Jean la bruyère
Pró. Messa....o nome já diz: pró indica uma ação futura...e messa lá no passado era um puxar a barba ou retirar a casca...logo, futuramente alguém vai arrancar essa casca de ferida ou puxar a barba do pirata e tá tudo certo e nada prometido que nào será cumprido, mas lá num futuro longe esquecido. Se é que não dificultei e pouco falei pra me fazer entendido. Muitos prometem que serão até a morte unidos, mas já se separaram faz tempo e ainda continuam vivos. Enfim qual é o valor de uma promessa?
É importante ter em mente que para pensar soluções para uma realidade, devemos tirá-la da invisibilidade. Portanto, frases como “eu não vejo cor” não ajudam. O problema não é a cor, mas seu uso como justificativa para segregar e oprimir.
6 de janeiro de 2024
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LA VAI O MENINO (Para meu neto Cauã, em 06.01.2024)
Lá vai meu menino
Catando o destino
Levando carinho,
Vencendo sozinho!
Mochila nas costas,
Certezas já postas
No amor da família
Seguro ele aposta!!
Vai levando liberdade
Vai traçar sua verdade,
E um dia dizer contente
Voltei, trazendo felicidade!
Do valor que se dá
E lá estava ela, no alto, no topo da frondosa e imponente árvore. Seu ninho parecia o mais belo visto daquela distância na ponta do penhasco que se erguia acima da floresta.
Naquele ninho teria encontrado o que procurava. Não era um ninho qualquer, mas sim um amontoado de gravetos torcidos e entrelaçados com pitadas de paixão, amor, prazer, esforço e dedicação.
No começo aquele lindo ninho supria as necessidades plenamente. Mesmo que estas fossem aumentando, e se tornando descabidas, até que em um momento, um segundo, um instante, tornou-se pouco relevante.
Desde então o ninho foi deixando de suprir as necessidades, em um primeiro momento puramente por se sentir pouco valorizado e solitário. Ela mal percebeu o que acontecia, pois passava o tempo a voar. Parecia ter se cansado ou se desinteressado daquilo que conquistou arduamente.
Lá fora tudo parecia mais lindo, mais intenso, mais gostoso, melhor. E a cada voo, mais parecia perceber que a felicidade estava lá, lá do outro lado, em outro lugar naquela floresta, linda, quente, úmida e cheia de possibilidades de novas descobertas.
O ninho ali permaneceu e se entregou. Já não tinha mais o valor que outrora tivera. Desistiu de qualquer esforço uma vez que logo percebeu do que se tratava. Uma ilusão comum, gerada por aves comuns que se faziam parecer diferentes, especiais, mas apenas estavam travestidas de penas compradas que lhes encobriam as verdadeiras. Compradas nas pedras, nos galhos altos, nos galhos baixos, nos cantos e recantos da floresta.
Ela voando avistou outros ninhos, cada um mais belo e interessante que o outro. Uma libélula amiga do ninho, pousada em prosa com ele, passou um tempo a observar o que ele observava e se manifestou. “Olha meu amigo, o que vejo é o simples vazio. Um mimo ao ser ganhado e conquistado deixa de ter valor para dar lugar a outro mimo mesmo que este seja o mesmo mimo.” O ninho suspirou e sorriu. Estava pronto para receber nova visita, novas penas que não se soltassem com facilidade.
Ela pousou em um destes ninhos e foi feliz, logo depois noutro e feliz foi novamente e noutro e noutro e noutro. O problema é que entre um e outro momento de felicidade dava-se o seu contrário. A infelicidade. Ora, dizia ela, sempre culpa destes ninhos.
Num destes momentos de insatisfação avistou o ninho no alto, no topo da imponente árvore e sentiu-se como sempre. Que ninho belo e interessante. Pensou logo que poderia dar umas rodopiadas por lá para ver como estava. Mas ele estava diferente. Mas era o mesmo, igual. Ficou intrigada.
Ela, num dia alisando as penas nas pedras para embeleza-las encontrou outra. Outra que contava garbosa como era seu ninho. Ela então se deu conta de que aquela conversa trazia saudades. Saudades do mesmo ninho, mas que agora aninhava outra.
Restou-lhe voar e encontrar outros ninhos, um aqui outro acola. Ou talvez o contrário pudesse se dar e esta história seria outra.
Olhe no espelho e receba dicas de quem encontrou lá!
1° Seja você mesmo.
2° Tenha coragem de ser você mesmo.
3° Mude apenas por você mesmo.
4° Seja honesto sendo você mesmo.
5° Deixe o outro ser ele mesmo. Se te incomoda afaste-se.
6° Não transfira para o outro o que você é.
7° A verdade será sempre a verdade e se isto te incomoda, olhe-se no espelho.
8° Use a inteligência para as boas coisas.
9° Alinhe as palavras com seu comportamento.
10° Quando ler estas coisas, pense no próximo item.
11° Foda-se os itens anteriores! Olhe sempre no espelho!
"Medita em como vês. À ovelha, a lã é casaco; a ti, o é e ainda mais; ao comprador, te é produto; no calor, é despojo. Dada a estação, mudam-se as flores."
O sábio não busca a sabedoria para usá-la como vantagem — ele apenas a vive. Para ele, a sabedoria não é ferramenta, é estado. Quem procura “usar” a sabedoria ainda não a entendeu; quem a possui de verdade não precisa provar nada, porque já aprendeu a silenciar o ego e a observar o mundo com calma. A sabedoria só serve para quem ainda está tentando ser sábio. Para quem já é… ela apenas existe.
" Vamos fazer história
devorá-la
com menta refinada e chiclete
salivas doces
encontrar o amor e fazê-lo acontecer
florescer antecipado
cair nas graças da vida...
"" Vou deixar você ir
apesar de senti-la tão perto
apesar desse aperto
no peito
talvez seja o melhor
já que não vem de você a aproximação
e é você quem determina a distância
já que não posso saber quem você é.
mas imagino
talvez seja mesmo melhor que vá
e leve toda a esperança que um dia meu coração criou
só assim deixarei de pensar
no amor que sempre sonhei
por fim
saiba que esperei um gesto seu
e o que veio foi apenas em forma de adeus..
"" Então amanheceu
Cores lá fora indicam a aurora
Soberba manhã.
E li no livro de minha vida
Um novo sorriso, um novo pensar...
Será primavera?
Talvez sim, ouço pássaros,
Mas não posso me dar um luxo extravagante,
Ainda que possa me rodear de flores
De saudades de sonhos
Esta manhã algo em mim amanheceu...""
" Há um trono, esperando por você
lá na colina, onde você pode conversar com Deus
encontrar sua alma e ter um momento de paz
há perfumes vindo com o vento
entre flores, você encontrará uma especial
ela o fará sorrir e querer se superar
lá na essência dos desejos
onde tudo é possível
você será capaz de evoluir
suba a montanha...
" Tudo é um absurdo querer
poder
sei lá
na fé, onde der
sempre reagir
ressurgir
um passo de cada vez
soltar amarras, sorrir
viver é arte, sorte,
tudo sobreviver,
da morte debochar, entender
aqui é passagem
e só
os pássaros fazem horizontes
eu nem me lembro o que fiz ontem
decerto tentei o melhor
sonhei, superei
mas alguém riu daquilo que eu sou
eles sabem de mim,
eu não sei de ninguém
cada um na sua
bora viver
ouviram falar
de um garoto sonhador
mas não suportaram, a minha dor
já amei e fui amado
sofri fui rejeitado
dei a volta por cima
hoje estou curado
já não tenho mais temor
sei de mim
tudo que quero
ah!!
é um mundo de amor
paz...
As respostas não estão no barulho do mundo, mas no silêncio da sua alma.
Escute-se. É lá que a verdade se revela.
Ei querida, por que está aqui? Disse ele cautelosamente sem querer invadi-la.
- Estou olhando os lugares em que estive, quando ainda havia um pouco de mim aqui.
Então, ele olhou para os olhos opacos da bela garota, e pode sentir a dor lhe cortando em fundo… Sentou-se ao lado dela, e perguntou-lhe com um ar de duvidas:
- E por onde foi “você” que não está mais aí?
-Ah, meu senhor! Fui-me junto com as promessas, e restou-me apenas solidão.
Então, pelas doídas palavras ditas, pode notar que já não se tratava de amor, e sim da falta dele. Secando os olhos o senhor abaixou um pouco a cabeça, e começou
- Sabe, querida! Já amei muito uma bela moça, no rosto dela era estampado um grande sorriso, realmente apaixonante, os cabelos ondulados desciam pelos ombros, e contornavam a cintura; E os olhos… Ah aqueles olhos… havia um brilho, um grande amor pela vida! Era tamanha beleza… realmente de se admirar.
Houve um breve silêncio, o olhar do senhor estava sem foco os pensamentos distantes, e em seu rosto reinava um sorriso onde se via saudade […] Ele estava por prosseguir quando a jovem tirou forças dentre seus soluços, cortando o silêncio:
- E onde ela está agora?
- Não sei, mas peço todas as noites para as estrelas que ela esteja sorrindo.
A jovem surpreendida com o olhar sereno do senhor, supôs que não tivesse entendido o que havia acontecido e perguntou-lhe sem ao menos perceber que não houve cautela alguma:
- Ela te abandonou? E o senhor não tem ódio dela?
O senhor não se importou com a frieza da garota, nunca se deve esperar doçura de alguém que acaba de ter o coração partido.
- Querida, não se deve odiar uma pessoa por deixa-la… Todos nós buscamos por felicidade, ela era a minha felicidade, não fui a dela. Suspirou pausadamente com tristeza mas sorriu e prosseguiu: - Uma parte de mim chorou ao perde-la, mas a maior parte sorriu por saber que ela seria feliz.
A Jovem enxugou os olhos, sorriu. Realmente as palavras tinham a envolvido. […]
O Teatro do Inseto
Lágrimas são apenas o óleo que lubrifica esta engrenagem de carne.
O coração não bate;
ele se estilhaça como porcelana barata sob o pé de um gigante.
Hoje é o baile de máscaras.
Costuro um sorriso no rosto com linha de náilon, uma cirurgia amadora de alegria plastificada.
Sou o figurante de mim mesmo, um palhaço de gesso num palco que range.
À noite,
o teto baixa três centímetros.
As correntes não são de ferro, são de arame farpado invisível, enrolando-se nas vértebras, transformando o lençol em chumbo.
Levantar-se não é um movimento; é uma revolta.
É a metamorfose reversa: acordar homem e sentir-se bicho, esmagado pela bota de um Deus burocrata.
Quem habita este invólucro no centro do turbilhão?
Sou o estalo da mania ou o silêncio do abismo?
A moeda gira, mas o rosto é o mesmo:
Um lado é o chicote, o outro é a ferida.
A vida é um processo lento, um tribunal sem juiz.
E a morte... a morte é apenas a porta que não exige convite,
o único documento que não precisa de carimbo.
Augusto
Foi há alguns anos,
numa noite ao pé do lago.
Como sabeis todos, foi lá que encontrei
aquele que sempre soube amar;
vive ainda em meus pensamentos,
e amar-lhe era mais que amar a mim mesmo.
Eu era um jovem moço,
ele, um belo jovem,
nesta cidade ao pé do lago;
mas o nosso amor era mais que amor —
o meu e o dele era carnal,
um amor sagrado e profano.
E foi esta a razão por que, há muitos meses,
nesta cidade ao pé do lago,
à luz do luar eu ainda soube amá-lo;
mas a vida o tirou de mim
para encerrá-lo em meu sepulcro,
nesta cidade ao pé do lago.
E o rosto triste, no reflexo da água,
ainda murmura:
eu te amo…
Sim, foi essa a razão — como sabem todos —
que eu te perdi, Augusto.
Numa quinta-feira gelada,
o vento saiu da nuvem
e matou o amor que um dia soube amar.
Mas o nosso amor não era para sempre,
ridicularizado pelos deuses;
e nem os demônios sob o lago
poderão separar minha alma
da alma de Augusto.
Porque a luz triste do luar
só me traz sonhos
do dia lindo em que soube amá-lo;
e as estrelas na sexta sombria
só me devolvem os olhares
do meu amor que um dia soube amar.
E assim ‘stou deitado toda noite
ao lado do meu sepulcro,
sem Augusto,
no sepulcro ao pé do lago onde nos conhecemos,
ao pé do eterno murmúrio do lago.
De um lado a razão: severa, inflexível, dizendo para o amor não ir, não sofrer, não ver. Do outro lado a emoção: doce, insana, feiticeira, ela diz: vá coração, enfrenta a razão que nada entende de amor, vá que eu asseguro-te...naquele coração mora o amor mais lindo.
Flávia Abib
