Calar
Mais uma vez, assegurei-o de que eu era um homem livre, e insisti para que ele me livrasse daquelas correntes imediatamente. Ele tentou calar-me, como se temesse que minha voz pudesse ser entreouvida.
O vento não me derrubou, o medo não me parou
A guerra me feriu, mas a experiência ficou
Eu não me calei e não vou me calar
Enquanto houver fôlego, vou adorar
Ela sempre diz: Não quero saber qual diploma vocês tem e nem o que são, aqui quem manda sou eu e quando eu mandar calar a boca, calem-se! Sabe quem ela é?
Em momentos de mágoa e desencanto me calo, pois nessas horas minhas palavras podem tornar-se afiadíssimo punhal.
Pessoas que falam a verdade para o nosso bem, sempre as temos como inimigas. Pessoas que diante dos nossos erros calam, "aceitam" e depois criticam, essas, temos como amigas.
Calada permanecia, ocultada em si mesma. Já não era ela, nem outro. Só era algo que não sabia dizer o quê.
Queria dizer, mas evito
Então me calo, ausente
Fica o silêncio presente
Sem musica, sem alento
Já a distância, torna fato
Que o silencio é realmente
Uma angústia dessa mente
Que quer cantar teu encanto
Mas ele evita saturar
Com elogios volumosos
Então aceita assim calar
Um poeta de mudos termos
Sem versos nem poesia a rimar
Só silêncios frios e densos
Voz
Cala-te, mas que não seja demasiado,
para não perderes o uso da voz.
( In: O Avesso das Coisas - 6º Edição, 2007.)
