Alexander soljenitsyn
"A Grã-Bretanha, o núcleo do mundo ocidental, experimentou esta diminuição de sua força e vontade em um grau ainda maior, talvez, do que qualquer outro país. Por cerca de 20 anos, a voz da Grã-Bretanha não é ouvida em nosso planeta; seu carácter se foi, seu vigor se esvaiu".
Os protestos de massa que estão se tornando parte do cotidiano norte-americano são uma reação contra a submissão emocional que atrela o homem à máquina.
O amor não pode ser separado da liberdade e do prazer. Ninguém ama verdadeiramente alguém se limita a liberdade dessa pessoa ser ela mesma, de se expressar e de agir por si mesma. Por esse mesmo prisma, não se devia falar de amor e causar dor. (...) As ações do amor são ditadas pelo coração, e não pela cabeça.
Quando os pais assumem o direito de punir, colocam-se no lugar de um juiz. Devem julgar o comportamento da criança para decidir se ela merece ser punida e quanto. O próprio ato do julgamento quebra uma relação baseada no amor. O amor exige compreensão, enquanto que o julgamento exige onisciência.
As pessoas fortes têm fé e as pessoas que têm fé são fortes.
Tanto para a sociedade como para o indivíduo a fé é a força que sustenta a vida e a faz movimentar-se para diante e para cima. Portanto, é a força que relaciona o homem com o futuro.
As pessoas que colocam sua confiança no poder nunca parecem ter o suficiente para estarem completamente seguras. Isso é porque não há a segurança completa.
A confiança no poder para garantir segurança é uma ilusão que corrói a fé verdadeira na vida e leve inevitavelmente à destruição. Além do fato que não se pode ter poder suficiente, há também a possibilidade de sua perda. Ao contrário da fé, o poder é uma força impessoal e não parte do ser de uma pessoa. Está sujeito à apropriação por outra pessoa ou outro país. Uma vez que as pessoas cobiçam o poder, o homem que o possui é invejado. Entre outras coisas ele não pode descansar em paz, porque sabe que os outros estarão eternamente fazendo esquemas e manipulações para roubar seu poder. Então o poder cria uma estranha contradição: enquanto parece propiciar um grau de segurança externa, também cria um estado de insegurança interna tanto dentro do indivíduo como no seu relacionamento com os outros.
É a natureza humana que determina a história e não o contrário. Se é verdade que um orgulho arrogante vem antes da queda de um indivíduo, também é verdade (...) que a autoidolatria de um povo é uma das causas de sua queda espiritual coletiva. (...) Um ego inflado, tanto pessoal como nacional, precede e pode ser responsável pela quebra da estrutura social tanto quanto da personalidade individual.
Os valores do ego são individualidade, controle e conhecimento. Através do conhecimento conseguimos mais controle e nos tornamos mais individuais.
Os homens me atribuem uma genialidade, mas toda a genialidade que tenho reside no seguinte: quando há um assunto em minha mente, estudo-o em profundidade. Penso nele dia e noite. Exploro-o em todos os seus aspectos. Minha mente fica impregnada dele. O resultado é o que muitas pessoas chamam de frutos da genialidade, enquanto, na verdade, são os frutos do estudo e do trabalho.
O olho consciente pode ser enganado pela aparência das coisas, que muitas vezes contradiz sua verdadeira natureza. No caso de pessoas, é regra geral que, quanto mais elaborada a fachada, mais vazio é o interior.
Sabedoria significa ver o âmago das coisas sob a superfície de nossas contradições, onde não há bom ou mau, certo ou errado. Significa ver o ser humano como o animal que é, lutando para obter segurança e ainda ser livre, ser produtivo mas também jovial, buscar prazer mas também conhecer a dor, ansiar pela transcendência e não obstante contentar-se por estar contido num corpo finito. É saber que o amor não existe sem a possibilidade do ódio. É saber que há a hora de viver e a hora de morrer. É conhecer a glória do desabrochar da vida que parece esmaecer depressa demais, mas deixa atrás de si uma semente que brotará no momento certo. É saber que existimos para celebrar a vida.
Meu destino era carregar dentro de mim um tumor do tamanho do punho de um homem grande. Esse tumor inchava e distorcia meu estômago, dificultava minha alimentação e meu sono, e eu estava sempre consciente dele [...]. Mas o mais terrível não era o fato de esse tumor pressionar e deslocar os órgãos adjacentes. O que era mais aterrorizante nele era o fato de exalar venenos e infectar todo o corpo.
E, da mesma forma, todo o nosso país foi infectado pelos venenos do Arquipélago. E só Deus sabe se um dia ele conseguirá se livrar deles.
Esta é a visão do comunismo sobre a guerra. A guerra é necessária. A guerra é um instrumento para atingir um objetivo (...) Quando uma guerra aberta é impossível, a opressão pode continuar silenciosamente nos bastidores. Terrorismo. Guerrilha, violência, prisões, campos de concentração.
Se o mundo não chegou ao fim, ele se aproximou de uma grande virada na história, igual em importância à virada da Idade Média para o Renascimento. Exigirá de nós um impulso espiritual, teremos que subir a uma nova altura de visão, a um novo nível de vida.
Nos países comunistas eles desenvolveram um sistema de tratamento forçado em manicômios. (...) Três vezes por dia – neste exato momento – os médicos estão fazendo suas rondas e injetando substâncias nos braços das pessoas que destroem seus cérebros.
Eles julgam quem eles quiserem e colocam pessoas sãs em asilos – sempre eles, e nós somos impotentes.
Durante longas décadas fomos acorrentados por [um] sistema sob o qual nenhum trabalhador podia abandonar o trabalho por sua própria vontade. E o regulamento do passaporte também prendia todos a lugares específicos. E a moradia, que não podia ser vendida, nem trocada, nem alugada.
