Andre guide
Você já notou que nos dias de chuva, os guarda-chuvas, guardam sonhos, guardam sorrisos, guardam amores, guardam quase tudo mas o que não guardam mesmo, é chuva.
O crente é como a criança que não brinca de amarelinha por medo de cair no inferno e ser zombado pelos coleguinhas. É como a criança que leva bronca do pai e vai chorar no colo da mãe, sua santa protetora. O crente é uma criança mesmo, e como toda criança, ele acredita que um dia a fantasia mais absurda tornar-se-á real.
E a manhã parte, a tarde chega e já vai com pressa pois lá vem à noite... E o ciclo se completa. E eu? Ah! Fico aqui a desejar-te.
E vem...
Os olhos mirando o bloquinho, sou zanho, sou zen, sozinho. Quebrou-se o silêncio, no barulho do meu copo, o gelo frenético batendo no fino e fanho vidro, ao ser mexido pelo dedo. E vem o convite à escrita...
A lua saiu com frio e tão pálida, pensamos que estivesse acamada. Veio a nós pelo mar, tremendo, até chegar à praia. E assim deu-se o beijo.
Pros falsos profetas macabros, sorrimos com nossa benevolência, pois são atrozes de mero vocábulo que voa sem asa, nem rumo, e pousa com todas as letras fazendo injúria nos castos, no deserto das aparências.
Não trate a vida como uma hecatombe, nessa manhã fria, cinza, sozinha. Quero no ínterim que se sinta minha. Quero que exponha esse amor que de certo esconde.
E agora deixo a sorte ir tomando posse, assim, aos poucos.
Vejo a felicidade surgindo sublime, como eu sonho que deveria ser... Destinada a todos.
Pela manhã molho o rosto e constato minha sorte, perdi há tempos a necessidade de encenar. A barba branca, o cabelo ralo e da vivência o aguçado faro - o voo mais acertado.
As navalhas dos erros fazem cortes diversos uns profundos, outros não, uns cicatrizam logo, outros não. Há pessoas que tem o talento nato de afiar as navalhas e lamentar depois.
Ajude-me a nadar em sua correnteza, pois fico mais confortável e feliz. Aquela força resistente me diz: Atravesse o oceano e me beija.
Não quero envelhecer tornando-me aquela máquina que funciona no automático e nunca sai do controle. A engrenagem devidamente lubrificada e há hora certa para cada função. Quero o gosto do sal na língua e no corpo, a brisa no rosto e muita areia nas solas dos pés. Quero ver nova gente, lugares belos, criar outros versos e acordar cada manhã com um curioso viés.
Noto teus olhos que não fulgem como antes, noto o tempo que te agradas como passa. Fazes morada na tua zona de conforto,
fazes confronto do amor que explode em mágoa.
