Verner von Heidenstam
EU POR MIM...
Entre um pouso e um salto, um exagero de quimera aqui outro acolá, fui decifrando vontades, poetizando olhares, fazendo correr alto meus passos sobre céu de arado, sem jamais exilar por entre as nuvens minhas prenhes e perenes verdades.
Dancei bailados de alquimia que misturam os sonhos e os rumos, fiz nascer deles o chão que me sustém, embora o canto que ribalta o manto nem sempre me tenha sido de gentilezas e de sorrisos. Embora o horizonte de reverente poente que se quis ver, nem sempre tenha estado ao alcance do enquadrado das janelas através da quais ousei olhar.
Arte inacabada, não sacra, não casta, rabiscada pelas trilhas que andei, moldurada pelos versos que cantei, forjada em berço e preço pelas óperas ruidosas que encenei. Por vezes vulto e sombra para uns, àqueles os quais a retina que olha do centro do peito, não me foi possível atravessar. Mas o tanto maior de mim é alma sentida, é emoção alcançada, existência sem baço e névoa conhecida. Assim traduzo-me. Assim entalho-me no tronco cru e maciço das árvores que eternizam quem por elas passou e por ter algo a dizer, parou.
Por estes tantos andos e desandos de instintivos e dementados quereres, dizeres lavados de mim, em êxtase de crenças, em avidez de sonhos, sem mistérios e anteontens largados...
Que nestes, chegue sempre soberano e ímpero o TEMPO, maestro e juiz da vida. Tempo de aquietar as pressas permitidas e permissivas que, em cegueira luzidia, inundam e, por vezes, afundam. Tempo grato, polissêmico tempo que coaduna-se com as costuras consolantes, fiéis e pacientes a remendar e a refazer os rasgos e os vagos que pelas esquinas da alma vai se deixando ficar.
Pelo dito que sou, não sei se livre ou condenada estou, mas se nada mesmo ainda assim, fizer sentido, que eu NUNCA deixe de, incorruptivelmente, FLUIR. Que a emoção seja sempre dilúvio, redenção calçada de rosas e prosa em mim.
( Lu Menezes )
Fujo do meio dos importantes e famosos que já são bem mais que mereciam ser e nada fazem. Fico a vontade com os pequeninos e simples que nada são mas acreditam que tudo será melhor, pelo amor ao diferente, pela alegria de viver e pela abundante e implacável generosidade.
"O verdadeiro amante compreende que a união física é algo misterioso e profundo, mediante o qual, de modo exclusivo, revela seu segredo à pessoa amada, e esta lhe revela o seu. É um fato muito significativo e profundo que a Bíblia fale desta união física como 'conhecimento' -- conhecer uma mulher. Este termo expressa intimidade e profundidade da revelação do segredo da pessoa, a autodoação que esta união corporifica."
No longo prazo, até mesmo o mais tirânico dos governos, com toda a sua brutalidade e crueldade, não é páreo para um combate contra ideias. No final, a ideologia que obtiver o apoio da maioria irá prevalecer e retirar o sustento de sob os pés do tirano. E então os vários oprimidos irão se elevar em uma rebelião e destronar seus senhores.
Em toda a nossa existência, podemos reduzir toda motivação em apenas dois sentimentos: o desejo do Prazer e o medo da Dor.
O mundo não se resolve com paz
O mundo não se resolve com amizade
O mundo não se resolve com amor
O mundo se resolve... com o fim!
"Enquanto os problemas do socialismo eram apenas assuntos de debates, as pessoas com falta de discernimento e entendimento claros, poderiam ficar presas na ilusão de que a liberdade pudesse ser preservada sob um regime socialista. Esse autoengano não pode ser mais alimentado desde que a experiência soviética mostrou a todos quais são as condições em uma comunidade socialista. Hoje, os apologistas do socialismo são forçados a distorcer os fatos e deturpar o sentido evidente das palavras quando querem fazer com que as pessoas acreditem na compatibilidade do socialismo com liberdade."
Quando homens de todas as raças, povos e nações se reunirem para a tarefa supranacional de tornar tecnicamente possíveis viagens para planetas longínquos, a Terra, com todos os seus miniproblemas, se encolherá para a pequena dimensão que lhe corresponde, em comparação com os processos cósmicos.
Desde tempos imemoriais a curiosidade e a sede do saber sempre constituíram forças capazes de estimular o homem a viver em permanente pesquisa. As duas perguntas “Por que ocorre algo?” e “Como ocorre?” em todos os tempos foram propulsoras da evolução e do progresso.
Até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Após alguns anos, pode vangloriar-se de uma longa série de sucessos.
Menina
"Muitas vezes encontro em mim
Uma adolescente querendo viver
Mas raras vezes olho a face dela"
Olhos Vivos
"Me olhe nos olhos
Evite o soslaio
Seja verdadeiro
Intacto, certeiro
Seja você
Ou apenas tente
Crie improvisos
Saia da letargia
Viva, moço!
Viva, cada passo
Cada espaço
Cada dia."
Certamente que posso concluir pela inexistência de Deus a partir de que existem religiões diferentes e, como a verdade não pode deixar de ser única, nem todas podem ser verdadeiras. Até aí, acho que nenhum crente, de nenhuma religião, pode me contestar. O passo seguinte é considerar que, possivelmente, mas não certamente, nenhuma é verdadeira. Isto é algo de que não se pode escapar, uma vez que se verifica que as religiões surgiram de uma institucionalização de mitos ancestrais dos diversos povos. A não ser que algum deles tenha sido privilegiado por Deus como depositário da verdadeira revelação. A questão é, como saber qual deles? Acho que todo mundo há de concordar que a fé não pode ser critério de verdade, pois há pessoas de fé em todas as religiões. Algumas estarão enganadas, ou todas, mas não estou dizendo que sim. O critério que permitirá decidir deverá ser, pois, extrínseco às religiões. O único modo é fazer um trabalho de detetive e se buscar evidências e provas que permitam tomar a decisão. Neste ponto é que não vejo, em nenhuma das religiões, provas ou evidências suficientes que suportem a afirmação de cada uma de ser a verdadeira. Que os seguidores das diversas religiões, por favor, me apresentem. Note que o fato de suas escrituras afirmarem a veracidade delas não é prova de que o sejam. Em não me estando patente que nenhuma seja verdadeira, opto por não me filiar a nenhuma delas.
Não possuir religião nenhuma, contudo, não significa que não se creia em Deus. Pode-se crer em Deus e não ser filiado a nenhuma religião. O ponto principal do ateísmo não é ser contra a nenhuma religião mas considerar que Deus não existe. Logo as religiões, que têm por base o fato de Deus existir, exceto, possivelmente, o Budismo, não teriam razão de ser. Toda e qualquer facção ateísta tem em comum considerar que Deus não existe.
Por outro lado, não há, também, evidências e nem comprovações de que Deus não exista. Note-se contudo, que Deus não é uma evidência sensorial direta, como o Sol, por exemplo. Assim, considerar que exista requer uma demonstração. Não se conseguindo demonstrar isto, deve-se admitir que não exista e não o contrário. Isto é, não é preciso provar que Deus não existe para considerar isto. Basta não se conseguir provar que exista. Além disso, o fato de haver múltiplas concepções da divindade é fato altamente indicador de que ela não existe, pois, se existisse, muito provavelmente todos, de forma independente, deveria chegar à mesma concepção a seu respeito. É por isto que os ateus consideram que a existência de múltiplas religiões é um indício da inexistência de Deus. Outros são a existência do mal, o não atendimento das preces dos justos, as grandes imperfeições da natureza (a existência de doenças, terremotos, furacões, vulcões, enchentes, tsunamis e várias catástrofes naturais) e outras coisas.
A inferência de que a existência de múltiplas religiões seja um indício da inexistência de Deus certamente que é feita pelo intelecto, que é algo natural, mas é só do que dispomos. O que a Bíblia, ou qualquer outra escritura considerada sagrada pelos adeptos da religião que lhe corresponde, diz a respeito, não é garantida nenhuma de que seja verdade, pelo mesmo raciocínio. Em qual das escrituras acreditar, se umas contradizem às outras? Por que critério? Outra coisa: Porque o sobrenatural, “por definição” estaria fora da capacidade de concepção do intelecto humano?
Quanto à existência do mal, é claro que exclui a existência de um Deus simultaneamente onipotente e bom, pois como o mal existe, e Deus sabe disso, ou não quer suprimí-lo ou quer e não consegue. No primeiro caso não é bom, no segundo não é onipotente. De qualquer modo não se enquadra no conceito de Deus. E não falemos apenas no mal causado pelos homens, pois a natureza é fonte de muitos males.
Quanto ao não atendimento das preces dos justos, isto é mais do que patente. Quantas pessoas bondosas e justas oram a Deus suplicando pela mitigação dos males que as afligem e não são atendidas, enquanto reputados injustos e pecadores gozam de boa saúde, fortuna e felicidade. Que Deus bom e justo e este?
Não vejo em que reside a imaturidade em avocar as imperfeições patentes da natureza e as mazelas humanas para justificar a inexistência de Deus. Por outro lado, a sintonia fina que permitiu a existência de nossa vida, mesmo extremamente improvável, não é impossível e, se existimos, é porque exatamente isto é que se deu, caso contrário não existiríamos. Não é preciso supor nenhum planejamento, intenção ou propósito para que todos os acontecimentos levassem a nós. O acaso é perfeitamente capaz de explicar qualquer coisa.
A maior parte dos teístas se aferram à sua concepção de que existe um Deus e consideram falaciosos todos os argumentos em contrário. Nada do que eu disse consiste em falácia. Sobre a existência de múltiplas religiões, eu não concluo que isto prova a inexistência de Deus, mas digo que é um forte indício nesse sentido. A mesma coisa se dá sobre as correntes filosóficas e psicológicas. O fato de que, a certo respeito, haver várias “escolas de pensamento” inteiramente divergentes, é, também, um forte indício de que, provavelmente, todas estão erradas. Por isto é que a psicologia não se estabeleceu com um estatuto de ciência até hoje. Parece que as neurociências, afinal, serão capazes de prover a psicologia deste estatuto. A filosofia está a carecer de uma metodologia de filosofar que faça com que suas proposições possam ser demonstradas de modo inequívoco, sem possibilidade de não aceitação pela comunidade filosófica, até que novas evidências venham a derrubar o que se tem por estabelecido. Quanto à argumentação de Epícuro, gostaria que me apresentassem uma refutação, pois, pelo que me consta, até hoje, isto ainda não o foi. Concordo me que não há razão para se fazer qualquer prece para atender algum pedido, pois Deus, sendo onisciente, já sabe de tudo. O que me estranha é que justos sofram e pecadores gozem de paz, alegria e felicidade. Em verdade não há motivo para se fazer prece de qualquer espécie, mesmo de louvor, pois, se Deus existe, ele sabe quem o ama e, se não existe, para quem dirigir as preces?
Concluir que o Universo foi planejado não é nada “lógico”. É apenas um palpite. Não existe indício nenhum de planejamento. Aliás, se foi planejado, então seu engenheiro é muito incompetente, porque ele é extremamente imperfeito.
