Sonia Schmorantz
Teu Olhar
Teu olhar!
Cintilar de estrelas
Que os meus procuram
Sem cessar...
Como é doce perceber
Teus olhos vagando em mim,
De maneira tão intensa
Sentir todo o teu querer...
Ah! Como eu queria!
Permanecer nesse encanto,
Embargada de emoção...
Por todos os meus dias.
Nossos corações ao léu,
Sorvendo tal encantamento,
Nas asas da poesia...
Adoro fitar teu céu!
Tua Poesia
Espelho da alma,
Vida que escorre entre as mãos
Assim é a poesia...
Todo o poeta acalma
As dores do coração,
Em versos que pronuncia.
A pena alegre ou triste
Detalhes vai contornando,
Em singular aventura.
Desde o dia em que partiste
Vivo teu nome rimando,
Com a palavra amargura.
Meu coração agora
Já tem a forma de flor
E o perfume do jasmim...
Que esta rima sem demora
Chegue a ti, meu amor,
Num abraço sem fim...
Milagres da Vida
Vieste ancorar nos meus sonhos
Sou a tua salvação!
No meu cais foste bem vindo...
Adeus dias enfadonhos!
Em teu mar de solidão,
Horizonte está se abrindo.
Siou a nereida encantada
Que ta nau impulsiona,
Nas águas tranquilas do amor...
A cada praia avistada
Meu beijo te aprisiona,
No véu da bruma em flor.
Ante tanto sentimento
Lua cheia vem banhar
Nossos corpos de magia...
É festa no firmamento!
Leves qual folhas no ar,
Esculpindo a fantasia.
Assim, mundo a fora,
Teu destino é o meu abraço
Nossas bocas sempre unidas
Em todo o nascer de aurora...
Te vejo em tudo que faço,
Somos milagres da vida.
Lembranças de Alegrete (À minha terra natal)
Minh'alma a trotezito
Percorre tuas campinas,
Nas asas do pensamento...
Olhos fixos no infinito
Posso ver tuas colinas,
Verdes paisagens ao vento.
Coração bate apressado!
Sente ânsia de chegar
Galopando nas coxilhas...
Num pulsar apaixonado,
Busca o aconchego do lar
na Capital Farroupilha.
Alegrete, meu jardim,
Onde roseirais plantei...
Torrão que me viu nascer!
Saudades nasceram em mim
Nas plagas por onde andei,
Num eterno florescer.
Ibirapuitã brejeiro
Fonte de águas correntes,
Vai regando nossa lendas...
A cantar nos pessegueiros
Cigarras com vestes de prenda,
Inebriam índios valentes.
A reviver nossas glórias,
Em cada Vinte de Setembro
Meu povo desfila animado.
Num tilintar de esporas,
Com muito orgulho relembra
Feitos heroicos passados.
Não conheci outra escola
Mais sapiente que a tua...
Minuano cortando os ares
São João, fogueira na rua,
Passarada nos pomares.
Geada encobrindo os campo...
Envolta em meu cachecol,
brincava descalça na chuva...
Terra de mil encantos!
Caindo chuvisco com sol
É casamento de viúva.
Tropeiro vencendo quebradas
Cumprindo assim sua sina,
Ao sabor do chimarrão...
Nas ruas,juntas de gado
Nos meus temos de menina
Braseiro ou fogo de chão.
Emmeio à fronteira oeste
Do Rio Grande do Sul
Está minha querência amada.
Com sua beleza agreste,
Debaixo de um céu azul,
O meu rumo é a tua estrada...
Não Foi Amor
Não foi amor, eu bem sei,
Foi enganosa desdita
Andor de astuto cinismo.
Sé Deus sabe o que passei
Nesta amargura maldita,
Escrava do teu egoísmo.
Não foi justo o clima funesto
Em que minh'ama quedou,
Esquecida na saudade...
Sentimento tão honesto
Você feriu, desprezou,
No apogeu da maldade.
Não há perdão compassivo
Nem brados de alegria,
Despertai de vis tormentos...
De torpes carinhos não vivo!
És contraluz dos meus dias,
És fagulha contra o vento.
Encontro
Sob o prisma do desejo
Minha emoção mais pura
Levou-me ao teu acalanto.
Guardei meu primeiro beijo
Entre as asas da ventura,
Nascente de tal encanto.
Envolta em sorriso franco
Exortei o fel amargo,
Migalhas da negra dor...
Escolhi até o banco
Do jardim enfrente ao lago,
Para te falar de amor.
Enfim, ouvi à distância,
Teus passos pisando a grama
Nas mãos uma linda flor.
Venci a timidez e a ânsia
Te envolvi no ardor que emana
Do meu corpo abrasador.
Amor Traiçoeiro
Amores que vêm e que vão
Às vezes deixam saudade,
Às vezes são duras farsas.
No altar do coração
Somente cabe a verdade,
Dispensa carícias esparsas.
Levantes do sentimento
Que o lábio canta airoso,
Nem sempre são verdadeiros.
Traem a todo o momento,
Lacrimante e pedregoso
É o caminho traiçoeiro...
Meu coração transpassado
Pelo punhal da traição,
O troco soube lhe dar...
Também encontrou outro agrado
Deixou-o na solidão,
Final de quem não sabe amar...
Carnaval do Amor
Cuíca, tamborim,
Cabrochas, pandeiro
Brilhante mestre-sala...
Sorriso de marfim
É mês de fevereiro,
Você na minha ala.
Batucando, o coração,
Entra no seu compasso
Está decretada a folia!
Meus sonhos pelo salão
Se unem com seu abraço,
Libertando a fantasia...
Meu amor como adereço
Ostentado em suas mãos...
Descrevi no samba-enredo
Seu beijo que eu não esqueço
Passista na multidão,
Revelam doces segredos.
Minha escola colorida
Ao toque da bateria,
Do samba mostra o valor...
É apoteose na avenida!
Esplendor de alegorias,
No carnaval do amor...
È Natal!
É Natal! Cantam os sinos!
Festejando Deus-menino
Brilham o céu e o mar...
Versos de amor pelo ar
Cenário ímpar, divino,
Corações a palpitar.
Saudade do Ser ausente!
Recordações tão presentes
De afetos perpetuados
Dentro da alma guardados,
Na magia desse instante
Unem presente e passado...
Um convite à oração!
Entrelaçar d emoção
Com fervor agradecer
Pela graça de viver
Com a coragem dos fortes,
Que tudo sabem vencer.
Que as bênçãos de Jesus
Feito raios de luz
Invadam nossa vidas...
Cicatrizando as feridas
Num renascer de esperança,
Tragam alegrias infindas...
Príncipe Encantado
Carinhoso
Educado
Muito sincero...
Bem charmoso
Por demais apaixonado!
Te espero...
Romântico
Bastante compreensivo,
Sempre alinhado
Na voz um cântico
Bom amigo,
Meu príncipe encantado.
Dos antigos romances
Para a minha vida
Sorriso franco,
Das cores nuances...
Montando cavalo branco
Saudade na despedida.
Flores na mão
De fidalgo a postura
Paixão no olhar...
Pureza de coração
A mais linda criatura
Do reno da ilusão.
Em seu castelo morar
Num verde bosque situado
Aves canoras no ar...
Nós dois dançando abraçados
Ah! Como é bom sonhar!
Com o príncipe encantado...
Versos Para Rosinha
Um presente de Natal
Do meu pai recebi
Nesta noite sem igual,
Não consegui dormir.
No meu mundo de criança
Uma rosa a se abrir...
Olhos azuis, linda!
Encantei-me quando a vi
Mil abraços, bem vinda!
Não parava de sorrir...
Alisando seus cabelos,
Seu nome eu escolhi.
Rosinha!
Cheirosa e delicada...
Agora minha amiguinha
Juntas num conto de fadas
Entre os muros do quintal,
A alegria fez morada.
Menina loirinha!
Cheia de elegância
Então minha filhinha,
Companheira de infância!
Beijos a toda a hora
Em minha boneca-criança.
Sabia também chorar
Dengosa e tão amada!
Ternura ao abraçar
Meiguice e cor rosada!
Difícil é descrever
Apegos que a alma guarda.
Cresci ao seu lado...
Agora, minha confidente
Sonhos, primeiro namorado,
Conflitos de adolescente
Mesmo sem dizer nada,
Queria me ver contente.
Guardo ainda comigo
Minha boneca, rosinha
Da meninice o abrigo
Hoje, versos em rimas
Foi bom dividir com ela
Fantasias tão lindas!
Canção da vida
Hoje
acordei bem cedo,
saí procurando respostas...
Caminhei por um bom tempo,
e no olhar de cada ser observei perguntas...
Caminhei mais um pouco, e
uma criança em meio à uma multidão de interrogações noutou-me,
sorriu pra mim...
Descobri que a resposta ao meu desassossego se chama esperança...
Decidi então visitar um amigo de longa data,
ele me abraçou sorrindo,
contou-me com ternura na voz que mesmo em meio ao desgaste da químio ainda tinha esperança...
Acariciei-lhe o rosto ternamente,
pude sentir em minhas digitais seu sol...
Percebi que esperança se chama fé...
Alonguei um pouco mais a caminhada,
alcancei o mar, nada perguntei,
ele então me fez serenata...
Na canção de suas ondas revelou-me que o intervalo entre um sorriso e outro se faz necessário...
Que o sal da lágrima pode também ser tempero...
Observei no vai e vem intermitente de suas ondas o ritmar afinado da fé,
que as vezes parece partir, entretanto, é elo que não pode ser rompido...
Entendi que a esperança é a canção da vida!
Além da corrupção nesse país, falta diálogo entre as Secretarias de um município. Sobra uma competição idiota e improdutiva.
Julguei ser
correspondida...
Julguei ser amada pelas
palavras que ouvia...
Por tudo que meu olhar
via...
Julguei pelo número de vezes
que teus lábios juraram me amar...
Acho que acreditei cedo
demais.
Não tenho pretensão de nada
Quero apenas
A singularidade da vida
Com a fertilidade dos momentos ternos
Quero
Teu corpo sobre o meu
Numa tarde fria de inverno
Sentir teu cheiro
Teu respirar
Quero
Sentir tuas digitais em meu corpo tocar
Quero
Amar-te sem medo
Numa doce entrega
Sem nenhum segredo
Me deixar em ti!
