Ferreira de castro

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Aonde estás que não te vejo? Aonde se esconde? Porque não aparece, e me abraça como deveria?
Eu confesso que te escondi tanto dentro dos meus porões existenciais, que já não consigo mais te ver.
Deve estar em um baú empoeirado, e abandonado, nas mais profundas mazelas da minha vida, com a fechadura emperrada e enferrujada, impossível de ser aberto. Então, ficará lá, guardado como o tesouro mais precioso, sem nunca mais ser descoberto nem mesmo por mim.

É exaustivo viver sentindo que cada passo meu está sendo monitorado. Ontem, mais uma vez, aquele mesmo olhar. Um olhar que não precisa dizer uma única palavra para me julgar, para medir o comprimento da minha roupa, para analisar o meu corpo e tentar me fazer sentir inadequada. O pior é que isso acontece no lugar onde eu deveria me sentir acolhida, mas que se transformou em um tribunal silencioso. Ontem o peso foi tanto que a minha única reação foi sair voada, fugir para dentro da minha própria casa para tentar respirar.

O segredo é não dar justificativas. Porque quem quer controlar sempre usa a justificativa para tentar convencer o outro do contrário.

Mas como respirar fundo se o limite entre a vida dela e a minha parece não existir?

O afastamento físico temporário alivia a sensação de sufocamento. Estou precisando muito!!

O importante é focar no que dá para controlar hoje.

A dinâmica com uma sogra tradicional que demonstra desaprovação silenciosa através de olhares, e microexpressões, drena a energia de qualquer pessoa, especialmente de quem possui uma percepção altamente aguçada para o ambiente ao redor, como eu. Affs!!

O julgamento diz mais sobre ela mesma. A rigidez da minha sogra reflete os filtros e preconceitos da cabeça dela, e não a minha decência, o meu corpo ou a minha postura. O problema está nos olhos de quem julga. No caso nos olhos dela.

O controle religioso e a invasão de privacidade são exaustivos, especialmente quando você já me sento vigiada até pelas roupas que uso. Que foda, isso.

Não sou obrigada a tolerar ambientes onde me sinto monitorada.

Este foi o discurso que dei ontem na igreja, onde compartilhei publicamente o milagre que Deus realizou na minha vida e no meu corpo, cumprindo a promessa que fiz a Ele de testemunhar as Suas maravilhas.


"Boa noite a todos. Irei compartilhar agora com vocês algo muito real e precioso que vivi nestas últimas semanas. Não trago palavras de grande comoção, mas a pura verdade sobre o que orei e o que Deus já realizou no meu corpo.
Quero ser muito sincera com vocês: não foi por causa de um problema de saúde que resolvi buscar a Deus. Ele sempre esteve comigo, desde quando eu era apenas uma criança desamparada. Ele sempre foi o meu Pai e o meu Salvador em todas as dificuldades que já vivi e nas que ainda enfrento. Minha caminhada com Ele não começou agora.
Meu corpo carrega as marcas de quatro cirurgias anteriores. Mas, todos os dias, sou grata por respirar, abrir os olhos e saber que não estou sozinha. Deus conhece a pureza do meu coração, sem precisar de aparências ou de julgamentos externos.
Ele está comigo em cada silêncio, em cada lágrima e em cada sorriso. Como Ele mesmo nos ensinou, converso com Ele no secreto. É na madrugada e nos meus sonhos que ouço a Sua voz e encontro respostas. Ele não precisa de multidões para falar comigo, basta eu me colocar diante dEle.
Eis o meu relato...
Há cerca de um ano, eu tinha um cisto hemorrágico de 23ml, e o meu ovário esquerdo estava aumentado em seis vezes, chegando a um volume de 61ml, além de apresentar líquido na região pélvica.
No mês passado, o cirurgião já iria me encaminhar para o risco cirúrgico daquela que seria a minha quinta cirurgia. Mas eu recusei. Sabia das consequências de perder o meu último ovário.
Pedi ao médico 90 dias para repetir o exame, confiando que Deus poderia limpar o meu organismo. Ele aceitou, embora cético, já que um cisto como esse raramente some após três ciclos. E já estava com mais ou menos 1 ano, que ele estava alojado em meu ovário.
Continuei in oração, pedindo para não precisar operar, mas sempre dizendo: "Seja feita a Tua vontade".
Foram dias de preces intensas, entregando cada preocupação ao Senhor, mesmo nos momentos em que me faltavam palavras. E eu não estava sozinha. Meu esposo, meu irmão e minha cunhada, Ruth, me confidenciaram que também estavam orando por mim. Saber que somos sustentados pelo amor e pela intercessão de quem amamos traz um conforto inexplicável.
Eu pedi algo específico a Deus:
uma melhora significativa no próximo exame.
Ontem, recebi o resultado. O cisto já não existe mais, o líquido desapareceu e o volume do ovário reduziu para 24ml!
Isso é real, está documentado e é uma resposta de Deus.
Disso, não tenho dúvidas.
Jesus nos ensina que a fé cura quando diz: “A tua fé te salvou; vai em paz."
Não acho que a fé substitua os cuidados médicos, mas ela nos sustenta, e fortalece em cada passo. Deus conhece cada cicatriz e limitação do meu corpo, e me dá forças para seguir.
A obra ainda não está totalmente concluída. O volume do ovário ainda está um pouco acima do normal, no entanto bem abaixo do esperado.
Meu corpo segue se recuperando. Por isso, continuarei o acompanhamento médico com toda a responsabilidade, fazendo os retornos necessários.
Sigo orando e confiando, pois sei que Aquele que começou a boa obra, é fiel para completa-la no Seu tempo e da Sua maneira.
Talvez vocês se perguntem: "Quem é essa que pega o microfone e fala com tanta propriedade?" Vocês podem não me conhecer, mas eu sou uma filha de Deus. E por isso vim testemunhar as maravilhas que Ele fez por mim. Já que foi isso que prometi para ele.
É gratificante falar dAquele que nos sustenta, pois os desafios da vida são enormes, mas com Ele superamos cada um.
Lembrem-se de que somos seres eternos. Não precisamos ter medo da morte. O que dói, às vezes, é o processo de viver, mas com Deus as nossas dores se transformam em resiliência e fé.
Busquem a Deus dentro de vocês mesmos e O encontrarão.
Quanto a Jesus, tentem imitar os Seus passos. Em qualquer circunstância da vida, perguntem-se: "O que Jesus faria no meu lugar?". Sigam o Seu exemplo e vocês encontrarão a verdadeira paz. Assim, como já encontrei.
Amém!"


19 de outubro de 2026

Olhei para o lado e vi o meu início,
O meu meio, o meu fim, meu porto seguro:
O esposo incrível com quem fiz meu futuro.
O susto do sonho foi só um aviso,
Para me devolver o meu melhor sorriso.
Percebi que o passado é poeira no chão,
E aquele rapaz só existe na imaginação.
Aquele amor antigo não foi desperdiçado,
Não ficou esquecido, nem foi arrancado;
Ele foi reciclado, lapidado na dor,
E hoje alimenta o meu maior amor.
Eu não perdi nada no tempo que correu,
Abençoo o caminho que me acolheu.
Eu vivi, eu sonhei, tenho o que mereço:
Pela minha história real, eu agradeço.

Se Davi tivesse dado ouvidos
às pessoas que diziam que ele não
seria capaz de vencer o gigante,
seria apenas mais um na multidão
de pessoas paralisadas pelo medo.
Não se importe com o que dizem
a respeito de você. A única pessoa
capaz de te parar é você mesmo.

São 3 da manhã. Estou sentado à mesa da minha avó. As 2:45 o galo da Camila cantou. Estranhei o horário. Por que cantaria tão cedo? Mais cedo estive triste, minha tristeza se prolongou e eu estou sofrendo tão tarde… tão tarde, estou dizendo, mas talvez o tempo não seja lá questão alguma. Talvez, o sofrimento de que falo é que não saiba ver datas e as horas, mas ainda suspeito desse galo.

Quem não tenciona satisfazer não regateia condições no contratar.

" Amo de verdade, até provar o gosto amargo da desilusão."

Farei de tudo para que amanhã possa ser um pai sem orgulho dos meus filhos. Pois quero ensinar a eles a não ser orgulhosos, porque orgulho leva apenas ao egocentrismo e, isso me faz entender que não existe orgulho para terceiros e , o mesmo não representa o amor que devemos ter uns para com os outros.

Carta ao Destino
Caro Destino,
Escrevo a você porque dizem que é quem escreve as linhas por onde andamos, e tenho algumas perguntas sobre o desamor.


Drummond contou de uma ciranda em que cada um ama quem não o ama de volta. Foi desenho seu, Destino? Por que embaralhar assim os corações, de modo que ninguém olhe para quem o está olhando?


Vinicius mostrou como a alegria vira tristeza num instante, sem aviso. Foi você quem virou a página tão depressa? Podia ao menos ter avisado que era a última.


Machado ensinou que a dúvida entra devagar e vai corroendo tudo por dentro. Será que você também planta desconfiança onde havia carinho, só para ver o que sobra?


E Clarice sabia como é difícil alcançar o outro de verdade. Por que nos fez capazes de estar pertinho de alguém e, ainda assim, sozinhos?


Não escrevo por raiva, Destino. Escrevo porque talvez você não decida tudo sozinho. Quem sabe uma parte das linhas fique para nós, e a gente aprenda a amar melhor, a duvidar menos e a ficar de verdade quando estiver perto. 


Se for assim, escreva com cuidado. E, se puder, reserve ao menos um encontro que dê certo.


Com respeito e esperança,
Um coração a caminho.

O ǫᴜᴇ ᴀ ᴄᴀ̂ᴍᴇʀᴀ ɴᴀ̃ᴏ ᴠɪᴜ


Conheci alguém que parecia uma conversa que eu já vinha tendo comigo mesmo há anos, só que agora em voz alta e do outro lado da mesa.
Tínhamos tudo em comum: o mesmo humor nas horas erradas, as mesmas perguntas sem resposta, o mesmo silêncio confortável. Era como se alguém tivesse lido meu manual e decidido existir. Paixão, daquelas que não pedem licença. Quintana já dizia: "Amar é mudar a alma de casa." E foi exatamente assim, sem mudança nenhuma de endereço, só a alma se sentindo em casa.
E não tenho uma foto sequer. Não tirei o celular do bolso nem por um segundo. Escolhi não perder tempo enquadrando o momento, porque enquadrar é se afastar dele. Preferi estar inteiro ali. Clarice Lispector, que escrevia sobre viver o instante em estado puro, entenderia: o que importa não é a imagem, é a sensação. A imagem ficou guardada onde nenhuma câmera alcança: no riso dela, na luz daquela noite, no jeito como o tempo parou de contar.
Rubem Alves defendia que o que é bonito a gente guarda no coração, não na gaveta. E Pessoa, à sua maneira, lembrava que somos aquilo que sentimos. Talvez seja isso que torna tudo mais raro. Uma foto se revê, mas um momento vivido de verdade a gente carrega. Não tenho o registro, tenho a lembrança, e ela é inteira.
No fim, Saint-Exupéry resumiu melhor do que eu: "O essencial é invisível aos olhos."

Eu não entendi. Você elege ladrões e depois reclama da segurança?