Carne
Sonho com um filé de carne grelhada. Mas, mais ainda, com a gravidade, esse estado maravilhoso que mantém a comida no prato.
Embrenhaste em minh’alma, como os ferrões que chagaram nosso senhor, penetraste em minha carne como a bala que perfura o aço.
Ai de ti, oh! Sentimento, pois te maldigo, porque corrói-me feito o câncer? Maldito sejas tu que me embriaga feito o ópio, que o criou? Oh! Imperfeito destruidor de almas. Acaso és maior que tu mesmo? Quantos corações e mentes ainda terão que enganar? Quantos ainda serão prosélitos a ti? Porque maculas o imaculado? Acaso falas da vida? Ou em vida pensas? A ti que outrora era chamado de sublime, que somente a plenitude queria alcançar. Morras só; ou porventura o mundo deve temê-lo? Agora, quem o criou? Tanta pujança por tão pouco, ou não serás tu, somente tu a quem tememos? Responda, oh! Incognoscível serás tu salvação ou perdição? Que dirá poeta que o escreves? Senão; que nome tem?
“O brilho do sol”
Resgatou o fio de esperança, a navalha na carne que fora minha lembrança.
Respeitou um pedido de misericórdia, levando para longe aquele triste dia de discórdia.
Iluminou o meu orgulho caído, deitado, esquecido, saciando a fome daquele que um dia andou desiludido.
Floresceu a força que nunca atrapalha, criando braços valentes dispostos àquela mitológica batalha.
Levou de repente a noite serena, palavras amenas,a lua que o céu iluminava,deixando uma fala pequena.
Lapidou aquela jóia barata de outrora, dando valor a pequenos pedriscos, detalhes perdidos; o vento lá fora.
Transformou a nascente por detrás daquelas rochas e hoje corro livre e desfaço as amarras de meus pensamentos.
''O QUE ME DIZEIS SOBRE A CARNE PERANTE A CARNE(?):
PUTREFAÇÃO DE CORPOS OU CORPOS EM EXPERIMENTOS.''
Ela é a resposta da promessa de Deus
Carne de minha carne, é minha vida
Suavidade e ternura, nos sonhos meus
Amor eterno, que me dá muita guarida
Faz muito tempo, não esqueço jamais
Sem ela, eu juro, não consigo viver
Até parece que os destinos são iguais
Essa mina eu hei de amar até morrer
Alma gêmea? Tudo é possível em nós
União e paz. Vida plena em nosso altar
Amor fecundo. No silêncio sempre a sós
A glória divina se manifesta no lar
A mina que eu amo é toda minha,
Desde o princípio, ela nasceu prá mim
No aconchego do lar ela é minha rainha
Entre nós perdura um amor sem fim
Verdade absoluta
A sede de prazer adoça a carne, vibrante, estonteante!
Abarca o céu num só grito!
Mas é chegar tão perto! Pois o longe continua distante e o mundo assim por descobrir!
A principal molécula,é a que faz de um pedaço de carne um bombeador de sangue,de uma massa cinzenta uma CPU gratuita e das tuas mãos uma máquina de alto ajuda...pois é construindo que se desfruta!
A terra consome a carne,mas os ossos ficam. A carne apodrece e os ossos permanecem,na frieza da pele o íntimo aquece. O que amedronta os mortais se não somente a morte? É o medo de enfraquecer, de ficar sem sustento, de se ver sem movimento. Existem ossos muitos fracos, aqueles que se quebram facilmente, mas isto por não terem a rigidez que merecem. Neste vale de ossos secos a mediocridade permanece, fazendo juz a insanidade que poucos desconhecem.Meus ossos me seguram quando meu corpo padece, na ilusão de uma morte eles não enfraquecem. É o esqueleto que dá forma, não o exterior que deforma. Quão a força que me segura sobre esse corpo inseguro. Tão uniforme a forma que me dar forma, tão sublime o ato que se tornou fato. Qual a palavra se não osso? Tão forte e seguro, tão imortal que só morre ao fogo, ao extremo não se vai , ao limite se constrói. Esses ossos
que me sustentam são os que me alimentam,tão completo e e incompleto, tão repleto de gestos.Tão sutil a palavra que o faz e tão forte a segurança q o traz.
"O caviar saboreado nos jardins e a carne-sêca digerida nas favelas, tornam-se amigos íntimos nas estações de tratamento de esgôto."
Suja minha carne com seu pecado, me enlouquece com teu corpo sarado, torna o amor uma obra do sarcasmo, mas não me deixa ficar sem o seu lábio conjugado.
DANÇA DE SALÃO
Eu te entreguei a minha carne viva
Eu te dei a minha face
Deixei você me conduzir nessa dança improvisada
De passos mal feitos e cheios de defeitos
E a estrada que tu me conduziste
Feriu os meus calos, tantos calos
Arrancou a casca da ferida ainda não cicatrizada
E você olhou para as minhas feridas
E ao invés de curá-las
Você continuou dançando
E isso foi arrancando e expondo ainda mais a minha dor.
O pior é que depois da dança,
Você não gostou das feridas abertas,
Disse que eu não sabia danças
E me deixou descalça no meio do salão.
Quem voltou não foi você você para cuidar de mim.
Foi justamente aquele que primeiro me feriu,
Que arrependido voltou de joelhos para me acudir.
Trouxe pomada e esparadrapo,
Me de novos sapatos
E me tirou do meio do salão
Me entregando de novo o seu coração.
A alma é algo estático enquanto não pode interferir nas coisas do mundo, a sede de carne é justamente quando quer interferir nas coisas desse mundo e no universo. A alma em si quer como a mente intervir e mudar tudo, conforme orquestra sua força de vontade... essa é a grande expressão da raiz de um homem.
Deus quis que nos unissemos, não somente pelos laços da carne, mas também pelos da alma...Então nos uniremos, não até que a morte nos separe, mas sim até o dia em que Deus, na eternidade, nos una novamente
A PROCURA
Há que ser
Do meu pensar
A dor
Que aflora
Da carne pútrida
A Morte
Os vermes inumanos
Vorazes cumprem
A sina prescrita
Por poderoso Senhor...
Alegra-me saber que o invólucro
Abrigo de meu Espírito
É embalagem descartável
Veículo de interação
Aqui na Terra
E que a ela
Tornará em pó
Enquanto a Alma voará
Espaços livres
Eternamente
Buscando nova morada
Reencarnando aqui
E acolá
Vivenciando a dádiva divina
Do existir perene
Driblando a Dor
Senhora dos Males
Buscando o Amor
Pelo Infinito...
NELSON VITOR PEREIRA
Publicado no Recanto das Letras em 16/04/2007
"Se somos corpo, alma e espírito, chegar a plenitude espiritual passa pela completude da carne, queimar essa etapa é furtar-se a si mesmo!"
Uma carne suculenta; O silencio predominava na sala escura!
Água na boa, minha alma e meu coração na bandeja será oferecida ao Rei
Minha pálida e triste face sussurrando suplícios lagrima regavam rosas negras postas ao meu lado
Queria poder lamentar aos demais deixados para trás sem mais escolhas você e sempre você será meu grande amor .
Te Amo!Eduardo
