcima do muro...medo de cair!
Idéias se firmando, perfil sendo traçado! Será?
Vontades que gritam...só eu escuto!

CAMALEÃO IN VITRO

Sou um verdadeiro investigador de mim mesmo
Cada dia descubro algo novo em mim
Creio que meu “eu” atual é um retrato em branco e preto, ou às vezes em tons de sépia e o meu passado é um retrato colorido, cujos tons se avivam no decorrer do tempo.

Nos espelhos da vida já me vi de tantas formas...
Me vi bonito, feio, inteligente, ignorante, criativo, ocioso, atencioso, disperso, amável, insuportável...
Tanto me vi que enjoei.
Posso ser tudo, como também posso não ser nada, mas nessa vida cheia de imagens ilusórias e utópicas a única conclusão a que posso chegar é que eu sou e sempre serei apenas o reflexo daqueles que me observam.

Deveras, homem!

Ah, como difícil é ser um homem
Em um mundo tão machista e feminista
Ah, como é difícil sorrir sem ser julgado
Como é difícil chorar sem ser censurado
Ah, como difícil é ser um homem
Em um mundo tão feminino e masculino
Onde os contrários se igualam
E as verdades se anulam
Ah, como é difícil
E você nem sabe do meu esforço
Você nem quer saber
Como é difícil sobreviver entre seus preconceitos de homem
Como é difícil não padecer aos seus padrões tão femininos
Como difícil é ser um macho
Daqueles com M maiúsculo
Que chora, ama e pede colo

Bernardo Almeida

Não sei quanto tempo vou agüentar viver assim
Tudo dói dentro de mim
E eu so queria por um fim em tudo isso
Mais nesse isso me deixam fazer
Não é tão difícil assim
Mais eu tenho o dom de me complicar
E agora....?
Só vejo risos, todos dizem que vão estar comigo SEMPRE
Vêem cheios de sorrisos
Mais em quem acreditar?
Meu pensamento se perde entre as paredes
E estou presa aqui
Não existem formas de encarar a verdade se existem mentiras
E eu já não sei...

(Escrita ao som de You and me - Life House.)

Eu estava pensando, o tempo é um mocinho ou um bandido? Quando estou passando por algo ruim, eu sempre penso: "Isso vai passar. Tudo passa.". Então eu vejo, é, o tempo é algo bom. Mas quando olho as coisas que ele levou, que não voltarão mais, coisas boas! Quando eu olho a beleza de alguém desaparecer por causa do tempo, levando dela o semblante e a graça, eu vejo o bandido que existe por trás desse - muitas vezes - "herói". O tempo é bipolar. Ele faz bem, ele faz mal. Ele leva. Coisas boas e ruins, ele leva tudo! Nada fica, nada é eterno.

Eu plantei um pé de amor, pra colher sorrisos. De nada adiantou. O vento, de tempo em tempo, desfacelou as flores, os frutos e os galhos. Só que tem uma coisa: O meu amor continua de pé, com uma bandeira hasteada no meio. É proibido não ter esperanças porque é Junho e o tempo pode tudo praquele que crê.


E eu creio em dias azuis, cheios de paz dentro. Com crianças correndo no parque, casais de mãos dadas à luz do sol, de uma manhã clarinha. Acredito na força dos sentimentos bons, na energia positiva e na colheita dos sonhos, que chega sempre nas mãos de quem semeia o bem, de quem espalha pólem de luz e alegrias miúdas.


Acredito que a bondade tem voz e acredito, também, num HOJE maior que o ontem e que o amanhã. Acredito na beleza e força de um sorriso, no encanto e energia das palavras. Acredito num Deus que tudo vê e que tudo ampara, da maneira correta e no tempo exato.


Acredito na bondade sem disfarce, nos rostos sem máscaras e doses de paciência que removem montanhas, no carinho e na amizade. Creio na palavra que cura, nas canções que embalam sonhos, nos risos gratuitos, na bússula do lado esquerdo que sempre indica o caminho.


Eu nasci pra acreditar. E esperança, minha gente, é o que anda comigo.

Albert Einstein foi um dos grandes gênios da humanidade certa vez fora perguntado: O que é a luz? E no momento inspirado disse: “A luz...é a sombra de Deus”.

Longe daqui, bem longe, eu a vi caminhando, parecia sem destino, pássaro ferido, só eu conseguia ver suas asas quebradas, de repente meus olhos podiam ver muito mais do que imagens, eu entrei dentro do seu pensamento...saudades da mãe, indecisão, certezas. traumas, dores, enfim todas as nossas tragédias e dramas subterrâneos...mas ainda tocando ao fundo uma música em sua alma, o amor por si mesma a mantinha viva e com esperança no futuro.
Diz a si mesma com uma lágrima invisível escorrendo pelo rosto.“Papai sinto saudades de quando você me levava pra ver a luz”. Eu me apaixonaria por essa mulher num instante, mas prefiro continuar distante, sinto ciúmes e até uma dor por saber que outros homens podem tê-la, mas talvez nenhum deles possa fazer tão parte dela quanto eu, que posso ouvir seus pensamentos, apenas fechando meus olhos.
Pra estar com ela faço carinhos imaginários, exatamente como domingo o mar fez em mim...do alto de uma pedra eu o contemplei e uma leve brisa me tocava os cabelos, me imaginei fazendo caricias sobre o oceano, e dessa vez era eu o pássaro, só que voando com as asas dela, agora já curadas....

Carícias Sobre o Oceano
(Do filme “Les Choristes”em português “A Voz do Coração” )

Carícias sobre o oceano
Leva o pássaro tão leve
Vindo de terras nevadas
Ar efêmero do inverno
Distante seu grito se distancia
Castelos na Espanha
Agita-se no rodamoinho desfazendo suas asas
Na aurora cinza do levante
Acha um caminho em direção ao arco- íris
Se descontinuará a primavera

Carícias sobre o oceano
Pousa o pássaro tão leve
Sobre a pedra de uma ilha submersa
Ar efêmero do inverno
Enfim seu sopro se distancia
Longe nas montanhas
Rodamoinho sopra desfazendo suas asas
Na aurora cinza do levante
Acha um caminho para o arco-íris
Se descontinuará a primavera
Calma sobre o oceano

Então é assim que quase um garoto se torna um rei. Ele não é apenas implacável e sem remorsos, mas simplesmente brilhante. Se não para a raiva em mim, eu ficaria impressionado. Sua estratégia causará problemas para a Guarda, é claro. Pessoalmente, estou mais preocupado com os novos-sangue ainda lá fora. Fomos recrutados para Mare e sua rebelião com pouca escolha na matéria. Agora há ainda menos. A Guarda ou o Rei. Ambos nos vêm como armas. Ambos nos matarão. Mas somente um nos manterá em cadeias.

(A Prisão do Rei)

A PERMANÊNCIA DA ORIGINALIDADE E DA CULTURA LOCAL


A cultura de um povo é seu alicerce, sua identidade, aquilo que o torna único em meio a tantas influências externas. Manter essa originalidade não significa rejeitar referências de fora, mas preservar o que nos distingue, o que faz parte de nossa essência e de nossas tradições.


Em um mundo cada vez mais globalizado, é comum que elementos culturais se misturem e que novas influências cheguem até nós. No entanto, é fundamental compreender que valorizar o que é nosso não exige que nos moldemos ao que vem de outras cidades ou regiões para sermos reconhecidos. Pelo contrário, é no simples, bem feito, na constância e na organização que a verdadeira beleza das nossas raízes se fortalece.


A preservação cultural não é apenas uma questão de estética ou de manter costumes antigos por tradição. Ela é um ato de resistência e de identidade. Quando cuidamos das nossas práticas, festas populares, histórias e expressões artísticas, estamos assegurando que nossa essência continue viva e seja transmitida às próximas gerações.


Manter a originalidade é valorizar a memória coletiva, é reconhecer que cada canto do país tem suas próprias narrativas, símbolos e manifestações que merecem ser respeitados. A diversidade cultural brasileira é justamente o que a torna tão rica, e cada povo tem um papel essencial nesse mosaico.


Defender nossa cultura é investir em pertencimento, é criar laços entre passado, presente e futuro. É garantir que o que nos torna singulares não se perca em meio às influências passageiras. Ao respeitar e fortalecer nossas tradições, não apenas preservamos nossa identidade, mas também oferecemos ao mundo um exemplo genuíno de quem somos.


É essa permanência da originalidade que mantém viva a alma de um povo e dá sentido à sua história.

Pascásio Custódio da Costa e a Empada de Aratu: Um Patrimônio Vivo


Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe em 2021, a empada de aratu do povoado Terra Caída, em Indiaroba, transcende o sabor para tornar-se um símbolo de identidade e memória coletiva. Seu guardião é Pascásio Custódio da Costa, conhecido como "Mestre Pascásio", que há mais de meio século dedica sua vida a essa iguaria que hoje atrai turistas e fortalece a economia local.


O que muitos não veem, porém, é que essa tradição vai além da cozinha: envolve o trabalho silencioso das catadoras de aratu, mulheres que mantêm viva a técnica artesanal de coleta e preparo do crustáceo, transmitida entre gerações. É delas que nasce o catado minucioso, base não só da famosa empada, mas também de pratos como a moqueca defumada na palha de bananeira, outra joia da culinária local.


Essa rede de saberes — Pascásio, as catadoras e a comunidade de Terra Caída — compõe um ciclo cultural raro, onde gastronomia, memória e pertencimento se entrelaçam. Mais do que um prato, a empada de aratu é um eco do passado que insiste em permanecer no presente, como testemunho vivo da força e do orgulho de um povo.

Medos, aqueles que me dominam,
Meu medo mais traumatizante é o medo de te perder;
O medo de um dia não ter mais seus abraços,
De seus carinhos, e de seu te amo;
Pelos medos sou uma menina com mil sentimentos;
Que nem metades são demonstrados.
Medo do q talvez vc possa achar,
Medo de vc não gostar;
Que me faz guardar meus sentimentos pra mim,
esperando o tempo curar as feridas impossíveis
que isso deixa ou pelo menos tenta fazer o impossível
sair do centro das atenções!
Simplesmente dominada pelo medo,
Vivendo dependente dele;
Uma pequena grande prisioneira
Por um simples medo
De te perder

No seu olhar descobri um horizonte
E nesse horizonte uma paixao,
No seu sorriso descobri a alegria,
Alegria em viver a vida,
Nas suas palavras vi a verdade
E nessa verdade o seu carater,
Atraves do seu carater pude enxergar sua alma
E eh por isso que bate meu coracao
Bate forte, acelerado, como um louco,
Louco por voce…
…Na sua boca um beijo sonhado,
E nesse sonho minha realidade,
Realidade que eu vou sonhar todos os dias
Pra estar ao seu lado
Porque mais facil que falar,
Eh amar voce.

Botão Off


Desligar-se do mundo por uns dias, ter um bom tempo só pra mim.
Preciso dar ordem na minha cabeça, antes que seja tarde. Quem manda em mim finalmente? Acho que eu mesma. Portanto é de mim que vou cuidar por um bom tempo, é por mim que vou fazer o melhor, é por mim que tenho que lutar e não esperar respostas de ninguém.
A família, os sentimentos mais frágeis, amigos, responsabilidades, metas a atingir. Está tudo bagunçado, e a única a poder reorganizar tudo isso sou eu. Ah, e logo eu que sou tão perfeccionista, que ironia do destino.
Nada esta como o planejado, será que por erros cometidos no passado? Eu tenho isso pra mim como amadurecimento. Errar é quando pisamos na bola e não aprendemos com isso.
Paz de espírito é tudo que minha alma precisa para poder por tudo em ordem novamente.
Quem precisa de mim, mais do que eu mesma?

Estou precisando de um tempo só pra mim. Preciso de alguma forma, sozinho, rever meus conceitos, planejar meus objetivos, criar e executar estratégias que me tire desse buraco o qual só eu tenho ciência. O vejo, quando ninguém, em hipótese alguma, consegue ver. É uma espécie de vazio que não há abslutamente nada que o preencha, não sei se é a falta de Deus, de bens materiais, não sei. Apenas sei que não tou legal. Não adiantará eu estar fazendo tudo o que venho fazendo, apenas por fazer, para que simplesmente os demais que me rodeiam tenham consigo, eu como manda o figurino, nos conformes, segundo a tese imposta pelo sistema social.
Eu pretendo ir além, me refazer, para então depois voltar a fazer tudo com muito amor e sinceridade.

APIPUCOS

Sonhei caminhando num arco-íris
Onde pareciam milhões
As suas sete cores...
Era um arco-íris modesto
Enfeitado com árvores e flores
Plantadas na praça e nas calçadas
Onde passarinhos diversos
Orquestravam a trilha sonora
Em acordes que lembravam versos
Com direito ao sol das sete horas
E a doce sombra de outrora
Mas quando acordara do sonho
Notei que sonhara acordado
Um sonho mimado
Que nascera naquele mesmo instante
Do encantamento de minhas visões
Mas eu não estava maluco
Eu estava em Apipucos
Deslumbrado com a alma das cores...
De seus ilustres casarões.

Um presente

Toma conta do que é seu, mas tenha cuidado ele é frágil! Ele só quer atenção, só quer ser compreendido, serás que não entendes?

Entrego a ti o meu pertence mais valioso, entrego-te o que já foi meu por muito tempo!
Ele não quer mais ser ferido, ele só quer ser feliz, mas é só com você, só com você.

Ele tem muito que aprender, ele quer que você o ensine, ele quer você! Só você...
E é por isso que entrego a ti...
O meu coração...

15/06/2003

Só há um verbo
Que eu sei conjugar.
Que da minha cabeça não sai,
Que é amar, amar, amar.

E quando eu vejo você passar,
Eu fico gritando por dentro,
Não vai, por favor não vai,
Não vai que eu não agüento.

Mas você segue o seu caminho,
Me deixando tão sozinho,
Sem olhar para trás.

Sem perceber que estava te olhando,
De longe, te admirando e te amando,
Me deixando só com os meus ais…

Sobre o amor.

Quando nasce um amor novo, é difícil resistir à tentação de alimentá-lo só com a presença. Mas é preciso deixar o amor respirar. Se você colocar uma flor bem bonita dentro de uma redoma, com medo que o vento e o tempo levem sua beleza, manterá por muito pouco tempo o que dela é bonito.

O que eu aprendi sobre o amor, filho, é que ele é feito de faltas e presenças. E que nenhuma das duas pode faltar.

Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções. E ainda assim fazer a mesma livre escolha.

Dessas pequenas vitórias se faz a alegria de amar e ser amado. Descobrir no olhar do outro que você foi escolhido de novo. E de novo, mais uma vez.

Também aprendi que o amor interrompido em seu auge permanece bonito para sempre. O que pode ser muito doído ou pode ser um presente. Depende de como a gente quer guardar. Depende de como a gente quer seguir.

O amor é feito de falta, filho. Mas aí mora um perigo: adorar mais a falta que o próprio amor. Posso cometer esse erro diante de quem amo ou diante da própria falta. E aí quem passa a faltar sou eu mesma.

O amor é feito de falta, mas não sobrevive sem a presença. O amor é feito de hoje.

Por isso, ao ver a ida do seu pai, meu coração deu um nó. Como continuar minha caminhada, como não olhar para trás, se vinha de lá a nova presença, o novo amor?

Você é feito do amor de ontem, cresce amor de hoje e vai ser amor de amanhã. Você me trouxe a alegria de continuar amando o seu pai. Aquele que conheci, com quem vivi cada hoje com intensidade e delicadeza. Aquele por quem lutei, com quem briguei. Aquele que me transformou e que se deixou transformar por meu amor.

Você e ele, juntos, me trouxeram o milagre de continuar amando a mim mesma.

A falta do seu pai doeu ontem e dói ainda hoje. Mas não é a mesma dor. Com esse amor, tento transformar a dor de hoje em uma dor diferente amanhã.

O que aprendi sobre o amor é que ele deve estar sempre distraído. Mas quando falta o objeto do amor é o contrário: melhor não se distrair nunca.

O que aprendi sobre o amor - e isso aprendi sobre o amor a mim mesma - é que ele exige de mim, todos os dias, um esforço. Um exercício diário do qual não posso abrir mão.

É como estar num mar profundo, sem barco ou bóia. Não posso simplesmente boiar. Posso relaxar um pouco, mas logo retomo o nado. Não posso boiar, não posso, não posso. A onda pode me levar.

Tinha um par de belos olhos castanhos, devidamente enquadrados em um rosto uniformemente equilibrado, desde o tom da pele ao posicionamento da boca. Maria tinha aquele jeito de menina, aquele falar descontraído e aquele olhar de quem vê o mundo sob a ótica ingênua de uma criança. Mas não lhe era diferente, como na grande maioria das boas mulheres, aquele jeito de andar, como se estudasse a forma como daria cada passo, aquela discrição contida quando cortejada e aquele riso, de meia boca, quando, finalmente, deixa-se cortejar ou simplesmente dava um fora.

Aliás, as boas mulheres são disso, umas sonsas. Se fazem de besta, fingem que não é com elas, estudam cada passo do macho que tenta, de todas as formas possíveis, conseguir um punhado de sua atenção e, quando finalmente, resolvem dar-lhe a atenção e deixam-se cair nas artimanhas do homem que tentava conquista-la, dão aquele sorriso de deboche, de meia boca. Porque a situação, para elas, sempre esteve sob controle.

Maria era dessas mulheres. O jogo psicológico que me impôs na primeira tentativa que fiz de conquistá-la, foi cruel. Nunca pensaria que por trás daquele olhar infantil, estava uma mulher forte e decidida que sabe o que quer, quando quer e como quer. Foi assim na festa na casa do Pedro. Ela jogou comigo. Acompanhou de perto toda o rodeio que fiz para chegar no bote final e, com uma espécie de prazer sadista, cortou o meu rodeio e me fez dar com os pés entre as mãos.

Depois de um certo tempo observando as mulheres, separei-as em dois tipos: as boas mulheres e as más mulheres. As boas, conservam uma sutileza na hora de agir e de falar, sabem sempre o que querem e não precisam ir atrás dos homens. Elas os fazem correr atrás delas. E quando eles não são dignos do seu amor e confiança, simplesmente o deixam de lado, com a mesma sutileza que elas mantém em todos os seus atos. São mulheres para os grandes homens. Boas mulheres tem uma voz doce e delicada, olham daquele jeito cruél, despindo a essência dos seus futuros parceiros com os olhos e são dotadas de uma intuição afinadíssima, capaz de prever cada movimento que um macho pode fazer no ato da sua conquista.

Maria me deixou louco. Com aquele jeitinho simples, pisou no meu ego e deixou-me solitário, entregue aos meus vícios. Notava-se que o seu maior prazer era me ver esperançoso, ligava-me, às vezes, de madrugada e falávamos de filosofia à política. Saímos para almoçar juntos e a nossa sintonia na hora de conversar era de tamanha perfeição que, desconhecidos, chegavam a pensar que formávamos um casal. Mas não. Ela me estudava meticulosamente, eu sabia disso e ela era capaz de prever todos os meus movimentos e os meus desejos.

Eu imaginava o beijo de Maria. Certamente com aquele tom voz e aquele jeito, imaginava lábios suaves, um beijo ligeiramente doce, dado com a vontade de quem demorou para se certificar que realmente faria uma boa escolha. Imaginava a força do seu abraço, talvez teria um abraço quente, acolhedor e que fizesse com que, realmente, eu me sentisse bem nos seus braços. Imaginava domingos de solidão a dois regados de sorvetes, filmes chatos e discussões literárias. Chegava a me pegar alheio do mundo, muitas vezes, imaginando o belo casal que formaríamos. Sempre procurei a mulher ideal para mim, por isso tantas passaram pela minha vida. Imaginava que desta vez a minha procura tinha se encerrado e a minha eterna solidão estaria com os dias contados.

Decidi apelar. Nas minhas observações das mulheres consta que elas, por mais seletivas e boas que sejam, não aguentam ser ignoradas. Não aguentam notar que o homem que lhe faz tanto arrodeios, que tenta de todas as formas conquistar-lhe, simplesmente mude, torne-se frio como uma pedra de gelo. Pensam logo que há outra mais interessante no caminho. E se perdem no jogo.

Como era difícil não atender os seus telefonemas... Como era mortal ter que ligar menos. Meu coração batia forte, meus olhos enchiam-se de lágrimas, minha mão coçava, mas não. Mantinha-me numa disciplina mental fervorosa. De súbito, tomava-me o medo de que a apelação teria sido cedo demais. Esse tipo de estratégia só pode ser usada quando as peças do jogo realmente sabem em que posição estão. E se ela achasse que eu nunca quis nada sério com ela? E se ela desistir de mim e simplesmente responder meu gelo com mais gelo?

Mas ela pareceu desnorteada. Notei que a minha súbita mudança tinha a afetado. Ela me procurava mais e, em certo ponto, era mais direta. Pensei que o jogo estava ganho. Mas quando ela me atraiu de volta para ela e quando eu mais achei que tinha realmente vencido aquela interminável guerra é ela que muda. Torna-se fria, mórbida, gelada. Diz que quer ficar um tempo sozinha. Fico louco. Não durmo, não como, não vivo. Só respiro Maria, só vivo Maria, só penso Maria. Penso em me mudar, novos ares talvez seria bom, novas conquistas talvez me fizessem esquecê-la.

Então, quando eu menos esperava, ela aparece no meu apartamento. Sorri, daquele seu jeito infantil. Tomamos um bom vinho juntos, ouvindo as músicas que mais gostávamos. Vimos um filme. Quando de repente me vi nos seus lábios doces, senti que tudo aquilo que eu imaginava dos seus beijos era verdade. Chorando, ela me pede para parar de beija-la e diz que veio para se despedir, irá morar na França. Conheceu pela internet um homem lá e pretende casar com ele. Falou que achava-me um bom amigo, mas que eu não era para ela. Partiu para a sua nova vida. Deixando-me lágrimas e um beijo seu.

Quem eu sou?

Não descreveria em mil páginas
e nem em uma folha
Sou uma pessoa que um dia já amei e fui amada
já amei e não me amaram
não amei mas fui amada...
Já fiz loucuras e me arrependi
Vive momento feliz
e alguns tristes
já desperdicei oportunidades de viver um grande amor
Conheci grandes amigos
e péssimos colegas
já falei sem pensar
e machuquei algumas pessoas
já me apaixonei apenas por um olhar
já ganhei grandes presentes
de bons amigos
e ganhei também inimizades
por palavras mal ditas
e historias não esclarecidas
Já menti por menti
já menti para proteger alguém
Escutei coisas que não devia
E me magoaram por brincadeiras mal feitas
Sofri por uma pessoa que não me amou
Amizades que achei que fossem verdadeiras
mas eram falsas...
Resumo-me em poucas linhas
pois se for falar de toda minha vida
poderia escrever um livro...