Calar
O dia se despediu, fui embora sem te abraçar.
Loucura seria, se eu não ouvisse os gritos da saudade a me calar.
Descobri que, em meus pensamentos, viveria apenas as lembranças...
A louca vontade de te amar!
Melodia Inexprimível
Quando o amor se revela,
Silente, busca um olhar,
Parece dançar com ela,
Mas, nas palavras, hesitar.
Quem ousa exprimir o que sente,
Encontra o peito a pulsar,
Fala, e, por vezes, mente,
Em silêncio, pode sufocar.
Ah, se ela visse em mim,
Seu olhar me alcançar,
Soubesse que a amo assim,
Sem um som, me revelar!
Mas quem sente, cala,
Procura em vão a voz,
Fica só, com a alma opaca,
À mercê do tempo atroz.
Se pudesse enfim contar-lhe,
O que por temor não ousou falar,
Já não precisaria buscar-lhe,
Pois, em poesia, estou a lhe falar.
Cala meu peito que chama
Sara a dor que me arranha
Me arranca a paz
Damião o roceiro do Sol(poesia de cordel 2006)
Damião vivia bem
Em Minas Gerais
Pois dele se esperava ser um grande capataz
Defensor dos oprimidos
Nas terras dos Generais
Todos na fazenda eram paus mandados
Faziam o que não queriam
Para não serem condenados
A cada tarde traziam dois
Para serem castigados!
Ele escreveu a carta:Fica agora como justo
Os roubos do Senado
Pois reuni o povo Para o nosso liberado
Enquanto o senhor diretor vive na cadeira sentado
Nosso povo todo dia
Vive sendo castigado
Damião não se calou
Diante da injustiça
Pegou sua espingarda
E enfrentou a milícia
Que veio para reprimir
A sua audácia e rebeldia
Mas ele não se rendeu
Lutou com coragem e valentia
O povo se levantou
Ao lado de Damião
E formou uma resistência
Contra a opressão
Eles queriam liberdade
E justiça no sertão
E não aceitavam mais
Serem tratados como escravos não
O diretor se enfureceu
Com a revolta de Damião
E mandou chamar reforços
Para acabar com a rebelião
Mas ele não contava
Com a força da união
Que fez o povo vencer
A batalha da libertação
Damião o roceiro do sol
Ficou na história do lugar
Como um herói popular
Que soube se levantar
E defender os seus direitos
Sem medo de lutar
E inspirar as gerações
A nunca se acomodar
Que Deus nos livre de gente má e de amigos falsos! Que nos dê discernimento para gastarmos nossas vidas perto de quem realmente nos ama e ajudar quem realmente precisa!
Que tenhamos a capacidade de falar ou calar nos momentos necessários!
Nem sempre a introspecção é timidez ou falta de posicionamento, mas o silêncio do saber escolher o melhor em seu particular que pode também ser o calar.
Quem cala não consente, pode ser uma forma de se poupar quando o outro não quer escutar e sim impor sua razão por uma necessidade do ego.
Quem cala consente? Não, por vezes quem cala ouve, pensa, reflete antes de falar por impulso. Outras vezes cala-se por desinteresse em discutir com pessoas inflexíveis quando notoriamente não querem dialogar e sim impor sua opinião. No silêncio há muita sabedoria e respeito a si e ao outro.
Meu esforço e compromisso de me livrar das fofocas, de maledicências e de proferir palavras em vão, me exaltam como ser sociável e me dignificam perante a empatia.
Se te disserem que você tem respostas pra tudo não replique, se quer respondas.
... a não ser com teu silêncio!
E se o interlocutor compreender, ele também calar-se-a.
Foi calando nas horas delicadas que encontrei o equilíbrio de que necessitava para resolver determinada situação.
Seguir em frente. Para onde?
Para o outro lado de mim a tanto tempo adormecido, calado, em prontidão permanente esperando o sinal.
Quanto maior o entendimento, mais difícil se conter e ser discreto, nesta modernidade de aparências.
