Carne
Sinto este apocalíptico amor
cerzido em carne viva
no tecido transparente do osso
submetido a formas anatómicas
irremediavelmente inviolável.
A Sobrevivente e Espessa Lágrima.
A dor é uma ilusão de carne.
É uma abstinência à insensibilidade,
como um consumo que circula na alma.
O álgido olhar que consome a vida
alimenta-se da estrábica melancolia,
descerra o escudo da existência.
Golpes suspensos nas pupilas,
marcham exaustos e condenados
num acrómico álbum de sal.
Revolta-se um pedaço de esperança,
cospe o grito pungente na valsa do chão
e ergue-se a sobrevivente e espessa lágrima.
Fiel Solidão
Sinto as retinas repletas
de ilustrações vivas,
que pulam na minha carne.
Deslocam-se subitamente
nas minhas veias
ao sabor das visões da memória.
Fiz-me refém
neste ponto de tempo.
Sequestrado pela sombra do silêncio
abandonado por mim,
desvalido e requisitado
pela irreversível circunstância.
Agradeço-te fiel solidão.
Quando todos partiram,
tu nunca me abandonaste.
Há muitas almas estéreis. Dar vida na carne, não é dar vida na alma.
É um dissabor emocional necessitar de medidas e maturidades que delimitam as responsabilidades. Ser mãe, ser pai, ser criador, dar a luz, é um renascimento!
Depois do ventre, vem a gestação eterna da alma. Será pra sempre!
Por esta realidade, não podemos deixar as vendas dos olhos se tornarem máscaras. Quem não divide as medidas da vida, não merece as levezas da mesma!
Fugir da dor não é a solução. Enfrentá-la é a nossa missão. A carne é fraca, mas o espírito é forte. Salvar! Sertão Pernambucano.
A espada não cortava apenas carne — mas também a ignorância. Era um traço de luz em meio ao nevoeiro da mentira.
“A presença de Deus é percebida na desistência da carne, do desejo próprio, para fazer a vontade do espírito.”
"O pecado corrompeu o homem por influência do pendor da carne, o levando a ter uma repugnação pelas coisas santas de Deus."
