Cada um tem de Mim Exatamente o que Cativou e
Tem dias em que a gente
Simplesmente pensa
e pensa sinceramente
Que não compensa
Olha a vida pelo lado de fora
e dá vontade de ir embora
Pois ela parece apenas
Um absurdo que deu certo
Uma coisa passageira
Que dura uma eternidade
carente somente
de motivo concreto
haja visto
Que não dá pra entender
e nem mudar pra melhor
tudo isto
tem dias em que eu
Simplesmente
Quase desisto
O dia amanhece
e você tem ao seu lado
finalmente alguém
a quem ama e que
realmente o ame
e ri placidamente pra vida
A graça alcançada
Se passa diante das vistas
conquistas e mais conquistas
Só isso
e nenhum compromisso
Mas a vida nem sempre
prossegue harmônica
algo destoa
você abre a janela
e o pombo da paz desaparece
se cala a orquestra
a vida não é mais aquela
em um momento desatento
um vento lhe defenestra
te desarvora
te esquece
Melhor é viver
essa vida de agora
os minutos primeiros
momentos faceiros
fugiram do pulso
trincaram-lhe o vidro
entortaram porteiros
O sangue lhe corre nas veias
Qual areia de ampulheta
A vida, num mero impulso
passou
Você, que tinha tanto
e não sabia o quanto
a perdia
enquanto girava o mundo
girava tanto
que a vida, então
acabou por perder
aquela direção
Quando o choro vem
Ninguém tem nada com isso
E quando a gente ri
Faz isso sem compromisso
A tristeza está sempre atada
Ao fato da compreensão
O ato de ser feliz
É porque finalmente
Eu não quis saber de nada
Eu olho ao redor e percebo
Que a vida é uma obra de arte
E eu faço parte deste Universo
Sou um verso à parte
desta poesia perfeita
Escondida na luz
Uma pauta de sete cores
e dá vida ao perfume das flores
Quando olho pros lados
O traçado do voo dos pássaros
Finalmente faz sentido
Porém, está tudo escondido
Aos olhos de quem não sente
Amor e gratidão suficientes
A fatalmente iluminar o coração
e despertar nele a certeza
de que a vida
É a mais perfeita canção
e nela está inserida
em cada oração de letras escondidas
Muita beleza
a passar despercebida.
No Brasil é assim
Tem Justiça de rico e justiça de pobre
delegacia de rico e delegacia de pobre
Tribunal de rico e tribunal de pobre
Cadeia de rico e cadeia de pobre
Polícia de rico e polícia de pobre
Juiz de rico e juiz de pobre
Igreja de rico e igreja de pobre
Padre de rico e padre de pobre
Cemitério de rico e cemitério de pobre
Mas eu creio que se houver
Céu e inferno brasileiros
Eu acho que lá não vai ter "jeitinho"
Pois anjos não se corrompem
E nem o diabo consegue ser tão corrúpto.
Quando eu digo palavras suaves
Ou escrevo alguma coisa sobre amor
Minhas palavras raramente tem retorno
Senão, parecem não surtir nenhum efeito
Muitas vezes vão acompanhadas de gestos
Que ninguém, vê nem repara
Outras vezes por um olhar
Que as pessoas
interpretam de maneira errada
E eu não compreendo
Se essas pessoas são vazias
Ou se eu mesmo não saiba me expressar
Algumas das pessoas, cuja companhia
Eu mais quis...
Se afastaram.
E as que ficaram são aquelas
Que a mim parece que fazem
Um enorme esforço
Em demonstrar o seu desprezo
Mesmo sendo as mesmas que um dia
Tanto fizeram
Pra hoje ter direito
à minha companhia.
Sabe quem são as pessoas que tem presença marcante? São aquelas que fazem falta quando estão ausentes.
A vida é uma maçã
Que às vezes
Tem gosto de limão
Viver é caminhar
E às vezes
Deparar com coisas
Espalhadas pelo chão
Coisas que guardávamos
Com tanta esperança
De ter sempre preservadas
Respeitadas
e talvez admiradas
pertinho do coração
Para poder sempre dividir
Como se fossem
Compotas de Maça
Palavras importantes
Para as quais não deram importância
Sonhos de criança
Sonhados hoje
Muitos anos após a infância
Esfacelados
Pisoteados
Simples palavras cultivadas
Massacradas
Por outras palavras
Infelizes e maledicentes
A vida poderia muito bem
Ser igual à uma maçã
E às vezes é
Mas tem gosto de limão.
Não é Lindo?
Não é lindo?
Quando as palavras fazem sentido;
Quando a alegria tem motivo;
Quando a dança tem um ritmo;
Quando a vida tem seu brilho;
Quando sinto que estou vivo;
Nãoélindo?
Tem dias
Que a pior companhia
Que se pode ter na vida
É a companhia da solidão
Quem diz por aí
Que a própria companhia
É boa
Mente pro mundo
E quem se convence que é
Mentiu tanto pra si mesmo
Que o tempo lhe fez
Acreditar na própria mentira
Pois o vento batendo na rocha
Transforma a pedra em pó
E a tempestade em ilusão
Depois as carrega
A todas pra um mesmo lugar
E um dia cada pedra esquecida
Nunca mais estará só nesta vida
Muitas vezes o vento bate à porta
Absorto, em minha própria companhia
Tem dias que dá vontade de atender
Outros dias não dá não
O tempo passa, a noite esfria
Os ventos tristes já se vão, distantes
Pra bater noutra porta adiante
Fazer companhia
A qualquer outra solidão
Que certamente existe.
Edson Ricardo Paiva.
"Problema que tem solução,
Não é problema:
é lição.
Problema que não tem
é que nem botar água oxigenada
Em ferida arruinada
Não desinfeta , não cura, não faz nada."
Edson Ricardo Paiva.
Noites de infância
Lembranças que não são nem minhas
Crianças tem o poder
De volta e meia
Alegrar-se de alegria alheia
Janela da varanda
Noite, lanternas, neblina
A luz do mundo é uma vela acesa
Gente conversando
Sob as luzes do poste da esquina
Conversa que não dá pra ouvir
Eu na varanda
Esperando pai que não chega
Quando a mãe manda ir dormir
E quando mãe manda, ela manda
Mais outro dia
Menos um dia de infância
Noite quente
Amanheceu
E o pai já foi trabalhar
Vou esperar outra noite, ainda
Pois criança tem essa maneira, muito linda
Volta e meia
Ficar triste de tristeza alheia
Sentir tanto medo do inexistente
A ponto de não perceber
Que realmente ele existe.
Edson Ricardo Paiva.
Tem dias em que a alma nos convida
Com gosto forte de domingo à noite
daqueles que a gente queria
Olhar pro espelho
E ver o rosto de um sábado distante
Quando ouvia uma canção desconhecida
E tinha a impressão de tê-la ouvido
Em um domingo qualquer de outra vida
Tem vidas pelas quais a gente passa
Com jeito morno de fumaça que dissipa
Imagem que nos foge ... escapa pela fresta
Que numa incauta afoiteza qualquer
Esquecemos de fechar
Pior é que por esse mesmo lugar
É que adentra essa triste sensação
Com gosto de domingo à noite
Que entorpece a alma
A alma distraída
Talvez esquecida
Nos convida
Olhar pro espelho
E ouvir uma canção
Que alguém tocava
Noutra vida.
Edson Ricardo Paiva.
Tem horas
Que não interessa
Saber ou dizer o que é
Tem horas
Que o coração quase chora
E outras em que quase
Hora em hora, frase em frase
O jogo muda
A vida oferece ajuda
Alguma coisa quase sempre
Assume o papel de coisa
E precisa ir embora
E aquilo que fica aqui
Causa rica alegria
E assim
Tem dias em que a gente ri
A risada mais sincera desse mundo
Não espera mais nenhum segundo
E quando dá essa risada
É só de alegria
Jaz o que ficou pra trás
No tempo do nunca mais.
Edson Ricardo Paiva.
Há dias que amanhecem azuis
Com nuvens lilases
Tem dias que começam ainda de noite
Outros terminam de madrugada
Com outros dois ou três dias
Quase amanhecendo
E é só quando acontece
De correr os olhos pela paisagem
Talvez ... pela última vez
Então percebe que houve dias
Que não teve tempo de olhar o Sol
Nascer e nem se por
E por obra de algum acaso
Percebe que foi assim
Na maior parte dos dias
Chegando sempre
Bem antes do atraso
Durante toda uma vida
Chovia
E eu não vi
Que haviam nuvens alí.
Edson Ricardo Paiva.
Eu penso em como será
No dia em que a gente parar
Pra pensar em como teria sido
Tem horas que posso ver
Até as cores dos vestidos
Mesclados de amores vindouros
Cabelos floridos
Mulheres do passado
Homens de riscado
Talheres de ouro
Mas precisamos aceitar
Que tudo isso
Hoje é um sonho
E que está tão longe
Sorrisos guardados
Que podiam ser ridos
Esquecidos
Eu penso em como seria
Se fôssemos precavidos
E tivéssemos cuidado
de... juntos
Separar as pedras
Aquelas, que agora hão de ficar
Eternamente juntas
Nós não vamos saber nunca mais
Quão bela coleção de poesias
Poderia estar oculta
Aquelas
Que jamais vamos lê-las
Numa tarde de alegria passageira
Que podia ter sido
Eternamente verdadeira
Mas a gente foi deixando
Pra um dia depois
Eu penso em como será
Quando todo mundo perceber
Que podia ter sido
e não foi.
Edson Ricardo Paiva
O grilo
Cantava pra Lua de noite
E fugia do pássaro
Quando o dia amanhecia
Tem coisas que não se alcança
Por mais suaves
Sejam as palmas das mãos
Elas passam despercebidas
Há lugares pra se olhar de longe
E outros que se sabe
Mas nem ao longe se vê
Só não há como prender o tempo
Nem quando a gente o quiser
Nem mesmo sem o querer
O toque das mãos
Um dia deixa de ser tão suave
O canto do grilo
A Lua não alcança
O tempo troca a noite pelo dia
Correndo suavemente
Qual toque das mãos
Um dia deixam de ser tão leves
Porém são tão breves
Quanto a queda num precipício
A vida, tão linda que era
Até mesmo um encontro ela tinha
E passava toda a si mesma
A cuidar da sua própria beleza
Pois a beleza da vida
Quando a vida era bela
Jamais envelhecia
E passava sem pressa
Na certeza dessa espera.
Edson Ricardo Paiva.
Quando Deus
põe a gente no mundo
Tem junto
Uma coisa latente
Semente de coisa boa, muito
Que Deus bota dentro da gente
Se ela seca...ou se brota
Num primeiro momento
Normalmente nem se nota
Mas ninguém nunca vai poder
Dizer que secou a toa
Quando o solo era de areia
Não foi nem pra bem, nem pra mal.
Com o alforge repleto de almas
E algibeira de sementes
Deus semeia uma tarde inteira
Mas, quando a alma endurece
Pelo solo empobrecido
Ainda é bom pra plantar a saudade
de coisa que veio na vida
e por não ser a hora
Passou depercebida
E agora te desconhece
Merecidamente
A vida passa
Depressa como a chuva
Não existe ação prolongada
A culpa nunca é de ninguém
Nem nada
Se foi no passo que veio
E no meio desse espaço
O tempo as germina
Lágrimas secas
Não molham sementes
Caem somente
Assim como secam as folhas
Todos colhem
Conforme as escolhas.
Edson Ricardo Paiva.
"Tem dias que o ranger da porta irrita
Tem dias que o ranger da porta assusta
E tem dias que a porta range"
Edson Ricardo Paiva
Triste quem não tem pra onde voltar
Pobre de quem foi
Caçar estrelas
Coitado de quem se iludiu
E que seguiu na direção
Do primeiro arco-íris
Que surgiu depois da tempestade
Tenho pena, muita pena
De todo aquele que não causa mais
Uma saudade apenas
Mesmo que diminuta, pequena
Me apiedo de todo coração
Que não tem paz
Depois da estrela, arco-íris
A queda
Meus olhos se enchem de aflição
Por todo aquele que vive
E que não causa nenhuma afeição
Em ninguém
Deve haver lá no céu
Uma alma plena de luz
E que tenha em mãos
Um livro, um papel, uma pena
E a dura missão de recensear
Essas sombras vagantes
Viventes de alma escura
Que não sentiram pena de ninguém
Além de si mesmo apenas
E viveram sua vida pequena
Como se ela tivesse que ser eterna
Enfermas
Sempre vencer e ganhar e ser o melhor
Custe o que custar
Esse era seu lema
Seu meio a superar quaisquer problemas
Mas o tempo corre
A vida passa
As quedas vem
Sem ninguém pra estender a mão
Que pena!
Edson Ricardo Paiva.
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