Almeida garrrett
Existe uma mulher na minha vida cujo rosto está sulcado de rugas e, em cada uma delas, encontro uma carícia que afago, venero e beijo. A esta mulher dei o nome de MÃE.
Nascida no interior de África, parti de imagens e fatos reais, teci as minhas missangas e mergulhei no mundo de cabeça.
A questão da mentalidade de uma sociedade sem preconceitos e moralmente corrompida não tem a força suficiente para se apoderar de mim.
Surgem as primeiras claridades no horizonte e, finalmente, dirijo-me para o estado espiritual que sempre pretendi, a vertigem rara e inesperada de uma mulher cuja verdadeira origem é a de sentir diferente, de viver apaixonadamente e de ser a doce essência dentro da sua poderosa, particular e incontestável plenitude.
Se tivesses conhecimento, por um lapso do tempo ou por uma graça divina, do que tenho dentro de mim, decerto as tuas lágrimas passadas seriam risos presentes comigo.
Quando alguém investe numa pessoa que não retribui da mesma forma, gera-se um desequilíbrio emocional que é necessário travar. O lado que tudo entrega proporciona, sem querer, ao lado que tudo recebe, a indiferença e a acomodação. Então, a autoestima adensa-se como relâmpago curto e rápido de uma trovoada sem som, e aí se enraíza, se fortalece e se determina.
Ah, vida, como é deslumbrante o teu existir e como são maravilhosas as formas com que me presenteias e me delicias!...
A espera é sempre penalizadora, mas, quando é vivida com vida, com fé e com amor, torna-se simplesmente divina.
Uma chama autêntica, um aroma verdadeiro, uma cor deslumbrante, a centelha que resistiu à racionalidade.
Li nos livros o conhecimento do humano transitório e das distâncias assombrosas de um instantâneo pensamento, por isso pude, enfim, continuar a constatar que o meu bem maior e mais precioso sou eu.
Que eu possa sempre cuidar das amizades que me amam e me querem bem e que eu sempre possa entendê-las sem necessidade de nada falarem e de nada expressarem.
