Caminhar
Manuscrito: O Que É Ser Humano
Ser humano é caminhar em direção ao fogo, mesmo sabendo que ele pode nos consumir. Não o fazemos por glória ou por ganância, mas porque lá, no meio das chamas, pode haver uma vida que amamos. Um rosto desconhecido, um choro de criança, uma mãe esperando seu filho, ou até mesmo um inimigo rendido. E por mais contraditório que pareça, é por esses que somos capazes de morrer.
Somos a única espécie que caminha até a morte de livre vontade, não porque queremos morrer, mas porque aceitamos a possibilidade da morte se ela significar salvar algo ou alguém. Esse traço suicida é, paradoxalmente, o que mais define nossa humanidade. Seguimos para o inferno com a esperança de encontrar o paraíso depois. E quando tudo parece perdido, ainda lutamos, mesmo que não haja mais armas, mesmo que não haja mais forças. Lutamos com os punhos, com os dentes, com a vontade.
Na guerra, descobrimos duas faces da mesma moeda: a monstruosidade e a irmandade. O caos nos revela o pior que podemos ser, mas também o melhor. Unimo-nos por sobrevivência, por amor, por lealdade. Inimigos de hoje tornam-se aliados amanhã, e às vezes, pelo bem maior da vida, fazemos acordos com o próprio diabo. Mas nem ele pode nos controlar, pois há algo que nunca se pode roubar: nossa alma.
Há momentos em que o sacrifício parece ser a única opção. Pular no arame farpado para que o outro passe, dar a vida por uma criança, uma mulher grávida, um animal indefeso. Mas também aprendemos com o tempo que coragem não é só se sacrificar. Coragem é encontrar uma solução quando todos vêm apenas o fim. Como disse um certo herói: “Não pularia no arame. Eu cortaria ele.”
E ainda assim, mesmo com toda essa força, há dias em que pensamos em desistir. Que pensamos em nos matar. Mas então, uma voz nos lembra: se eu me matar, não estou tirando só a minha vida. Estou destruindo aqueles que me amam, estou roubando suas esperanças. Quem sou eu para fazer isso? Sou humano. Sou parte dessa espécie imperfeita, cruel, mas também cheia de luz. Uma espécie onde alguns preferem ficar calados, mas outros dão tudo o que têm para ajudar alguém. E são esses poucos que ainda podem salvar a humanidade de si mesma.
Somos caos e ordem. Se tirarmos o caos, a vida perde o sentido. Se tirarmos a ordem, mergulhamos na barbárie. Mas no equilíbrio entre os dois é que vivemos. E mesmo que um dia sejamos escravizados por uma raça superior, basta que um de nós descubra o que é esperança. Uma fagulha. Uma centelha. E tudo mudará. Pois às vezes, enfrentamos até mesmo os deuses por nossa liberdade.
Quando tudo está perdido, quando a fé acaba, resta a memória. Nossa história. Ela é nossa alma coletiva. Não tentem apagá-la, pois ela carrega os nomes de quem amamos, de quem perdemos e até de quem fomos obrigados a matar. Nela está tudo que é ser humano.
Ser humano é lembrar. É resistir. É morrer, se preciso, mas nunca deixar de amar.
Esse é o nosso legado. Esse é o nosso manuscrito.
Em meio ao sofrimento, não precisamos caminhar desamparados; podemos clamar a Deus, nossa força e refúgio sempre presentes.
" LÁ VAI "
Lá vai o amor que sonho, livre, leve,
num caminhar seguro, em alegria,
e leva o meu olhar que lhe cobria
mas que, contar-lhe o fato, não se atreve!
Carrega sua paixão cruel, vadia,
que nunca acaba, morre e nem prescreve
fingindo que virá me ver, em breve,
como o querer em mim lhe fantasia.
Que mal pode fazer-me, então, sonhar
que um dia, assim, virá me visitar
pra, enfim, ficar de vez aqui comigo?...
Vai livre, leve, o amor que sonho, enfim,
passando lá distante, pois, de mim
sequer pensando em dar-me o seu abrigo!
Depois de chegares a Santiago lembra-te do motivo que te fez caminhar, porque fiz o Caminho?
Se eu souber responder, afinal valeu a pena. A resposta não precisa que seja imediata.
A vida não te deve nada, mas ela te dá tudo quando você escolhe caminhar com propósito.
— Maycon Oliveira
Essa frase foi escrita por Maycon Oliveira – O Escritor Invisível, autor do perfil ‘O_Escritor_Invisivel’ no site Pensador.
Há uma luz que nunca se apaga, mesmo nas trevas: a esperança que carregamos ao caminhar por terras desconhecidas.
"Eu juro lembrar quem eu sou, mesmo quando tudo muda.
Eu juro caminhar no tempo, sem esquecer minha eternidade.
Eu juro honrar o que nasce e o que morre, sabendo que minha essência não se curva.
Eu juro ser presença viva no instante, e ser presença eterna no silêncio.
Eu juro viver como quem está, e existir como quem é."
Eu gosto de viver com calma, gosto de respirar fundo, bem fundo; gosto de caminhar e pensar na vida, pensar em tudo, eu gosto de tocar nas folhas e apreciar os detalhes de cada centímetro que percorro.
Em um ato consciente de encontro com a vida, numa atitude consistente de afeto comigo mesmo, me derramo na intencionalidade, pois ali está o que preciso.
Em um mundo de velocidade, proceder lentamente é quase revolucionário, um novo mundo, uma nova vida, um outro ser e experiência de existência. Isso é, perceber um padrão raso e previsível e escolher ir na contramão; não tenho pressa, sinto os momentos, torno eles matéria minha.
Criar a beleza e permitir que cada um encontre e desfrute em seus próprios tempos da verdade, é o especial da coisa, por isso prossigo sem atropelamentos.
Se a pressa é inimiga da perfeição, a calma seria a amiga da perfeição? Eu diria bem o contrário, a calma é amiga da imperfeição, porque ela conhece e reconhece a trivialidade efêmera e infrutífera do mundo.
Viver devagar é se distanciar dos ruídos, viver devagar é se isentar do ritmo do relógio e dos seus números; assim, com sorte, perceber a estrutura por trás das coisas acontecendo e se perceber no meio disso, checando os reais desejos e potencialidades, validando tudo.
Pacientemente busco não reagir rápido quando pensar em perspectivas é a prioridade absoluta para preservar o melhor que habita em mim.
Nutro a minha alma com amor, paz e felicidade para que as raízes que me sustentam ganhem mais profundidade, gosto de sentir os meus pés no chão.
Não é sobre fazer tudo devagar, mas sobre degustar a vida, sentir seu cheiro, sentir seu sabor e enxergar suas cores.
" ESCURA "
Foi longa, de minh'alma, a noite escura
a caminhar sem rumo, no deserto,
sem ver um horizonte ali por perto
que desse-me, pra todo o mal, a cura!
De sombras, caminhei, todo coberto
sem mais sentir em mim calor, ternura,
e fui me adoecendo em desventura
sem mais saber o que era errado ou certo.
Tremenda escuridão… Noites sem fim…
Não via mais uma esperança, enfim!
Deixei-me amedrontar por tal engodo…
E, d’alma, a noite escura fez-me ver
que não havia nada o que temer…
Comigo estavas, Tu, o tempo todo!
Tantos perigos à espreita ao longo desta jornada. Viver é como caminhar numa interminável corda bamba ligando abismos sucessivos!
O Guardião
Eu te vejo e sinto no olhar
Os rastros que vida que te fez caminhar
Vejo a força que em ti floresce
Guardada em gestos, perfumes e preces…
Te vejo na mata, nas águas, no vento
Na terra que pulsa o teu sentimento
És guia, estrela, pajé da jornada
Guardião dos mistérios, da vila , chapada
Te desejo em palavras e beijos roubados
Na noite que esconde segredos velados
Nos risos que dançam, nos braços abertos
Do tempo suspenso entre sonhos despertos
Te vejo tão livre, tão forte, tão belo
No brilho inquieto de um olhar sincero
Caboclo mateiro, filósofo errante
Amigo, amante, espírito vibrante…
Todo aquele que desejar caminhar com Deus pelo que Ele é, e não apenas pelo que Ele pode fazer ou dar, vai descobrir que o Seu amor, graça e bondade irão preencher o seu vazio interior, algo que as Suas bênçãos jamais poderiam fazer sozinhas.
