Carta a um Amigo Especial
Sentimos todos! Essa ameaça sem nome tem se aproximado cada vez mais dos nossos corações. Vivo em um local de certa paz. Meus vizinhos são moderadamente calmos, até ouvirem a voz dele. E se eu te disser que Deus pode ter sido uma invenção humana? E se eu te disser que os verdadeiros demônios estão lá encima, no frio e sem vida, o espaço. Que habitam as águas do mundo, acreditaria em mim?
Pois é... a vil literatura do árabe nos disse quem são. Os verdadeiros donos desse mundo, o senhor dos Grandes viajantes de tempos imemoriais está aqui! Eu não consigo rezar, PRA QUEM VOU REZAR? Ele fala comigo, de onde pacificamente jaz. O rei do submundo flutuante está perto! Sob as montanhas espalha loucura, sob os vales fétidos de Dagon, ele vem. Meus filhos...minha esposa... São dele agora. Ele me pediu isso, ele me ordenou! Eu não queria! Minhas mãos apenas empunharam a lâmina que os entregou a ele. Mas seus sussurros não param. Eu posso ouvi-lo, eu posso senti-lo. O grande senhor dos Antigos está aqui! Meus vizinhos estão barulhentos agora. Afinal, não é muito difícil assustar um sanatório inteiro! Hahahaha
Ouço vozes em coro: "Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh Wgah'nagl fhtan."
Ele vem...ele vem...
Homenagem a H.P Lovecracft e um presente de noivado para um grande amigo. Daniel Santos, sei que as adversidades da vida nos distanciaram mais do que gostaria, mas com esse conto baseado em um dos seus escritores favoritos, eu eternizo meu carinho e admiração por ti. Um abraço tentaculoso e ancestral, amigo.
Felicidade é um desconhecimento.
Ela desconhece rosto, gosto, e entendimento.
Entorpece o lamento do homem, rejeita a incoerência e a compreensão alheia.
Felicidade é incoerente. É ser e fazer o que ninguém espera, o que não imaginam, fazer por si e nada mais.
Felicidade pode ser cruel. Pode indiretamente ferir de forma mortal, e fatalmente ceifar a razão.
Razão essa que pra ser feliz não tem espaço. Ser feliz é irracional. É a crença real de que o invisível e o impossível terminarão.
É a visão de que pra alcançar esse ideal, é preciso rejeitar as marés que virão.
Tenho sido constantemente tragado.
Me sinto um trago,
Um cigarro, desses fortes
Que contaminam o ar na fumaça
Que poluem por milênios com bitucas.
Um trago de bebida amarga
De raízes, de carvalho defumado
Um rum envelhecido e forte
Um whisky puro em dia muito quente.
Um trago de vida, e no vento
Observo atentamente as areias que escorrem.
Os grãos caem talvez mais rápidos
Sim, mais do que de costume.
Entre meus dedos,
Intragável, indiferente, irreversível.
Me sinto o fumo tragado
Um trago de bebida.
Quem me traga não é gente
Não o vejo, porém posso senti-lo
Nos ossos, na pele, no reflexo, no desespero.
Tragado pelo tempo.
Essa manhã eu faltei no café.
Como quem falta a escola, trabalho ou um compromisso do dia.
Falta é o que mais tenho feito, aos outros um pouco menos que a mim mesmo.
As vezes me sinto fino, apagado, desaparecendo aos poucos como a fumaça de um cigarro.
Queria dizer como estou bem, como o sol na janela constantemente me alegra, como as coisas dolorosas não me afetam.
Mas sigo infelizmente muito fiel a verdade, que não me permite compactuar com tantos absurdos.
Escrevo porque quero muito, na quantidade. Escrevo porque quero tanto, na necessidade.
Para que minha existência nunca falte.
"Samba de um Coração Silencioso"
Naquela manhã de fevereiro, o Rio acordou coberto de purpurina. O vento carregava restos de serpentinas e risos embriagados, enquanto Clara caminhava pela orla de Ipanema, os pés ainda marcados pelo salto que abandonara na noite anterior. Tinha vindo à cidade para escrever sobre o Carnaval, mas o Carnaval escrevera nela uma história que não saberia terminar.
Foi no Arpoador, enquanto o sol nascia tingindo o mar de mel, que ela o viu pela primeira vez. Rafael estava sentado na pedra, dedilhando um cavaquinho como quem conversa com o vento. A música era doce e triste, um chorinho que se misturava ao barulho das ondas. Ele usava uma camisa aberta, a pele dourada como se fosse feita da própria luz do Rio. Quando sorriu, Clara sentiu algo desabar dentro de si, como aqueles prédios antigos de Santa Teresa que se deixam engolir pelo mato.
— Você é estrangeira? — perguntou ele, em um português arrastado que a fez rir.
— Metade. Minha mãe é carioca — respondeu, mentindo sobre o frio que sentira no peito ao ouvir sua voz.
Nos dias seguintes, o Carnaval os engoliu. Dançaram na Lapa debaixo de arcos iluminados, onde o suor e o cheiro de cerveja se misturavam ao aroma de pastéis fritos. Rafael ensinou-a a sambar, as mãos dele firmes em sua cintura, os olhos brilhando mais que as lantejoulas de seu cocar. Clara vestiu-se de baiana, rodopiou até perder o fôlego, e em cada esquina ele aparecia com um sorriso e um copo de caipirinha gelada.
— Você é minha estrela — dizia ele, enquanto subiam os degraus de Santa Teresa, vermelhos como um coração aberto.
Ela não perguntou quantas outras "estrelas" haviam brilhado para ele naquela semana.
As noites eram quentes, mas havia algo frio nas pausas entre um samba e outro. Rafael falava de Salvador, de um amor que deixara lá, com a mesma voz suave com que falava do mar. Clara ouvia, fingindo que as palavras não doíam. Escrevia em seu caderno: *"O Rio é uma cidade que ri até de dor. Talvez por isso eu me sinta em casa."*
Na terça-feira gorda, enquanto o Cristo Redentor se cobria de névoa, ele a levou a uma rua deserta de Santa Teresa. As máscaras de Carnaval penduradas nas janelas pareciam rir deles.
— Clara... — começou ele, segurando suas mãos como se fossem de porcelana.
Ela interrompeu-o com um beijo, doce e apressado, como quem tampa um vulcão com um dedo.
— Não — ele sussurrou, afastando-se. — Minha alma ainda dança com outra música.
O bloco "Cordão da Mentira" passou naquele momento, com seus tambores abafando o silêncio. Clara riu, porque no Rio até a tristeza tem que ser disfarçada de folia.
Na manhã seguinte, ele partiu sem avisar. Deixou apenas um bilhete no café da pousada: *"Até mais, estrelinha."* Ela rasgou-o, misturando os pedaços às pétalas murchas que cobriam a rua.
Na despedida, enquanto seu avião sobrevoava o Pão de Açúcar, Clara abriu o caderno. Escreveu: *"O Carnaval é um amor não correspondido. A cidade te abraça, te beija, te faz sentir única... e no dia seguinte, te esquece. Mas talvez seja assim mesmo: o Rio não é de ninguém. E alguns amores são como o samba-enredo — brilham por uma noite, e depois viram cinza."*
O avião virou, e ela jurou ver, lá embaixo, um vulto de camisa aberta tocando cavaquinho na praia. Mas era só a imaginação, ou o jeito que o Rio tem de nunca deixar ninguém partir inteiro.
O Trem das Cinco e Quinze
Na Suíça, os trens são pontuais como o bater de um relógio de cuco. Foi às cinco e quinze da tarde, precisamente, que ela entrou no vagão carregando uma mala de rodinhas desengonçada e um livro sob o braço. Ele já estava lá, sentado próximo à janela, com os olhos perdidos nos Alpes que desfilavam como pinceladas brancas e cinzas. O sol de inverno, baixo e pálido, fazia o lago de Zurique cintilar à distância, como um espelho quebrado.
Ele a viu primeiro tropeçar no degrau do trem, recuperar o equilíbrio com uma risada abafada pelo cachecol vermelho. Ela se sentou diagonalmente a ele, dois assentos de distância. Entre eles, apenas o silêncio alpino e o leve rangido do trem nos trilhos. Até que, em algum momento após St. Gallen, ele perguntou, em um alemão hesitante, se ela sabia a que horas chegariam a Lucerna. Ela respondeu em inglês, com sotaque francês: "Você fala como quem decorou as frases de um manual ontem à noite". Ele riu, confessando que era brasileiro, um arquiteto em fuga de um projeto mal resolvido no Rio. Ela, por sua vez, era belga, pianista, voltando de um concerto em Viena onde havia tocado Chopin para uma plateia de casacos de pele e suspiros contidos.
No vagão-restaurante, dividiram uma garrafa de vinho branco suíço tão seco quanto o humor dela. Ele falou de linhas retas e concreto; ela, de escalas menores e metrônomo. Quando o trem atravessou um túnel, a escuridão os uniu mais do que a luz: naquele breu repentino, suas mãos se encontraram sobre a mesa de mármore, e nenhum dos dois soube dizer quem havia se movido primeiro.
Em Lucerna, desceram juntos, embora ela devesse seguir para Bruxelas e ele para Milão. Na plataforma número 3, sob o relógio que marcava sete e quarenta e três, ele lhe deu um cartão de visita rabiscado com o número de um hotel em Veneza. Ela lhe entregou uma partitura improvisada no verso de um mapa de trem, com notas que subiam e desciam como os trilhos que os haviam levado até ali. Prometeram escrever, ligar, encontrar-se na primavera. O beijo foi breve — um sopro de vapor no ar gelado —, mas suficiente para que, anos depois, ambos ainda se perguntassem se o gosto daquele momento havia sido de vinho, neve derretida ou simplesmente de *quase*.
Ele seguiu para o sul, onde o concreto de seus projetos ganharia raízes. Ela voltou ao norte, onde as teclas do piano a esperavam, frias e pacientes. Escreveram-se por um tempo, cartas que levavam semanas para cruzar a Europa, até que uma delas se perdeu no correio de Berna, e a outra, por orgulho ou cansaço, nunca foi reenviada.
Anos mais tarde, numa estação em Genebra, ele reconheceria uma melodia ao piano distante — *Nocturne op. 9 nº 2* — tocada por mãos que já não usavam anel. Sentado num banco, deixaria o trem das cinco e quinze partir sem ele, paralisado pela doce crueldade de um destino que os reunia apenas em segundas estrelas, estações erradas, e em todas as versões não vividas daquela tarde nos Alpes, onde o amor foi tão preciso quanto um horário de trem, e tão fugaz quanto o vapor de seu hálito misturando-se ao frio.
"A Chuva que Trouxe Você"
O Rio de Janeiro acordou coberto por um véu de nuvens cinzentas. A chuva fina, persistente, descia sem pressa, transformando as calçadas em espelhos que refletiam os contornos da cidade. Era um dia que parecia pedir café quente, janelas embaçadas e histórias para contar. Foi assim, entre pingos e esquivas, que Clara e Mateus se encontraram — ou reencontraram — na esquina da Rua do Ouvidor, no Centro.
Clara, de guarda-chuva vermelho desbotado e tênis encharcados, corria para escapar do aguaceiro quando tropeçou em uma poça. A bolsa escorregou de seu ombro, derramando livros e um caderno de esboços no asfalto. Antes que pudesse se lamentar, uma mão firme apareceu em seu campo de visão.
— Deixa eu ajudar — disse o dono da mão, um rapaz de cabelos cacheados e óculos respingados de chuva. Ele usava um casaco azul-claro, já manchado pela umidade, e um sorriso que parecia desafiar o tempo ruim.
Ela o reconheceu na hora. Mateus. Aquele colega de faculdade que sempre sentava no fundo da sala, desenhando nos cantos das folhas durante as aulas. Nunca haviam trocado mais que um "bom dia" tímido.
— Você... faz Arquitetura, né? — perguntou Clara, recolhendo um livro sobre Gaudí que ele entregou.
— E você desenha melhor do que qualquer um do curso — respondeu ele, apontando para o caderno aberto no chão, onde um esboço do Bondinho de Santa Teresa dominava a página.
A chuva insistia, mas eles pararam no meio da calçada, rindo da situação. Mateus sugeriu um café ali perto, no Largo das Artes, e ela aceitou antes mesmo que ele oferecesse dividir o guarda-chuva.
O lugar era pequeno, cheio de mesas de madeira riscada e o cheiro do expresso fresco. Enquanto secavam as mangas, a conversa fluiu como a água escorrendo pelas vidraças. Descobriram que ambos tinham o hábito de caminhar pela cidade nos dias chuvosos, colecionando detalhes invisíveis sob o sol: grafites escondidos em becos, o brilho das pedras portuguesas molhadas, o silêncio incomum da Praça XV.
— Acho que te vi uma vez desenhando no VLT — confessou Clara.
— Era eu! — ele riu, surpreso. — Você passou correndo com um casaco amarelo. Até tentei te chamar, mas o bonde fechou a porta.
O tempo lá fora parecia ter parado, assim como o relógio dentro do café. Quando perceberam, já era tarde, e a chuva diminuíra para um mormaço. Mateus acompanhou Clara até o ponto de ônibus, sob o guarda-chuva agora compartilhado sem cerimônia.
— A gente podia... fazer isso de novo — ele sugeriu, as pontas dos dedos roçando os dela ao devolver o caderno.
— Ficar encharcado e perder o ônibus? — ela brincou, mas seus olhos não disfarçavam a esperança.
— Não. Descobrir o Rio devagar, como se fosse a primeira vez.
Quando o ônibus chegou, Clara subiu os degraus sem saber se o calor no rosto vinha do café ou do aperto de mão prolongado que deixaram para trás. Na janela, viu Mateus acenando, até que a neblina e o trânsito o levaram para fora de sua vista.
Naquela noite, enquanto a cidade secava sob um céu estrelado, Clara abriu o caderno. Na última página, um desenho novo: ela, de guarda-chuva vermelho, sorrindo sob a chuva do Rio. E no canto, um número de telefone e uma frase: "Amanhã promete sol. Mas podemos torcer por outra tempestade."
Um amor ou um meio amor?
Amor que sinto com pouca e muita intensidade,
meio a meio, quase nada.
É isso que você faz me sentir:
muito amada, às vezes só desejada.
Um dia sou tudo,
no outro, sou nada.
Como sempre, quase nada.
Elogios ouço e leio como se fossem apenas palavras
escritas para preencher um vazio,
mas não sinto nada.
Quero presença,
quero atitudes,
que todos falam por falar ,
mas eu continuo sentindo:
amada, ou meia amada,
e tem dias em que sou quase nada.
A amizade (da minha parte)
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Intensos e satisfeitos.
E um repouso lento…
Tão lento que, dos amores, formou-se amizade.
Amizades — da minha parte.
Parte de quando finalizei na sexta,
E, em outra sexta, veio o recomeço.
E o ciclo se repete.
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Ardentes, ásperos, cortantes.
Agora, um repouso lento…
Tão lento que, de colegas, tornaram-se desconhecidos.
E o ciclo, inevitável, se repete.
O Toque Silencioso
A yoga entrou pedindo licença, com delicadeza,
um suspiro suave que toca a alma e a natureza.
Ela tem me guiado há anos, sem pressa,
todos os dias, ao tocar o tapete, uma lágrima se despeja.
É gratidão que transborda, silenciosa e profunda,
pois em cada movimento, a vida se refunda.
Com a leveza de uma dança, ela me ensina a ser,
a encontrar a paz, a quietude, a saber.
No tapete, sou inteira, sou sem fim,
mas é fora dele que a verdadeira prática começa em mim.
Ela me ensina a respirar, a viver, a olhar,
a ser fiel a mim mesma, a me escutar.
A yoga, como uma amiga silenciosa, se faz presença,
é amor e autoconhecimento, é pura essência.
Ela me guia, me molda, e me faz crescer,
para que, a cada dia, eu me descubra e floresça em meu ser.
Caminho Da compaixão
O animal é um ser único, cheio de luz,
Carrega em si o amor mais puro, que brilha e conduz.
Em um mundo cruel, onde o sofrimento é normal,
Eles nos ensinam a beleza de um amor sem igual.
Tirei-os do meu prato, com a promessa de nunca mais,
Meus filhos, no futuro, não saberão esse sabor tão fugaz.
Claro que ao crescer, farão suas escolhas com voz,
Mas estarei ao lado, para que compreendam a razão, e a voz.
Guiando os para ver, com olhos de compaixão,
Que todo ser merece viver, com respeito e proteção.
Como eu e você, merecem o direito de existir,
Com dignidade e paz, sem nenhum ser a se consumir.
Uma bela jaqueira no jardim
Um gramado bem verdim
Um cristo de braços abertos
Desejando bem vindos com muito carinho
Terraço arejado e bem quentim
Vista ampla de todo jardim
Porta larga da nobre jaqueira
Um janelão da mesma madeira
Uma sala que visita se esparra inteira
Um belo quadro da Santa Ceia
Uma foto grande da nossa pequena cachoeira
Móveis rústicos de igual madeira
Uma cozinha que todos saem de barriga cheia
Um armário pomposo de fortes prateleiras
Mesa e cadeiras da brava jaqueira
Conforto e belezoura que tonteia
Um banheiro que se amostra na limpeza
Um quartinho que parece um ninho
Descanso de José e seu benzinho
Reino de paz, amor e carinho.
Lá fora uma linda escada à direita
Dá gosto subir, nunca canseira.
Em cima mais dois quartinhos
Que João de Barros fez com muito carinho
Situada no centro de Chã de Areias
Próxima da igreja que o Santo José homenageia
Toda a cidade de Itaquitinga lisonjeia
Abrigo de todos para vida inteira
Há dois móveis de madeira
Que não é brincadeira
Um com amor é presenteado
O outro contra a vontade é comprado
Um traz felicidade que tonteia
O outro tristeza e cara feia
Um enche de paz e alegria
O outro de sofrimento e agonia
Um vem com futuro e pujança
O outro vai com sonhos e esperança
Um anuncia uma nova aurora
O outro avisa que chegou a hora
Um é luz e imensidão
O outro é treva e solidão
Um mostra que da terra viemos
O outro comprova que pra terra voltaremos
Um representa vida e nascimento
O outro demonstra morte e falecimento
Um construído em madeiras trabalhadas
O outro é feito tábuas mal serradas
Um é continuidade e perpetuação
O outro finda um geração
A cada dia que se passa
De um agente se afasta
E na mesma proporção
Do outro é a aproximação.
Morte te faço um pedido
Peço pra morrer em serviço
Desprezo o dia e a hora
Suplico apenas pela forma.
Que seja heroicamente!
Afogado numa enchente
Socorrendo minha gente
Asfixiado por fumaça
Doando oxigênio de meu recipiente
Soterrado nos escombros
Buscando sobreviventes
Queimado num incêndio
Protegendo inocentes
Sou Bombeiro
Pelo destino forjado
O pedido já foi feito
Esperando apenas o chamado.
Deus pegou Maria pela mão
José trouxe pelo pé
Para formar um casal em Nazaré
O resto do mundo aplaudiu de pé
Maria na certa não sabia bem pra que é
Mas o arcanjo explicou pra virgem de Nazaré
José na santa ignorância bateu o pé
Mas assumiu o papel de pai que é
Formando a Sagrada Família de Maria e José
Contemplando com a vinda de Jesus de Nazaré
A Família crescia em graça, sabedoria e fé
Sabe-se da chegada de outros filhos, mas não se sabe quais que é
José da arte da madeira sobrevivia
Maria cuidava dos afazeres do dia-a-dia
Jesus seguiu seu destino do jeito que a escritura dizia
Realizando a Santa Profecia
José morreu primeiro, cumprindo a ordem estabelecida.
Jesus foi crucificado, morto e sepultado, mas foi ressuscitado no terceiro dia
Maria da sua morte não se sabe a origem até hoje em dia
O mais comum é dizer o trânsito da Virgem Maria
Em um pseudepígrafo cristã
Foram 33 homens e 23 mulheres
Frutos do pecado da maçã
Num conflito de geração
Filhos e filhas deram continuidade
A família de Adão
Dez homens ficaram na contra mão
Esperando mais cem anos
Pela próxima geração
Seth e Azura iniciaram a confusão
Foi quando Adão de pai
Passou a ser o primeiro avô da criação
De geração em geração
O primogênito perdeu a ponta do cordão
Noé foi o último dos cristãos
Causando a maior confusão
Casam-se homens com homens
Definhando de uma vez a linhagem de Adão
Num certo dia
Num certo lugar
Um galo na goiabeira
Cantava pra se esfolar
Atrapalhando um belo casal
Que estava a namorar
O galo no seu fole a cacarejar
Acordava a todos daquele lugar
O namoro do casal que muito tempo atrasado estar
Aperreava-se com o galo a cantar
Vendo a hora a mãe da moça se acordar
Beijos pra lá
Beijos pra cá
Mãos acolá
Continuava o namoro sem parar
Mas antes das três
O galo resolveu se alevantar.
E, se, pois a cantar.
Demarcando o seu lugar
Ordenando as galinhas a se acordar
Demonstrando que estava ao casal invejar.
Insistiu tanto no seu cantar
Que sua dona fez acordar
Acabando o namoro que estava a melhorar
Depois desse dia e desse lugar
Onde houver um galo
Jamais irei passar
Nem tão pouco namorar
Missa do Galo pra mim vai se acabar
O Galo da Madrugada não irei mais brincar
A Torcida do Galo Mineiro vou vaiar
O horóscopo do Galo chinês vou rasgar
O Galo de Barcelos vou quebrar
E canja de galinha vou comer em qualquer lugar
Pra o galo pagar a raiva que me fez
Naquele dia e naquele lugar.
A PELEJA DO SAPO
Me falaram de uma história
Que minha imaginação
Não acreditaria
Falavam de um Sapo
Que um certo dia
A lua engoliria
Fiquei tão impressionado
E imaginando
Como isso aconteceria
Um Sapo tão pequeno
E a lua tão grande
Como ele conseguiria
Falavam que era noite
E o Sapo na lagoa
Pela Lua se apaixonaria
Vendo o reflexo da Lua na lagoa
O Sapo planejou um plano
Que logo em pratica colocaria
Dando um mergulho na lagoa
Com a boca bem aberta
A Lua, ele engoliria
Prosseguindo o plano da sua vida
Saltou pra dentro da lagoa
Bebendo toda água que podia
Bebeu tanta água
Que sua barriga pequena
Nunca conseguiria
Saiu da lagoa boiando
E passou semanas rolando
Por que saltar não podia
Coitado do Sapo
Recebeu uma lição
Para o resto da sua vida.
Certo dia um sujeito me falou: "Você só faz versos falando de Barbalha, Juazeiro do Norte, Tipi, Iara e Aurora". Foi nesse Cariri que nasci e me criei, aqui tenho meus amigos, meus ídolos, meu passado, minha história...Para que diabos vou falar de Nova York, se não conheço e nem quero conhecer?
Benê
Com a cara do sertão
Ao sol, o trabalho dia-a-dia,
A vida como de um ermitão,
Testa marcada toda em fatias.
Insolação no rosto, calos nas mãos,
Nada de mordomias.
Garantindo, com isso, o pão:
A fome que se irradia.
Na Xerófila verde do sertão,
O solo clamando chia,
Restos em decomposição
De uma vida sem harmonia,
Exagero que não é pouco,
Semelhança em sintonia.
Terra rachada como é o rosto,
Identidade de um povo,
No sofrimento um do outro,
A real face nordestina.
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