Jean la bruyère

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Lá vai Lúcia Iara, caminhando ao mercado, trazendo alimento para seus pequenos. Ela é pura luz — um abraço que a gente deseja sentir sempre.

"Festeje a sua mãe, se você puder encontrá-la dentro do seu coração, é claro."

" Virar a página, não, melhor é rasgá-la, jogar todos os pedacinhos no vaso e dar descarga, mas sem deixar para trás nenhuma parte indesejável."

"Tem gente que 'vira a página', mas, volta e meia, torna a folheá-la."

A morte chega para todos, e nada, nem ninguém, tem poder para suborná-la.

A vida te fo#&, se você tentar levá-la na ponta de uma espada.

⁠Agora, já que pode andar sem máscara, o bom é usá-la sob o queixo, porque assim esconde a papada, e se usá-la, direto e reto, abaixo do queixo, pode até atrofiá-la também, impedindo que ela aumente ainda mais; e qto mais firme a máscara, melhor é.

⁠A Compulsividade existencial nos limita apenas onde iremos depositá-la, escolhendo qual será a fonte de sua dopamina diária.

​"O homem comum passa uma noite com uma mulher e acredita conhecê-la integralmente. Já o poeta, basta-lhe um breve olhar nos olhos para desvendar-lhe, enfim, a alma."

⁠Jesus mostrou claramente que a decisão de viver o novo de Deus é pessoal, Ele foi crucificado do lado de dois, um quis e outro não.

⁠Me ame do avesso 
Lá meu tamanho é inteiro 
Lá meu tamanho é imenso 
Lá é mesmo mais difícil de alcançar 
Mas me amando lá 
É que você me ama mesmo.

Você não é a frase.
Você é quem pode reescrevê-la.

Tal donzela existirá?
Aquela por quem viverei mil vidas,
Apenas para tê-la para mim.
​E se mil vidas não forem o suficiente,
Esperarei até que o sol se apague,
Ou até que o próprio universo acabe.
​Talvez no pós-universo,
Onde não existirá matéria alguma,
Se eu ainda de algum modo existir...
Ainda estarei tentando conquistá-la.
​E se por acaso o tempo parar de fluir,
Não perderei tempo e buscarei você;
Na estática do agora ou no vazio do sempre,
Até a eternidade.

No caminho certo, é lá onde Deus nos observa corrigindo as rotas.
E nos guiando, entendemos que direção é mais importante que a velocidade!

Como Ser Feliz no Brasil




O Cristo, lá do alto, não abre mais os braços —
estão cansados.
Ele olha o Rio e chora.
Chora como quem já não tem mais lágrimas,
só sangue.


O sangue desce pelas vielas,
mistura-se à chuva,
escorre pelas escadarias do morro,
lava o rosto de uma cidade que esqueceu o que é piedade.


Uma menina grita —
o pai caiu no chão, o peito aberto, o olhar parado.
Ela chama, chama, mas ninguém vem.
E o Cristo, imóvel, observa,
com o olhar pesado de quem carrega todos os mortos
e os que ainda vão morrer.


O policial também caiu.
Não é herói, nem vilão —
é um corpo traído pelo Estado,
um corpo sem preparo, sem futuro,
usado como escudo na guerra dos que nunca sobem o morro.


E o povo grita.
Mas o grito se perde.
Sobe, se mistura ao vento quente,
vira eco, vira reza, vira desespero.


Do outro lado da tela, nas redes,
há quem sorria.
Blogueiros, políticos, comentaristas de sofá —
todos erguendo taças,
festejando o sangue que correu.
Dizem que não foi chacina,
foi faxina.
Mas não eram bandidos.
Eram pais.
Eram filhos.
Eram avós, mulheres, trabalhadores,
gente que sonhava com o mínimo —
sobreviver.


Gente que acreditava,
mesmo que por instinto,
que ainda existia um Brasil para lutar.
Mas o Brasil não olha para os morros,
não sobe as escadarias,
não investe nas escolas,
não abraça o povo.
O Brasil aponta.
Atira.
E depois comemora.


A dor, agora, não cabe mais no peito.
O choro se mistura à lama,
o sangue vira notícia,
e o corpo negro —
o corpo que sempre foi o primeiro a cair —
vira espetáculo.
Dá ibope.
Vira estatística.
Vira silêncio.


E o Cristo, lá do alto,
já não parece uma estátua.
Parece um lamento.
Um lamento feito de pedra,
de fé cansada,
de humanidade morta.


O Brasil sangra no peito d’Ele.
E cada gota que cai
é um pedido de perdão
que ninguém ouve.


Porque aqui,
a caneta que deveria salvar,
assina a sentença.
E o Estado, que devia proteger,
mata.
Mata em nome da ordem,
mata em nome da paz,
mata porque aprendeu a matar
antes de aprender a cuidar.


E assim, o sangue desce o morro,
invade os rios,
chega ao mar,
e deságua no coração do país —
um coração cansado,
que pulsa em silêncio,
tentando, ainda assim,
ser feliz no Brasil.

A ansiedade noturna é um tormento silencioso...
Quando tudo fica quieto lá fora, a mente faz barulho dentro da gente.
Os pensamentos se misturam, o coração acelera, e o sono parece um inimigo distante.
Você tenta se acalmar, mas a cabeça insiste em revirar tudo — o passado, o futuro, o que dói e o que falta.
E assim, a madrugada vira um campo de batalha que ninguém vê.




Feh Alvarenga

Passei pelo deserto. Lá encontrei uma árvore que me acolhia e me dava sombra e frutos. Mas o sol implacável do deserto a matou. Então tive de encarar o próprio sol queimando dentro de mim. Enfrentei o drama, atravessei a dor.
Mais adiante, encontrei um oásis. Nesse oásis havia outra árvore: oferecia sombra, frutos, água fresca e ventos suaves. Parecia abrigo, parecia salvação. Mas também ele ruiu. A árvore secou, as folhas caíram, a água se turvou e os ventos se tornaram tempestade.
Foi então que tomei consciência: o oásis só existia porque eu o havia criado. Era fruto de uma ilusão, uma repetição inventada para confortar a minha mente. Eu precisava acreditar que havia sempre um refúgio à minha espera.
Compreendi, enfim, que o que tornava aquele lugar especial não era o lugar era eu. Pois o deserto continuava inóspito. E, ainda assim, era dentro de mim que nasciam as sombras, os frutos e a esperança.

O segredo para felicidade não é buscá-la loucamente, mas sim percebê-la nas coisas sutis dessa vida. A felicidade é um sentimento que reside na simplicidade!

⁠Ignorando o medo e abraçando tudo de expontâneo 
eu faço isso 
busco sei lá o que, não sei onde 
abro buracos no caminho
daqueles que só o calor do momento é capaz de cavar 
seja pelo ódio ou pela esperança.
Apenas sigo a intuição 
e sem pensar não sinto medo
fossa ou cova, 
viva ou morta 
tenho um vazio pra cair e somente assim eu sou capaz de preencher alguns vãos — caindo em buracos que apenas eu sou capaz de preencher alguns vãos 

365 luas, 365 sóis
e nada mudou
o carnaval passou, e vc não veio
Ficou lá, em outro lugar
no mesmo descompasso
que nos leva em direções opostas
Não teve registro, não teve palavras
muito menos uma celebração — um brinde ao amor de porpurina
que passou, se perdeu na folia
e deixou só a saudade e a lembrança
de quando ele brilhava