S. inácio
Cotas cerebrais
Escola, escola
está na hora de ir pra escola:
pega o lápis depressa,
pega o lápis depressa,
pega o lápis depressa...
Sem essa de esquecer o que aprendeu
a lousa estava cheia,
o livro foi pra reciclagem,
porque já venceu o seu e o meu,
são três anos e nada mais!
O que é isso escola, explica pra mim:
porque é que tem ser assim,
se o governo não tem dinheiro
o livro serviria por diversas gerações,
porque o básico não muda tão ligeiro,
espera um pouquinho...
amanhã a lição acabou e te vira professor!
Vá xerocopiar, vá reproduzir te vira por aí...
Amanhã já volta das férias
e a criança estacionou
não lembra mais de nada,
do que na escola aprendeu!
O que será que aconteceu?
Ninguém sabe, ninguém viu,
essa forma de aprendizagem
que cota exporta seus neurônios cerebrais!
Explica de novo, de novo, de novo ô professor...
e depois já passou ...passou já dez anos ou mais!
depois no desemprego seu desempenho tanto faz!
Amanhã já volta das férias
e depois já se passaram os anos
mas, ficou uma lembrança na parede,
olha a criança aí...olha aí...ai...
As bênçãos das crianças
Ainda que o mundo pareça torto,
que se ouça muitas reclamações
que ainda discutam sobre aborto
é que ao crime quer dar explicações!
O universo é muito mais bonito
do que se imagina qualquer um,
entre estrelas a criança é o mito
se abençoada nascem uns alguns,
no berço encantado de esperança!
Abra seus braços em lindas ações
para contemplar toda luz da criança
e todas as almas nas constelações...
Debruçem o perdão se é fiel a aliança
Deus perdoe e abençoe todas as criações!
Assombro de metrô
Ainda que o assombro me cause
nas vezes em meio a multidão
eu talvez do conforto abuse,
se não dependo desta condução!
Aos milhões diariamente vai cheio,
se empurra na muvuca de sempre
desta falta de educação receio...
com bolsa ou algo que eu compre,
se em meio a multidão vá furtivo
neste meio sem nenhuma condição
haja visto um ladrão e seu motivo...
que Deus me livre o pensamento
se houver por acaso um arrastão!
Cruz e credo! Deus dê o livramento!
Nos arranjos da minha poesia cantei
Nos arranjos e notas de mim
cantei cada poesia que fiz!
Ao passo vi um concerto
esplanado num canto,
de mil passarinhos!
A orquestra tocou,
as luzes do sol
o dia, coroou...
Nos arranjos e notas de mim
tambem cantei
cada verso na rima que fiz..
O pulsar do meu coração
sem voz, sem nos dois...
Fui dispersando em sua direção
na minha poesia em canção.
Na orquestra que tocou,
depois os passarinhos voaram...
Eu ...continuei quase sem voz,
sem você no meu caminho,
feito agora os sons que caem
em pétalas de raio do sol...
sobre a neve espalhado no chão!
Mas, também me espalho nos ares
e me desmancho em pétalas de flores
com desespero em meu canto te amo,
assim aqueço o meu coração em cores!
Brilhante
O sol majestoso e esplêndido
com seus raios cintilantes
perfuraram as frestas da minha janela,
preenchendo de luz tudo em mim...
A estrela transparente
refletindo a luz que ela emana,
preenchendo o espaço de luz e alegria,
pôs - me na luz também da lua...
O brilho natural fulgurou radiante
e o espelho da alma feito a aura brilhou,
fez transbordar a paz em todo viver.
Se o sol mavioso e humilde
transpôs - se por entre a colina verdejante,
a noite vinha nos olhos sob o céu
iluminando tudo ao redor...
As estrelas piscavam de esperança
e junto Deus fez união
neste momento em compreensão,
para todos os que amam
e acreditam em si,
viram vencidos os obstáculos...
Aprenderam a lutar pelo melhor
por merecer um mundo fraterno
e harmonioso...
onde todos poderiam viver felizes
com amizade e paz,
irmanados numa só luz...
chamada vida!
Sinto-me inchada sem saber porque, talvez fosse a idade chegando, talvez fosse a retenção líquida, talvez fosse a falta de dormir ou simplesmente uma sensação sem nenhuma razão, apenas por que minha calça de quando eu tinha vinte e poucos anos não me serve mais e tenho que jogá - la as traças neste novo jeito de desapegar das coisas velhas, então vou me desapegar de ti.
A sociedade ao centro de São Paulo se vêem cegos sob á existência de milhares de mendigos dormindo nos parques, debaixo das pontes e viadutos, são injustos seres humanos à viverem assim, para tratá - los piores do que qualquer animal.
Infelizmente a sabedoria não constitui uma classe, nem uma ideologia em ascensão, visto que o capitalismo é muito mais atraente à maioria, por isso a mediocridade tende a imperar.
O ímpeto da exploração capitalista é tão agressiva e violenta que cegam os homens e os induzem a competir feito animais inescrupulosos.
O consumismo é um querer doentio da vontade inconsequente e egoísta, visto que quanto mais se tem, mais se quer, como se o limite fosse apenas o espaço entre o céu e a terra e Deus é o homem.
O mundo possui uma veio dividido em grupos sociais, étnicos e culturais, o qual a mídia faz questão de acentuar e perpetuar, talvez numa desesperada ideologia de manter - se.
Eu sou eu mesma em carne e osso; espírito e alma; energia e sentimentos; emoções, amor e sabedoria nos ideais do meu coração!
Não preciso que todos gostem de mim, porque eu não gosto de todo mundo, mas respeito todos da mesma forma que sou respeitada!
Fios que tecem
Meus cabelos quando crescem
Às vezes, no corte da mudança,
Outras vezes ao vento balança,
Outras, linhas de fios que tecem!
Gosto deles de qualquer jeito
Se assentado no liso perfeito,
Ou ao acaso com friz, eletrizado.
Não gosto deles todo chapado!
Fica com aspecto de lambido
Do tipo de cuspe de boi babado
Prefiro do jeito que ele nasceu!
Afinal o cabelo é todo meu
Se ele te causa desagrado
Vá fazer chapinha no seu!
Ócio criativo
I
Do ócio das vagas horas
Um conceito de aprumo
Concedeu ás memórias
Seguir algum novo rumo!
O apreço logo se fez belo
D'alguma coisa de efeito
Elaborar sem preconceito
Artefatos ou um castelo!
Sei lá desta tua habilidade
Mas, sei dizer de um fazer
Este da minha capacidade,
Não é convencimento o tal,
Fazer do afinco de querer
Deste jeito sem ser metal!
II
É um autodidatismo o ato
Que se descobre na ação,
Ficar só no ver, é papo...
É preciso fazer co'a mão!
É nisso que reside o sentir
O de se colocar no lugar
Daquele que prega o provir,
Que devemos progredir!
Meu convite de aceno real
É para toda alma sem idade
Á descobrir um novo ideal!
Cá dizer aos nossos neurônios,
Que a nossa criatividade
Espanta até, maus agouros!
O fazer - se no espaço
I
Cala-te a dizer asneira
Á escrever dispersão!
Para que ser maneira,
ser ser cheio de ilusão?
Um comum no nada,
nunca nem apareci,
em luz programada...
na televisão nem fui!
Não! Cala - te a boca!
Chega de criação vil;
Irão chamar-te louca!
Então! Pequeno tolo
Gosta do incomum,
silêncio em consolo?
II
No meu ínfimo ato
de tão íntima razão.
Faço nesta questão
ciência de meu fato!
Posso e decido-me!
Não sou obrigada
ser igual a um você
de incomum... nada!
Calar-me ou dizer!
Em suma decisão,
decido cada fazer!
Meu querer do.. ser
Não devo satisfação!
Faço-me sem conter!
III
Cada letra que escrevo
tem o ar que eu respiro:
Sou céu, ou um relevo,
ou Saturno, ou espirro!
Não importa o que sou,
se desvairada, tola, ou...
qualquer crítica do ego,
que faz qualquer um cego!
O que importa é ser um!
Este, no quanto posso,
igual não há nenhum!
Cada um no seu passo,
se astro ou ser comum...
faço-me neste espaço!
Soneto da felicidade
Felicidade é o sentimento da realização!
Neste contexto a maior delas é a vida,
que está dentro do nosso coração,
e a alma pura, na essência guardada!
Ninguém poderá ser feliz por você,
sua vida somente você pode sentir!
Todos são seres de um Deus sublime,
e a vida perfeita e plena neste existir!
Temos tudo o quanto necessitamos,
em nenhum momento nada há falta;
caberá a cada um o que cativarmos,
e se há condição d'alguma dúvida,
não pergunte o que é a felicidade...
porque felicidade mesmo é ter a vida!
A morte é uma viagem
Saudades eternas sentimos
de todos os nossos entes queridos
que partiram antes de nós,
mas o que é a morte,
senão uma viagem...
Nesta viagem talvez tenha volta,
talvez a reencarnação exista mesmo;
talvez sejamos unicamente espíritos
e este invólucro de alma
precise de outro corpo...
e de outro...
quantas vezes for necessário...
para que mesmo?
Ah...para aprender a viver,
ser unicamente bom.
Ser perfeito;
Ser sábio;
Ser virtuoso...
Saber respeitar uns aos outros;
Saber amar todas as coisas;
Saber ser feliz;
Saber sorrir;
Saber compreender
e talvez ainda falte mais virtudes...
Bem ... então vida de morte necessária,
porque cada um de nós
temos muito que aprender!
