Carne
Não existe nada melhor
do que Paçoca de Pinhão
com uma boa carne assada
para deixar com água na boca
e com o coração derretido,
Você não precisa falar
nada que só de te olhar
sempre eu adivinho,
Algo me diz que você
que sei te deixar gamadinho.
Espetinhos de carne
fazem o Arraiá
para quem nele está,
E agradam sempre
e em todo lugar,
Se você não provou
o meu com
certeza irá adorar.
Com certeza você está
pela primeira vez apaixonado,
Imagina quando provar
a minha Carne de Onça
e o meu Barreado,
Vai se lamentar porque
não quis comigo
antes ter se casado,
A cada dia mais você está
querendo ficar bem grudado.
Vou te dar Paçoca
de Carne de Sol
na sua linda boca,
E derreter você
todinho é o quê
mais quero na vida,
Que eu sou louca
por você não nego,
Todos os dias tenho
sempre um novo
motivo para dizer
baixinho mesmo
longe do seu ouvido
o quanto te quero,
No seu coração é
certeza que eu habito,
e transforme a minha
poesia no seu vício fino.
Filé de todo
o tipo de carne
para saborear,
Filé também é
um jeito para
se cantar alguém,
Você escolhe
como se expressar.
A carne não tem forças,
Para vencer sua inimiga invencível,
Essa, criatura viva nenhuma,
Tem como fugir a tempo sua sorte,
A morte.
A minha imagem é viva
Ela jamais descansa,
A minha imagem é de carne
Ela jamais te cansa,
A minha imagem ferve
Ela não te dá descanso;
A minha imagem verte
Em cada um dos teus poros.
A minha imagem é presença,
Que traz consigo a sentença,
De prestar-lhe obediência,
É mais do que isso:
É emprestar a minha indecência
Fugidia de qualquer coerência,
Entortando-lhe até os ossos.
A minha imagem é malemolência
Feita de vidro quando estou longe,
E feita de papel quando estou perto;
Na tua mão sou página de livro,
Que se dobra, mas não se vira,
Sou o teu caso sério, admito.
Como páginas que não se viram,
Escrevendo inequivocamente
Juntos uma nova história no Universo.
O Véu da Incredulidade
Frágil humano, de carne e de medo,
Que tranca o mistério em baú de segredo,
Como podes andar sob o manto da lua
E negar a presença que a noite acentua?
Tu ergues cidades de vidro e de aço,
Medindo o vazio, ocupando o espaço,
Mas fechas os olhos quando o vento murmura
E ignora o que foge de qualquer moldura.
Como podes não crer?
Se a erva no pote ainda cura a ferida,
Se o círculo traça o sentido da vida,
Se há uma força que a mente não doma,
Perdida no tempo, num antigo aroma.
Não são só caldeirões ou chapéus pelo chão,
É o pulso da terra na palma da mão.
É a voz que sussurra quando o fogo se apaga,
A força ancestral que em teu sangue propaga.
És frágil, pequeno, num mundo de espanto,
E ainda assim negas o peso do encanto?
Pois saiba que o místico não pede licença:
Ele existe, humano, apesar da tua descrença.
Gostou do tom do poema ou prefere algo mais sombrio e folclórico? Se quiser, posso transformar esses versos em uma letra de música ou até gerar uma imagem que ilustre essa cena.
A espada não cortava apenas carne — mas também a ignorância. Era um traço de luz em meio ao nevoeiro da mentira.
As facadas nas costas machucam a carne e sangram, mas com o tempo sicatrizam Já as palavras proferidas na frente lançadas pela língua como setas envenenadas, essas uma vez lançadas não tem volta, matam a alma e machucam o coração deixando escorrer o pouco de amor que ainda restava dentro dele.
As fronteiras construídas entre a espécie humana não são territoriais. São fronteiras de carne, pele, estrato social e indubitavelmente de ignorância espiritual.
Sinto este apocalíptico amor
cerzido em carne viva
no tecido transparente do osso
submetido a formas anatómicas
irremediavelmente inviolável.
A Sobrevivente e Espessa Lágrima.
A dor é uma ilusão de carne.
É uma abstinência à insensibilidade,
como um consumo que circula na alma.
O álgido olhar que consome a vida
alimenta-se da estrábica melancolia,
descerra o escudo da existência.
Golpes suspensos nas pupilas,
marcham exaustos e condenados
num acrómico álbum de sal.
Revolta-se um pedaço de esperança,
cospe o grito pungente na valsa do chão
e ergue-se a sobrevivente e espessa lágrima.
Fiel Solidão
Sinto as retinas repletas
de ilustrações vivas,
que pulam na minha carne.
Deslocam-se subitamente
nas minhas veias
ao sabor das visões da memória.
Fiz-me refém
neste ponto de tempo.
Sequestrado pela sombra do silêncio
abandonado por mim,
desvalido e requisitado
pela irreversível circunstância.
Agradeço-te fiel solidão.
Quando todos partiram,
tu nunca me abandonaste.
