Caminho
Nem sempre surgem oportunidades em nossos caminhos, porém se vierem não podemos dispensá-las pois cada dia elas batem em portas diferentes.
Poema - Entre rosas e espinhos
Dificuldade é tanto
No caminho vou andando
Desviando dos obstáculos
Pra não cair nos buracos
Às vezes me sinto sozinho
Existem dois caminhos
Não posso cometer erros
Buscar o caminho estreito
Entre leões e gorilas
Uma batalha por dia
Ninguém disse que seria fácil
Mas precisa ser ágil
Em questão de segundos
Pode girar o mundo.
A vida é maravilhosa
Mas como a rosa
Existem espinhos
Arames pelos caminhos
Que machucam por dentro
Trazendo sofrimento
Transformado em poemas
Se tem problemas
Preciso resolver na prática
Aprendi na aula de matemática
Pegar as pedras jogadas
Construir uma estrada
Seguir o caminho
Entre rosas e espinhos.
Quem Aprende a Minha Música
Já dancei outras canções,
já troquei passos pelo caminho,
já ouvi ritmos diferentes
e aprendi a dançar sozinho.
Já deixei algumas melodias,
já recomecei sem direção,
mas há certas notas antigas
que ainda ecoam no coração.
E talvez seja esse o perigo:
quando o coração quer acreditar,
ele inventa novos sentidos
onde os olhos deveriam enxergar.
Por isso, talvez a dança mais difícil
seja manter os pés sobre o chão,
sem fechar as portas da alma,
sem transformar cautela em prisão.
Quero sentir sem me perder,
quero sonhar sem me enganar;
quero manter o coração aberto,
mas nunca deixar de enxergar.
Não procuro quem já saiba dançar,
nem quem conheça todos os meus passos.
Procuro quem tenha paciência
para descobrir comigo os compassos.
Porque não é sobre chegar pronto,
nem sobre saber qual nota tocar;
é sobre ter sensibilidade
para aprender onde meu coração faz morada.
Há notas que ninguém percebe,
silêncios difíceis de interpretar,
pequenos detalhes escondidos
que só quem realmente escuta
consegue encontrar.
Talvez seja difícil essa companhia,
alguém que consiga acompanhar,
mas talvez seja preciso enxergar além
da música que se pode escutar.
Porque há melodias que não pertencem aos ouvidos,
há ritmos que só a alma consegue ouvir;
e existem pessoas que não precisam
conhecer a canção inteira
para saber quando permanecer.
Já dancei.
Já aprendi novos passos.
Já ouvi novos ritmos pelo caminho.
Talvez só falte uma companhia
que não tenha medo
de aprender o meu ritmo.
Alguém que não tente conduzir sozinho,
nem queira me fazer mudar;
mas que saiba alternar os passos
e, quando a música mudar,
ainda escolha continuar.
Talvez a companhia certa
não seja aquela que sabe a coreografia,
mas aquela que, mesmo sem conhecer a música,
olha nos meus olhos
e diz, sem dizer:
“Eu aprendo.”
E então, quem sabe,
a música deixe de ser procura,
o passo deixe de ser dúvida,
e duas pessoas descubram,
no meio da dança,
que algumas melodias
não precisam ser encontradas.
Precisam apenas ser vividas.
Quando O Pensamento Encontra Você
No caminho de volta pra casa,
me peguei pensando em você.
E entre o silêncio da estrada
e tudo o que eu podia esquecer,
foi você quem veio aparecer.
Pensando que a vida ficou mais bela,
mais leve, mais bonita e sincera,
desde o dia em que você chegou,
desde o instante em que algo mudou,
mesmo sem saber o que começou.
Parece clichê falar,
parece clichê dizer,
mas quando meus pensamentos procuram paz e lar,
é somente pensar em você
que tudo volta a fazer sentido outra vez.
E talvez você nem saiba
o tamanho que isso tem.
Talvez nem perceba que, às vezes,
pensar em você me faz tão bem.
É curioso esse sentimento,
que chega sem pedir licença,
se esconde atrás de um pensamento
e se revela na ausência.
Porque quando o dia pesa,
quando a noite demora a passar,
é a lembrança do seu jeito
que faz meu coração sossegar.
E eu poderia chamar de acaso,
de carinho, amizade ou distração,
mas há coisas que não cabem em palavras
quando começam dentro do coração.
Você virou pensamento recorrente,
daqueles que chegam de repente,
sem hora, sem aviso, sem razão,
e deixam um sorriso no rosto
e silêncio no coração.
Talvez seja isso que me assusta:
você não precisou fazer nada.
Foi apenas sendo você,
e, de alguma forma inesperada,
fez a minha vida ficar mais encantada.
E se alguém me perguntar
por que penso tanto em você,
talvez eu sorria e desconverse,
sem saber exatamente o que dizer.
Porque existem sentimentos
que não gostam de explicação;
preferem morar no silêncio,
entre a dúvida e a intenção.
E talvez você nunca descubra
o que acontece quando penso em nós...
Mas, se algum dia perceber,
talvez entenda por que,
no meio de tantos caminhos,
meu pensamento sempre encontra você.
Porque no fim, talvez seja simples:
quando meu coração procura um lugar, é em você que ele encontra
onde descansar.
Orgulho.
Mesmo sabendo que todos os caminhos um dia irão dar com um beco sem saída, não espero que me venham abrir caminho para a etapa seguinte.
O amor verdadeiro e puro não busca prender nem mudar o caminho de ninguém; ele apenas deseja, em silêncio, que o outro seja plenamente feliz.
"Quem percorre os caminhos da existência descobre que compreender um coração vale infinitamente mais do que julgar uma aparência."
A CASA DO CAMINHO É A TUA LUZ INTERIOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O gadareno estava cego.
Não a cegueira dos olhos da carne, que já havia deixado para trás com o corpo abandonado na Terra. Era uma cegueira diferente, feita de saudades, de espanto e de esperança. Havia despertado além da morte e caminhava por estradas que não conhecia.
Procurava uma casa.
Uma casa que ouvira mencionar muitas vezes nas regiões espirituais. Diziam que ali habitava a mais sublime de todas as mulheres. Aquela cujo coração fora berço do Cristo. Aquela que os aflitos chamavam simplesmente de Mãe.
Maria.
Por isso caminhava.
Procurava a residência da ternura, o lar da compaixão, a morada da misericórdia.
Mas, quanto mais procurava, mais se perdia.
Foi então que ouviu passos.
Não viu quem se aproximava.
A cegueira ainda o envolvia.
Contudo, quando a voz rompeu o silêncio, algo estremeceu dentro dele.
Ah, aquela voz...
Aquela voz não era apenas um som.
Era um hino.
Era uma lembrança.
Era uma luz.
Era a mesma voz que, séculos antes, atravessara os gritos da loucura e alcançara o homem que vivia entre os sepulcros.
A mesma voz que ordenara às sombras que se retirassem.
A mesma voz que lhe devolvera a dignidade perdida.
O gadareno caiu de joelhos.
Não precisava enxergar.
Reconheceu.
— Senhor...
O Cristo sorriu.
E o velho peregrino, agora Espírito, perguntou:
— Mestre, procuro a Casa do Caminho. Procuro a morada onde se encontra Maria. Procuro essa residência desde que despertei deste lado da vida.
Jesus o contemplou em silêncio.
Depois apontou para o próprio peito do gadareno.
— Ela está aí.
O homem não compreendeu.
Então percebeu.
Havia uma porta.
Sempre existira.
Uma porta luminosa.
Uma porta que se abria para dentro e para fora ao mesmo tempo.
Mas ele jamais entrava.
Jamais saía.
Permanecia diante dela, indeciso, como quem teme descobrir aquilo que procura.
— Senhor, onde está a chave?
O Mestre aproximou-se.
Seus olhos continham a serenidade das manhãs eternas.
Sua voz tinha a suavidade das águas tranquilas.
Então respondeu:
— A chave é a paz.
E acrescentou:
— A paz que nasce da confiança. A paz que floresce do perdão. A paz que aprende a amar sem exigir. A paz que um dia coloquei em teu coração.
Nesse instante, o gadareno compreendeu.
A Casa do Caminho não era um lugar distante.
Não estava escondida em alguma esfera inacessível.
Era um estado da alma.
Era o reino interior que o amor de Deus edificava silenciosamente desde o primeiro encontro com o Cristo.
A porta abriu-se.
A luz inundou tudo.
E lá estava ela.
Maria.
Mas antes que pudesse avançar, percebeu outra presença.
Alguém já o aguardava à entrada.
O mesmo Mestre.
Porque toda estrada da alma, cedo ou tarde, termina onde começou:
Nos braços daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
E o gadareno finalmente entrou em casa.
"Não temas os caminhos incertos. O Espírito cresce precisamente onde a certeza termina e a fé começa."
"Foi quando tive medo de escolher um caminho que descobri que as estrelas não iluminam a estrada; elas apenas nos lembram de seguir."
"Se o caminho parece infinito, não conte os passos que faltam. Olhe para a estrela que brilha acima de você e continue andando. Não olvide o quanto já foi superado.É assim que os viajantes chegam aos lugares mais bonitos."
CHEGASTES ATÉ AQUI.
Tu já percorreste tantos caminhos. Não, não é da idade que falo. Falo das braçadas que deste contra as correntes revoltas do oceano da existência. Falo das tempestades que enfrentaste quando ninguém via. Das noites em que o coração parecia um campo devastado. Das manhãs em que te levantaste sem vontade, mas te levantaste mesmo assim.
E chegaste até aqui.
Parece simples dizer isso, mas não é.
Chegar até aqui é um feito silencioso.
Neste exato momento, enquanto teus olhos percorrem estas palavras, reflite: o que significa este instante?
Este momento é o ponto de encontro entre tudo o que viveste e tudo o que ainda viverás.
Aqui estão reunidas as tuas derrotas e as tuas vitórias.
Aqui estão as lágrimas que derramaste por dores que pareciam eternas e aquelas poucas, porém preciosas, lágrimas de alegria que a vida te concedeu como flores nascidas entre os escombros.
Aqui estão os sonhos que se realizaram e os que ficaram pelo caminho.
Aqui estão as despedidas que dilaceraram tua alma e os encontros que devolveram luz aos teus dias.
Tudo isso vive neste instante.
Tu vieste do ontem.
Um ontem que já não pode ser alterado.
Um ontem que te feriu algumas vezes, mas que também te ensinou.
Um ontem que te roubou pessoas, ilusões e certezas, mas que, em compensação, entregou-te experiência, sensibilidade e profundidade.
E agora estás aqui.
Respirando.
Pensando.
Sentindo.
Existindo.
Talvez não da maneira que imaginaste quando eras mais jovem. Talvez carregando cicatrizes que ninguém conhece. Talvez ainda procurando respostas para perguntas que a vida nunca respondeu.
Mas estás aqui.
E isso possui uma grandeza que muitas vezes esqueces de reconhecer.
Teu amanhã chegará.
E quando chegar, provavelmente encontrará os mesmos céus, os mesmos desafios, as mesmas responsabilidades e muitos dos mesmos valores que hoje orientam tua caminhada.
Contudo, haverá uma diferença inevitável:
Tu já não serás o mesmo.
Nenhum ser humano atravessa um único dia sem ser transformado.
Mudam-se as idades.
Mudam-se os pensamentos.
Mudam-se os sonhos.
Mudam-se as prioridades.
Mudam-se as dores.
Mudam-se até mesmo os amores.
Mas existe algo que permanece crescendo silenciosamente dentro de ti:
A vastidão que construíste através de cada escolha.
Cada renúncia.
Cada gesto de bondade.
Cada erro reconhecido.
Cada perdão concedido.
Cada vez que decidiste continuar quando desistir parecia mais fácil.
A verdadeira riqueza de uma existência não está naquilo que ela acumulou, mas naquilo que ela se tornou.
Por isso, não te diminuas.
Não te definas apenas pelos fracassos.
Não te condenes pelas quedas.
As montanhas não são feitas apenas dos seus cumes. São feitas também dos vales, das fendas, das pedras quebradas e dos precipícios que as compõem.
Assim também és tu.
Uma obra em construção.
Uma alma que ainda aprende.
Uma consciência que ainda floresce.
Um viajante que continua atravessando estradas visíveis e invisíveis.
Se hoje estás cansado, descansa.
Se estás ferido, permite que o tempo e a esperança trabalhem em teu favor.
Se estás desanimado, recorda quantas vezes acreditaste não conseguir prosseguir e, ainda assim, prosseguiste.
Olha para trás não para viver no passado, mas para contemplar a distância que já percorreste.
Olha para frente não com medo, mas com a serenidade de quem já sobreviveu a inúmeras tempestades.
E, acima de tudo, honra este instante.
Porque a vida acontece aqui.
Neste exato momento.
Neste respirar.
Neste pulsar.
Neste pequeno fragmento de eternidade chamado presente.
E enquanto houver um único sonho em teu coração, uma única semente de bondade em tua alma ou uma única centelha de esperança em teu espírito, tua jornada continuará possuindo sentido.
Portanto, segue.
Com lágrimas, se for necessário.
Com passos lentos, se assim precisares.
Mas segue.
Porque a história que te trouxe até aqui é prova de que existe em ti uma força muito maior do que imaginas.
E a vastidão que construíste ao longo da caminhada ainda não encontrou seus limites.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A vida é curta e sempre dará dois caminhos para serem seguidos. Então, busque sempre o melhor de você, para você.
A roleta vai girando
Qual roda da vida
Um conto de fadas
Uma Estrada Florida
ou Caminho difícil
Lamacento
Tudo é vida
e nada funciona
Cem por cento
Se não choverem flores
No teu caminho ruim
Faça acontecer
Mesmo assim
A vida é e sempre será
Uma jóia muita cara
Mas alguns de nós
Precisam saber
A maneira correta
de a lapidar
Um dia a roleta pára
No início
ou no fim
E tudo que restar
Medos e segredos
Guardados e esquecidos
Sob a égide de uma lápide
E, talvez
Algo muito bonito
Esteja escrito ali.
Edson Ricardo Paiva
