Frases de Caio Fernando Abreu

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Esta coisa terrível de não ter ninguém para ouvir o meu grito. Esta coisa terrível de estar nesta ilha desde não sei quando. No começo eu esperava, que viesse alguém, um dia. Um avião, um navio, uma nave espacial. Não veio nada, não veio ninguém.

Quem nos faz falta acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta.

Tem dias que não existem emoções, nem pensamentos: só dor!

Ama mas não cuida. Gosta mas não fala. Beija mas não sente. Diz que vem mas mente.

Você se doou tanto quando eu não pedia, e no momento em que pela primeira vez eu pedi, você negou, você fugiu.

Ninguém te ama, ninguém te quer, ninguém te conhece, ninguém tem acesso à tua alma. Tuas neuras são só tuas, e parece que nada nem ninguém preenche esse vazio.

Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível.

Ele me dá vontade de viver (…)
Ele me dá vontade de cantar, de rir, de ser feliz!
Me dá força, me dá fé.

O que hoje é drama, sempre, amanhã estará quieto na memória.

Culpa de ninguém, só da vida. Mas barra não é qualquer um que segura, certo?

Na vida, as coisas mais doces custam muito a amadurecer.

Os dois se abraçaram e se deram beijos como duas pessoas que não se vêem há muito tempo. Atropelaram perguntas como: por onde é que tu anda?

Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo.

Não acredito que maus fluidos, por mais fortes que sejam, consigam destruir um amor bonito, limpo.

São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições.

Caio Fernando Abreu
Pequenas epifanias. Rio de Janeiro: Agir, 2006.

Nota: Trecho da crônica Sugestões para atravessar agosto, publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo", em 6 de agosto de 1999.

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Divida essa sua juventude estúpida com a gatinha ali do lado, meu bem. Eu vou embora...

E o que a gente vira quando vai embora de alguém?
E o Senhô respondeu:
- Uns viram pó. Outros caem igual estrela do céu.
Outro só viram a esquina...
E têm aqueles que nunca vão embora.
- Não? E eles ficam onde, Senhô?
- Na lembrança.

Uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar.

Você sabe que vai ser sempre assim. Que essa queda não é a última.

Alguém aí já sofreu por um amor verdadeiro? Duvido! Se fosse amor verdadeiro não faria ninguém sofrer.