Caminho
Quase sempre que saio de casa
Quase nunca levo a chave
Pode ser que em algum caminho
Eu encontre a nave que me leve
E nela esteja a chave de lá
Vou vivendo de alma leve
Até que ela se livre de mim
E que se lavre nos boletins da vida
Que a minha chegou ao fim
Pode ser, quem sabe
Que a vida se agrave
Até que o tempo escave em meu rosto
Muitas marcas dessa passagem
A cada vez que vou pra rua
Peço à chuva que lave-me a alma
E dê-me calma
E ponha lama eu meu caminho
Pra eu pisar
E que de preferência
Eu esteja descalço
Como eu fazia
Nos velhos tempos
de alegria e felicidade
Em que eu corria pelas ruas tortas
E as enxergava todas retas
A chuva e o tempo lavaram-me os olhos
Agora eu sei que é torto
Aquilo que é torto
E por isso nunca levo as chaves
Pois pode ser que não haja volta
E eu nunca mais precise
Abrir outra porta
Outro dia, a caminho do nada
Cara amarrada, coração fechado
de repente olhei pela janela
Não estava longe e nem perto
Estava exatamente onde tinha que estar
Um lindo Campo de Flores Amarelas
Até hoje eu me pergunto
Que flores seriam aquelas
Sem perceber, quando dei por mim
de repente eu já sorria
Uma simples paisagem
Alguma coisa muda na gente
E acaba por mudar tudo no dia
Eu não criei, nem ao menos tentei
mas tento não perder
Essa mania que há em mim
de enxergar a beleza
Que existe nas menores coisas
Isso sempre me causa
Uma sensação muito boa
A vida sempre se encarrega
de fazer algo que dói
Mas, por mais que a vida doa
Eu creio que não seja esta
A intenção ou finalidade
Mas, sim, aprender a enxergar
Sempre beleza e qualidade
A vida existe pra que a gente
Saiba sempre abrir o coração
e se deixar invadir pela alegria
E levar sempre pra casa
Um pouco dela
Ao final de cada dia.
A vida repleta
de caminhos incertos
todos eles livres, abertos
A quem queira caminhá-los
A única opção inexistente
É aquela que eu tanto queria
Pois hoje ainda não é o dia
Em que eu finalmente
Estarei, enfim, ausente.
Aqui, todos caminham corretos
Exceto eu.
Nenhum ser é tão abjeto
Quanto eu.
Ninguém trilhou um caminho
Tão incompleto quanto o meu.
O dia nasce
por mais que durante a noite
Eu tenha pedido ao tempo
Que ele parasse.
Os pássaros que voam
Não mais voam por mim,
Nem as nuvens que tapam o Sol
Fazem sombra sobre mim
Mas Deus põe a mão no meu ombro
E me Diz que, por ora
As coisas tem que ser assim
Isso vai buscar, enfim
Em meu âmago absorto
Um sorriso escondido, guardado
Fingindo morto
E eu vejo a manhã de hoje
Como se hoje fosse o amanhã
Que há muito tempo eu espero.
Meu pensamento
é minha verdade
Todo meu caminho
eu tenho feito
Deitando remendo
de linho novo
Eu só aceito a noite
Se o candeeiro
de aonde me deito
Me alumia
Qual se fosse
a luz do dia
A vida tem me feito
Muitos cortes
Mas eles se curam
antes do cantar do galo
de sorte que eu sempre posso
Prosseguir no meu caminho
Mantendo firme
O meu pensamento
Eu fiz minha casa
De vidro e cimento
e cavei no terreno
meu poço bem fundo
Meus calos
na terra dura
me tem garantido
minh'água mais pura
Meu quintal
Me dá fruta madura
Meu sonho tem dado
a paz da noite escura
Sob a luz do candeeiro
e o pensamento sereno
água pura no meu terreno
a noite escura
e a fruta madura
e a paz no meu dia
e o candeeiro
que a tudo alumia.
Talvez eu esteja
Já a meio caminho
daquele lugar
Onde todo Mundo um dia
Precisa chegar
Mas não há como saber
Eu bem que gostaria
de quem sabe...não ter vindo
Pois olhando à minha volta
Me vem a clara impressão
de que estamos voltando
Parece que estamos perdidos
Carecendo de um Norte
ou de um Oriente
Navegamos desorientados
Ao sabor da própria sorte
a confiar na própria astúcia
Enquanto a tempestade não chega
e o lobo não vem
Talvez eu esteja a meio caminho
Mas acho muito mais provável
Que o lugar não seja este
Nem a estrada seja esta
Existe algo escondido
Diante de mim
Diante de nós
Distante de todos
E enquanto não o sabemos
Vivemos, aparentemente juntos
Mas no fundo, todos já percebemos
O quanto ainda nos sentimos
Meninos perdidos
Almas sós.
Outro dia eu estava triste
pensando nas coisas
que deixei de viver
ou abandonei pelo caminho
arrastando os pés, sempre sozinho
quando vi dez meninos brincando
Deslizavam sobre um muro
braços abertos
fingindo aviõezinhos
eu sorri com aquela esquadrilha
alvejando o coração deserto
deste velho menino passante
acordei num passado distante
aconteceu de as bombas
de contagiante alegria
me acertarem o coração
e então, naquele dia
e eu pude ser menino
por mais um instante
o homem seguiu adiante
chato que era
o menino subiu no muro
foi brincar de bombardeiro
na triste tarde de primavera
nem todo dia é possível um sorriso
mas há dias em que é preciso
irremediavelmente necessário
simular inexistente alegria
verdadeira, na tarde daquele dia
nas noites em que acordo assustado
e o eu-menino, que ainda vive do meu lado
levanta-se sem medo do escuro
e vai mais uma vez
ser o décimo-primeiro menino
a abrir as asas
e voar por sobre o muro
O trêm partiu
e mesmo sabendo
que o caminho
já esta traçado
você nunca esteve lá
Ele voltou vazio
Voce embarcou
e agora sente frio
o mesmo frio
do qual fugia
vai guardando a paisagem
na retina
Colinas, campos,
chuva fina
dias de Sol
e tempestades
Ontem era muito cedo
hoje é tarde
Se a viagem
apenas te sujasse
estaria tudo bem
Mas o tempo
a tudo encarde
Não há retina que guarde
tantas paragens
pode até parecer muito
mas é uma só viagem
é uma estrada só
onde você embarca,
viaja, deseja, teme, treme, geme,
espera, desespera, dança e se cansa
só.
Desejo que a partir de hoje
Em nossos caminhos haja somente
A luz do Sol, Flores, amores de todas as qualidades
Dias felizes, solução para todas as crises
E uma cadeira de balanço
Nos finais de tarde
Eu vejo a luz do Sol descendo
Iluminando, aquecendo e clareando
A Terra, as raízes e as pétalas das flores
Eu vejo flores
A enfeitar nossos caminhos
A perfumar, A ornamentar, A tornar muito mais belas
A minha vida
A sua vida
E as vidas de todas aquelas
Pessoas que até a pouco tempo
Por viver uma vida de dor
Havia há muito
Se esquecido de algo que sempre vem por cor
Nos caminhos cinzentos pelos quais passávamos
Caminhando em silencio
Antes que os pássaros acordem
E uma cadeira de balanço
No final da Tarde
Eu quero que estejam bem próximas
As manhãs felizes
Que todas as nossas vidas merecem
Que esteja em nossos caminhos
O maior número possível de notas máximas
Que as pessoas que amamos
Estejam sempre bem pertinho
E que nunca recusem-nos abraços
E que possamos apoiar-nos
Uns aos outros
Na realização de cada passo desta dança
Que nos venha sempre
Aquele sonho de criança
Mas que venha sem fazer alarde
E que haja sempre uma cadeira que balança
Onde possamos nos sentar e gargalhar
No final de cada tarde.
"A maior pandemia do mundo
é ter esquecido o caminho
pro lugar do outro"
Livro: (Sol Em Noite Fria)
A História passada
Há coisas certas
Pelos caminhos equivocados
Tortuosos
Fatos ocorridos neste mundo
Lembranças esquecidas
Que não passam de segundo
A mentira é coisa eterna
Por sua própria natureza
Resta-nos, sem sombra de dúvida
A dúvida, a infernizar as nossas vidas
Busque uma razão e sentido
Em tanto tempo perdido
Tudo expira
Utilize a qualidade
da felicidade que lhe chegar
Antes que lhe expire a validade
Ela pode perdurar por uma vida
Quando bem cuidada
Seja você
O bem que quiser ter
Não permita nunca mais
Que o mundo te obrigue
Ser o que te mandam
Olha ao teu redor
E simplesmente veja
A Lua que à noite te beija
E o Sol que te corteja, ao longo do dia
A vida, enfim
Não pode ser somente
O que te disseram
Que era
Remédio sem cura
Não era
Toda dor
Perdura pelo tempo estipulado
O permitido a mais que isso
É de bom grado, mais nada
Não se esqueça
de fechar as portas ao sair
e deixa ali teus infortúnios
e tristezas
Melhor viver alguns segundos de alegria
A séculos de pura melancolia
Depois de passados
Não lhes resta
Sequer um segundo
E agora viva
Talvez ainda reste algum tempo
Seja feliz
Edson Ricardo Paiva.
Eu gosto de andar sem rumo
Mas eu sempre guardo o caminho
E quando sozinho, imagino
O que será que eu poria no meu destino
Se acaso eu pudesse ser Deus
Pois sei que minha vida aparenta
um caos
E que toda escuridão do mundo
Não esconde os meus passos
E agradeço a Deus
Por não permitir
Que eu tropece
Quando caminho
Sozinho e sem rumo
No prumo dos Seus escritos
Traços tortos
É o preço que a vida exige
Pra gente poder
Caminhar descalço
No passo da dor, que corrige
E sempre guardo o caminho
Sabendo que não vou voltar
Confesso meus medos
Ao ar que me rodeia
Assim me acostumo
Como de costume
A manter-me no rumo
Distante de o Saber
Imagino
Quantos sonhos sonhados
Será que seriam meus
Quantos passos apressados
Ficaram guardados na areia
Qual a luz verdadeira
das luzes que vejo
Desvenda a verdade distante
E me pergunto
O que será que eu deixaria
Em meu caminho
Se eu tivesse a qualidade
de pensar o que pensa Deus
Por um único instante.
Edson Ricardo Paiva.
Há sinais, que sós
A se deixar ficar
Pelos caminhos vão
A vida foram promessas
Essas
Foram quebradas
Muitas
Antes mesmo de ser prometidas
Mas somente a parte
Que me foi cabida
É igual mirar o Sol
Pra não ver sombras
O mundo equilibrado
Num barbante
Que no instante seguinte
Não parece forte
Difícil saber
Que desde o princípio
Essa previsível
ausência de força e de norte
Não podia ser sabida
A verdadeira escuridão
Que é viva e só
no pensamento
E cega tanto quanto a luz do Sol
Há sinais
Que vemos
Se estamos sós
E sinais que não se lê
Sigo sozinho
e sei somente
Impossível
Buscar em nenhum horizonte
A fonte de luz
Que poderá satisfazer
Plenamente
O monte de escuridão
Dentro nascida
Lento é o movimento
A palavra
Que não quer
E nem pode ser ouvida agora
Espera e depois ela volta
Um dia
O silêncio que se fez forçado
Há de iluminar mais claro e alto
do que todas as palavras juntas
ouvidas
ao longo da vida
Toda escuridão
Que nasce dentro
É fera
Que corrói o tempo
e dói a alma
de forma
Que um dia, lá no futuro
A voz que vem do escuro
desespera
e por isso ela grita.
Edson Ricardo Paiva.
Era estrada de caminho incerto
Incerteza que andava por perto
Andava, que...por ser caminho
Se chamava estrada
Ao contrário, que se pressupõe
Era sim, um caminho
Mas era apenas ida
Com pequenas diferenças
Havia lances de escada
Faces largas e falsos sorrisos
de cara cansada
Mais nada, além do preciso
Havia chovido e ressecado
E também de vez em quando
Tinha gosto de pão amanhecido
Com cor de aquarela
Dependia da luz
Vez em quando, desbotada
E bela no instante seguinte
Não falava nada
E também não era bem ouvinte
Era pressa, era espera
Era uma fera
Dessas, que parecem mansas
Que nem gente velha
de tão velha despertou pra vida
Cuja experiência
Convida a ser criança
Parece até que não pensa
Mas pensa
Bem mais que se pensa
E não se arrepende
Parecia justiça
Parecia que era
Só não digo que era
Porque era brasileira
E não pendia pros lados
Portanto, a chamo de estrada
Por enquanto é tudo
Mais nada.
Edson Ricardo Paiva.
"Não era uma espera
E nem primavera sem Sol
Não era pela pedra no caminho
e nem no sapato
Não era pelo fato de a via ser de dupla-mão
Não, não era
Porque por ela, só ia
Não era a linha solta e nem cruzada
Não, não era nada
Era por causa da vida
Porque era isso que era."
Edson Ricardo Paiva.
Todos os caminhos
Todos eles levam pra lugar nenhum
E em nenhum lugar existe
Uma estrada que te leve
Uma estrada leve
Que te leve à infância
Nem por breve instante
Nem que fosse só
Pra sentar-se novamente só
No espaldar lá da varanda
E olhar de novo o não passar da banda
Nem que fosse só pra olhar o trem
O trem do tempo
O trem que vem lá da distância
O trem que vem do nada
E leva ao nada
Nada nunca vai levar
A gente a trilhar de trás pra frente
A velha estrada
Que nos leve novamente à infância.
Edson Ricardo Paiva.
Errante
Da a raiz à semente
Se a semente à raiz
O caminho é igual
Não semelhante
Quando o tempo é o juiz
Por nenhum instante
Ele se fez ausente
Evidente
Que evidência
Teus olhos ocultam
Cega a mente
Desejoso orgulho
Ego orbitante
Cegamente
Organizadamente
Um nome em dourado
Atestando
Emoldurado ignorante
Desconhece
Ao ciclo da semente
Que segue a corrente
Com simplicidade
O caráter se revela
Quando a última porta
For fechada atrás de si
Jamais, somente
Quando alguém o vir
Não pelo preço
Tendo o engodo
Um ornamento
Adereço
Não me esqueço
Que eu
A mim mesmo
Vejo o tempo todo
E não faço
A semente termina
Na semente
Água turva
Se decanta
Cristalina
O céu desaba
O lugar onde é o começo
Invariavelmente
Onde tudo se acaba.
Edson Ricardo Paiva.
Simplesmente.
Tava aqui, pensando
Se será que vale a pena
Esquecer o caminho
A jornada
Alegria adiada...odiada
Alegria por nada
Que eu sentia, sem sê-la
Tava eu aqui, me lembrando
A criança serena que eu era
Sem medo do desconhecido
E o que eu mais queria
Era só poder me aproximar do céu
Nem pedia que tivesse estrelas
Se ele acaso não tivesse
Se, por certo, fosse o céu
Me bastava olhar de perto
Nem que fosse só por breve instante
Mas o tempo tem seu prazo
Mesmo sendo o chão deserto
É preciso sempre um novo passo
Passo a vez, sigo adiante
Tanta dor danada que te dói na vida
Que acontece quando a gente
Já não pode fazer nada
A pressa obsessiva te atravessa
Quando a gente para e olha
Folha em branco era um barco à deriva
Assim se faz os caminhos
Tantas vezes
Passar a vez e seguir
Numa condução qualquer, que te sacode
A caminho de alguma ilusão
Que tem cara de alegria
De balão que explode em coloridos
Mas, se a gente não puder vivê-las
Não terá sequer vivido
Não, não vale jamais a pena se esquecer
De nenhum caminho percorrido
Alguns, simplesmente para não trilhá-los nunca mais
Outros, por saber que te podem levar
Novamente à presença
Da criança sincera e serena
Que sabia como segurar estrelas
Em seu par de mãos pequenas
Que podia estar perto do céu
Porque o céu era ela
Num tempo de pura alegria
Até hoje ela jura
Que o era
Por jamais ter pretendido sê-la
Simplesmente era a vida
Acordava e a vivia.
Edson Ricardo Paiva.
Os caminhos da vida.
A vida traz ocasiões
Em que o fogo
É algo que se apaga fácil
É coisa que logo passa
Todo mundo o esquece
Como o céu vermelho, na tarde de inverno
A vida traz muito mais
No desejo de uma paz inatingida
Que se busca de olhos abertos
Num reflexo de espelho
Igual à luz
Da qual você também pensa aproximar-se
Mas, se pudesse olhar pra trás
Talvez sentisse medo
Dessa sombra que se multiplica
A vida tem ocasiões
Onde as luzes se apagam
A vida tem também seus pássaros
Eles nascem novos todo dia
Eles não tem passado
Tem também sorrisos
De onde muitos rostos eles foram
Simplesmente impedidos de existir
Tem também seus caminhos e escolhas
Repletos de flores
Tem ninhos, tem dores e folhas mortas
E fogo difícil
Chuvas simples, que se tornam tempestade
e ninguém vê...mas elas chegam
Junto aos céus azuis
Quando o vê já é muito tarde
É tarde vermelha de outra estação
Num reflexo de espelho
Mas a vida foi vivida tantas vezes
Parecendo coisa nova todo dia
Quando você vê
Vê também não ter passado
Porque esteve com os olhos fechados tanto tempo
Que julgava toda escuridão ser luz
E julgava e julgava e julgava
No desejo de uma paz nunca alcançada
Mas agora é que percebe inexistir retorno
Só caminhos e escolhas
e folhas sem vida
Que também viveram, sem pensar em nada.
Edson Ricardo Paiva.
A flor.
Ficava ali, no chão do caminho
E todo dia eu passava por ela
Era apenas uma flor, sem cor definida
Entre outras tantas
Não sei dizer quantas
Pode ser, fossem centenas
E eu também era criança, igual a ela
Entre outras muitas, iguais a mim
Num mundo de tantas coisas sempre iguais
A simplicidade as faz diferentes
Não sei por quê
Meus olhos se acostumaram
Olhar pra ela, exatamente
Passado o tempo, é como estar ciente
De quanto a fantasia não se distancia do concreto
De fato, não tinhamos procurado
O ângulo correto para olhar
Mas tudo tem seu lugar
Precisamos encontrar o nosso:
Em muitos casos, que não seja perto
Creio que em tudo na vida
A gente continua sendo sempre assim
Uma casa com jardim, numa grande avenida
Um momento que parece assim; desimportante
Que se repete momentaneamente
Ao longo de toda uma jornada
Que, ao final, se tornará também desconhecida
Uma simples coisa, entre outras tantas
Algum caminho do passado
Onde ninguém jamais voltou
Nem voltará
Nenhum agosto e nem setembro serão eternos
Hoje, olhando esses momentos à distância
Compreendo perene, a inconstância
Mas, alguma coisa permanece
Ali, parada no chão do caminho
Como simples lembrança
A ser replantada, com o carinho da imaginação
Talvez, tornar de alguma forma
Um tantinho assim, mais leve
O caminho, a jornada
Que, ao final terá sido
Breve como flor.
Pode ser que o Criador
Com o amor de quem se recorda, nos replante
Num jardim gigante, onde seja permitido
A criança sair da fila, a caminho da sala de aula
E sentar-se à borda do jardim, pra dizer àquela flor
Que, pra mim, ela era importante
e seria pra sempre lembrada.
Edson Ricardo Paiva
Escolhas.
Quando surge outro caminho
Quando finalmente alguém
Encontra uma saída
Uma trilha, uma senda, uma via que envereda
Aparece sempre outra estrada
Essa, indiferente, estava ali, presente
Apesar de ser uma queda
Talvez, por isso, jamais urgente
Mas, agora que existe opção
Ela parece atraente.
Edson Ricardo Paiva
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